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Gênero: U.A/ Yaoi/ OOC Disclaimers: . Eu tentei, uma vez, invadir o prédio da Sunrise e roubar os direitos autorais de GW, mas quando eu cheguei na frente do cofre forte, ele pedia uma senha. Eu digitei "Duo" e deu errado, eu digitei de novo e mais uma vez acusou erro. Foi aí que os policiais entraram e me levaram para a cadeia. E quando eu estava para ser deportada, o diretor da Sunrise me disse que a senha era "Heero"... . Eu não preciso dizer o quanto me remoí depois, não é? Logo, GW não é meu. E só e resta escrever fics.
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"Amor não se conjuga no passado; ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente"
M. Paglia
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Capítulo 2 – Estou me apaixonando...
O som da campainha soou pelo hall de entrada da casa, fazendo os empregados mais próximos se sobressaltarem.
Arrumaram-se em um fila retilínea ao lado da porta de entrada, dando espaço o suficiente para que uma das criadas pudesse abrir a porta.
Duo estava ali a algum tempo, apenas parado na porta, tomando coragem para cumprir sua missão. Era tão difícil. Estaria tudo bem se ele não estivesse de vestido e salto.
Apertou a alça de suas malas e apertou a campainha antes que toda a sua coragem fosse embora. Não passou muito tempo antes que fosse atendido por uma das criadas da casa. Ela fez sinal para que entrasse, abaixando a cabeça em sinal de respeito quando ele passou por ela.
Duo parou, observando a fila de empregados que se estendia a sua frente. Analisou-os melhor e viu que suas roupas não eram tão ruins, pelo menos deixavam o mínimo de pele possível aparecer. Era um simples vestido negro, que ia até ao meio das pernas, e um avental branco por cima. As mangas eram longas e cheias, dando um ar medieval à roupa. As longas meias escuras, cobrindo toda a extensão das pernas e os sapatos baixos.
Aquilo não seria tão ruim assim... ou seria?
- Você deve ser Duo. – arregalou os olhos e deu um tapa em sua própria testa. Quem tinha sido o imbecil que tinha dado o nome verdadeiro dele? Incrível. Provavelmente tinha sido Chang. Não, ele não era tão burro assim. Ou era? Ele não sabia, a única coisa que ele sabia era que alguém ia ter sua cabeça pendurada no elevador no dia seguinte.
- Ah, sim. Sou Duo Maxwell.
- Bonito nome, eu adorei. Sou Hilde, bem vindo à residente dos Peacecraft Yuy. Infelizmente, nossos senhores não estão aqui, mas logo voltarão. – ela lhe deu um sorriso e Duo soube na hora que eles iriam se dar muito bem. – Por favor, conheça seus novos colegas de trabalho. – ela apontou para as empregadas e começou a apresentá-los. – estas são Sally, Dorothy, Noin, e Catherine.
- Muito prazer. – sorriu, fazendo todos os outros sorrirem em retorno.
- Venha, eu vou lhe mostrar seu novo quarto, e aproveito para lhe mostrar a casa. – o puxou pela mão, tirando metade das malas dele das suas mãos. Eles seguiram pelo hall, até chegarem na sala principal. Hilde foi narrando todos os detalhes importantes sobre cada coisa. Como elas deveriam ficar e como deveriam ser limpadas. Foram até uma parede, onde se encontrava uma porta camuflada pelo papel de parede. – Essa é a ala onde nós trabalhamos como escravos. A cozinha e as alas de serviço: lavanderia, armário de limpeza e etc... a escada ao lado da sala principal é para os senhores e para os visitantes. Lá só tem salas de jogos, banheiros principais, bibliotecas, o escritório do Sr. Yuy. – Duo apurou os ouvidos. Qualquer informação que lhe dissesse onde poderia encontrar provas seria totalmente aproveitada. – E os quartos de hospedes e os dos Srs. Já nessa ala é que estão as coisas que fazem essa casa funcionar.
- Que tipo de coisas?
- Bom, aqui estão nossos quartos, nossos banheiros, nossos locais de trabalho, como outras coisas, tipo a sala de segurança. Você tem que saber que apenas o Sr. Yuy tem acesso a ela. – Ótimo, Duo pensou. Mais uma informação importante e mais um ponto contra Yuy. – temos o porão e o sótão nesse lado. – ela apontou para um corredor, pelo qual passaram direto. – O sótão fica no último andar, é claro, mas o porão é aquela sala a esquerda. Basicamente, funciona como um depósito de coisas inúteis. – subiram dois lances de escadas, parando em um corredor não muito enfeitado. – Veja, aqui são nossos quartos. Como você pode notar, nesse corredor só há quatro quartos. O seu fica para lá. – ela apontou para o caminho que tinham acabado de seguir, mas onde havia uma bifurcação. É a última porta daquele corredor.
- Ok. Pode me ajudar com essas malas? – ele pediu educadamente e Hilde o ajudou a levar suas coisas para seu quarto, que ele descobriu ser bem grande para um simples quarto de criados. Colocou suas malas em um canto e se voltou para Hilde. – Quando eu começo a trabalhar?
- O mais cedo possível.
- Tipo hoje à tarde? – ela fez que sim com a cabeça.
- Espere só um minuto que eu vou buscar seu uniforme. – ele se sentou na cama, vendo a garota sair, voltando rapidamente com o vestido em suas mãos. – Pode se trocar aqui. – ela disse ao ver que Duo estava seguindo para o banheiro.
- Não, eu prefiro me trocar no banheiro.
- Por quê? Não há nada aí que eu não tenha. – ela disse, fazendo um gesto para que ele voltasse para perto dela.
- Quer apostar?
- O que disse?
- Nada. É sério, eu vou me trocar no banheiro.
- Ah, vamos. Eu posso ver que você tem um corpo extremamente perfeito.
- Valeu pelo elogio, mas eu não me sinto muito confortável.
- Ok, tudo bem que faltam alguns dotes em você, mas nada que realmente importe. – ela falou, fazendo um sinal para o busto de Duo.
- Eu cresci em uma família muito conservadora, e não estou acostumada a me trocar em público. – ele disse, agradecendo mentalmente o fato de ter usado o "a" em vez do "o".
- Bem, se é assim, tudo bem, pode ir. – Duo segurou seu uniforme, andando rápido até o banheiro. Ele trancou a porta, se encostando nela, soltando o ar que ele tinha prendido em algum momento.
Deixou o uniforme em cima do balcão da pia, segurando a saia do vestido que usava e procurando, entre os babados internos, o estojo onde guardava os dispositivos de espionagem.
Encontrou o estojo preto e o colocou em cima da mesa, abrindo-o.
- Hn! O que eu devo usar? – olhou para o longo acervo de coisas presas no estojo, desde escutas até mini câmeras. Lembrou-se das ordens de Treize "Coloque câmeras e escutas em todos os quartos. Desde o seu até aos dos empregados". Bem, isso seria extremamente fácil. Tirou o bracelete que usava no pulso, era todo preto, feito de um material bem duro, com uma esmeralda no meio. – Isso engana muito bem! Bom trabalho, Quatre! – ele disse, falando consigo mesmo, se referindo à grande esmeralda que na verdade era uma câmera. Sorriu maliciosamente ao se lembrar porquê Quatre havia escolhido a esmeralda. – Aquele loiro safado vai se ver comigo. – sorriu e analisou o verso do bracelete, achando o engate que procurava. Apertou a minúscula saliência, e com um clique, a câmara escondida se abriu, revelando suportes para os dispositivos de Duo.
