-Já ficou pronto? Não parece um bolo... - Sirius perguntou encarando a vasilha, confuso.
-É claro que não, tem que misturar. - Remo explicou.
-Ah. – o outro compreendeu e logo assumiu uma expressão enjoada - Eu não vou fazer isso. Faça você.
-Mas não era o "bolo do Sirius"?
-Agora é o "bolo do Sirius e do Remo", se vira. - Sirius empurrou a vasilha para Remo, ainda olhando torto para a mistura disforme que preenchia metade da vasilha.
-Ah, não! – Remo negou autoritário, fazendo Sirius se encolher ligeiramente. -Pega essa colher e começa a mexer. – e o menor apanhou na mesa uma colher de pau e enfiou na mão direita de Sirius.
O menino, contrariado, olhou para Remo com uma expressão birrenta, mas abraçou a vasilha com o braço esquerdo e enfiou a colher de pau na massa com o direito. Virou-se de costas, negando-se olhar para Remo, o carrasco que o fizera botar a mão na massa.
- Sirius... – Remo chamou, ligeiramente arrependido de ter chateado Sirius de tal forma. Aproximou-se do amigo, mas antes que pudesse formular uma desculpa, percebeu que Sirius começava a se entreter com a vasilha, a massa nojenta, a colher de pau e alguma música da moda.
-Tonight I'm gonna have myself a real good time… I feel alive... And the world is turning inside out… Yeah! And floating around in ecstasy... So don't stop me now...Don't stop me... - ele começou a cantar baixinho enquanto misturava devagar a massa na vasilha, alternando a velocidade da colher de acordo com o ritmo da música.
-Sirius...- Remo chamou.
Sirius não escutou e começou a misturar com mais força, conseguindo a façanha de balançar a cabeça, dar piruetas e misturar a massa do bolo ao mesmo tempo.
-'CAUSE I'M HAVING A GOOD TIME... HAVING A GOOD TIME...
Mas é claro que a eficiência de Sirius pararia por aí e logo uma pasta branca cheirando a manteiga começou a espirrar da vasilha.
-EI!- gritou Remo agarrando Sirius pelos ombros, mas o menino pareceu encaixar os chacoahões em sua exótica dança - Para, para, chega...
Sirius levantou o braço que segurava a colher e, com os olhos fechados, talvez fantasiando que estava em um show de rock, começou a balançá-lo de um lado para o outro, espirrando a massa pela cozinha inteira.
-Canta comigo, Aluado! – ele incentivou animado, voltando a mergulhar a colher na vasilha. -I'M A SHOOTING STAR LEAPING THROUGH THE SKY...
Remo parou em frente de Sirius, e o encarou com dois hipnotizantes olhos castanhos, até que o amigo relaxasse devagar, como se estivesse sob efeito de algum calmante poderoso.
-Ei, ei... Black. Pára. Já deu, você misturou. – Remo disse devagar, fazendo Sirius soltar a colher de pau na vasilha distraidamente. Então o moreno abriu um sorriso.
-Já? Foi bacana. – ele disse expressando uma alegria infantil, pousando a vasilha na mesa. Remo sorriu de volta, se esquecendo repentinamente do bolo, passando a encarar o rosto de Sirius, que ficara rosado de tanta energia gasta para misturar ingredientes.
- E agora?
O quê?
- E agora? – repetiu Sirius entusiasmado, fazendo Remo voltar a pensar no bolo e desligando sem piedade seus devaneios sobre Sirius.
-Desculpe? – ele disse confuso. Sirius gargalhou da cara de bobo do amigo e apontou para a massa clara na vasilha.
- Estávamos fazendo um bolo, não se lembra? – Sirius disse risonho, e Remo olhou para a vasilha como se não soubesse como aquilo havia chegado ali. Sirius achou aquela expressão no mínimo adorável.
-Ah! Sim... – Remo despertou de repente, corando – É, agora vem os... – e o garoto parou de falar, parecendo, de repente, muito preocupado. Sirius ergueu uma sobrancelha, o incentivando a falar.
- Bem, agora vêm os ovos. – Remo esclareceu cauteloso.
-Oh... - Sirius fez como se compreendesse, mas não entendera nada - OVOS! – ele ordenou por cima dos ombros, para os elfos - Quantos?
-Três.
-TRÊS! – e dois elfos apareceram carregando dois porta ovos cada um.
Sirius recebeu os ovos e os colocou na mesa, pronto para derrotar mais um obstáculo culinário.
-Legal, e agora? - Sirius perguntou com um tom que mostrava que estava pronto para qualquer aventura.
