Capítulo 2

Mais tarde, naquela mesma noite, Lois dormia profundamente no sofá da sala com a televisão ligada no filme em preto e branco "Suspeita", de Alfred Hitchcock, estrelado por Cary Grant e Joan Fontaine. Todos os impressos dos jornais antigos a respeito do caso de homicídio de Jerry Adams e as cópias do inquérito policial estavam espalhados pelo chão, pois mesmo depois de Chloe e Clark irem embora do apartamento de Lois, ela permaneceu estudando-os com afinco, por mais que soubesse que não encontraria qualquer evidência de sua teoria, ou mesmo a de Clark. Principalmente a de Clark. E foi com pensamentos voltados à discussão de horas antes que teve com ele e a foto da antiga fachada do Talon repousando sobre seu peito, que Lois sonhou...

Smallville, 1941

Talon Cove era o lugar mais badalado entre Smallville, Granville e imediações. Frequentado pelos figurões da região, empresários do ramo agrícola e imobiliário, era o único elo que os habitantes daquelas redondezas tinham com o glamour apregoado pela época, e cujas regras eram ditadas pelos grandes clubes de Los Angeles e cassinos de Las Vegas, bem como, e principalmente, pelo cinema, com suas divas e galãs. Para frequentar um lugar como o Talon Cove, mais do que uma boa aparência, era necessário ter dinheiro, o que não impedia que a casa estivesse sempre cheia, como naquele noite quente de verão, onde pessoas circulavam de um lado a outro incessantemente, enquanto homens de negócios estavam sentados às mesas bebendo descontraidamente.

De repente, a orquestra anunciou a principal atração do clube e as cortinas semi-transparentes se abriram e revelaram um palco majestoso, com uma enorme ala para músicos instrumentistas aos fundos, e ao centro, Rita Adams/Lois, uma mulher de feições delicadas, num vestido longo brilhante e em tons azuis, com os cabelos parcialmente presos ao alto por uma fivela de brilhantes, e um sorriso que fazia a platéia masculina apaixonar-se perdidamente.

Seu marido, Jerry Adams, um homem alto, magro e distinto, caminhava entre as mesas do enorme clube, cumprimentando alguns dos seus principais fregueses que se sentavam próximos do enorme palco, dentre os quais, políticos e empresários. Ele era o dono do Talon Cove e um dos homens mais respeitados na cidade.

Bonito, simpático e sorridente, Jerry também era atraente às mulheres, muito embora fosse de conhecimento geral que seu coração já possuia dona. E foi quando Rita/Lois começou a cantar Blue Moon com sua voz aveludada, que todos souberam como ele era um homem afortunado.

No entanto, sem que ninguém percebesse, na medida em que a bela Rita/Lois cantava a canção que falava da mulher sem um sonho no coração, e sem uma história de amor vivida, pequenos contatos visuais dela com Zach/Clark, o trompetista recém-contratado, eram inevitáveis. Às vezes, os dois trocavam olhares mais prolongados, e na maioria das vezes, apenas breves olhares que nem por isso deixavam de atordoar os sentidos da jovem cantante, principalmente quando o charmoso trompetista de cabelos negros penteados para trás e grandes olhos azuis correspondia com tal intensidade que a deixava completamente vulnerável.

Enquanto entoava a triste melodia, Rita/Lois não conseguia entender como aquele homem que havia começado há poucos dias no clube havia causado tamanho furor em seu coração, algo que jamais antes experimentou.

Foi então que ela viu seu marido Jerry parado ao lado do palco, assistindo orgulhoso sua apresentação, e com um sorriso nos lábios. Rita/Lois devolveu o sorriso ao marido. Sem que Jerry soubesse, no entanto, aquele era um sorriso triste. No mesmo momento, Zach/Clark tocou seu trompete, chamando a atenção de Rita/Lois para o outro lado do palco. Mas ela continuou a cantar a música, agora olhando para o trompetista, e seu coração apertava contra o peito ao ter a certeza de que estava apaixonada. Perdidamente apaixonada por aquele homem gentil e de boas maneiras, que a seduziu de imediato tão logo se viram pela primeira vez poucos dias antes, quando Rita/Lois chegou ao clube e Jerry o contratava, momento em que Zach/Clark olhou para ela como nenhum outro homem jamais olhou, e era como se ninguém mais no mundo a conhecesse e soubesse o que era melhor para ela do que ele. E Rita/Lois lamentou, pois nada poderia fazer a respeito, já que era casada com um homem bom e decente, que a amava com todas as forças, e jamais o trairia.

