2º capitulo – As Amazonas

Saga G – 13 anos atrás.

Grécia, Santuário de Athena.

A hierarquia dos protetores de Athena possui muitas ramificações e, uma lei, tão antiga quanto o próprio santuário, diz que se alguma mulher quiser dedicar a sua vida para proteger a deusa da guerra deverá usar uma máscara em seu rosto, para esconder sua feminilidade. Essa lei diz também que, se por um despropósito do destino algum homem ver o rosto da amazona, esta deverá escolher entre matar ou amar este homem. Claro que, nos inúmeros registros que contam a história do santuário se encontram rápidas histórias sobre esses fatos que se ocorrem ao longo dos anos. Rápida nos livros porque, as feridas das conseqüências podem demorar a cicatrizar no coração destas amazonas...

Lilika era uma das tantas amazonas que, mostrando sua força estava as vésperas de conseguir sua valiosa armadura de prata de Águia. Mas o seu destino não fora nada fácil. Seu irmão, ao saber que o pai havia desaparecido, fugiu com a intenção de encontrá-lo, deixando ela ainda pequena nas mãos de sua mãe que a cada dia padecia com a falta de noticias de ambos.Alguns meses depois, sua mãe faleceu, e ela não tinha mais ninguém com quem ficar, a não ser em um orfanato, coisa que ela jamais suportaria. Decidiu que procuraria seu irmão a todo custo. Investigando daqui, e dali, acabou descobrindo que seu pai trabalhava para uma embarcação que naufragou na Sibéria. E foi justamente para este lugar gélido que ela foi, a procura de pistas sobre seu irmão. Descobriu que ele era um discípulo de um cavaleiro de Athena, e que mestre e aluno estavam a mais de um mês no santuário da Grécia. As poucas economias que ela tinha, haviam sido gastas nessa peregrinação, e já começava a passar fome. Com o corpo debilitado pelo rigoroso teste de resistência a fome e ao frio, desmaiou próximo a uma vila de pescadores. Os deuses compadeceram-se de sua sina, enviando-lhe um ex-pescador para acudi-la. E este a levou para a Grécia, onde a deixou a própria sorte. Lilika tentou a todo custo, entrar no santuário para procurar seu irmão mais velho, mas os soldados não permitiram que ela entrasse. Então tentou algo mais arriscado, passar pelo desfiladeiro. E como não estava acostumada, caiu. Eis que mais uma vez, os deuses se apiedam de sua vida, lhe enviando um anjo que segurou sua mão. Quando a garota se depara com o rosto de um rapazote gentil, seu coração palpita com muita intensidade. Era amor a primeira vista. Este garoto a salvou e cuidou de seus ferimentos. E quando ela contou o que estava procurando, ele disse que ambos haviam retornado ao seu ambiente de treinamento, e que ela deveria se candidatar a armadura de prata, assim ficaria mais fácil dela encontrar seu irmão. Treinou arduamente sob as exigências de seu mestre, Afrodite. Seu mestre havia lhe dado permissão para que visitasse seu jardim, com a condição de jamais ser vista por alguém naquele lugar. Ele sabia que ela amava rosas, e também um certo cavaleiro, Aioros, que fora o rapaz que indicou essa saída para encontrar seu irmão. Para ela, isso se tornou uma rotina agradável. Poder estar sempre perto das rosas, e podendo admirar de longe seu amado, mesmo este sem saber o que se passava por sua cabeça. Hoje, aos 13 anos, a amazona já parecia uma mulher quase feita. Seus olhos tomaram uma tonalidade verde mais escura. Seu cabelo castanho com mechas claras não cresceu alem de um pouco abaixo dos ombros. A sua pele continuava tão clara quanto a luz do luar. E o rosto delicado sobressaia-se com os lábios carnudos e vermelhos. Sim, essa era a sua aparência atual, totalmente diferente da garota de corpo mirrado que havia chegado ao santuário, amedrontada por todos os tipos de demônios que as crianças tem em sua infância. Mas este rosto só fora visto por algumas pessoas antes de aceitar a mascara, marca registrada de uma amazona...

