Segredos (Intérprete: Nenhum De Nós, Composição: Thedy Correa e Veco Marques )
No céu escreve
Os seus segredos
Nas nuvens escuras
Seus sonhos secretos
Todos querem ser livres
Todos querem ter os seus segredos
Todos querem ser livres
Todos querem ter os seus segredos
Será sagrado
Esse segredo?
Todos querem ter essa graça
Possuir desejos guardados em segredo
Todos querem ser livres
Todos querem ter os seus segredos
Todos querem ser livres
Todos querem ter os seus segredos
Capítulo I- Segredos no Gelo
Frio, vento, tempestade de neve. Branco. Qualquer pessoa comum enxergaria apenas a cor branca da forte intempérie e portanto, estaria no conforto de sua casa ao invés de ficar em meio às montanhas de icebergs do oceano congelado. Mas aquelas duas sombras opacas que movimentavam enormes feixes de luz contra o gelo com velocidade sobre-humana enquanto gritavam; definitivamente, não eram pessoas comuns.
- Hiyoga o que eu disse sobre você concentrar a energia para a área central do iceberg?!
- Isaac, você tá substituindo o Kristal, por acaso?!
- Acontece que eu não pretendo ficar aqui o dia todo, enquanto você se mata sozinho com isto que você chama de golpe!
- Isaac, eu te aturo há 10 anos e você está cada dia mais ranzinza! Não fique aí me dizendo como tenho que atingir os alvos, quando foi graças a você que recebemos esse castigo!
- Mas foi você que desapareceu por duas horas seguidas e o idiota aqui foi te procurar! Se você não quer a armadura de Cisne, eu quero! Eu estou aqui pela causa de Athena e não porque preciso chorar pela mãe morta mais perto do navio que ela afundou!
Um novo feixe é disparado, e o rapaz de longos cabelos loiros ataca o amigo pela insolência, derrubando-o no chão.
- Nunca, eu já disse. Nunca desrespeite a memória de minha mãe.
Os olhos verdes não pareciam nem um pouco espantados com a reação do companheiro. Rapidamente o jovem de cabelos castanho-claros limpa o sangue da boca e se levanta.
- Você não passa de um egoísta, Hiyoga. Age como se só você tivesse perdido a família e o seu problema fosse o maior do mundo, mas não é Hiyoga! Vê se cresce de uma vez, não agüento mais ouvir você reclamando!
- Nem todo mundo consegue ser frio como você, Yacob. Volta para aldeia enquanto eu termino aqui.
- Pra você desaparecer como das outras vezes e eu ficar encrencado também? Não mesmo! Você não pode ouvir umas verdades, sem querer ficar sozinho pra lamentar! Qual é, Hiyoga, porque você desaparece tanto?!
A tempestade se desfaz de repente, com a mesma rapidez com que começara, e os dois rapazes ficam se olhando em silêncio por longo tempo.
- Idiota.
Por mais estranho que fosse, nunca houve amizade mais leal do que a deles e exatamente por isso estavam quase sempre discutindo. Hiyoga se vira de costas, caminhando na direção do próximo amontoado de gelo, enquanto Isaac irrita-se com a fuga rotineira do amigo.
Uma silhueta revela-se por trás do iceberg. Uma amazona alta e loira, com os cabelos presos com uma trança até pouco abaixo dos ombros pára em frente a Hiyoga e fica fora do ângulo de visão de Isaac por alguns segundos.
- Você é maluca de andar por aí sem máscara?!
- Aquela coisa aperta meu nariz. Tá vendo isso aqui?
A jovem mostra uma leve marca avermelhada no topo do nariz.
- Aposto que se ele ficar deformado os Kido não vão me pagar uma plástica. E além disso, eu preciso fumar também.
Com muito esforço, ela retira um cigarro do cinto e tenta em vão acendê-lo várias vezes.
