Na verdade não era o fato de ter traído seu noivo, mas sim o fato de ter gostado de tê-lo feito que fez Bellatrix não se sentir nem um pouco bem naquela noite. De repente sua única vontade era ir atrás do primo e beijá-lo novamente só para sentir novamente aquela sensação de conforto que sentira minutos atrás.

Bellatrix queria encher a cara, queria esquecer tudo o que acontecera naquela noite. Por que estava se preocupando com isso? Que importância tinha Sirius na sua vida? E então ficou a dúvida: quão importante ele era? Bellatrix não acreditava no fato de estar se importando com ele. Não queria acreditar, mas era o que estava acontecendo; ele estava mexendo com algo dentro dela.

Mas tudo isso por causa de um beijo? Não, claro que não. Foi por causa de toda a confusão feita na cabeça dela depois do beijo, por causa de tudo que aquele simples ato fez na mente daquela garota.

Foi quando ela parou e olhou ao seu redor, estava em um dos corredores de Hogwarts com alunos andando de um lado para o outro. Já era tarde. Não sabia quanto tempo tinha ficado ali, esperava que não tivesse sido tanto tempo a ponto de ter perdido alguma aula.

- Bella – chamou uma voz feminina que Bellatrix não precisou procurar para saber quem era: Narcisa. – Bella, ainda bem que eu te encontrei! – a loira parou para tomar fôlego e prosseguiu – Andie...

- O que aconteceu? – perguntou Bellatrix, já assustada.

- Eu vi... a Andie... com um sangue-ruim! – Narcisa pronunciou as ultimas palavras num sussurro para ninguém escutar. Era óbvio que a família Black prezava pela purificação do sangue, portanto se alguém da família soubesse de algum membro estar com algum tipo de aproximação com um nascido trouxa seria considerado como traição.

- Você tem certeza disso, Cissy? – perguntou. Bellatrix não queria acreditar no que estava ouvindo. De repente sentiu raiva e nojo da sua irmã, como poderia fazer uma coisa dessas? Agora seria conhecida como traidora do sangue! – Tem certeza do que está me dizendo?

- Absoluta! – confirmou. – É melhor vir comigo antes que alguém descubra! Temos que dar um jeito nisso!

E naquele momento Bellatrix conseguiu ver em Narcisa uma amiga. Não era apenas sua irmã, mas alguém que parecia se preocupar com ela. Talvez não tivesse relação com o que estava acontecendo, já que o que a estava preocupando era Andromeda, mas Bellatrix sentiu uma aproximação da irmã que a fez se sentir, de certa forma, melhor.

- Narcisa! – soou a voz de Lucius vindo do lado posto a elas. – Ah, oi, Bellatrix – cumprimentou ao vê-la, então se voltou para a outra novamente. – Olha só, eu preciso que você venha comigo.

Narcisa chegou a abrir a boca para protestar, mas Bellatrix impediu.

- Pode ir – disse a morena. – Eu resolvo esse problema sozinha.

Logo em seguida, Bellatrix rumou para a direção de onde sua irmã tinha vindo. Não fazia ideia de onde procurar sua irmã, Hogwarts não era um lugar muito fácil para achar alguém que você nem sabe onde está. Foi quando Bellatrix achou melhor esperar que sua irmã fosse até a sala comunal da Sonserina para que pudessem conversar lá.

Foi enquanto rumava para a sala comunal que Bellatrix ouviu alguém lhe chamar. Sabia muito bem quem era.

- O que você quer? – perguntou, desejando que ele não insistisse e fosse embora. Mas era querer demais. Ele não era assim.

- Preciso falar com você – disse ele, postando-se na frente dela, impedindo sua passagem.

- Não posso falar agora, Sirius. Tenho mais o que fazer – então desviou do primo e seguiu em frente.

- Bella, por favor, me escuta! É sobre a Andrômeda!

Bellatrix parou onde estava e se virou.

- Não adianta você ir atrás dela e proibi-la de ver o Ted, porque ela não vai! Andrômeda está apaixonada! Será que você não notou?

- E por que eu iria notar? O fato não é se ela está ou não, mas por quem ela está... sentindo isso aí – Bellatrix nunca gostou de falar sobre esses assuntos, principalmente com ele.

- Você deveria parar de se preocupar com a vida dela e focar na sua – disse ele, voltando a se aproximar da prima.

- Do que você está falando? – perguntou, tentando se afastar, mas não conseguia.

- Estou falando do que está mais óbvio do que tudo, que você está tentando esconder até de você mesma: você gosta de mim, Bellatrix, e eu sei disso. Eu vejo como você me olha desde aquela noite que eu te beijei, no natal. Não adianta querer dizer que não, pra mim você não consegue mentir.

Sem deixar que a garota protestasse, Sirius a puxou para um beijo ali, no meio do corredor, correndo o risco de serem vistos por qualquer aluno ou professor que passasse por ali. E ela o correspondeu, deixando-se levar pelos seus beijos doces, envolvendo-o em seus braços, trazendo-o para si. Ali, no meio do corredor, podendo ser descobertos a qualquer momento, Bellatrix sentiu-se no melhor momento da sua vida. Era estranho para ela sentir algo desse tipo com alguém que até um tempo atrás ela "odiava".

Permaneceram abraçados por um longo tempo. Bellatrix mantinha seu olhar para o nada, seus pensamentos estavam longe.

- No que está pensando? – perguntou Sirius.

- Que isso pode ser um erro – respondeu.

- Já pensou assim?

Bellatrix confirmou com a cabeça.

- E não deve pensar assim toda vez que eu te beijar – aquele comentário fez Bellatrix rir.

- No que você está pensando?

- Que eu podia parar o tempo aqui.

Sirius olhou para a prima que sorriu. Eles sabiam que não era o certo a fazer, ela tinha certeza disso, mas tem coisas na vida que ninguém pode impedir que aconteçam, elas simplesmente acabam acontecendo e virando nossas vidas de cabeça para baixo. Era o que estava acontecendo, Bellatrix desconhecia esse sentimento, mas estava disposta a desfruta-lo. Não sabia quanto tempo duraria, e como faria para não se machucar depois.