Em uma bela manha de primavera a jovem amazona andava pelo jardim da casa de Peixes, até que ela para em frente a uma roseira onde se encontravam belas rosas, talvez as mais belas que já viu em sua vida. Ela observou se não havia ninguém por perto e retira sua mascara para sentir o aroma. Em um momento de reflexão fala algumas palavras pra rosa, como se fosse para um amigo:

- Passaram-se tantos anos, e até agora não tenho nenhuma noticia de meu irmão. E a cada dia que se passa, está se tornando mais evidente que jamais nos reencontraremos nesta vida...

- E não será agora que irá desistir de procurar... te conheço muito bem, Lilika...

- Mestre?!

Assim que ela se vira, não se dá conta de que estava sem mascara. Era algo natural pra ela sempre se voltar para seu mestre e amigo esperando por algo de suma importância. Afrodite ao ver que ela estava sem mascara, tentou virar de costas, para não ver seu rosto. Porem já era tarde demais pra isso. Quando ela finalmente se deu conta de que estava sem mascara, ficou estática, sem saber o que fazer ou dizer.

- Lilika, nós dois sabemos o que acabou de acontecer...E que você não pode me amar porque seu coração pertence a Aioros. E muito menos ainda me matar, pois embora seja a favorita a armadura de prata de Águia, não tem cosmos suficiente para matar um cavaleiro de ouro.

Lilika praticamente em estado de choque deixa suas lágrimas escorrerem por seu rosto. Em uma fraca e quase inaudível voz, fala entre soluços:

- Mestre, o que eu devo fazer?

- O que se deve fazer, amazona.

- Grande Mestre?

Ambos ficaram pasmos e sem reação, enquanto na mente do grande mestre se passava um certo pensamento: "- Ela irá optar por lutar com Afrodite, morrerá, e não poderá tentar ir contra minha vontade. De uma forma ou de outra, o destino de todos aqueles que ousarem ir contra mim, morrerá." Quando o impacto da primeira reação perdeu seu encanto, Lilika pode perceber que algo estranho estava acontecendo com o Grande Mestre, só não sabia o que determinar exatamente o que era. Parecia uma força maligna envolvendo ele. Será que seu mestre Afrodite não percebia isso? Ou será que alguns boatos a cerca do grande mestre eram verídicos? Nada disso importava agora. Teria que tomar uma decisão que mudaria o resto de sua vida.

- Muito bem, cavaleiros... eu não pretendo mais ficar aqui. Este santuário não me trouxe nada de bom, e como não pretendo lutar com meu mestre nem amá-lo, me banirei deste lugar, para nunca mais voltar. – ela respira forte, vai até sua mascara, a pegando e colocando em seu rosto, e vai desaparecendo ao poucos entre as rosas enquanto conclui: - Este santuário está manchado pelas atrocidades de algumas pessoas... saibam que porventura nos encontrarmos mais uma vez, vocês se lembraram do meu olhar e da garota que conheceram, mas que, a partir de hoje, não existirá mais...

Afrodite ficou triste ao perceber que a sua pupila, e amiga estava realmente disposta a deixar o santuário com o coração preenchido de tristezas. Talvez ela nunca mais daria uma boa gargalhada como fazia antes. Quanto ao grande mestre " Ela poderia ter se tornado um contratempo para meus planos. Já está quase tudo pronto, e não há ninguém no santuário nem em outro lugar que conseguirá impedir meu planos." O grande mestre sai de lá como se nada tivesse acontecido.

A noite do mesmo dia...

- Traidor!! Aioros é o traidor do santuário... Não deixem ele escapar... ele tentou matar o bebê Athena... deve morrer por essa traição...

- Grande Mestre, isso é impossível. Aioros é um dos cavaleiros mais fiéis ao santuário e...

- Você fará o que mando, cavaleiro de capricórnio. Por bem ou por mal, fará o que te ordenei... Satã Imperial!!!!!

Shura nem teve tempo de se esquivar, pois não esperava que o grande mestre seria capaz de atacá-lo assim, e mesmo que desconfiasse disso, não teria velocidade suficiente para esquivar-se do golpe ágil de seu oponente. Os olhos de Shura se tornaram vermelhos, sua mente estava confusa, mas apenas um pensamento prevalecia, matar o traidor, matar Aioros...

