2º Capítulo: Theo
Theo era um menino loiro, de olhos azuis e cara de chorão, filho adotivo do casal Simmons. Catherine sabia que o marido gostava de Robin; e viu como o nascimento de Ryan deixou-o aguado. Fora de hora, para ser mãe optou por adotar uma criança. Primeiro para agradar Howard; depois ficou encantada com aquele menino doce e carinhoso, que era Theo.
Adotou-o já com dois anos porque ia levar alguns anos, até conseguirem um bebê e ela não queria esperar mais. Howard queria, porque queria pôr-lhe o nome de Theodore, que Catherine abominava. Uma vez, indagou:
- Era o nome de seu pai, Howie?
- Meu pai, chamava-se George! – Olhava para a esposa, como se ela estivesse cometendo uma terrível heresia. - Gosto do nome por causa de Theodore Roosevelt! - Em sua opinião, um grande homem, e sempre sonhara em pôr esse nome num filho!
Ela sorriu meio amarelo (ser casada com um professor de história é fogo!), e apesar de alguns protestos, o garoto foi renomeado como Theodore George Simmons. Felizmente para Catherine, só o chamavam de Theo e ela se esquecia que tinha um Theodore em casa. Sara que andava muito gaiata, naqueles dias, disse-lhe:
- Podia ser muito pior; ele poderia ter se encantado com um egípcio ou grego... Poderíamos estar na frente de um Ptolomeu ou Aristóteles... - e Sara riu da cara desolada da amiga.
Theo gostava muito de música. Aos seis anos, o menino já tinha aulas de piano, com a professora Whitman, que tinha os ouvidos e o coração doendo, com o martelar de alunos, que não tinham nenhuma identidade com o piano. Iam em frente, porque os pais insistiam em vê-los como Mozartz e não, horrorosos como eram.
Catherine nunca pensou em ter um músico na família, mas o filho seria o que bem quisesse, ela e o marido incentivariam. Ryan não decidira por nada, era inteligente, vivo, mas não apresentava nenhum dom especial
Era muito amigo de Theo e sempre que possível, estavam juntos. Ajudavam Robin nas investigações, formavam sua "equipe", mas não compartilhavam de sua obsessão. Queriam apenas brincar!Respeitavam a menina, e intuíam que ela era mais esperta que eles dois. Faziam o que ela lhes pedia, mas não entendiam metade do que ela dizia.
- Outra vez, Cath, não trouxe Theo? – Perguntou Sara, novamente.
- Sim, ele subiu tão depressa atrás do seu filho, que até eu falar: "não corram nas escadas!", creio que eles já estavam no quarto de Ryan!
-Acostume-se Cath! Eles não são como nós: parece que têm rodinhas nos pés!
Catherine sorriu e perguntou se tinha café. Sara respondeu que tinha na cozinha e pediu, por favor, que a amiga lhe trouxesse uma xícara também. Nem bem acabou de falar e os meninos passaram, pelas duas mulheres quase as derrubando.
- O que foi que eu falei? – Perguntou Catherine.
- Aonde os mocinhos vão com tanta pressa?
- Vamos jogar bola aqui no quintal. Podemos, não, mamãe?
- Sim, mas para que tanta pressa? – Indagou Sara.
- É que queremos aproveitar para jogar um pouco, antes de tio Howard chegar!
Robin correu até a porta da cozinha, de onde Catherine vinha trazendo duas xícaras de café. A menina acercou-se da loira e perguntou:
- É verdade, o que os meninos estão dizendo? Que o padrinho vem aqui hoje?
- É, meu bem! Ele vem jogar Playstation com vocês e comer pizza!
- Oba!- Gritou a menina, e Catherine não soube se todo aquele entusiasmo era pela vinda do seu marido, pela pizza, pelo vídeo game, ou tudo junto!
- Então Howard virá aqui hoje? - Perguntou Sara, depois de tomar um gole de café.
- Sim, e já deve estar chegando! Me disse que viria assim que acabassem as aulas...
- É o que Gil sempre fala, mas sempre tem um motivo para se atrasar... Mas é bom que Howard venha, assim ajudará Gil, com as crianças. Hoje é a folga de Jane, você sabe...
- Bem, não espere muito, pois Howard é outro crianção. Não sei se ajudará muito...
Sara revirou os olhos, conformada. Após mais um gole de café, declarou:
- Homens... Não crescem nunca...
Robin prestava atenção, nos dois meninos. Theo lançava uma bolinha, que Ryan pegava em sua luva de couro. Robin não achava graça nisso! Depois de alguns minutos explodiu, imitando a mãe. Mesmo olhar crítico; mesma ruga da testa, igual tom de voz.
- Meninos... Não crescem nuca!
Catherine riu: a afilhada estava muito engraçada, imitando Sara. Ela virou-se para amiga.
- A gente vive falando que ela é parecida com Grissom e esquece que ela é parecida com você também!
- É natural: é minha filha, com quem vai se parecer? Com a vizinha?- Perguntou Sara, enquanto terminava seu café.
- Não foi o que eu quis dizer. Ah, você entendeu! – disse a loira confusa.
- Sim, entendi! – Disse Sara sorrindo.
Sara pegou a filha por trás, abraçou-a, beijou-a e apertou-a. Conseguiu um riso da menina, o que era uma raridade, naquele rostinho tão sério.
- Mas o papai não é assim, né, mamãe? – Perguntou a menina, sem fôlego.
- Assim como?
- Você sabe... crianção.
Sara fez uma pausa dramática, antes de responder à filha, que tinha dois faroletes azuis, perscrutadores, focados nela. Era nessas horas, que ela ficava mais parecida com. o pai: era difícil fugir desse olhar.
- Infelizmente, filha, ele não foge à regra: é uma criança grande!, Mas nós o amamos, mesmo assim.
A menina fez um biquinho, como o pai.