Deixou-o em cima da mesa, voltando sua atenção para o estojo. Tirou algumas câmeras e apenas duas escutas. Não havia muito espaço no bracelete, por isso, decidiu pegar mais coisas quando dispensa-se Hilde.
Fechou a câmara do bracelete, colocado-o de volta no pulso. Fechou o estojo, voltando a engata-lo no meio dos babados da saia de seu vestido, podendo, finalmente se trocar.
- Duo, você está aí dentro? – ouviu a voz de Hilde, abafada pela porta, ecoar no cômodo.
- Sim!
- Escute, eu vou deixá-la se trocar e eu vou descer, quando você terminar de arrumar suas coisas, você desce, ok?
- Certo! – tirou o vestido que usava, colocando o seu uniforme com certa dificuldade. Recolheu suas coisas de cima do balcão da pia, abrindo a porta de seu quarto, se certificando de que Hilde não estava mais ali.
Foi até suas malas, ao lado da cama, abrindo a primeira. Eram apenas roupas. Tirou mais uma vez o estojo dos babados, o colocando ao seu lado, jogando o vestido dentro da mala.
Abriu a segunda mala, que era extremamente maior do que a outra. Quem abrisse a mala e tirasse todas as roupas dela, veria, claramente, que seu tamanho interno não condizia com o externo. Colocou todas as roupas de lado, apoiando suas mãos no fundo falso da mala, fazendo pressão, fazendo o fundo se abrir, revelando o grande acervo de coisas que Duo trouxera.
Escutas, diferentes tipos de câmeras, filmadoras, gravadores disfarçados e outras toneladas de coisas disfarçadas como acessórios.
Tirou algumas que iria precisar. Ele iria atrás do quarto de Yuy, e colocaria escutas em todas as partes, assim como câmeras.
Colocou o estojo na mala, fechando o fundo e colocando as roupas de volta, fechando a mala. Encostou-as em um canto da cama, saindo do quarto.
Tentou-se lembrar de todas as coisas que Hilde havia lhe dito, fazendo o caminho até o quarto de Yuy, mas antes ele tinha que passar em um lugar.
Parou em frente à porta onde se encontrava uma placa onde estava escrito: "Sala de segurança, entrada proibida".
Abriu a porta, a fechando rapidamente. Procurou com o olhar o interruptor, o achando em um canto da parede. O ligou, vendo os inúmeros monitores em um canto da parede, que no momento estavam em modo de segurança. Procurou o fio mestre dos monitores.
Achou o fio preto grosso, onde estavam ligados todos os monitores. Pegou a pequena caixinha preta que carregava, a colocando no ponto de ligação dos fios, apertando o minúsculo botão preto, se certificando que as informações estavam sendo passadas para a central. A luz laranja se acedeu, confirmando a conexão.
- Sinto muito, Yuy! Sua casa foi grampeada. – ele disse, desligando a luz e saindo da sala, indo em direção do quarto de Yuy.
Seguiu pelos corredores, colocando escutas em pontos estratégicos, até chegar ao quarto de Yuy.
Girou a maçaneta, apenas para se certificar de que a mesma estava trancada. Sorriu maquiavelicamente, tirando o anel que usava e destacando um pequeno arame da estrutura e o colocando no buraco da fechadura, o girando com cuidado.
Ouviu o clique da fechadura e viu a porta se abrir, revelando o quarto de Yuy. Entrou cuidadosamente no cômodo, observando tudo ao redor, procurando algo que servisse de pista contra Yuy. Tirou o bracelete, pegando as escutas e câmeras, as colocando em excesso pelo quarto de Yuy. Tomou cuidado para não esbarrar em nada, afinal, não sabia se o quarto estava equipado com alguma coisa.
Abriu as gavetas de roupa, não encontrando nada, aparentemente. Foi até a escrivaninha do quarto, notando que algumas das gavetas tinhas fechaduras.
Percebeu que todas as gavetas estavam com a chave, o que era muito suspeito, já que ele duvidava que Yuy guardaria algo importante numa gaveta, a trancasse e deixasse a chave na fechadura.
Abriu-as, analisando seu conteúdo. Não havia nada importante, o que ele achou suspeito. Deu mais uma olhada, tirando tudo de dentro das gavetas. Olhou-as cuidadosamente, se atendo a qualquer detalhe, inclusive as marcas da madeira. Depois de uma minuciosa inspeção, ele fechou as gavetas, dando-se por vencido. Ele não encontrara nada, mas algo na primeira gaveta lhe chamou a atenção. A gaveta ainda estava vazia, e por isso ele pode notar, com dificuldade, uma imperceptível linha na gaveta, do mesmo jeito em que havia em sua mala. Pressionou o fundo, mas ao contrário de sua mala, o fundo não se abriu.
Ele raciocinou rapidamente, analisando o fundo da gaveta. Passou os dedos pela madeira, tentando achar algo que o ajudasse a abri-la. Seus dedos percorreram o fundo, quase sem achar nada, mas seus dedos tocaram em algo.
Um minúsculo buraco, imperceptível. Ele tirou o mesmo arame com o qual abriu a porta, colocando-o dentro do buraco, empurrando-o.
Foi com prazer que viu o fundo se abrir. Era um esconderijo rústico e sem preparação, mas ele devia admitir que era inteligente.
Analisou seu conteúdo, descobrindo mais do que queria. Tirou os papéis que encontrou, analisando-os com cuidado. Apenas aquilo já era útil para mandar Heero Yuy para a cadeia.
Ligou o comunicador, preso em sua orelha, querendo contatar Quatre o mais rápido possível.
- Quatre! – exclamou ao ouvir a voz de Quatre lhe dar permissão para falar. – Eu achei algo importante!
- Pode transmitir pela câmera?
- Claro! Diga a Treize que é importante. – ele disse e Quatre confirmou, pedindo que ele esperasse para que ele pudesse chamar Treize. Ele voltou minutos depois, junto com Treize, Trowa e WuFei. – Eu achei isso no compartimento falso de uma das gavetas de Yuy. Leiam. – ele disse, focalizando a câmera de seu bracelete em um dos papéis que achara.
As inúmeras fotos de Miliardo e Relena tomavam os papéis, tão bem como as informações sobre a vida pessoal dos dois. E em uma folha, que Duo julgou mais importante, havia a foto de Miliardo e todas as transações pelo mercado negro que ele havia feito. A foto de Miliardo estava bloqueada por uma grande palavra escrita em vermelho.
"Eliminado".
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Duo voltou ao quarto onde estava hospedado, feliz por sua descoberta. Ele transmitira as imagens para a central através de sua câmera e depois de arrumar como estava, ele voltou a trancar o quarto, colocando escutas no resto dos quartos de hospedes.