Quando a apresentação terminou e os aplausos da platéia ainda ecoavam por todo o clube, Rita/Lois estava no seu camarim, aprontando-se para encontrar com Jerry e alguns de seus amigos numa mesa reservada na ala vip do clube, quando, subitamente, viu através do espelho Zach/Clark surgir à porta com as mãos nos bolsos, o paletó branco pendurado num dos braços, e um sorriso sedutor nos lábios. Mais do que depressa, Rita/Lois se levantou e se virou para vê-lo.

"O quê faz aqui?" perguntou, confusa, atordoada e na defensiva, como todas as vezes em que estava perto dele. "Não pode ir entrando assim no meu camarim"

"Por quê não?"

"E se eu estivesse me vestindo?"

"Não estaria" respondeu ele.

"Como pode saber?" indagou ela, indignada com a petulância.

"A porta está aberta" devolveu ele, cínico.

"Mesmo assim, não pode entrar onde bem entende e fazer o que quer" retrucou ela.

"Tudo bem, então" disse ele, dando-lhe as costas.

"Espere!" chamou ela, ao que Zach/Clark se virou para ver o que era, e Rita/Lois simplesmente não compreendia o impulso daquele gesto por demais de inesperado. "Que isso nunca mais se repita" disse, em tom autoritário.

Zach/Clark sorriu.

Aquela era a primeira vez que os dois estavam a sós. Desde que o conheceu, Rita/Lois desesperadamente o evitava. Nos ensaios com a banda nos finais de tarde, e após as apresentações, Rita/Lois procurava ao máximo ficar longe dele, e ao menos sozinha com ele, como se pressentisse o perigo, como se soubesse que não poderia responder por seus atos quando estavam juntos. Por outro lado, não conseguia deixar de evitar o pensamento do quão agradável era tê-lo por perto.

Zach/Clark, porém, confiante, aproximou-se, e Rita/Lois segurou a escova de cabelos que estava sobre o toucador, com toda a força, pronta para reagir a qualquer gesto tanto seu quanto dele.

"Você esteve ótima essa noite" disse ele, inclinando-se sobre ela de tal forma que Rita/Lois podia agora sentir o calor de seu corpo e o hálito quente de sua boca contra a sua. Um simples movimento, e seus lábios roçariam nos dele. E como ela desejou senti-los...

Rita/Lois suspirou, e por mais que o quisesse, sabia que não poderia, mas também não conseguia se afastar. Foi então que ela levantou a escova de cabelos para o alto.

"O quê está fazendo?" perguntou ele, sorrindo e se afastando, enquanto olhava para a escova de cabelos em punho.

"Fique longe de mim!" ordenou ela, certa de que não poderia deixar que aquilo acontecesse. Afinal, ela era uma mulher boa e decente, com uma carreira promissora, além de casada com um homem distinto e que faria qualquer coisa por ela, enquanto Zach/Clark nada mais era do que um sujeito charmoso, incrivelmente atraente, inteligente, irresistível e com um cheiro maravilhoso que estava simplesmente desestabilizando sua vida pessoal e profissional, já que nem conseguia mais cantar uma música sequer que não fosse pensando nele.

Foi então que os penetrantes olhos azuis de Zach/Clark encontraram os dela, e Rita/Lois sabia que havia muito mais entre eles do que jamais encontraria ao lado de qualquer outra pessoa em sua vida, muito menos ao lado do pobre Jerry. Ele então estendeu o braço e tocou gentilmente a mão de Rita/Lois que segurava a escova e lentamente abaixou-a para perto do seu quadril, desarmando-a em todos os sentidos, quando então, bastante próximos, ela novamente sentiu o calor do seu corpo e o cheiro de sua pele. E não havia mais dúvidas...

"Rita!" chamou uma dançarina que surgiu à porta.

