Título: A Ave e seu Senhor

Autor(a): Lune Kuruta

Fandom: Saint Seiya – The Lost Canvas

Classificação: 18 anos

Palavras: 1463 (este capítulo)

Personagens/Casais: Kagaho de Benu x Alone (Hades). Participações de Radamanthys de Wyvern, Minos de Griffon, Aiacos de Garuda, Lune de Balrog, Zelos de Frog, Niobe de Deep, Pandora, Sui (irmão de Kagaho), entre outros.

Gênero(s): Yaoi, drama, romance, Universo Alternativo

Resumo: Uma marca em sua pele retira Kagaho de sua casa para se tornar cativo em uma estranha seita. E, por meio dela, encontrará braços que o buscaram por milênios.
Avisos: Lemon; dark lemon (non-consensual sex); violência. A autora prefere não fornecer avisos adicionais.

Disclaimer: "Saint Seiya: The Lost Canvas" é de propriedade de Shiori Teshirogi e Masami Kurumada, todos os direitos reservados. Esta fic não tem fins lucrativos.
Notas: História escrita para o Coculto, um amigo oculto de fanfics promovido pela comunidade Saint Seiya Superfics Journal.

* Localização temporal:Não estipulei uma data exata para os acontecimentos da fic. Imagino um período em meados do século XVI.


CAPÍTULO 2

O recinto era vasto e escuro, iluminado por archotes. As paredes eram decoradas por terríveis pinturas retratando a tortura e o assassinato de pessoas. Demônios, desmembramentos, fogo. Kagaho baixou os olhos, perturbado, mas o que viu no chão a seus pés era ainda pior.

Corpos nus, retalhados, definitivamente sem vida. Kagaho reconhecia, em alguns dos rostos apavorados, os homens que haviam tomado parte no ritual minutos antes.

No centro do vasto recinto, circundada pelos cadáveres sangrentos, havia uma grande piscina de pedra. Em sua borda, uma figura angelical, totalmente nua, cantarolava uma ária enquanto despetalava rosas negras. Espalhava suas pétalas pela superfície da água distraidamente, preparando seu banho. Ao ouvir passos, os olhos azuis abandonaram a rosa já despida e focalizaram o recém-chegado.

- Kagaho... – Alone sorriu.

O efeito daquela simples palavra em Kagaho foi sobrenatural. Um intenso arrepio percorreu a espinha do camponês. Desde seu sequestro jamais havia sido chamado pelo nome, muito menos daquela forma tão macia e gentil.

- Milorde... – A voz rouca e hesitante fez o sorriso de Alone se alargar.

- Por que hesita, Kagaho? Venha até mim...

- Por que... matou todas essas pessoas, milorde?

- Oh, não as matei... não vê, Kagaho? Eu as salvei...

Alone estendeu uma mão pálida, convidando o rapaz a se aproximar. Com a respiração suspensa o plebeu foi até ele, evitando pisar nos homens que jaziam no chão de pedra. Os pés descalços perceberam que o piso era menos gélido ali, amornado momentaneamente pelo sangue fresco que o cobria. Era uma sensação macabra, mas o sorriso reconfortante de Alone toldava sua mente.

Kagaho se ajoelhou diante da borda da piscina, a pequena distância do loiro, em reverência a Alone.

- O que... deseja de mim, milorde? – A voz rouca sequer parecia a sua.

- Há muito espero pela oportunidade de tê-lo comigo, a sós... – Sussurrou Alone – Venha se banhar comigo...

Kagaho sentiu o pouco sangue aflorar às suas faces, corando. Aproximou-se da piscina e, reverente, ajudou Alone a entrar na água, fazendo o mesmo em seguida. A piscina era rasa; quando ambos se sentaram, a água bateu à altura do peito. Sua temperatura estava morna, provavelmente aquecida anteriormente por algum criado. Perguntou-se se tal criado solícito estaria entre os corpos que apinhavam o chão, mas em seguida sacudiu a cabeça, tentando não voltar a pensar neles.

Sentiu um ligeiro ardor em seus ferimentos, ainda mais os que entravam em contato com as pétalas negras na superfície da água, mas não se importou. Os músculos relaxavam aos poucos com a água agradável, em uma sensação de conforto muito rara em sua vida de privações.

- Está a seu gosto? – Indagou o loiro, recebendo um ligeiro aceno positivo de cabeça – Que bom. Agora, se não se importa, gostaria que me banhasse... – Sorriu e deu as costas a Kagaho, colocando os longos cabelos para a frente.

O moreno se surpreendeu. Sabia que estava na condição de servo ali, mas a ordem emitida por Alone fora tão gentil que soou como um pedido adocicado. Um pedido que ele não tinha forças para recusar.

Aproximou-se do jovem conde e passou a lavar as costas claras, sem qualquer marca. A pele era extremamente macia a seu toque; Kagaho não conseguia acreditar que um ser humano pudesse ter toda aquela maciez. Sentia o seu corpo responder com arrepios e um formigamento no baixo-ventre. Mal percebeu quando os toques tímidos se transformaram em carícias incontidas e em uma atenciosa massagem. Kagaho se sentiu extasiado ao perceber a musculatura delicada relaxar aos seus toques, ainda mais quando Alone o premiava com um ou outro suspiro de satisfação.

Envolveu o conde em seus braços, alisando-lhe o peito por trás. Sentia-se fazendo algo muito errado, algo que ia contra suas convicções, pois ninguém o estava obrigando; mas seu corpo não obedecia, querendo tocá-lo mais e mais. Kagaho não resistiu e depositou um beijo devotado no ombro do mais novo, fazendo-o soltar um pequeno gemido.

O moreno estremeceu, temendo estar indo longe demais. Afastou-se ligeiramente para que o outro não percebesse sua excitação.