Guardou tudo o que não tinha usado e que não ia precisar e começou a guardar suas roupas nas gavetas quando Hilde bateu na porta, entrando logo em seguida.
- Duo? Já terminou de arrumar suas coisas? – ela perguntou, e quando viu que a reposta para a sua pergunta era negativa, ela se ajoelhou junto a Duo e o ajudou a arrumar suas coisas. – Duo, será que depois daqui você podia nos ajudar lá embaixo? Sr. Yuy acabou de ligar. Eles marcaram um jantar importante hoje e mais tarde devem estar chegando. Nós precisamos de ajuda na cozinha.
- Ok! Eu posso ir agora se você quiser.
- É claro! Então vamos! – ela disse, ajudando Duo a se levantar.
- Claro, só um minuto, eu preciso dar um telefonema. – falou, tentando fugir do trabalho o máximo possível.
- Vai ligar para o seu namorado?
- Não... eu não...
- Não me diga que você não tem um namorado.
- E não tenho...
- Não me diga que você tem medo de compromisso? Você é muito linda.
- Obrigada, mas eu não... não achei o cara certo...
- Cara certo? Eu não conheço essas duas palavras. – ela falou brincando e Duo riu, sussurrando um "eu conheço". – Você é doida. Vamos.
- Ok.
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Duo desceu com Hilde, tentando lembrar onde ficava a cozinha, a achando facilmente.
- Eu estou pronta para o trabalho. – ele disse, ainda estranhando o fato de ter usado o "a" em vez do "o".
- Ok! Você sabe cozinhar? – Hilde perguntou, lhe dando uma colher de pau e o mandando mexer uma panela fervente.
- Como os deuses! – ele respondeu, não se importando em conter a modéstia.
- Bom! Daqui a alguns minutos a Sra. Yuy vai descer para ver como as coisas estão e ela vai querer lhe inspecionar. Por isso, fique com a postura reta e seja educada.
- Eles já chegaram! – ele perguntou, mexendo a panela, ao mesmo tempo que a temperava.
- Já. Há alguns minutos. O Sr. Yuy foi dormir, então ele só deve descer na hora da festa. – então era daquele jeito. Ele só veria a o suspeito que deveria investigar na hora da festa. Ok, pelo menos lá ele passaria despercebido.
- Oh! Bem... o que diabos há nessa panela? – ele perguntou, a provando. Era um gosto estranho, como de comida mofada.
- Ensopado!
- Ensopado! E alguém come isso?
- Para falar a verdade, não! Mas a Sra. Yuy manda que façamos isso. É um nojo. Nem mesmo quatro quilos de sal podem dar um jeito nisso!
- Bem, eu posso. – colocou as luvas, pegando a panela e despejando seu conteúdo na pia, onde ligou o triturador.
- Duo! o que você fez? – Hilde perguntou, olhando o resto do ensopado.
- Hilde, se ninguém come isso, por quê cozinhar? Façam algo que preste. O que você tem na geladeira? Eu posso tentar fazer algo que preste.
- A Sra. Yuy não vai gostar disso.
- Hilde! Vocês tem que fazer coisas do tipo pernil, peru, frango. Vinho branco. Coisas que as pessoa gostem. Não é à toa que as pessoas ricas são tão magras. Elas não cozinham nada que gostam.
- Eu concordo com você, mas a Sra. Yuy...
- O que tem a Sra. Yuy? – Relena perguntou, entrando na cozinha. O seu falso ar altivo era facilmente percebido e seu rosto estava cheio de olheiras, que ela tentara esconder com a maquiagem. Era perceptível para todos o estresse da garota.
- Bom dia, Sra. Yuy. – eles a cumprimentaram e elas os olhou com um olhar superior.
- O que falavam de mim?
- Nada, Sra.
- Me digam!
- Eu tentava convencer a Srta. Maxwell de que a comida seria a tradicional. – disse Hilde, fazendo um gesto para Duo.
- Srta. Maxwell? Você é a nova empregada? – Duo fez que sim e Relena a olhou com desprezo. – E o que falava sobre a comida?
- Eu apenas disse a Hilde que a comida a ser servida era imprópria. – Duo a olhou diretamente, o que fez Relena sentir mais desprezo por ele.
- Não acha que está saindo muito de seu posto? – ela perguntou o olhando de um jeito estranho. – Sou eu quem decido a comida aqui.
- Sim, me desculpe, Sra. Peacecraft. Eu só pensei que...
- Você não pensa nada. Não é paga para isso. – ela disse, o interrompendo rudemente. – A comida foi e sempre vai ser a mesma. É uma festa formal, as pessoas não vêm para comer.
- Me desculpe, mas se eles não vêm para comer, então para que serve a comida?
- Esse é o seu primeiro dia e eu já estou pensando em despedi-la. – ela disse, saindo da cozinha quando uma outra empregada aviso-lhe que o seu marido a estava chamando.
- Mas que mulherzinha chata! – ele disse à Hilde, quando Relena foi embora. – Ela não se manca.
- Ela é chata mesmo. Nem esquenta com ela. Não fale com ela por algum tempo ou você perderá seu emprego.
- Eu não sei porquê, mas no momento eu estou querendo enforcar uma certa loira de farmácia!
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A tarde havia sido extremamente estressante para Duo com Relena pegando no pé dele, mas teve uma hora em que a garota teve que subir para se arrumar e Hilde garantiu que ela não dirigiria a palavra a ele pelo resto da noite.
Duo também teve que subir para se trocar, uma vez que estava todo sujo de comida e derivados. Ele passou um tempo considerável se arrumando, uma vez que era extremamente vaidoso.
Ele havia se arrumado do melhor jeito que um empregado podia, trocando seu uniforme sujo por outro.
Ele desceu as escadas que davam na cozinha, vendo a pressa que dominava o lugar. Talvez ele tenha demorado tempo demais no banheiro, pois a maior parte dos convidados já havia chegado.
- Duo! Me ajude com isso! – Hilde pediu, lhe apontando várias bandejas que ele a ajudou a levar para o salão, oferecendo-os aos convidados. – Parece que os homens não se interessam mais pelo aperitivo, não é? Eles estão mais afim do prato principal. – ela disse em um canto, apontando para o salão, onde quase todos os homens presentes olhavam Duo com cobiça. Parecia que todos eles pareciam devorá-lo com os olhos.
Mas seus olhos captaram uma única figura, no meio de todas elas. A única presença masculina naquele salão que o ignorava por completo. Estava de costas e quando percebeu que alguém o observava, se virou, encontrando Duo o encarando descaradamente. Hilde também percebeu a mesma coisa, já que ela lhe deu um cutucão e ele parou de encarar o homem à sua frente.
Ele voltou para a cozinha, deixando a bandeja em cima da mesa e apoiando suas mãos na bancada.
Meu Deus! Que homem era aquele? A pele bronzeada, os olhos extremamente azuis, perto do cobalto, os cabelos rebeldes cor de chocolate. Os músculos que ele pôde imaginar sob o terno muito bem passado.