Tempos depois o grande mestre obteve sua vontade satisfeita através das mãos do guardião da décima casa. No entanto, Shura voltou a seu estado normal com algumas seqüelas que foram percebidas por sua aprendiz, Amara.

Saga G – alguns dias depois.

Grécia, Santuário de Athena.

Mais um dia se findava e uma jovem se despedia de suas companheiras de treino, seguindo para sua pequena casa.

- Não entendo a Amara. Como ela consegue se manter tão calma e serena diante da vida que levamos aqui no santuário? Ainda mais com essas coisas esquisitas acontecendo, depois que a bebe Athena chegou... – comentou uma amazona.

- Concordo com você. Eu nunca vi, mas, dizem que quando a Amara luta pra valer ela se torna fria e usa toda sua força, parece até uma pessoa completamente diferente. Por isso não duvido nada que ela ganhe a armadura de prata de Cobra. – diz a outra.

- É a Amara tem mesmo uma personalidade estranha. – conclui a primeira amazona.

Amara chega a sua cabana e deita-se em sua cama. Lembranças de alguns dias atrás vinham sempre a sua cabeça.

- Mestre, essa historia de Aioros ser um traidor está estranha. Será que o grande mestre não se enganou?

– Não sei, Amara... eu vou ver o grande mestre agora.

– Quer que eu vá com o senhor?

– Já disse que não precisa me chamar assim quando estivermos sozinhos... Não se preocupe, voltarei logo. Até lá, termine os exercícios que te passei... sei que você está mais qualificada do qualquer outra a ser a amazona de cobra. Quando o teste final chegar, a sua vitória vai me deixar muito orgulhoso...

Amara responde um tanto desanimada:

- Eu vou vencer, e terei a armadura de prata de cobra...

- E isso me deixará muito feliz também...

O Cavaleiro de capricórnio dá um sorriso, e sai para ir falar com o grande mestre, deixando para trás uma amazona muito feliz ao escutar isso. Shura só voltou no dia seguinte, totalmente estranho. Quanto a Amara, esta não conseguiu conciliar o sono, preocupada com seu mestre. Ele era mais que um mestre para ela era também seu grande amor secreto. Mais isso não importava agora. Ele deixou de ser doce com ela, e se tornou um ser totalmente frio e sem emoções. Com isso ela perdeu as esperanças de um dia declarar-se a ele. Imaginou que seu amado estava amargurado por ter sido o assassino de seu melhor amigo, Aioros. Que talvez ele tenha sido obrigado a matá-lo para não ser considerado um traidor também, e esse seria o motivo de seu sofrimento calado. Tudo isso a estava deixando inquieta. Não estava tão serena quanto as suas companheiras pensavam. Teria que descobrir a verdade. Todos a quem perguntou, nada sabiam. Porem, um dia, uma das tantas mulheres que freqüentavam o templo principal acabou cedendo, e contado a Amara o que viu escondida por trás de uma pilastra. O Grande Mestre atacou Shura com a Satã Imperial.

Mas hoje seria diferente dos outros dias em que procurou adentrar as escondidas no salão principal, porém não conseguira devido a grande inquietação dos últimos dias, sempre cheio de guardas ou mulheres. Dessa vez ela tivera a certeza que o grande mestre estaria só em seu templo. Determinada a falar com o grande mestre, não importasse o que ocorresse atravessou num impulso as grandes portas douradas, assustando por alguns segundos o ocupante do lugar.

– Você é... Amara. – disse ao ver quem entrava repentinamente em seus aposentos.

– Isso mesmo, Ares. – seu coração estava tenso, mas seus olhos e a voz, expressavam claramente sua raiva e determinação por baixo de sua mascara.

– Você está muito abusada garota. Entra nos meus aposentos sem notificação e me falta totalmente com respeito... Quem pensa que é? Retire-se daqui imediatamente, e aguarde sua punição em sua cabana.

– Cala a boca! – ela sentia seu sangue ferver como se algo quisesse despertar de seu interior – Eu sei que você controlou o Shura para que ele mata-se Aiolos!
– O que? – a expressão de seus olhos mudara repentinamente.