- Que humilhação uma fumante precisa passar na Sibéria... Vai ficar aí parado ou vai me ajudar a acender?
Hiyoga apara o vento com as mãos e ela finalmente consegue acender o cigarro, tragando em seguida.
- Você sabe que eu não gosto que faça isso.
- O problema é que eu gosto, maninho, rs.
- Se a Nádya descobre que você fuma, pode muito bem...
- Deixa que eu me preocupo com a megera, tá bom? Não encana! Não deve ser tão terrível mostrar o rosto para o próprio irmão! As amazonas são loucas, mas não imbecis. Além disso, não tem mais ninguém aqui.
Hiyoga faz um gesto nervoso com a cabeça e a moça tira a franja do rosto para olhar na direção apontada. Só então o jovem percebe a ausência da máscara dela e vira de lado nervosamente para não encarar o belo rosto e os olhos verdes que lhe desconcertaram tanto.
- Ah... É aquele seu amigo que tenta te por juízo e você se zanga? Ele é bem bonitinho, não ligo de ter que amar ele pra sempre...rs.
- Você não devia estar aqui hoje, irmã, eu te pedi. Está se arriscando demais.
- Eu não posso ficar atendendo tudo que me pede irmãozinho, eu nem moro numa lâmpada. (...) Escuta, você vai deixar ele plantado ali ou ele acha que eu vou morder?
- Tem razão, eu vou cham...
- Ei, garoto! Você já me viu então não adianta mais fingir que não! Eu não pretendo matar você! Seria muito desperdício...
Ele se aproxima e ambos se cumprimentam com um aperto de mãos.
- Oksana.
- Isaac.
- Na verdade o primeiro nome dele é Yacob, só que...
- Ele tem a mesma frescura que a sua e prefere o segundo nome?! Bom, pelo menos vocês têm uma segunda opção pra poder detestar a primeira, já eu...
- Então é por ela que estou sempre encrencado com o mestre, Hiyoga?
- Oksana é minha irmã, treina com a mestra Nádya no leste. Ela sempre precisa saber como eu estou, se não enfarta.
- Irmã mais velha é pra essas coisas. Sinto muito encrencá-lo por isso, Isaac.
- Hum. Tudo bem, é que esse idiota nunca me disse que tinha uma irmã.
- Vocês sempre se tratam assim ou eu to atrapalhando alguma coisa?
- É melhor você ir, Ksana... Eu já disse que está tudo bem.
- Escuta, sei que devem estar com pressa, então não vou demorar. Só quero saber se você está bem. Tem comido direito?
- Pelo amor de Deus, eu não sou uma criança!
Oksana agarra com uma das mãos o rosto do irmão, enquanto sopra a fumaça do trago para o lado oposto. Olha demoradamente para a careta dele, vira-o de um lado e de outro. Checa também o fundo dos olhos um por um demoradamente, deixando Hiyoga completamente nervoso e envergonhado pelo gesto dela na frente do companheiro de treinos.
- Hum, parece que está bem mesmo. Mas está magro demais, isto não é bom.
- A palavra "treino" te ajuda em alguma coisa?
- Seu amigo não está com essa cara de caveira, nem tem essa saboneteira no pescoço... Diga-me Isaac, ele tem mesmo comido bem?
- Rs... Tem, tem sim.
- Mas e quanto a você, mana? Como está indo?
- Ah, naquelas... Eu não consigo nem compreender o que é essa tal cosmo energia, que dirá alcançá-la. Nem me esforço também, se quer saber. Segundo a Nádya nunca vou passar de um soldado raso. Como se importasse, rs... Tão cansados de saber que só estou vigiando você, não sei porque insistem.
- Qual o problema com vocês? Como podem ser tão indignos do chamado de Athena? Não merecem estar aqui! Nenhum dos dois! Como motivos egoístas e pequenos puderam trazê-los até aqui?