- Está pensando em lazer antes do trabalho, Duo? – a voz masculina soou pela cozinha, fazendo-o se virar rapidamente.
- Trowa! O que está fazendo aqui? – ele perguntou desconfiado. Cutucou o peito musculoso de Trowa para ver se ele estava mesmo ali.
- Trabalhando! Coisa que você não está fazendo. – apontou para a bandeja em cima do balcão.
- Ei! Eu não sou pago para isso! – afastou a bandeja para longe de si. – Treize confiscou todo o salário que eu ganharia aqui porque eu atrapalhei ele e WuFei.
- Você não está recebendo nem para usar essa roupa? – perguntou sarcástico, fingindo que usava um vestido e rodava a saia.
- Na verdade, Sr. Barton, eu paguei por isso! – ele disse e Trowa riu, se apoiando na bancada para que não caísse. – Pare de rir, Trowa!
- Duo, eu preciso de... – Hilde disse, entrando na cozinha, mas parando ao ver Trowa. Fez uma reverência leve e se voltou educadamente para Duo. – Eu preciso que você me ajude, Duo.
- Certo, já estou indo. Trowa, por favor diga à Quatre que eu agradeço por isso. – apontou para o bracelete que continha a esmeralda. Trowa acenou com a cabeça e saiu rapidamente da cozinha, deixando os dois lá dentro.
- E você disse que não tinha namorado. Muito bonito, Duo! – ela disse maliciosamente, o que fez Duo corar.
- E eu não tenho!
- E quem era aquele cara lindo, gostoso e extremamente sexy que estava aqui quase te agarrando sobre o balcão? – ela o cutucou com o cotovelo, levantando as sobrancelhas, insinuando coisas para Duo.
- É meu amigo! – ele disse, meio chateado, fazendo bico.
- E você quer que eu acredite nisso?
- Pois é a pura verdade. Ele é compromissado! – exclamou como se aquela afirmação desse fim à conversa.
- E é por isso que você ainda não pegou ele?
- Ele é namorado do m... da minha melhor amiga!
- Ah! Então é por isso que você não pega ele?
- Hilde!
- Ok, eu paro de falar daquele cara extremamente sexy, musculoso, lindo, gostoso, com olhos extremamente verdes como se fossem...
- Hilde!
- Desculpa! ... sabe, isso tudo é tensão sexual acumulada. Me diga... quanto tempo você não... você sabe... há quanto tempo você não vai pra cama com alguém? – ele apontou a colher que ele estava segurando ameaçadoramente para Hilde, em um gesto para que ela calasse a boca. – Me diga! – ela ignorou-o, fazendo pressão.
- Eu nunca... eu nunca... hn... nunca fui para a cama com ninguém! – ele disse, envergonhado.
- Está me sacaneando! Sem chances! Nem a pau que você é virgem. Olha esse corpo. Olha esse rosto! Você é a pessoa mais bonita que eu já vi na vida!
- Você acha mesmo?
- É claro! ou você duvida de mim?
- Não, é que... eu estou esperando o cara certo.
- Que tipo de cara?
- Um cara que realmente me dê valor. Um que me respeite e que tenha suas próprias opiniões. Alguém que não me esconda nada e que não deixe toda a magia do relacionamento se perder.
- Você quer um príncipe, e não um cara.
- É, quem sabe eu não queira um príncipe! – ele respondeu sonhador. Voltou a pegar a bandeja, agora novamente cheia e voltou ao salão, procurando com o olhar o homem que o havia fascinado a momentos atrás.
- Srta. Maxwell! – ele ouviu a voz lhe chamando e se virou, encontrando a loira arrogante.
- Sim, Sra. Yuy? – ele vez uma leve reverencia, equilibrando a bandeja em uma das mãos.
- Venha comigo. – ela apontou para uma mesa lateral e mandou que ele colocasse a bandeja em cima da mesma e a seguisse. Ela o levou até a biblioteca, fechando a porta atrás de si. – Me responda, Srta. Maxwell, quem lhe deu o direito de tanta intimidade com nossos convidados?
- Eu... eu não sei do que a Sra. está falando. – ele disse, com medo de que ela o ouvisse conversando com Trowa.
- Sim, você sabe. Todos os nossos convidados estão falando de você como se a conhecesse. Tem como me explicar isso?
- Não, Sra.
- Não minta para mim. Agora me explique por que todos aqueles homens falam de você como se já a tivessem levado para a cama, e quem sabe também arranje uma desculpa para ter levado o Sr. Barton para a cozinha. – Duo arregalou os olhos. Ele percebera todos aqueles olharem sobre si, mas nunca pensara que chegaria àquele ponto.
- O que eu sei, Sra. Yuy, é que o Sr. Barton é um amigo meu de infância, e que não conheço mais ninguém naquela festa. – ele disse calmo, embora o incômodo estivesse ali. Ela o olhou desconfiada e brava.
- Eu não acredito que alguém de um ranking superior como o Sr. Barton possa ser amigo de alguém como você. – ela o olhou com desprezo e disse algo antes de voltar para a festa. – Cuide-se, Srta. Maxwell. Da próxima vez eu não serei tão tolerante.
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Depois da conversa com Relena, Duo voltou para a festa, evitando falar com Trowa o máximo possível, apenas o necessário para que ele continuasse a trocar informações.
Ele passou o resto da festa procurando o tal homem misterioso de olhos azuis pela festa, fazendo o máximo possível para ficar longe de Relena.
Continuou trabalhando, ajudando Hilde a preparar tudo para o jantar. Ele ajudou a garota a colocar tudo sobre a mesa, ajeitando os pratos de modo mais sofisticado possível, e foi quando todos sentaram-se que ele pôde ver o misterioso homem de novo. Ele sentou-se na cabeceira da mesa, mostrando ser alguém extremamente importante. Notou também que Relena sentara-se em um de seus lados e tentava puxar algum assunto sem sucesso, já que o homem a ignorava e chegou a um ponto onde ele mandou-a calar a boca, para a surpresa de Duo. De seu outro lado sentou-se Trowa, que estava tendo mais sucesso em puxar uma conversa com o tal homem do que Relena.
Mas Duo percebeu que não era em Trowa que seu olhava estava fixado e sim em si. Fora uma grande surpresa ao perceber que o tal homem o observava de modo estranho. Ele sentiu-se extremamente vaidoso, o que o fez, involuntariamente, fazer suas ações de modo sensual, o que atiçou o homem de olhos azuis, embora não tenha demonstrado.
Ele sorriu pelo canto dos lábios, o que raramente acontecia, uma vez que ele não sorria e muito menos abria a boca. Interrompeu Trowa com um gesto de mão e virou-se para Relena, que ficara animada uma vez que ele estava falando com ela. Mas toda aquela felicidade foi embora quando ele perguntou algo que não agradou a garota.
- Quem é ela? – Relena sentiu o sangue ferver ao ver a quem ele se referia. Trowa pôde ver que seus olhos haviam ficado ligeiramente vermelhos quando ela lançou um olhar de esgueira para Duo.