-Separa os ovos - Remo respondeu.
-Fácil.
Sirius colocou os ovos bem longe um do outro.
-Estão separados. – ele disse eficiente, admirando seu ótimo e mais bem feito trabalho de separar ovos, esperando ansioso por um elogio de Remo.
-Qual é o seu problema? – o elogio não veio.
-Que foi? Separei os ovos. – Sirius defendeu-se, apontando para os ovos bem separados.
-Não é assim que se separa um ovo, stronzo. – e Sirius foi agraciado com um tapa na parte de trás da cabeça enquanto Remo se aproximava da mesa para mostrar como se separava um ovo.
-Não? – Sirius estranhou. O que mais poderia significar "separar um ovo"?
-Claro que não. – Remo respondeu paciente - Pega mais um pote menor.
Sirius gritou por um pote e dois elfos apareceram com o dito cujo.
-Separa aí, sabichão. - Sirius disse empurrando os ovos e o pote para Remo, com um sorriso desafiador no rosto.
-Ahn... Certo... Bahn... – o menor gaguejou, talvez por causa do sorriso e talvez porque sempre deixava a parte dos ovos com a sua avó e contava apenas com vagas lembranças para ajudá-lo a separar o tal ovo.
-Vai, separa. – apressou Sirius começando a batucar na mesa.
-Ok.
Remo pegou um ovo com insegurança e o rachou na borda da mesa. Levou o ovo rachado até o pote pequeno e o quebrou no meio com os polegares, separando a clara da gema e deixando a casca na mesa. Suspirou aliviado e repetiu o processo com os outros ovos.
-Mas aí você não separou os ovos. - protestou Sirius quando o amigo terminou o ritual.
-Separei sim, a clara da gema. – explicou Remo, orgulhoso se seu trabalho.
-E a casca?
-Joga fora.
-Que desperdício... - e Sirius pegou a casa e jogou na vasilha.
-Não! – exclamou Remo arregalando os olhos e puxando a vasilha para si, como se não acreditasse que Sirius havia cometido a atrocidade de jogar cascas de ovos na massa do bolo.
-Pronto, agora tá mais bonito. – Sirius se aproximou de Remo para admirar a massa também - Quem não gosta de bolo crocante?
Remi fungou indignado.
-Quando você comer o bolo, isso vai cortar a sua garganta e você vai morrer. – ele praguejou, puxando com a ponta dos dedos um pedacinho mínimo, mas afiado, de casca de ovo. Sirius arregalou os olhos e se afastou da vasilha.
-Sério?
-...É claro, esse negócio é endiabrado. – e Remo jogou a casquinha cara trás.
-Arre... – Sirius fez tirando as cascas da vasilha - Legal, mas e a coisinha branca? – ele apontou para a vasilha menor.
-A clara?
-Quem?
Remo não pode conter o riso, riso esse que contagiou Sirius sem que o mesmo tivesse entendido o que falara de errado.
-Espera que ela só entra depois. Agora você vai ter que misturar com açúcar.
-Misturar? – Sirius repetiu se animando e tomando a vasilha quase imediatamente.
-É. – Remo suspirou e puxou uma cadeira, pronto para mais um espetáculo de músicas da moda e massa voando pelos ares. Mas na verdade, não era tão ruim. Sirius sorriu animado para o amigo e despejou o açúcar na vasilha, sem conseguir conter a sua ansiedade por mostrar seus talentos musicais para os elfos domésticos.
- Every day, I try and I try and I try, But everybody wants to put me down... They say I'm goin' crazy... They say I got a lot of water in my brain Got no common sense I got nobody left to believe Yeah yeah yeah yeah Ooh...
-Sirius, mais rápido! – disse Remo. Talvez o rapaz tivesse escolhido uma música lenta demais.
-Somebody, Can anybody find me somebody to love? Got no feel I got no rhythm I just keep losing my beat I'm OK I'm alright I ain't gonna face no defeat I just gotta get out of this prison cell Some day I'm gonna be free Lord.. .- Sirius começou a misturar na força de uma batedeira trouxa recém inaugurada - Find me somebody to love find me somebody to love Find me somebody to love find me somebody to love Find me somebody to love find me somebody to love Find me somebody to love find me somebody to love Find me somebody to love find me somebody to love Somebody somebody somebody somebody somebody... – ele abriu o braço que segurava a colher, fazendo massa voar na parede da cozinha.
Uma gota grossa de massa pousou no rosto de Remo, que antes de levantar e dar um cascudo em Sirius, percebeu que a textura já estava boa. Apressou-se em fazer Sirius parar.