- E eu estou achando que, para você ter feito isso, essa história de Aiolos ser um traidor está muito mal contada!

– Sua... " Ela já está sabendo demais... não posso permitir que ela saia daqui com vida..."

Este desferiu um golpe de surpresa em Amara que se esquivou, mais não tão rápido, e a conseqüência desse deslize: sua perna ficou ferida. Mesmo assim rapidamente ela surpreendeu Ares com um ataque e em meio à luz ofuscante do golpe se ouviu um grito feminino.

– O que...? - Quando a luz cessou, os dois oponentes viram que uma serva do Mestre se colocou na frente do golpe para que ela não ferisse seu senhor... Amara estava surpresa e comenta para si mesma – Quanta fidelidade!

Porem, nessa pausa de poucos segundos da amazona, Ares aproveitou para atacá-la, não dando valor nenhum a morte que acabou de ocorrer para salvá-lo, e isso foi mais um motivo para o ódio de Amara aumentar.

Como o grande mestre atacava muito rápido a garota que só tinha tempo de esquivar. Quanto mais sua raiva e a probabilidade de ter sua vida em risco aumentava, mais ela sentia seu sangue ferver, até tudo ficar escuro e ela repentinamente parar. Ares sabia que era o momento perfeito para atacar, mas não conseguiu, ficou apenas olhando... Sua cabeça estava baixa e o cabelo ficou mais escuro e enrolado que o normal, e quando ergueu os olhos, este deu um passo para trás;

– Amara? O que aconteceu com você?

- Amara?Hu. Esta garota está adormecida em mim! – ela respondeu, com sarcasmo – Meu nome é Dustin!

Repentinamente, a garota atacou o oponente, que conseguiu desviar. - Uma dupla personalidade? Então é por isso que nas lutas mais sérias de Amara os oponentes acabavam mutilados... Era Dustin que aparecia.

A amazona lança um poderoso golpe que é interceptado por uma barreira, porem, mesmo assim, alcança um fleche de luz que atinge o corpo do mestre, mas não ocasiona nenhum dano. Com isso, Dustin recua um pouco, assustada com o que acabara de concluir.

– Essa presença... Um Deus!

– Morra garota estúpida!

Os golpes estavam cada vez mais fortes. Dustin não sabia da onde vinha essa presença assustadora de um deus, porem como não poderia vencer sozinha, se esquivou dos golpes do Mestre Ares e fugiu em direção das 12 casas.

– Não posso mais ficar no Santuário, tenho que fugir daqui! Então é essa presença que faz o Mestre ficar estranho, é como se ele fosse uma marionete dela...

Não demorou muito para que soldados viessem matar Dustin a mando do Mestre, mas esta acabou com todos sem grandes dificuldades. Porém, no meio desses soldados, havia um cavaleiro que a perseguiu para fora do Santuário e, segundos antes dele se atingido pelo golpe fatal, desferiu um forte raio que a fez cair e bater a cabeça numa pedra. Com isso, a amazona perdeu a consciência e ficou no chão o resto da noite, com o corpo machucado da batalha.

-Amara... Achou mesmo que podia me vencer? Ingênua...

Gotas de sangue caiam em um leve e fino tecido que cobria a cama da pequena Athena... Já fazia alguns dias que ali, naquele local, Aiolos impedira a morte do bebê e hoje...

-... Estão mortos.

Essas palavras foram ditas quase que em um sussurro pelo Grande Mestre, que tirou seu elmo dourado e o jogou na cama junto com as gotas de sangue, logo em seguida limpado o filete de sangue que escorria de sua boca.

- Hu... O golpe da Dustin fez um pequeno efeito. Mas ela disse..."Essa presença... Um Deus" -Deus... – diz ele depois de se lembrar destas palavras - Então Dustin percebeu que ele está aqui. Ele... Que me deu aquele punhal para que eu mata-se Athena...

O grande mestre levanta a cabeça que há pouco estava baixa, levando seus cabelos prateados pra trás e revelando o olhar maligno de Saga, controlado pela parte má de seu coração.

