Capítulo 2 – Lembranças do Passado

Hermione foi a primeira a chegar na sala de reuniões, como sempre. Sentou em sua cadeira e começou a ler as notícias dos vários jornais que ela tinha. Precisava saber de tudo o que podia pra começar a reunião. Trabalhar com a economia do mundo bruxo não era muito fácil, já que a quantidade de informação era demasiadamente grande para se adquirir. Depois de meia hora é que os outros começaram a chegar, como sempre atrasados... Deram início a reunião.
Depois do que pareceram séculos, a reunião acabou e finalmente Hermione pôde sair daquele prédio pra tomar um pouco de ar fresco e comer qualquer coisa antes de sentar na sua mesa de trabalho e começar mais uma jornada. Foi até ao restaurante bruxo que tinha perto dali e enquanto esperava a comida chegar, ficou lendo o livro "Economia e Magia; Edição avançada" mas uma conversa na mesa ao lado desviou sua atenção da leitura:
- É, parece que confirmaram. Ronald Weasley está no Chuddley Cannons
mesmo. Aquele time com ele e Potter não vai perder uma, cara, pode
escrever o que eu estou dizendo.
- É, agora eles vão "botar pra quebrar", aquele Finch não é de nada, a
hora dele já passou... Ao ouvir aquele nome, Ronald Weasley, Hermione sentiu seu coração ficar pesado... As lembranças do passado voltaram e a fome que ela sentia se dissipou completamente. Mesmo assim, ao chegar a comida, ela forçou um pouco da comida para não ficar sem nada no estômago e saiu rapidamente de lá. No trabalho, a concentração era difícil e ela mal sabia o que estava fazendo. Estava com ódio de si mesma por ser tão frágil. Ao ouvir aquele nome, apenas o nome, ela já sentiu toda aquela dor voltar com ainda mais força. Todo o esforço que ela tivera para esquecê-lo durante aqueles anos foi em vão, pelo menos era o que parecia. "Não, você não pode ficar assim, Hermione. Não depois de tanto tempo". Hermione falava sozinha abrindo a porta do apartamento. Tirou os sapatos e desfez o coque no cabelo. Sentou no sofá e respirou fundo. Não podia ficar assim, não depois de tanto tempo. Deitou no sofá, adormeceu e sem querer, sonhou com aquele que ainda mexia com ela, mas que assim como seu passado, ela teve que deixá-lo para trás.

Havia muita beleza naquela cidade... Mas não era uma cidade qualquer. Era Paris, a cidade-luz. Era difícil se despedir da cidade que fora seu lar por mais de oito anos, mas era hora de dizer adeus. Heather olhava a vista da cidade da varanda de seu apartamento. Ia sentir falta daquele lugar. David chegou abraçando-a e disse:
- Vamos, você ainda vai vir aqui mais vezes...
- É, mas como visitante, não como habitante... Não será a mesma
coisa...
- Nós temos que ir, querida, o vôo sai daqui a duas horas.
- Tudo bem, vai indo na frente que ainda faltam eu pegar algumas
coisas. Heather olhou pela última vez a vista. Tentava tirar coragem para voltar. Voltar para o lugar do qual ela tinha fugido não seria fácil, mas era o que ela devia fazer. O medo de encontrá-lo novamente era grande, mas ela não podia se prejudicar por causa DELE. David a esperava no táxi. Heather fechou a porta rezando para que tudo desse certo.

- Draco, sejamos sinceros, ela não vai muito com a minha cara!
- Deixa de besteira, Maureen, a Claire gosta de você!
- Ah, você está cego. Eu vejo como ela fica me olhando quando eu vou
te visitar. Draco se abaixou e ficou cara a cara com a irmã. Maureen nem parecia ter somente nove anos. Às vezes parecia ser mais velha do que ele. Estavam na porta da casa de Sirius e Narcisa. Ainda olhando nos olhos cinzas da irmã, disse: - Não se preocupe com isso, Maureen. A Claire não precisa gostar de você, pois só eu gostando já é suficiente – ele deu um beijo no rosto da irmã – agora vamos esperar a boa vontade de mamãe para abrir a porta – Draco levantou-se e bateu mais uma vez na porta...
- Draco... Você não vai casar com essa garota não, vai?
- Não sei, por quê?
- Porque eu também não gosto dela.
- Você não gosta de nenhuma das minhas namoradas.
- Isso não é verdade. Eu gostei de uma.
- Quem?
- A sua primeira namorada, Heather McQueen. - Você era pequena demais para se lembrar dela – disse sério, tentando desconversar. - Mas a mamãe me contou a história... Você só não ficou com ela porque foi burro demais pra deixá-la ir. Draco, assustado com as palavras da irmã, olhou sério pra Maureen e disse: - Chega, Maureen. Você está me saindo muito tagarela hoje. Mãe! – Draco exclamou quando Narcisa abriu a porta – Por que a demora?
- Desculpe querido, mas eu acabei de sair do banho! - Está entregue a pestinha – disse ele enquanto Maureen entrava em casa – De nada, irmãzinha! – Ele gritou irônico para a irmã que voltou correndo e lhe deu um abraço em agradecimento e depois entrou de novo em casa.
- Você não vai entrar, meu filho?
- Não, a Claire está me esperando lá em casa.
- Essa garota...
- O que foi? Até você? - Eu o que? Ah, vamos Draco, ela não é lá flor que se cheire, parece você quando mais novo.
- Depois dessa, eu vou embora, mãe...
- Ai, filho você sabe que eu amo você – Narcisa abraçou o filho.
- Sei... E como está tudo com o Black?
- Tudo muito bem e pare de chamá-lo pelo sobrenome.
- É difícil. - Em todo caso, nós fomos ver o jogo de Harry e voltamos hoje pela manhã.
- E como foi?
- Eles ganharam. - Como sempre... – Draco suspirou – Agora vou indo mesmo mãe, amanhã tenho que ir ao Beco comprar umas coisas e depois vou até à sede pois tem uma reunião amanhã. O treino vai recomeçar semana que vem.
- Você não estava de férias?
- E auror tem férias? – Draco deu um beijo na mãe – eu lhe mando uma
coruja.
- Mande mesmo! Tchau meu filho!
- Tchau. Draco aparatou em casa. Claire tinha ido embora, deixando um bilhete dizendo que tinha que ir ao ministério logo cedo. Draco achou melhor assim, precisava ir logo dormir. Ao deitar na cama, porém, não conseguiu. Ficou pensando no que Maureen dissera. Ele tinha quase esquecido sua primeira namorada, se não fosse pelo fato de ainda gostar dela. Estaria ela ainda na França? Ela ainda lembraria dele? Se o visse algum dia, conseguiria perdoá- lo? Mas perdoar do que, se ela sabia que ele não podia... Pensando nisso, Draco fechou os olhos e dormiu. Mal sabia ele que Heather estava mais perto do que ele imaginava. E quanto ao perdão, ele saberia em breve se ela conseguiria ou não fazer isso.