- Duo Maxwell. – ela respondeu com desgosto e ele continuou falando, ainda com o sorriso em seu rosto e os olhos grudados em Duo, que mantinha a cabeça abaixada, embora ele estivesse ciente do assunto da conversa.
- Nova empregada?
- Sim.
- Gostei dela, nem pense em despedi-la. – ele disse ao ler os pensamentos da garota. Duo era uma pessoa extremamente bonita, era verdade, mas não era apenas aquilo que proibira Relena de despedi-la, afinal, ele tinha algo a confirmar.
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Duo entrou no seu quarto, feliz de poder dormir finalmente. A expressão vitoriosa ainda dominava seu rosto assim como no momento quando ela surgiu. Ele tivera ânsias de ir dizer à Relena que ele estava certo e ela errada quanto ao jantar, uma vez que ele não vira nenhum dos convidados sequer tocar na comida, inclusive o magnífico homem de olhos azuis.
Jogou-se na cama, fechando os olhos quando uma onda de prazer o acometeu. Era tão bom estar ali e ele podia, finalmente, tirar aquele vestido ridículo. O tirou rapidamente e o jogou em um canto qualquer, buscando em sua mala algo com que pudesse dormir, uma vez que quando estava em sua casa ele dormia com sua roupa de baixo. Acabou pegando uma blusa larga e shorts ínfimos, uma vez que a noite estava muito quente para dormir com muitas roupas, então ele foi até a janela, a abrindo, sentindo o clima melhorar um pouco.
Deitou-se na cama e se embrulhou. Suas pálpebras estavam extremamente pesadas e o cansaço o abateu rapidamente e logo ele dormiu. Ele estava em um sono tão profundo que não ouviu o barulho de passos adentrar em seu quarto, nem mesmo percebeu o olhar cheio de luxúria que o observava.
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- Duo, acorde! Acorde! – sentiu seu corpo ser balançado de um lado para o outro e mesmo assim ele relutou em ser acordado.
- Sai. – ele resmungou durante o sono e cobriu sua cabeça com o lençol.
- Duo Maxwell, eu não vou sair. Levante! Está na hora de trabalhar.
- Hn... eu não quero. Me dê mais cinco minutos.
- Eu te dei mais meia hora. Agora vamos! – Hilde disse, colocando as mãos na cintura e puxando o lençol de Duo. – Se você não levantar agora você vai perder seu emprego. – ela disse e Duo se levantou relutante. Esfregou um dos olhos e olhou para Hilde, bravo.
- No meu antigo emprego eu não acordava tão cedo. – ele respondeu rabugento e sonolento.
- No seu antigo emprego você não tinha que levar café para seus patrões. Agora levante. Eu vou estar te esperando lá em baixo. – a garota saiu do quarto de Duo, deixando-o lá dentro para se trocar. Ele sentou-se na beira da cama, se espreguiçando. Abraçou suas pernas devido ao frio da manhã que fazia. Ele tomara a decisão errada ao não usar calças compridas para dormir. Levantou-se, indo até onde ele deixara seu outro uniforme que recebera de Hilde no dia anterior. Tirou sua roupa apressadamente, se vestindo. E pela sua cabeça nem de longe havia o pensamento de que alguém olhava cada parte de seu corpo secretamente.
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Duo desceu as escadas calmamente, entrando na cozinha, observando os empregados que já trabalhavam arduamente lá dentro.
- Bom dia. – ele disse, soltando um de seus melhores sorrisos.
- Bom dia! – eles responderam animadamente em uníssono.
- Onde está Hilde? – ele perguntou quando uma senhora de idade o puxou pela mão e o colocou sentado na mesa, lhe servindo o café da manhã.
- O Sr. Yuy a chamou. Ela já deve estar voltando.
- Ele já está acordado? – Duo perguntou curioso, mordendo a torrada que a bondosa mulher lhe servia.
- O Sr. Yuy é o primeiro a acordar. – a senhora respondeu, sentando-se em uma das cadeiras, pronta para fofocar. – ele é muito misterioso, sabe? Ele, quem sabe, lá no fundo, é uma boa pessoa, mas se mostra muito rude, mesmo com a Sra. Yuy. – Duo ficou interessado e colocou sua cadeira para mais perto da velha senhora. – Raramente vemos ele falando com a Sra. Relena. Ele tem um olhar tão frio que nenhum de nós consegue olhar ele nos olhos. Até mesmo a mulher dele tem medo dele... tem boatos que dizem que eles nunca chegaram a consumar o casamento deles. – Duo sorriu de canto, abrindo ainda mais os ouvidos. Ele adorava uma boa fofoca, principalmente quando a fofoca ajudava ele a manter o emprego.
- E como ele é fisicamente? – o americano perguntou e percebeu que todas as empregadas no cômodo pararam o que faziam e começaram a suar frio, algumas se abanavam com as mãos e outras tentavam alargar as golas de seus uniformes, tentando aliviar o calor que sentiam.
- Ele é extremamente bonito. – a velha senhora disse, soltando um sorriso. "Não tão bonito quanto aquele deus de olhos azuis", Duo pensou, sentindo, agora, um calor subir-lhe o corpo e parar em seu baixo ventre. – é um homem lindo! Quem dera eu fosse a Sra. Yuy.
- Parece que ele é um deus! – Duo disse e as empregadas soltaram suspiros exasperados. – Eu quero muito conhecê-lo. – ele falou, mas ninguém naquela cozinha notou o sorriso macabro que tomava conta de seu rosto.
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- Acho que está tudo correndo risco. – Hilde falou com uma voz baixa, apoiando as mãos na mesa do japonês. – Ela pode ser um perigo. Você sabe muito bem disso. Ela provavelmente está aqui para nos deter.
- Teremos que checar isso antes. Não tome conclusões precipitadas. Vou fazer o máximo para que isso não atrapalhe meus planos, apenas mantenha aquilo o mais longe possível de você.
- Entendo. Mas mesmo assim, por quê se refere a ela como se fosse um objeto?
- Ela? – o japonês riu enviesado, encostando a cabeça na poltrona de couro. – Há mais coisas sobre "ela" do que você sabe, Hilde.
- O que você sabe sobre isso? – a garota perguntou, olhando firme para o japonês. – Você está escondendo informações? Se você estiver, eu mesma vou cuidar para que Lady Une arranque sua cabeça.
- O que eu sei em nada atrapalha as ordens. E você, Hilde, trate de ficar no seu devido lugar e fazendo seu trabalho. As informações que eu passo para Lady Une são de minha escolha. – ele disse, zangado, batendo as mãos com força sobre a mesa e pegando o queixo da garota brutalmente entre as mãos, a forçando olhar para ele.
- Me largue, Yuy. – Heero fez o que a garota disse, voltando a se sentar. – Você não está transmitindo as escutas diretas para Lady Une!
- E o que você tem a ver com isso? meu trabalho é investigar o interior da vida da casa, o seu é o externo, então faça o SEU trabalho e me deixe em paz. Lembre-se que você tem uma provável nova víbora em mãos. – o olhar de Hilde ficou ligeiramente vermelho e ela não hesitou em tirar o pequeno canivete de dentro da manga de seu vestido e encostá-lo perigosamente no pescoço de Heero, fazendo certa pressão.