Mais do que depressa, Zach/Clark e Rita/Lois se afastaram um do outro, ao que a jovem dançarina surpreendeu-se ao notar que ela não estava sozinha, arqueando ambas as sobrancelhas.

"Não sabia que estava com alguém..." disse ela.

"Tudo bem..." disse Rita/Lois, recompondo-se. "O Sr McCoy já estava de saída" e olhando para o trompetista, o qual estava agora com um pequeno sorriso malicioso no canto dos lábios, completou: "Não é mesmo?"

"Claro, Sra Adams" disse ele.

Zach/Clark apenas sorriu, e deixou o camarim lentamente, sob o olhar atento de ambas as mulheres, não sem antes se virar para ver Rita/Lois mais uma vez, lançando um olhar repleto de desejo, que a fez cambalear a ponto de ter que precisar se apoiar no toucador.


No dia seguinte, enquanto ensaiavam para a próxima apresentação, Rita/Lois estava visivelmente irritada com o trompetista, o qual, segundo ela, estava sempre adiantado com sua parte. Ela sabia que ele não estava adiantado. O fato era que ele era perfeito. Os dois eram perfeitos juntos. Havia química entre eles no palco. Mas ela não podia de forma alguma aceitar a idéia de que ele era bom o bastante no que fazia, que juntos formavam uma excelente parceria e que logo poderiam vir a ser chamados The Hottest Team in Town, pois incomodova-a a idéia de que talvez eles também pudessem ser perfeitos juntos "fora do palco".

Como nenhum outro músico da banda se opôs a suas implicâncias, ainda que estivesse visivelmente equivocada, afinal, tratava-se da mulher do dono do clube, aquela era a sétima vez que recomeçavam a canção a ser apresentada naquela noite.

"Muito bem" disse ela, encarando Zach/Clark com reprovação. "Vamos tentar outra vez"

Foi então que Rita/Lois começou novamente a cantar Moon River, quando Jerry, que acabara de chegar ao clube, admirava a mulher ao longe, na medida em que se aproximava do bar, e pedia ao jovem barman que lhe preparasse um coquetel.

"Chega, rapazes" pediu Rita/Lois ao microfone, e os músicos pararam de tocar seus instrumentos, quando ela então viu que Jerry estava no clube, e sorriu para o marido, não sem antes lançar mais um olhar de censura contra Zach/Clark, que apenas sorriu, retirando-se logo em seguida do palco.

"O quê houve, meu bem?" indagou Jerry, aproximando-se.

"Nada. Estou apenas um pouco... indisposta. Só isso" respondeu ela.

Jerry estendeu-lhe a mão para ajudá-la a descer as escadas e beijou-a no rosto.

"Algum problema com o trompetista?" perguntou ele.

"Não!" exclamou ela, mais do que depressa, ao que ele enrugou a testa, confusa, e ela continuou: "Imagina! Por quê haveria?"

"Não sei... Parece que ele a irritou" comentou Jerry, gentilmente.

E Rita/Lois sorriu. Como poderia desejar estar em outro lugar que não ao lado de alguém como Jerry? Um marido bonito, gentil e atencioso, que se preocupava com ela como ninguém mais no mundo. Foi então que ela viu Zach/Clark observando-os da porta dos fundos do clube, e num ato mais do que desesperado de provar algo mais para ela mesma do que para qualquer um, beijou o marido nos lábios. E ao contrário do que sentia quando estava com Zach/Clark, Rita/Lois sabia que faltava algo. E que era justamente o principal, e aquilo que os tornava únicos.

Ao desvencilhar-se gentilmente de Jerry, Rita/Lois notou que o trompetista já não estava mais lá.

"Algum problema, meu bem?" perguntou Jerry, visivelmente confuso.

Rita/Lois apenas sorriu.

"Por quê não o manda embora?" perguntou ela.

"Ele quem?"

"O trompetista" respondeu ela. "Está sempre adiantado, fora do ritmo" completou, na esperança de salvar seu casamento.

Jerry enrugou a testa, e sorriu.

"É o melhor trompetista da região, Rita"

Ela suspirou.

"Eu sei, mas ele é... um caipira sem modos!"

