Capítulo 02
Agosto 1981
Florence acordou com o barulho do despertador.
- Mas que droga! Hoje é sábado! Maldição de despertador! - e ela bateu no pequeno relógio, silenciando-o.
Puxou a coberta até acima da cabeça. Respirou fundo. Sonhara com ele, de novo. Talvez ter escolhido ficar no castelo não havia sido uma boa idéia, afinal...
"Lembranças demais."
Mas a oportunidade que Dumbledore lhe concedera logo que se formara era única e irrecusável: monitora de feitiços, transfiguração e poções e auxiliar dos professores para correção de provas e aplicação de detenções.
"Irrecusável..."
Levantou da cama e foi se vestir para o café da manhã.
Saiu do banheiro pronta para mais um dia de calmaria em Hogwarts, calmaria esta que apenas existia por conta da ausência dos alunos. Porque na época de aulas...
"Sempre me espanto com a bagunça que os alunos fazem! Não me lembro de haver tantas detenções e problemas na época em que eu era uma estudante."
Florence ia em direção à porta para sair para o corredor, quando batidas na janela a chamou a atenção. Ela voltou para dentro do quarto.
- Lynx? - seu coração perdeu uma batida ao reconhecer a ave negra que bicava sua janela.
Correu para abrir o vidro, permitindo que o animal entrasse. A coruja voou em volta de Florence, batendo as asas, agitada, fazendo festa por revê-la.
Florence riu.
- Eu também senti saudades, Lynx! Agora, me dê a carta, sim?
E a coruja parou de se agitar, como se lembrasse subitamente o que viera fazer ali, e esticou a pata para que Florence retirasse a carta.
Ela desamarrou o envelope e reconheceu a caligrafia elegante e apertada. Abriu a carta.
"Florence
Eu imagino o quão estranho você deve estar achando receber notícias minhas desta forma, depois de dois anos sem nos escrevermos. Mas é urgente! Estou com problemas, não posso entrar em detalhes, mas fiz uma grande besteira. Preciso muito falar com o Diretor Albus Dumbledore.
Escrevo à você porque ele não acreditaria se eu me dirigisse diretamente à ele.
Eu jamais mentiria para você e nunca a exporia ao perigo.
Por favor, peça ao diretor que me receba hoje a noite, nos portões do castelo.
Me responda o mais rápido possível.
S.S."
Florence não soube precisar em que momento da leitura da carta ela parara de respirar.
Três anos quase... faziam quase três anos que não recebia notícias dele. Ao menos não diretamente. Pois não havia dia em que os jornais não falassem dos Comensais da Morte e do Lord das Trevas. E ele era um deles.
Ela respirou fundo, olhando para Lynx que a encarava esperançosa.
- Você deve estar faminta... - e ela foi ao armário, pegou um punhado de ração para pássaros que costumava levar ao corujal para agradar as corujas, e uma taça de água que estava sobre seu criado-mudo e ofereceu à Lynx.
A coruja piou satisfeita, tratando de comer e beber.
- Fique aqui. Eu não demoro a voltar.
E Florence saiu pelos corredores do terceiro andar, descendo a grande escadaria, em busca do diretor. Encontrando-o às portas do grande salão.
- Albus! - chamou. - Preciso muito falar com você!
- Claro, criança. Venha a minha sala depois do café da manhã.
- Não... tem que ser agora. É de extrema urgência!
Dumbledore percebeu que ela trazia uma carta nas mãos.
- E seria sobre isso? - ele apontou a carta, ficando sério.
- Sim! Leia, você entenderá.
E ele pegou a carta e a desdobrou, reconhecendo a caligrafia de Snape, olhou mais uma vez para Florence, antes de começar a ler a carta.
Ao terminar a leitura, Dumbledore respirou fundo e a encarou, compreensivo.
- Criança, você confia em Severus?
- Sim. - respondeu ela, sem titubear.
- Florence, não permita que seus sentimentos por ele ofusquem quem ele se tornou... - disse ele, calmo. Florence olhou para baixo, como que constrangida. - Você sempre o amou, querida, eu sei. Mesmo agora, três anos quase que vocês não se falam ou se vêem, e seus olhos não conseguem negar que você ainda o tem no coração. - ele a fez erguer o rosto. - Assim como você, eu quero acreditar que o que ele diz aqui nesta carta é verdade, que ele quer falar comigo porque precisa de ajuda. E eu tenho certeza que ele jamais exporia você. Severus não mudou tanto assim... portanto, eu vou me encontrar com ele nos portões do castelo hoje à noite, às 22hs. Mas quero que você fique na porta do castelo, monitorando os céus. Se for uma armadilha, Fawkes virá até você para que chame a Ordem.
- Eu ficarei na porta, Albus! - ela sorriu, pegando a carta das mãos do diretor. - Vou responder a ele, imediatamente! - e ela correu escadaria acima.
Dumbledore apenas a observou, um sorriso triste no rosto velho.
"Espero que ele não lhe traga tristezas e decepções, minha criança."
E ele entrou no grande salão.
Florence corria até seus aposentos no terceiro andar, os pensamentos agitados.
"Verei Severus ainda esta noite! Depois de quase três anos... como será que ele está?"
E tratou de responder a ele, confirmando o horário em que ele deveria estar nos portões do castelo. Observou Lynx sair voando pela janela, antes de descer para o café da manhã, um sorriso no rosto que duraria o dia inteiro.Comentem!
Respondendo às reviews:
Yasmin Potter: eu também não gosto da Lily, mas ela não figurará por muito mais tempo nesta fic (estamos em agosto de 1981, mais uns dois meses e ela já vai morrer). E realmente o seu comentário: "morrendo de pena da flor, tadinha" está corretíssimo. Tenha muita penas da Flor... porque o Dumbledore está certo quando diz que Sev poderá trazer tristezas para a vida dela. rsrsrs Querendo uma concorrente para Só O Amor Salva em relação ao tamanho? Pois é... é difícil encontrar, mas nenhum fic SS/PO é tão abrangente quanto a minha por iso que ela é gigante. Mas se você for procurar fics sobre o HP devem haver várias com até mais do que 100 capítulos.
Coraline D. Snape: se depender de mim as fics com o Sev jamais morrerão! Sim, esta Florence aqui é realmente mais inocente do que a de Só O Amor Salva, e como eu disse acima para a Yasmin: tenha pena dela, porque a coitada vai sofrer!
Muitos beijos!
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