-Almofadinhas, já deu, está boa já. – ele disse se levantando e arrancando sem cerimônias a colher de pau das mãos de Sirius.
-Mas eu nem terminei a música! – o menino protestou tentando tomar a colher de volta numa tentativa frustrada.
-Que lástima! – disse Remo irônico, dando um passo para trás com a colher. Sirius fechou a cara, contrariado, e Remo se arrependeu imediatamente por ter desiludido de tal forma o amigo de sua carreira promissora.
-Mas você vai ter muito o que misturar. – ele disse entregando a colher para Sirius com um ar de quem se desculpava.
-Sério? – o moreno se animou - Ótimo, o que vem agora?
-Leite, chocolate e farinha. – Remo citou. Essa era a parte que ele lembrava com mais nitidez: sua avó brigando com ele novamente por ter acabado com quase todo o seu chocolate em pó, mas logo sorrindo e conjurando um pote de porcelana preenchido com mais várias colheres do tal chocolate.
Sirius se virou para ordenar os ingredientes, mas o pedido não chegou a deixar sua garganta. Ele se virou vagarosamente para Remo com uma sobrancelha erguida e a expressão desconfiada.
- Quem te falou que o bolo é de chocolate? – ele perguntou como se Remo fosse um Comensal da Morte infiltrado que acabara de cometer uma gafe terrível em sua missão.
- É o único que eu sei fazer. - Remo justificou dando os ombros. Satisfeito com a resposta, Sirius ordenou os ingredientes, e os elfos trouxeram tudo sem atraso.
-Aluado, adorei essa coisa de misturar! - Sirius disse virando o saco de farinha na vasilha com uma mão e a garrafa de leite com a outra.
-SIRIUS, NÃO! – e Sirius foi empurrado para o lado, atingido por um ombro ossudo e dolorido, enquanto a vasilha foi puxada para junto do único ser dotado de bom-senso naquela cozinha.
-O que foi? – Black perguntou perplexo, ainda despejando na mesa farinha e leite, distraído.
-Têm quantidades certas. - Remo explicou recuando mais um passo com a vasilha, mantendo uma distância segura da ameaça que era Sirius Black.
-Ah. Tá. - Sirius resmungou abaixando o saco e a garrafa, provavelmente achando que seria mais divertido misturar a massa contando com as suas medidas. – Manda.
-Uma xícara de leite... - Remo orientou e Sirius obedeceu, dedicado a fazer o melhor bolo do mundo. -Duas de farinha...
Sirius levantou o saco de farinha e conseguiu cavar dos restos mortais do pó no fundo do saco duas xícaras.
-E uma de chocolate. - Remo terminou.
-Uma? – repetiu Sirius – Não seja bobo, como pode um bolo de chocolate ter mais farinha que chocolate?
Remo abriu a boca para explicar que eles nunca seriam capazes de desvendar os mistérios do bolo noventa-por-cento-tudo e dez de chocolate que fora estranhamente batizado de bolo de chocolate, mas a vida era cheia de enigmas e a receita de bolos de sua avó não deveria em hipótese alguma ser questionada. Porém, antes que pudesse se manifestar, Sirius adicionava mais duas generosas xícaras de chocolate.
- ... Além do mais, Tiago é hiperativo, vai gostar mais de um bolo de chocolate-triplo... não é? – Sirius continuou defendendo sua idéia.
-Merlin... – Remo murmurou.
-Posso misturar? - Sirius pediu já cutucando ansiosamente o montinho de chocolate com a colher. Remo piscou.
- Ah. Certo, pode. – ele disse, comovendo-se com o fato de que não conseguiria mais subtrair o chocolate extra sem uma varinha.
Sirius sorriu satisfeito e se afastou com a vasilha, a colher, e mais uma música de sua infinita lista.
- Another one bites the dust… Another one bites the dust… And another one gone and another one gone. Another one bites the dust. HEY I'M GONNA GET YOU TOO! ANOTHER ONE BITES THE DUST...
E daí seguiu uma dança que consistia em chutar tudo que estivesse no raio de um metro e meio das pernas de Sirius (raio esse no qual Remo se situava, incapaz de se levantar depois de tantos chutes no tornozelo).
-Maravilha, Sirius, hora de por no forno. – disse Remo se apoiando na mesa e se atirando para frente, agarrando estrategicamente a vasilha das mãos de Sirius e mancando mais alguns passos até frear completamente.
-Ah, e por quanto tempo? - Sirius perguntou curioso.