- Agora que Athena está morta... Eu tenho o controle do Santuário e do Mundo! –após uma de suas risadas maquiavélicas Saga ficou sério e se pos a observar a flamejante chama de uma tocha – Eu e Dustin somos iguais... Nem Amara nem minha outra personalidade são capazes. Apenas nós dois sentimos... O caos de CRONOS.

- MULHERR!! Aonde você foi? – a pergunta surgiu de uma forma assustadora.

- E-eu fui na feira... comprar leite... – a mulher estava com uma menina de uns 4 anos de idade, carregava também sacolas de compras, e respondia com muito medo daquele homem que um dia fora um poço de doçura.

- Quem te deu permissão para sair sozinha?

- Eu tinha que comprar comida pra nossa filha... ela estava com fome e...

- Não me responda assim, sua... você foi ver um de seus amantes não foi? Sua meretriz...

- Não!! Eu fui comprar...

- Cala boca! Você não presta mesmo! Todo dia é sempre a mesma coisa... sempre inventando mentiras para encobri as safadezas que faz por ai com outros homens. Pra mim já chega! – o homem começou a bater na mulher e xingando de todos os nomes possíveis. Quando a pequena menina, esta tentava impedir, com lagrimas no rosto, que seu pai fizesse o que sempre fazia todos os dias.

- Não bata na mamãe, papai... ela só foi comprar leite comigo... eu vi.

- Você está dizendo o que ela mandou você dizer. A sua mãe não presta. Agora saia da frente, menina. – como a menina não obedeceu a ordem, o pai empurrou a menina contra a parede e disse feroz – Eu acho que Amara não é minha filha, e sim de um de seus amantes. Como pude ser tão burro em acreditar que essa menina possa ser mesmo a minha filha, quando na verdade ela se parece cada vez menos comigo?

O homem enlouquecido pelo ciúmes, pega uma faca, afirmando que não deixaria as sujeiras de sua mulher impune. Com dois golpes no ventre dela, ela cai no chão, toda ensangüentada, e segurando o ventre para conter a hemorragia. Dava-se pra se ver em seus olhos, que estava preocupada com Amara, não só ter sido empurrada com violência contra parede, como também por tudo que acabou de escutar e ver. Essa cena nunca se apagaria em sua mente. E a que veio a seguir também não. O homem arrependido pelo que fez, sacudia a mulher que estava sem vida no chão, pedindo perdão por tudo o que havia feito a ela. Como viu que não dava para voltar atrás, pegou a faca e a cravou em sua barriga. A menina estava em estado de choque depois de presenciar tudo isso sem poder fazer nada. Seus olhos ficaram bem abertos, olhando em direção dos corpos de seus pais. Um dia inteiro se passou, e ela não conseguia sair dali, nem perceber que alguém chegara na casa fazendo um balburdio, e nem muito menos quando a mulher havia lhe tirado dali. Dois dias se passaram, e ela continuava na mesma, mas conseguia escutar o que sua tia dizia.

- A mãe dela era uma meretriz, e fingia que era uma mulher de família. Acho que Amara não será diferente dela... como o ditado diz: tal mãe, tal filha... não pretendo ficar com uma...

- Se ela ficar igual a mãe, nós a expulsaremos ela daqui...

- Mas até lá, a nossa família vai ficar mal falada...

- Então vamos tentar criá-la sob forte regime.

Amara sempre escutava esses tipos de insultos, principalmente quando seu pequeno corpo não agüentava mais os rigorosos trabalhos que impunham a ela. Sempre estavam falando mal dela ou da mãe, e quando não era isso, apanhava sem motivo. A muito tempo que seu temperamento calmo estava tendo bruscas alterações, mas agora vivendo com sua tia, tudo o que ela passou com o pai era dez vezes melhor do que isso. E esse seu lado esquentado estava se tornando mais forte, até que por ultimo, fugiu da casa de sua tia, e ficou vagando pelas ruas. Escutou boatos que o santuário estava recrutando jovem garotas para se tornarem amazonas. Não pensou duas vezes, e se candidatou. No inicio ela treinava com outras aspirantes a amazonas, sob a supervisão de uma amazona que iria deixar o santuário por causa da idade. Foi nesse campo em que treinava com as outras aspirantes, que conheceu Lilika. E quando ela alcançou a idade para concorrer a armaduras de prata, foi encaminhada para treinar com seu futuro mestre, Shura. Os treinos estavam cada vez mais interessantes, pois viu nele algo que não conseguia enxerga em ninguém, a pessoa ideal para acalmar seu coração...