- Escuta aqui pirralho, em primeiro lugar, trouxeram a gente porque não tinha nenhuma família pra reclamar a nossa morte, não porque queríamos servir aos Kido. O louco aqui é o velho Mitsumassa e não nós! Se você consegue ver algo de nobre nisso, que ótimo, mas para mim não passa de violência gratuita, de capricho de um velho maluco pra uma menina mimada!
- Vocês dois são cegos!
- Podemos até ser, Isaac. Mas acabo de notar que você não passa de um fanático. E isso não o torna muito diferente de nós. - Um novo trago e um sorriso de desdém.- Mas eu não vim aqui para discutir quem é herói ou covarde, então já que está bem, irmãozinho... Eu vou indo nessa.
- Tchau, Oksana, vê se se cuida.
- Você também. E diz pro seu amigo bonitinho que desse jeito ele morre aos 30, com todo esse estresse... Dowsvidânia.
A jovem alta e esguia se afasta e rapidamente desaparece entre os icebergs. O vento sopra mais forte, ameaçando a volta da tempestade. Os dois jovens caminham de volta em silêncio e terminam a tarefa que lhes fora incumbida sem trocar mais nenhuma palavra. Ao fim da tarde, a temperatura baixa ainda mais. A dupla, no entanto, não parece notar. Caminham lado a lado por longo tempo, ouvindo apenas sua respiração e o barulho dos próprios passos. Quando já estavam quase chegando à vila, Isaac é o primeiro a quebrar o incômodo silêncio.
- Ela não é realmente sua irmã, é?
Hiyoga fica ainda mais sério, com os braços cruzados na frente do corpo, se protegendo da ventania que se aproximava. Trocou apenas um olhar de canto com o amigo, mais cortante que a tempestade anterior.
- Confessa, você está de namorico com a amazona! Se a Nádya ou o Kristal soub...
- Cala boca, Isaac.
Yacob balança a cabeça num meio sorriso, também cruzando os braços por conta do vento. Caminham um pouco mais adiante, mas Isaac ainda estava incomodado com o silêncio. Além disto, algo lhe fazia desejar saber mais sobre aquela amazona da qual vislumbrara o belo rosto. Um misto de curiosidade masculina e preocupação pelo companheiro. Mas ele sabia muito bem que Hiyoga, tão fechado como era, só falava sobre sua vida pessoal quando provocado o bastante, deixando escapar algumas poucas palavras esclarecedoras.
- Pelo menos você tem bom gosto.
O jovem de cabelos loiros arregala os olhos e pára no meio do caminho, desacreditando naquilo que era obrigado a ouvir. O amigo se virou pra ele, ainda sorrindo.
- Alta, loira, olhos verdes... Só é uma pena que tenha o tal vício de fumar e seja meio mandona, mas... Com aqueles peitões que tem, isso deve compensar, rs.
Antes que pudesse dizer algo mais, Yacob estava preso pela gola da camisa.
- Tenha um pouco de respeito com a minha irmã, Isaac!
Isaac se soltou sem dar atenção ao fato e voltou a caminhar na direção da entrada da vila, voltando a ficar sério.
- Não precisa bancar o ciumento, foi só um comentário. E eu não vou te dedurar para o mestre, não tenho nada a ver com sua vida pessoal. E quanto mais besteira fizer, mais chance de tomar a armadura de Cisne eu vou ter.
- Você é um idiota. Se não quer acreditar que ela é minha irmã, problema seu.
Várias pessoas caminhavam apressadamente para voltar para suas casas, sabendo que a nova tempestade seria para breve. Algumas crianças ainda corriam aos risos, fugindo dos familiares que tentavam alcançá-los e convencê-los a se recolher. A pequena cabana do mestre ficava bem ao fundo, ao mesmo tempo que escondida pela longa bifurcação, destacada pela grande distância em relação às outras casas e sua cor escura. Por um instante, ambos foram obrigados a interromper seu trajeto por conta de três crianças que passavam correndo, atirando bolas de neve umas nas outras aos berros. Os dois sorriram nostálgicos, lembrando-se da infância tão curta que puderam ter, antes de todas aquelas obrigações.