"Como?" indagou Jerry, rindo.

"Isso mesmo que você ouviu, e além do mais..."

"Acho que ele merece uma chance, meu bem" interrompeu Jerry, quando Rita/Lois então o encarou nos olhos, imaginando como ele podia dizer uma coisa daquelas num momento como aquele. "Por que não vai dar uma volta?" sugeriu, subitamente.

Rita/Lois sorriu um sorriso malicioso.

"E depois nos encontramos em casa... e talvez eu possa estrear minha lingerie nova?"

Jerry mordeu os lábios.

"Não posso" disse ele, desapontado. "Tenho uns assuntos de negócio a resolver. Vou me encontrar com o Senador Cochrane mais tarde"

Rita/Lois sorriu um sorriso amargo.

"Tudo bem" disse ela, frustrada. "Vou aceitar a sugestão, e dar uma volta para relaxar"

"Ótimo" concordou Jerry, beijando-a na testa.

Nos fundos do Talon Cove, Zach/Clark tocava sua trompeta ao lado de fora da porta da rua de trás do clube, quando Rita/Lois surgiu, e surpreendida ao encontrá-lo ali, lançou-lhe um olhar de reprovação.

"O quê faz aqui?" perguntou.

Zach/Clark mostrou o trompete.

"Ensaiando"

"Ensaiando?" repetiu ela.

"Para não ficar fora do ritmo" respondeu ele.

"Para não ficar fora do ritmo?" repetiu ela, novamente.

"Isso mesmo"

"Claro" devolveu ela, irônica.

"Algum problema?" perguntou ele.

Rita/Lois rolou os olhos e então o encarou.

"Apenas fique bem longe de mim, Sr McCoy" pediu ela.

Zach/Clark nada disse, sorriu e continuou a tocar seu trompete.

"Ouviu o que eu acabei de dizer?" perguntou ela, ao não ouvir ele concordar.

"Precisamente" respondeu ele, abaixando o instrumento.

"Ótimo" disse Rita/Lois, confiante, e dando-lhe as costas.

"Só não acredito em você" completou ele.

"Como?" indagou ela, virando-se para vê-lo.

Zach/Clark deu de ombros e sorriu.

"Tudo bem. Não me importa se acredita ou não" disse ela, indignada. "O fato é que... falo sério"

"Tem certeza?" desafiou ele.

"Absoluta" respondeu ela. "E também não quero mais vê-lo por ai me cercando com esse olhar de cãozinho abandonado"

"Cãozinho abandonado?" indagou ele, rindo.

"Você me entendeu" devolveu ela, séria, enquanto se afastava, evitando o contato visual com ele, quando então Zach/Clark a segurou pelo braço, e ela se virou mais do que depressa para vê-lo.

"A verdade é que..." disse ele bem próximo de seu rosto e fitando-a nos olhos, e Rita/Lois achou que não poderia mais resistir "você me deseja"

"O quê foi que disse?" perguntou Rita/Lois, quase sem forças, e sem conseguir desviar os olhos dos dele.

"Tanto quanto eu a desejo" continuou ele.

"Você está louco..." disse ela, como se lhe faltasse ar.

"Desde a primeira vez que nos vimos"

"Não sabe o que está dizendo..."

"E é por isso que você não consegue ficar longe de mim... e decidiu ficar nessa cidade que tanto diz detestar" completou Zach/Clark, com um sorriso.

"Você é mesmo um capira idiota, McCoy" disse ela, recompondo-se e puxando o braço para desvencilhar-se dele.

"E você é rude e grosseira quando quer esconder seus sentimentos" devolveu ele.

"Fique longe de mim!" ordenou, dando-lhe as costas e afastando-se apressada. Odiava-o mais do que tudo depois daquelas palavras. Pelo menos, tentava se convencer que o odiava. Afinal, quem ele pensava que era? Quem era ele que a conhecia tão bem? E que aparecia de repente para bagunçar sua vida?

"Admita!" devolveu ele.

"Admitir 'o quê'?" respondeu Rita/Lois, voltando-se para ele.

"Que esconde seus sentimentos por trás do sarcasmo" completou Zach/Clark.