-Ela está acordando!

Amara abre seus olhos devagar, devido à voz conhecida que escutara, e ainda sentia uma forte dor na cabeça.

– Lilika?É você...?

As imagens começam a ficar mais claras que a amazona de prata vê que estava deitada numa cama de um quarto simples, com sua companheira Lilika sentada ao seu lado passando um pano úmido em seu rosto sem máscara pra tirar o suor e uma mulher de meia-idade um pouco mais atrás.

– Sou sim! Está se sentindo melhor Amara?

– Ahan – diz ao tentar ficar sentada - Só estou um pouco zonza. Esta aqui é aquela vila perto do Santuário não é? Você ficou aqui o tempo todo?

Lilika balança a cabeça positivamente e a senhora sai dizendo que irá trazer um chá.

– Amara o que aconteceu? Fiquei muito assustada quando te vi desmaiada aqui nas proximidades da vila!

Amara conta tudo o que aconteceu a companheira que ouve atentamente e não tem muito que falar.

– O que não entendo é que não consigo me lembrar o que aconteceu depois disso. Senti o ódio tomar conta de mim e ficou tudo escuro, na sala do Mestre. Horas depois eu acordo numa casa de uma vila com um machucado enorme na cabeça e você me diz ter me encontrado aqui nos arredores.

– Também estou estranhando isso. Mas seja o que for não é prudente você voltar ao Santuário. Com certeza foi perseguida para ser assassinada.

-... Algo dentro de mim diz isso também. Não devo voltar agora, tenho que treinar pra ficar mais forte. Mas não vou fugir pra sempre.

A senhora dona da casa volta com um chá para que Amara recupera-se suas forças.Depois de pensar um pouco, Lilika finalmente diz:

- Você ama o Shura não é? O que vai fazer agora?

– Vou ter que guardar esse amor por um longo tempo... Mas quem sabe um dia ele possa aflorar de novo?

Depois de beber o chá, a amazona se deita novamente colocando sua mascara, pois sua cabeça ainda doía.

– E você...?

– Aiolos está morto. Não há mais nada a fazer. – ela se levanta e para na porta antes de sair - Descanse essa noite Amara. Depois você pensa com calma no que fazer.

A amazona passou a dia inteiro treinando nos arredores da vila, e a noite volta para a casa onde ela e Amara estavam hospedadas apenas para descansar um pouco. Enquanto todos estavam dormindo, Amara estava achando que algo estava errado e resolveu ir até a sala, mesmo com uma longa camisola branca e meio cambaleante. Chegando ela vê Lilika vestindo os trajes que usava para treinar e saindo silenciosamente da casa.

-Lilika? –perguntou a garota assustada - Aonde você vai assim?

A amazona olha pra trás com receio, não queria ser descoberta, porém agora não adiantaria mentir para Amara.

- Eu vou até o Santuário.

Amara – Ficou maluca? Você mesmo se baniu! Não pode mais voltar!

– Que me importa? Minha vida era no Santuário... Agora perdi tudo, nada mais me importa... Mas não posso deixar esse crime impune.

Amara – Do que está falando? -Lilika falava de um jeito sóbrio que a deixou assustada - Quer vingar Aiolos...?

– Claro.

A garota falou sem olhar nos olhos de Amara, pois sabia que, fazendo isso, estaria renunciando a única amizade que lhe restara. Mais era mais forte que ela.

– Lilika... Shura não teve culpa! E depois, você não pode contra ele!

Lilika - O que...? Está me subestimando? Acha que não sou capaz de vencer meu oponente?

– Quando ele é um poderoso cavaleiro de ouro, não!!

As duas estavam aos berros e acabaram acordando a vizinhança, que preferiram não se intrometer.