- Perdoe-me, milorde... – Kagaho balbuciou, respirando fundo.

- Não precisa se desculpar, Kagaho... – Alone se voltou para o camponês. Tinha as feições ligeiramente coradas, mas o sorriso parecia o mesmo – Foi-me bastante agradável.

Sem saber o que dizer, Kagaho baixou os olhos. Percebeu uma ligeira movimentação na superfície da piscina e, a seguir, mãos delicadas erguendo seu rosto.

- Meu belo Kagaho... tanto sangue espoliado de seu corpo forte e ainda tem o suficiente para corar – O loiro sorriu ligeiramente divertido – Não me disse ainda o que achou de meus aposentos pessoais...

- Aquelas pinturas...

- Gostou delas? Eu mesmo as pintei... não são belas? Devo dizer que no começo eu me chocava... mas, com o tempo, aprendi a compreender a beleza e a nobreza que existe na morte humana. Mas aquelas pinturas não me agradam tanto. Meu quadro favorito, que terminei na noite passada, é aquele ali.

Os olhos de Kagaho seguiram na direção apontada pelo conde até a parede atrás de si, arregalando-se a seguir.

- Mas... sou eu?

Iluminada por vários archotes, a pintura apontada por Alone retratava Kagaho estirado sobre a mesa de mármore do ritual, os olhos semicerrados em languidez. Alone retratara com perfeição cada músculo, cada contorno, cada traço de seu corpo, os cortes ainda sangrando na pele morena.

- Não sabe o quanto fica belo dessa forma, Kagaho... – Sussurrou o loiro – Talvez sequer tenha percebido o desejo que desperta em todos aqui. Estes pobres homens... – Fez um gesto abarcando a sala cheia de cadáveres – Queriam levá-lo de mim, confiando em seu maior número... esqueceram-se de minha perícia com espada, famosa em toda a Itália. Achei mais prudente apressar-lhes a salvação...

- S-salvação...? – Kagaho balbuciou. Estava bastante aturdido com o fato de Alone ter guardado cada detalhe de seu corpo.

Alone suspirou, voltando a tomar o rosto de Kagaho entre suas mãos macias.

- Os rituais não falharam, Kagaho... – Disse Alone com suavidade – Desde a primeira noite em que o tive para mim... venho coletando ecos de lembranças, pensamentos desconexos que apenas hoje fizeram sentido.

- Milorde quer dizer... Hades?

- Quando estamos unidos... – Murmurou o mais novo, olhando fundo nos olhos acinzentados – Uma voz divina ressoa dentro de mim... me explicando tudo...

Kagaho estava hipnotizado. Nem mesmo enquanto o tocava se sentira tão próximo daquele anjo loiro.

- Só a morte é capaz de salvar as almas do sofrimento deste mundo... – Sussurrou Alone, sem desviar os olhos de Kagaho – E esta é minha missão... trazer alívio e conforto aos pobres mortais... para que possam ter paz eterna, no descanso da morte...

"A Ave da Ressurreição, meu caro, não era de fato um pássaro. Era o símbolo do acordo feito entre Lorde Hades e Zeus por ocasião do rapto da deusa Perséfone, símbolo de trégua entre a superfície e o Mundo Inferior. Era mantida nos domínios de Hades, sendo fiel companheira do deus enquanto sua esposa passava a primavera e o verão na superfície. E como a amava..."

A voz de Alone parecia conter um tom de leve nostalgia ao deslizar os dedos finos pelos lábios ressequidos do mais velho, como se o loiro estivesse perdido em pensamentos. Kagaho percebeu uma centelha de fúria nos olhos límpidos quando este continuou a história:

- Desde que a Ave da Ressurreição foi arrebatada das mãos de Lorde Hades por um atrevido semideus, deixando o Mundo Inferior para vir à superfície, os homens se tornaram presos à Terra, morrendo e renascendo para sofrerem mais neste mundo... e minha missão também é impedir isso. É tirar a Ave da Ressurreição do domínio dos mortais, para que possam repousar eternamente... é devolver a Ave ao seu lugar de direito, junto a seu Senhor...

Kagaho estremeceu, vendo-se refletido naquele azul tão límpido.

- Milorde vai... me matar? – O tom grave de quem mais constata do que pergunta.

Alone, porém, apenas soltou uma risadinha. Alisou o rosto de Kagaho com delicadeza, aproximando os rostos.

- Não seja tolo, meu querido. Não entendeu? Eu vim te buscar...

Kagaho apenas fechou os olhos, enlevado, ao sentir os lábios macios de Alone se sobreporem aos seus.

Continua...


Notas adicionais:

(Deu pra notar que adoro falar?)

Oi, leitores! Voltei! Ainda estão acompanhando? Não desanimaram? *apanha*

Como já disse muito no capítulo passado, esta nota será mais curtinha. Em todo caso... agora vocês viram o que eu quis dizer com "não ter sido um mau negócio" os viscondes terem ficado de fora, né? =P

E aqui tivemos um Alone bem mais próximo da série. Foi uma explicação bem viajada pra chegar à situação da fic, mas espero que não tenha ficado confusa demais.

Sim, parei ali, no comecinho do beijo! Não me matem, eu só me dei o luxo de... postergá-lo um pouquinho 8D Mas é claro que o beijo vem a seguir, e muito mais – depois do clima todo na piscina, ninguém acha que os dois vão ficar só na vontade, né? =P

E meu convite ainda está de pé, participem da quinta edição do Coculto! Mais informações no meu perfil.

Próximo capítulo apenas para maiores de 18 anos. Assim como a fic inteira, mas vocês me entenderam...

Agradecimentos especiais à Human Being pelo comentário (já devidamente respondido XD). Obrigada, moça! ^^

Kissus e até a próxima!