"Como é?" devolveu ela, enrugando a testa.

"Só cego não vê" disse ele.

"Você tem problemas" disse ela, dando-lhe novamente as costas para ir embora.

"Sabe o que eu vejo quando olho para você?" perguntou ele.

"Além de uma garota rude e grosseira como acabou de me chamar?" respondeu Rita/Lois, virando-se para vê-lo. "Vamos, Sr McCoy... Não tenho o dia todo"

"E que também fala incessantemente quando está nervosa?" completou ele, aproximando-se.

"Eu não estou 'incessantemente'! Como ousa dizer que estou 'incessantemente'?" protestou ela, irritada. "Você não me conhece para me dizer tais coisas!"

"Você merece mais" revelou ele.

"O quê?" indagou ela, perplexa com a ousadia.

"Jerry?" indagou ele, apontando para dentro do clube. "Tem certeza que é isso o que você sempre quis? Que ele é o homem que pode mesmo lhe dar tudo o que merece? O amor que merece? Estar por perto sempre quando você precisa e ainda resolver os problemas do mundo?"

"Vamos deixar as coisas bem claras por aqui, Sr McCoy..." disse Rita/Lois, com firmeza.

"Ele é um bom sujeito. Mas falta alguma coisa, certo? Você quer alguém que a leve às alturas... que tire o chão sob os seus pés. Que a tome nos braços, que a ame incondicionalmente e que a proteja..."

"Não preciso que ninguém me proteja..."

"Mesmo que diga que não precisa que ninguém a proteja" devolveu Zach/Clark, em uníssono. E ele sorriu: "Alguém forte o bastante para segurar uma mulher impetuosa como você..."

"Está enganado. Eu amo meu marido. E ao contrário do que você pensa, não nos falta coisa alguma. Além do mais... não gosto nem um pouco de você!"

"Muito bem" disse ele, aproximando-se cada vez mais dela. "Então por que continua falando comigo?" perguntou, encarando-a nos olhos.

"Por que?" repetiu ela, enquanto ele se aproximava cada vez mais, encurralando-a contra a parede do beco. "Como assim 'por que'? Porque... porque talvez eu não seja como as caipiras tolas e mal educadas da sua cidade, ou mesmo como você, Sr McCoy... que aparece de repente com esse olhar de cãozinho abandonado, esse sorriso sedutor, essa falsa aparência de bom moço quando na verdade é muito mais esperto e forte do que aparenta ser e desestabiliza totalmente a vida de uma pessoa que sempre soube o que queria da vida..." e como se lhe faltassem forças para continuar falando na medida em que seus olhos se encontravam com os dele, que se aproximava cada vez mais, revelou: "Ou que pelo menos, achava que sabia o que queria... até agora"

Foi então que Zach/Clark estava próximo o bastante de Rita/Lois, que encostada à parede, também estava cercada pelos braços musculosos do jovem trompetista. E ela novamente podia sentir o calor do seu corpo próximo ao dela, e o hábito quente de sua boca junto à sua, assim como o cheiro de sua pele e aqueles grandes olhos azuis e penetrantes que a olhavam como se pudessem enxergar sua alma. Rita/Lois tentou reunir forças para afastá-lo, e talvez assim salvar seu casamento, sua integridade, e sua razão, mas não conseguia.

Impulsionada por alguma coisa muito mais forte do que ela, Rita/Lois sentiu suas pernas cambaleantes e seu coração acelerado. Zach/Clark aproximou-se para exalar o perfume de suas madeixas, e seus rostos se tocaram, fazendo Rita/Lois fechar os olhos e desejar muito mais do que um simples e breve roçar de pele, na medida em que sentia seu coração bater mais forte no seu peito, e sua barriga queimar de formigamento. Foi então que ela o segurou pela gola e antes que ela mesma o puxasse, ele mergulhou seus lábios contra os dela para um beijo quente, molhado e apaixonado como nunca antes experimentou, e que a fez perder completamente os sentidos assim como o chão sob seus pés, enquanto Zach/Clark a envolvia num abraço que a fez ter a certeza de que jamais encontraria tanto amor e paixão nos braços de qualquer outra pessoa...

Continua...