- Mantenha o plano, Yuy. Eu não quero acabar sendo morta por um deslize seu. Tão pouco quero ser presa.
- Então fique no seu lugar. – ele disse, agarrando a lâmina com as mãos nuas, fazendo a faca afiada fazer um corte fundo em sua mão, coisa que ele nem mesmo pareceu ligar. – Eu não cometo enganos, nem tão poucos deslizes. Se você fizer seu trabalho, então está tudo bem, só não se meta no que eu faço! – a garota recolheu o canivete para dentro de sua blusa mais uma vez e apontou para o corte de Heero.
- Espero que você sangre até morte. – saiu logo em seguida, batendo a porta para que a casa inteira pudesse ouvir.
- Eu também espero.
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Hilde desceu as escadas apressada, entrando na cozinha, encontrando metade dos empregados sentados à mesa, conversando com Duo.
- Levantem-se suas preguiçosas! – ela falou rude, gesticulando com as mãos. – Isso não é hora para fofocas! Não quero ninguém inerte aqui! – ela gritou.
- O que aconteceu com você? – Duo se levantou da cadeira e foi até Hilde. Ela o olhou e começou a massagear as têmporas.
- Nada, só uma dor de cabeça.
- Não estou falando disso. – ele disse e ela olhou para ele, curiosa. – estou falando disso. – Duo segurou o pulso dela e o virou, mostrando a trilha de sangue que ia até a manga de sua blusa. Hilde arregalou os olhos, vendo sobre o que o americano falava. Havia uma trilha de sangue indo, desde a sua mão, até dentro de seu vestido. Ela não podia ter esquecido daquilo. O sangue de Heero. Ela havia esquecido totalmente. Como podia ser tão descuidada? Ela não podia deixar que coisas daquele tipo acontecessem, principalmente na frente de seu possível inimigo. Duo deu mais uma virada na mão da garota, tomando cuidado para que a safira de seu bracelete passasse exatamente por cima do sangue, transmitindo aquilo para Quatre. Passou o dedo pela área, aproveitando o fato de que Hilde estava completamente distraída, sentindo algo duro sob a manga, a pressionando. Hilde sentiu a ponta afiada da faca furar sua pele sensível, e rapidamente puxou sua mão, saindo apressada da cozinha.
- Volte a trabalhar! – disse, quando já estava no corredor, indo para algum lugar que Duo não pôde identificar. O americano franziu o senho, saindo pela porta dos fundos e se afastando o máximo possível. Acionou o comunicador em sua orelha, entrando em contato com Quatre. – Quatre? – chamou e segundos depois ouviu o loiro responder.
- "Fale, Duo. Descobriu alguma coisa?"
- Temos um complô dentro da casa! Hilde, uma das empregadas.
- "Continue, estou ouvindo."
- Ela é muito bem equipada para ser apenas uma empregada. Ela tinha um canivete no suporte da manga da camisa dela, e havia uma trilha de sangue em seu braço.
- "Sangue dela?"
- Duvido muito. Se fosse dela teria um corte visível, uma vez que a trilha acabava no inicio da palma da mão dela. E se o corte fosse por baixo da manga, o sangue escorreria até o final. Se ela limpasse o sangue, então teria pelo menos um sinal disso. Mais provável que ela tenha ferido alguém e a trilha ficou quando ela guardou o canivete.
- "Alguma suspeita?" – Quatre perguntou, sua voz ficando mais pesada e embargada.
- Alguns empregados me disseram que ela tinha ido falar com Yuy.
- "Já avistou ele?"
- Não! Não me foi permitido. Mas, assim que eles se distraírem eu vou verificar as escutas e os arquivos de vídeo.
- "Certo, entendi, Duo... mas, só mais uma coisa."
- Fale!
- "Deixou alguém entrar em seu quarto ontem à noite?"
- Meu quarto? Não! Quatre... você está me dizendo que alguém entrou no meu quarto?
- "Não, os sensores não apontaram nada entrando ou saindo do seu quarto. Dormiu com a janela aberta?"
- Sim.
- "Bem, então deve ter sido o vento balançando a cortina...hn... já que não vi absolutamente nada na janela."
- Certo, então... ah, Quatre. Da próxima vez, peça para Trowa não ficar beijando seu pescoço durante a nossa conversa, certo? – o americano não esperou resposta, apenas desligou o comunicador, querendo dar tudo apenas para ver a cara vermelha e envergonhada que Quatre deveria estar fazendo.
- Duo, querida! – ouviu seu nome ser chamado e virou-se, encontrando a velha senhora, com quem ele conversara de manhã, o chamando. – Venha.
- Claro, só um minuto. – desligou o comunicador e voltou à cozinha aos pulos.
- Venha, querida. Vamos servir o café da manhã.
- Certo.
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Duo estava junto dos outros empregados, parado em fila reta em um canto da parede, esperando que seus patrões descessem para tomar café. Relena desceu primeiro, sentando-se à mesa, esperando, inutilmente, seu marido antes de tomar café.
- Onde ele está? – a garota perguntou para os empregados, e antes que qualquer um deles respondesse, Duo deu um passo à frente.
- Ele ainda não desceu, Sra. Acho que ele está ocupado demais para descer e tomar café com a Sra. – alfinetou e soltou um ligeiro sorriso ao ver a veia da testa de Relena latejar.
- Volte ao seu lugar, Maxwell, eu não perguntei à você. – Duo recuou um passou, voltando à sua posição original. – alguém, por favor, vá chamá-lo. – Duo sentiu uma mão em suas costas, o empurrando para a frente. Duo entendeu o recado e saiu rapidamente do cômodo antes que Relena soltasse qualquer tipo de recusa. Subiu rapidamente as escadas e chegou ao escritório de Heero, parando na porta. Bateu levemente na porta três vezes, antes de ouvir a voz lá dentro falar.
- Entre! – Duo entrou no cômodo, encontrando o homem em sua cadeira de couro, escondido por uma pilha de papéis e o laptop à sua frente.
- Sr. Yuy, o Sr. é esperado para o café da manhã. – o homem levantou o rosto para ver quem o encarava e Duo teve que recuar um passo devido à surpresa. Heero Yuy era o mesmo homem que ele secara na festa do dia anterior e com quem ficara sonhando a noite inteira. O homem o olhara de cima a baixo, parando no rosto de Duo, se fixando nos olhos violetas, soltou uma exclamação silenciosa e falou ao americano, descaradamente.
- Bonitos olhos. Nunca vi igual. – falou e voltou sua atenção ao laptop, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Duo abaixou a cabeça e corou intensamente. Heero o olhou de soslaio sobre a tela do laptop e sorriu, sem deixar que Duo o visse. – Fica adorável "corada". – o rosto de Duo ficou mais vermelho e Heero se perguntou como uma criatura tão linda podia estar ali para estragar seus planos. Bem, talvez não estivesse, talvez fosse só paranóia de sua cabeça. Mas, mesmo assim, ele teria que ficar de olho.