– Ah, só porque o Capricórnio é seu grande amor não significa que ele seja tão forte! Não sei por que você se sacrifica tanto por um cara que não está nem ai pra você!

– Você fala isso por que não tem por quem se sacrificar, já que o Aiolos está morto!!!

"Morto... morto... morto... morto... morto...".

Estas palavras foram como uma espada sendo empurrada para dentro do coração de Lilika que não respondeu, mas Amara viu uma lágrima escapar por baixo da mascara.

– Lilika eu... – a amazona simplesmente se vira e vai correndo ao santuário, logo sumindo de - Lilika!Esperaa!Droga!

A amazona vai correndo para o quarto e quando volta para sala estava de armadura e encontra os moradores da casa assustados.

- Amara... O que está acontecendo? – disse a senhora de meia-idade.

– Não se preocupe senhora, eu vou trazer a Lilika de volta. Desculpem pelo transtorno!

A amazona sai correndo até o Santuário, onde age com cautela para não ser descoberta antes do tempo, e encontra na entrada alguns corpos de soldados mortos.

– Até onde Lilika é capaz de ir sozinha... ? –nisso ela vê uma luz do golpe da amiga em confronto com outro cosmo – Até encontrar um cavaleiro de ouro!

Quando Amara chega no local, lança um golpe no adversário de Lilika sem mesmo ver quem era, e vê a amazona de prata com as mãos sobre um ombro machucado.

- O que vocês duas querem aqui?

Amara reconhece a voz do cavaleiro dourado e se vira;

-Mestre Aldebaran... – as palavras eram automáticas para Amara.

Realmente não queria lutar contra este cavaleiro... Pelo menos não agora, que era tudo tão recente, e seus poderes ainda eram limitados.

– Lilika, o ódio está consumindo seu coração!O que pensa que está fazendo?

A garota não teve resposta, Lilika só observava os dois como um empecilho em seu caminho.

– Apesar de vocês terem traído nosso grande mestre Ares e a deusa Athena, como Aiolos, não quero lutar com vocês. Vocês que um dia foram respeitáveis amazonas de prata e... Minhas companheiras - mesmo coberto com a máscara era notável que a expressão de Lilika mudou com estas palavras – Hoje deixo isso passar, mas, da próxima vez não haverá perdão. Vão embora agora mesmo.

Ao dizer estas palavras, o cavaleiro de Touro se vira e vai embora, sumindo na escuridão entre as ruínas.

– Não poderia esperar outra atitude a não ser esta do Mestre... –se lembra que não precisa mais usar este termo - Do Aldebaran.

Ela vai até Lilika e tenta tocá-la, mas esta se afasta.

– Por que... –dizia baixo - Por que não posso vingar a morte do meu amado Aiolos... Onde está à justiça neste Santuário Athena? Onde está?!

– Lilika me perdoe pelo que disse agora pouco... Não era minha intenção... – dizia sem saber por onde começar.

Amara fica surpresa com um abraço repentino de Lilika, que significava que tinham feito as pazes de uma briga tola, afinal uma só tinha a outra no mundo.

- Lilika, só nós duas não podemos invadir o Santuário sozinhas... Temos que treinar bastante e encontrar pessoas que possam nos ajudar. Pode demorar anos, mas, certamente teremos a oportunidade de nos vingar.

– Sim... Não importa quantos anos se passem a chama desse ódio não se apagará do meu coração...

As duas saem caminhando do Santuário dando uma ultima olhada neste, em especial para a enorme estatua de Athena, pequena aos olhos delas. Nunca mais se subordinariam às ordens de um deus, a partir de agora, usariam seus poderes para o que achassem certo.

Mesmo cobertas pelas máscaras, uma via um pequeno sorriso esboçado no rosto da outra. Elas voltariam à vila por um curto período, para se recuperarem totalmente das feridas, se reabastecerem e agradecerem a hospitalidade. A partir daí seguiriam sem rumo pela Europa, aprimorando suas técnicas e ficando mais fortes. Um dia voltariam a ver este Santuário, aquela estátua... Acreditar em um deus novamente, jamais...

Continua...

Notas do grupo: As amazonas e os cavaleiros de nível inferior aos cavaleiros de ouro chamam estes de Mestre.