-Não sei. Eu não sabia ver horas quando aprendi a fazer bolo. Vamos esperar até ficar bem bonitinho. – Remo respondeu recebendo de um elfo uma fôrma redonda e a preenchendo com a bem-misturada massa do bolo-de-chocolate-triplo.
-Beleza. – Sirius concordou com a cabeça, se dirigindo ao forno.
Ele abriu o forno e Remo enfiou a fôrma cuidadosamente.
Os dois se sentaram, percebendo, de repente, que estavam exaustos. Remo encostou cabeça na mesa numa posição visivelmente desconfortável, mas ele não parecia ter vontade de se ajeitar. Sirius bocejou e balançou a cabeça num gesto um tanto canino, espalhando pingos de massa que resistiam em seu cabelo.
- Sirius? – Remo chamo com a voz abafada pela mesa.
- Ãh. – Sirius respondeu esfregando os olhos.
- Quer raspar a massa? – menino ofereceu, esticando o braço ainda mais desconfortavelmente e empurrando a vasilha com os restos de massa de bolo para Sirius.
Sirius olhou para vasilha pensando se aquilo tinha alguma chance de ser bom e se não lhe causaria uma prisão de ventre terrível.
- É bom. Eu gosto. – Remo disse voltando a recolher o braço e fechando os olhos.
Aquilo bastava para convencer Sirius a comer a misteriosa massa com carga tripla de chocolate. Ele limpou os cantos da vasilha e levou a colher até boca rapidamente, para não se dar o tempo de pensar duas vezes. Era doce, mas ficava amargo; era macio, mas também tinha uma textura arenosa. Sirius logo entendeu porque Remo gostava daquilo e se perguntou porque não dava um vidro cheio de massa para Tiago ao invés do bolo. Raspou a vasilha inteira e de repente se sentiu cheio de energia.
- Já está pronto? – ele perguntou renovado, se erguendo e se espreguiçando energicamente para ver o bolo.
- ... não. – Remo respondeu sem abrir os olhos. Sirius levou a mão ao forno no intuito de abri-lo, mas, com uma exclamação de susto, foi atacado por cinqüenta e quatro quilos. Remo dera sinal de vida.
- NÃO abra o forno! – ele exclamou puxando Sirius para trás, fazendo o rapaz cambalear e quase derrubá-lo.
Sirius abriu a boca para protestar, mas preferiu não questionar. Achou melhor aproveitar que Remo estava de pé e (parecia mágica!) momentaneamente muito bem acordado para se sentar com o amigo e tomar chá como duas pessoas civilizadas.
-Vamos tomar chá. – ele sugeriu adotando um tom verdadeiramente Black.
-Chá? – Remo repetiu como uma criança lenta.
-Chá. Desde que nos entendemos por britânicos, nós tomamos chá às cinco horas. – Sirius explicou se sentando e ordenando uma bandeja de chá para um elfo.
-O chá é às cinco da tarde.
- E onde isso está escrito?
Os elfos trouxeram chá interrompendo a conversa.
- Café. – ordenou Remo.
-Quanta grosseria... - Sirius murmurou rindo.
-Olha, o bolo parece bom.
Os dois esqueceram a disputa café italiano contra chá britânico e pularam das cadeiras para ver o bolo cheio e saudável. Sirius abriu o forno e um cheiro delicioso tomou conta do ar.
- Sirius, as luvas! - Remo alertou. Mas já era tarde.
PAFF. O rapaz largou a forma ardente na mesa.
-Ai, ai, queimei a mão... – ele disse olhando exasperado para as palmas.
-Mereceu essa. Vire o bolo numa bandeja.
Sirius negou com a cabeça, assoprando as mãos queimadas.
Remo virou a fôrma redonda numa bandeja (com luvas!) e encarou o bolo.
-Porque não está... bolástico? - Sirius perguntou meio decepcionado.
-Porque não tem calda, recheio, cobertura, raspas de chocolate, e uma cerejinha tosca em cima. Você se habilita a fazer tudo? E sorvete. – Remo contou nos dedos os fatores essenciais de um bolo digno.
-Porque sorvete?
-Porque eu gosto de bolo com sorvete.
-Tem razão.
O que é a vida sem sorvete? Os meninos divagaram sobre o bolo por mais alguns minutos, imaginando se não podiam mandar os elfos fazerem todos os outros complicados requisitos que tornariam o "Bolo do Sirius e do Remo" mais "bolástico".
Clank. A porta da cozinha girou e alguém entrou discretamente, e os meninos logo notaram que o invasor não queria ser visto na cozinha da escola.
Era Lúcio Malfoy.