- Sr., o que eu digo para a Sra. Yuy? – perguntou, forçando-se a olhar para Heero.
- Nada.
- Nada?
- Não desça, eu estou precisando de ajuda aqui. Venha me ajudar.
- Certo. – ele se aproximou mais, ficando de frente para Heero. – O quer que eu faça? – Heero o encarou mais uma vez durante alguns segundos antes de sorrir abertamente e se dirigir a Duo.
- Você é uma pessoa muito bonita. O que faz aqui?
- ... – o rosto de Duo ficou, novamente, em um adorável tom escarlate e Heero se levantou, indo até ele.
- Por aqui. – ele apontou para uma estante de livros e Duo o seguiu, parando ao seu lado. – eu estou procurando um livro já faz alguns dias, mas eu acho que não está aí. Pode procurar para mim, por favor? – ele foi até a mesa, pegando uma caneta e um pedaço de papel qualquer, voltando para perto de Duo. – o título está em japonês. – ele começou a escrever os kanjis no pedaço de papel e Duo olhou para o que ele escrevia por sobre o ombro.
- Yume no kodomo? Já li este livro, me fez chorar. – ele disse e Heero olhou para ele, desconfiado.
- Sabe falar japonês?
- Alguns parentes meus são japoneses. – ele inventou na hora, encobrindo a verdade. Se ele dissesse a verdade, Heero desconfiaria dele, afinal, que tipo de pessoa sabe falar japonês e arranja um emprego de empregada?
- Entendo. – ele levantou uma sobrancelha e voltou-se para ele. – Bem, se você não precisa que eu escreva o nome, pode procurar para mim?
- Claro que sim. – Duo se concentrou na tarefa de procurar o livro enquanto Heero voltava para sua mesa. Encostou sua cabeça na mão, sorrindo. Que desculpa mais esfarrapada! Procurar um livro? Essa era nova para ele. E desde quando ele sorria tanto? Ele sorrira mais naquela manhã do que em toda a sua vida. Tudo graças à figura que estava ajoelhada na frente da estante. Se surpreendera consigo mesmo. Ele nunca faria isso. Inventar uma desculpa apenas para manter Duo perto dele. Ele apenas ficara ali, nos minutos seguintes, observando Duo procurar o tal livro, e depois de algum tempo, um americano feliz vinha aos pulos até a mesa de Heero com o livro em mãos. – Aqui está.
- Hn. – ele sorriu, tirando o livro delicadamente da mão de Duo. – Você é muito eficiente. Será que podia me fazer outro favor?
- Claro.
- Eu preciso que você ligue para esse número e peça para essa pessoa vir até aqui no dia 26. – disse, anotando um número e um nome em um pedaço de papel. Duo pegou o papel entre os dedos longos, lendo o que estava escrito.
- Ah! Trowa! – ele exclamou, feliz.
- Conhece Trowa Barton? – suas sobrancelhas franziram e ele o olhou suspeito.
- Hn. Só de vista. Ontem. – ele disse, sem jeito.
- Bem, então faça isso, por favor. Se me der licença, eu preciso sair um minuto.
- Claro. – ele pegou o telefone, discando um número que não conhecia, provavelmente um número falso, e esperou o telefone tocar enquanto Heero saia do cômodo.
- "Trowa Barton falando".
- Trowa-chan? – ele falou, entusiasmado.
- "Duo? O que você está fazendo? Esse foi o número que Treize mandou dar para Yuy."
- Eu sei. Yuy me pediu para que ligasse para você. Ele quer que você venha aqui dia 26.
- "Por quê?"
- Sei lá, mas isso não é importante.
- "Então, descobriu alguma coisa?"
- Na verdade não. – ele começou a brincar com o pedaço de papel onde o número de Trowa estava anotado. Segurou o papel com as duas mãos, vendo o verso. Ele não acreditava que Yuy tinha dado um deslize daqueles. – Espere. Yuy vendeu ações de suas empresas para Zechs.
- "O quê? Como sabe?"
- Yuy anotou seu telefone no verso do documento fiscal.
- "Está falando sério?"
- Estou.
- "Acha que foi de propósito?"
- Não sei. Eu estou preocupado, Trowa. Acho que Yuy suspeita de mim?
- "Por quê diz isso?"
- Não sei. Mas eu tenho essa sensação.
- "Bem. Apenas tome cuidado. Desligue o telefone."
- Certo. – e sem mais palavras, ele colocou o telefone no gancho. Soltou um suspiro e se encostou na mesa. Ele tinha certeza de que Yuy não seria tão descuidado de lhe dar uma pista daquelas.
Ali tinha coisa.
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Heero entrou em seu cômodo, se jogando na cama.
O que ele faria?
Estava preocupado. Ele tinha uma missão a cumprir e tudo parecia ser uma ameaça, por isso ele tinha que cuidar de tudo. Qualquer que fosse os obstáculos ele precisaria eliminar. Ele não tinha absolutamente nada contra Duo. Ele só precisava investigá-lo para ver se não era uma ameaça, uma vez que Duo chegara depois da morte de Zechs.
Todos os outros empregados não importavam. Ele já estavam ali antes mesmo de se mudar para aquela casa, com exceção de Hilde.
Não precisava nem mesmo dizer que Duo talvez estivesse ali para impedi-lo de completar seus planos. Se aquele fosse mesmo seu intento, ele teria que eliminá-lo.
Ele não sabia por quê, mas o americano era diferente. Era bonito e o fazia revelar seu verdadeiro Heero. Um Heero que ele nem mesmo sabia que existia, mas algo o intrigava e o deixava preocupado.
Duo era um homem. Um homem que havia se disfarçado de mulher.
Não via motivos para que uma pessoa normal fizesse isso, a não ser que ele estivesse desesperado para entrar naquela casa...
Balançou a cabeça e saiu do quarto, seguindo na direção contrária do escritório. Foi em direção à ala dos empregados, enfrentando um verdadeiro labirinto de corredores, chegando até o final de um corredor em que ele fizera questão de tirar as câmeras de segurança, contando com os sensores que ele colocara ali.
Puxou a pequena corda que pendia do teto, deixando a escada cair, levando em direção ao sótão.
Estava na hora de confirmar suas suspeitas.
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Duo sentou-se em uma poltrona no canto da sala, pegando o livro, que a minutos atrás ele procurara para Heero. Folheou o mesmo, reconhecendo certos trechos e frases que ele conseguia captar. Ele lera aquele livro a algumas semanas atrás e foi um dos poucos livros que não recebera uma critica sequer de Duo.
Ele simplesmente o tocara de uma forma inexplicável.
O livro contava a história de um amor impossível, que ele adoraria viver. Uma história que retratava com exatidão os sentimentos de cada um de seus personagens.
Fechou o livro e examinou a capa, lendo o nome do autor pela milésima vez desde que havia lido o livro.
Odin Lowe.
Como ele gostaria de conhecê-lo.
Fechou os olhos e encostou sua cabeça no encosto da cadeira, relaxando a cabeça.
Por quê ele tinha que acordar tão cedo? Aquilo era um saco. Ele precisava dormir. Quem sabe ele não pudesse dormir um pouco? Quem sabe só cinco minutos.