- Como você me explica que ela não se parece em nada com você?
- O quê?
Alexei estava divagando e fez uma careta. Realmente não fazia idéia do que o companheiro estava falando por alguns segundos, mas logo compreendeu, com desgosto, que o assunto não havia chegado ao fim.
- A loirassa. Não tem nem um pouco dos seus traços, por sorte.
O loiro praguejou algo em russo, odiando Oksana por sua falta de cautela.
- Não precisa responder, se não quiser.
Isaac continuou seu caminho, torcendo para que aquela provocação fizesse logo efeito, antes que ele próprio fosse fazer companhia aos demais icebergs. Hiyoga o seguiu, suspirando pesadamente.
- Somos irmãos apenas por parte de pai.
- Isso é sério?
Agora era o outro quem fazia uma careta, espantado com a resposta.
- Por que você pergunta, se não vai acreditar?!
- Você é um pouco difícil de se lidar, só isso.
- Hunf. A mãe dela morreu no parto. E nosso pai se casou de novo, alguns anos depois.
- Foi mal por eu ter falado dos...- fazendo um gesto com as mãos na altura do tórax, tentando não parecer sem graça como estava, mas logo desistiu quando encarou os olhos do amigo em fúria. - Hum...Bom, é difícil não olhar, desculpe.
- Louco pra me culpar e no fim, o sem-vergonha é você.
Isaac apenas sorriu malicioso, enquanto ambos adentravam na cabana. Kristal os aguardava de pé, em frente a uma mesa de madeira.
- Estão atrasados, como sempre. E para variar não devem possuir uma explicação razoável.
- A culpa foi minha. - Ambos respondem ao mesmo tempo, fazendo o mestre suspirar de desgosto.
- Agora são cúmplices. Desta forma, logo estarão perdendo tempo e força com o sentimento de amizade. Já cansei de falar sobre o quanto isso é prejudicial ao treinamento.
- Sinto muito mestre. - os dois falam ao mesmo tempo novamente e não conseguem conter o riso, trocando olhares pela nova coincidência.
Kristal solta outro suspiro e revira os olhos. Afasta-se da frente da mesa e senta-se, revelando uma sopa fumegante que os aguardava para o jantar.
- Aproveitem enquanto ainda está quente.
A dupla faz uma longa mesura, procurando ficar sérios antes de sentarem-se um de frente ao outro, ao lado de Kristal que os observava da ponta do móvel enquanto os servia.
- Alexei, eu espero que tenha uma boa explicação para estar mantendo contato com uma das aprendizes de Nádya.
Isaac e Hiyoga se entreolharam, gélidos, tentando imaginar como ele descobrira. Alexei passou a mão pelas têmporas enquanto Isaac tomava um pouco da sopa fazendo uma careta.
- E espero que Yacob, saiba explicar a incompetência de não perceber, ou a insolência de não me informar.
Isaac largou a colher sobre o prato e a dupla engoliu seco. Se a maré não estava pra peixe nas últimas semanas, agora é que estavam definitivamente encrencados...
CONTINUA
N.A.: Eu sei, eu sei! Tá curtinho perto do que costumo fazer! Mas não tinha mais o que colocar mesmo sem deixar um mistério básico, né? Bom, espero que tenham se divertido com esse "assunto de homem" da dupla dinâmica, rs... (Incrível como qualquer um deles fica descarado, quando está a sós com o(s) amigo(s)! ')
Bom, eu estou de volta!!!! \o/ E de férias! o/ Agora me agüentem!!! ;P
Na fila logo vem Miracle Angels com capítulo 8, e depois me esforçarei pra atualizar a fic do Miro, prometo!
Bom é issaê! Bjocas!