-Black! – ele exclamou surpreso e atordoado. Olhou para Remo tentando lembrar seu nome para exclamar também, mas não lhe ocorreu.
-Malfoy? – Sirius estranhou. Ver Lúcio Malfoy entrando na cozinha poderia ser normal, caso o rapaz quisesse fazer um lanchinho noturno, mas vê-lo tão disfarçado só poderia significar duas coisas.
Lúcio mantinha relações sexuais com elfos domésticos.
Lúcio gostava de cozinhar.
Sirius pesou as duas opções e não soube dizer qual era a mais impossível.
-Que fazem aqui? – Lúcio disse com grosseria, talvez apenas ganhado tempo para não responder o que ele mesmo fazia ali.
Sirius apontou confuso para o bolo recém assado.
-Um bolo? – Lúcio disse com desdém – Só mesmo dois grifinórios para fazer um bolo, feito duas elfas domésticas velhas. – ele se aproximou do bolo com as narinas franzidas e um sorriso amarelo – E ainda fizeram mal feito.
-Porque não aproveita que está aqui e faz melhor? – desafiou Remo se aproximando de Lúcio e se arrependendo logo que notou que era quase uma cabeça menor que o sonserino, que deveria ter menos que a metade de sua massa, e que esquecera a varinha no dormitório.
Ao invés de ser enfiado no forno sem exigir esforços de ninguém, Remo foi respondido com uma sobrancelha erguida avaliadora. Com um sorrisinho de desprezo, Lúcio pareceu aceitar o desafio, afinal, era sua chance única de exibir seus talentos culinários e ao mesmo tempo humilhar dois grifinórios sabichões. Mas a parte de exibir talentos era segredo.
Lúcio empurrou Remo para o lado para dominar a mesa inteira. Começou a ordenar ingredientes para os elfos, que traziam, tudo imediatamente. Sirius e Remo se sentaram intimidados enquanto Lúcio fazia tudo.
Logo Sirius descartou a possibilidade de Lúcio manter relações sexuais com elfos domésticos ao notar a delicadeza com que o rapaz misturava, ajeitava e manuseava os ingredientes e instrumentos. Talvez fosse mais agradecido não espalhar esse segredo no dia seguinte, afinal, ele estava, inconscientemente, salvando o Bolo do Sirius e do Remo. Foi acotovelado por Remo.
- Que foi? – ele murmurou para o amigo, sem tirar os olhos de Lúcio.
Remo apontou para Lúcio, que discretamente se virava de costas, escondendo a calda de chocolate que misturava no fogão ou...
... escondendo que também apreciava cantar músicas da moda enquando cozinhava, mas num volume muito menor que Sirius.
-Mama, I just killed a man Put a gun against his head Pulled my trigger, now he's dea… Mama, life had just begun! But now i've gone and thrown it all away… Mama...
-I didn't mean to make you cry… - Sirius completou baixinho, reconhecendo a música.
-oooh Didn't mean to make you cry If i'm not back again this time tomorrow Carry on, carry on, As if nothing really matters...
Lúcio misturava a cobertura cantando, como se fosse essencial para que a mistura não empelotasse ou saísse perfeita.
-I see a little silhouetto of a man Scaramouch, scaramouch will you do the fandango? Thunderbolt and lightning very very frightening me. Gallileo, gallileo, Gallileo, gallileo, Gallileo figaro magnifico... Chega. - Ele disse de repente, parando de misturar e apanhando a panela. Se aproximou dos dois grifinórios, que se encolheram pensando na hipótese de Lúcio desferir uma panelada quente em cada um.
-Ainda acha que eu não posso fazer melhor, ...? – ele disse olhando desafiador para Remo, mergulhando a colher na panela para mostrar uma suculenta calda de chocolate escorrer suavemente de volta para o recipiente. Remo sabia que aquela calda estava no mínimo magnífica, mas sabia que impor mais desafios para Malfoy só poderia resultar em duas coisas.
Ser enfiado no forno sem exigir esforços.
Garantir as raspas de chocolate, o recheio e o sorvete.
Ele apostou na sorte e tentou pensar que os elfos o salvariam de uma tentativa de Remo Gratinado e respondeu com a cara mais inexpressiva que conseguiu:
-Acho.
Lúcio ficou num tom de vermelho impressionante que, até então, os rapazes acreditavam que só Lílian Evans conseguia. Por um instante, Remo pensou que fosse levar um murro, mas o sonserino se virou e descontou toda sua frustração numa pedra de chocolate e um ralador.
-Ah. Certo. Agora é o "bolo do Sirius, do Remo e do Lúcio" – anunciou Sirius. Vai em frente.