Acordaria antes mesmo de Yuy voltar.
Encostou sua cabeça no encosto da cadeira, sentindo seus músculos relaxarem. Depois ele ligaria para Treize e agradeceria por só ter que chegar na agência depois do meio-dia.
Agarrou o livro entre suas mãos e ele se rendeu ao sono mais uma vez.
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Heero sentia-se frustrado e ao mesmo tempo feliz. Ele dera uma olhada rápida nas escutas e nas câmeras de vídeo que colocara no quarto de Duo, e não encontrara nada, absolutamente nada, que pudesse incriminar o americano, embora ainda suspeitasse dele.
Ele talvez atrapalhasse seus planos e isso era ruim. Extremamente ruim.
Ele teria sua cabeça cortada se não conseguisse cumprir o que tinha ido fazer ali. Lady Une dera ordens claras a ele. Elimine todos que ficarem no seu caminho.
Suspirou e apoiou a cabeça em suas mãos. Estava na hora de voltar.
Saiu do sótão cuidadosamente para que ninguém o visse. Olhou ao redor apenas para constatar que não havia uma alma viva neles. Andou de volta até a sala de estar e estava prestes a voltar para seu escritório, quando a voz estridente e irritante de Relena invadiu seus ouvidos.
- Heero! Onde você estava! Eu estava te esperando para tomar café! – o moreno apenas a ignorou continuando a andar pelos corredores. – Meu amor, você não vai me acompanhar?
- Não. – ele respondeu seco. A garota continuou o seguindo e ele parou no lugar. – Vá tomar seu café, Relena. Eu não vou.
- Por quê não? – ela perguntou e Heero se irritou.
- POR QUÊ NÃO! – ele gritou e a garota parou no mesmo lugar, assustada. Lady Une ia pagar por aquilo.
- Me desculpe. – ela disse temerosa e Heero a deixou lá, parada, enquanto ele voltava a andar em direção ao seu escritório. A raiva ainda não o abandonara e parecia que não ia o abandonar tão cedo, mas isso se provou errado assim que ele entrou em seu escritório.
Duo estava dormindo, encolhido na cadeira, segurando o livro fortemente em suas mãos e ele ressonava baixinho, como uma gatinho.
Heero sentiu sua carranca se desfazer na hora ao ver o semblante tranqüilo de Duo. O que estava acontecendo com ele?
Ele estava se deixando levar por um garoto qualquer.
Andou até ele, afastando a franja longa de seu rosto para que pudesse observá-lo melhor.
O rosto branco, a pele lisa e os longos cílios castanho claro, assim como seu cabelo.
Seu interior se encheu de paz e ele soube, naquele momento que ele estava apaixonado por aquele garoto.
Acariciou a pele branca e com um imenso cuidado, ele o pegou no colo.
Duo se aconchegou mais nos braços fortes de Heero, agarrando seu pescoço por instinto, deixando o livro que ele levava consigo entre ele e Heero.
Heero o observou durante alguém tempo. Era visível que ele estava em um sono profundo. Será que o trabalho ali era tão pesado? Não, pensou, ele deve ser só preguiçoso mesmo.
Sorriu ante ao pensamento, e sem hesitar, ele saiu do escritório carregando o americano em seus braços.
Iria levar o pequeno até seu quarto e deixá-lo dormindo. Sabia onde era o quarto dele, o problema seria passar pela área dos empregados sem ser pego por nenhum deles, ou pior, Relena.
As poucas esperanças que ele tinha de não encontrar ninguém foram pelo ralo quando ele desceu a escada e encontrou Relena dando ordens para a maioria dos empregados.
A loira o olhou extremamente surpresa e raivosa. O olhar dela passou de um Heero neutro até um Duo dorminhoco, abraçado ao seu marido.
- O que diabos está acontecendo aqui? – ela perguntou, furiosa. Andou, batendo os pés, até Heero, que apenas virou ligeiramente o corpo para proteger Duo de qualquer que fosse sua reação, principalmente contra o trançado.
- Nada que seja de sua conta, Relena.
- É claro que é de minha conta se meu marido aparece carregando outra mulher.
- Ela dormiu! Foi só isso! – ele disse e pôs-se a andar ainda com Duo em seus braços sob os olhares desconfiados e maliciosos de alguns empregados e o de reprovação de Hilde.
- Dormindo! E onde você ia levá-la?
- Para o quarto dela – ele falou frio, não ligando para o olhar ameaçador de Relena.
- O único lugar para onde ela vai é para o olho da rua.
- Não, ela não vai, Relena! Saiba que quem manda nessa casa aqui sou eu. – ele falou em um tom colérico, o que fez a garota se encolher ligeiramente. – Não tente colocar ordem aqui. – ele falou, e depois se virou para o resto dos empregados. – Quero que escutem bem o que eu vou dizer agora. Todos vocês. – ele falou, olhando para os empregados que estavam com medo do patrão. – A partir de hoje, a Srta. Maxwell apenas vai receber ordens minhas. Apenas minhas. – ele falou, olhando para Relena. – Só eu vou ter algum direito sobre ela. E ela deve ser tratada do jeito que eu sou tratado! Qualquer desrespeito será levado como se tivesse sido comigo, por isso, tomem cuidado. – ele falou, parando seu olhar sobre Hilde, que entendeu que ele se referia à ela. E sem mais palavras ele voltou a trilhar seu caminho.
Se surpreendeu com o garoto.
Aquilo sim era sono pesado. E ponha pesado naquilo.
Suspirou inconformado quando parou na frente do quarto de Duo, abrindo a porta. Depositou Duo em sua cama e o observou dormir. Nem mesmo dormindo aquele garoto ficava parado. Suas mãos vasculharam a cama, a procura de algo, até que as mesmas entraram em contato com o travesseiro e ele o agarrou, se abraçando a ele.
Suspirou e colocou as mãos na testa.
Agora todos os empregados suspeitavam que ele estava encantado por Duo.
E aquilo não estava longe da verdade. Nenhum pouco.
CONTINUA...
Caramba, depois de meses. Fiquei até triste por demorar tanto tempo.
Esse capítulo foi extremamente idiota e acelerado. Eu não queria publicar ele assim, mas eu tinha que explicar certas coisas...
Quando meu rendimento sai assim eu fico com vontade de bater minha cabeça no monitor do computador. Isso ficou uma droga. Por favor, se tiver alguém que pensa o contrário – o que eu acho difícil – me diga. Eu ficaria muito feliz.
De qualquer forma, o livro que apareceu nesse capítulo: Yume no Kodomo. Ele é de um mangá de mesmo nome. Eu achei muito bonito o mangá, mesmo com todo aquele chove e não molha. O mangá pode ser baixado no site "Essence of Purity", em inglês somente.
Sabe, essa fic não está, realmente me agradando, eu não tenho prazer escrevendo ela. Acho melhor parar. Também não tenho recebido muitas reviews por ela... É, acho que vou parar e começar outra. De qualquer forma, independente do que eu decidir, eu vou colocar no meu profile. Só basta esperar agora.
