C a p í t u l o # 1 – O Reino dos Cogumelos.

Após a aula terminar e os alunos atravessarem a porta lotando os corredores. Mario, porém seguiu para a direção contraria, olhando agora, pela janela, o pátio enchendo-se com os garotos de smoking azul escuro e as meninas de avental da mesma cor. Mario é um adolescente de altura e estatura média, cursa o primeiro ano do ensino médio, tem cabelos ondulados como fogo, cor de caju, e crescidos até o pescoço, tem olhos azuis-piscina e barba rala, e um característico bigode ralo, mas que curiosamente cresce mais rápido que sua barba, quando não está de uniforme se veste com influência de grungese hard rockers, como por estilo Eddie Vedder. Via-se pelo reflexo e em seguida outro de si aproximando-se, porém mais alto alguns centímetros e mais magro alguns decagramas, sem falar do cabelo mais longo, até os ombros, espetado para baixo como um tapete e menos avermelhado, e com os olhos azuis celestes ao invés de azul piscina como o de Mario.

__ Ah, cara__ disse Luigi, seu irmão__ pode crer que o Lanchão não será o mesmo sem você.

__ Não zoa, __ Mario o fitou murmurando__ eu não faço essa falta toda.

__ Mas é claro que faz!__ exclamou Luigi balançando a cabeça e apontando o rosto de Mario com todos os dedos__ Tem que ter alguém pra zoar!

__ Pra ser zoado no caso.

Luigi riu.

__ De fato, hoje falaremos muito de você.

Mario sorriu e se virou de novo para janela.

__ Bom, de qualquer forma, __ disse Luigi se retirando__ boa sorte!__ limpou a garganta__ Você vai precisar.

E então Luigi desapareceu na enchente do corredor. Mario nem respondeu desta vez, preferiu se perder novamente em pensamentos, logo estaria na sala do Coordenador. Por que eu tive de viajar na aula do Coordenador?

__ Uma gomenoze cura vários pontos de energia, matematicamente falando, __ disse uma voz se aproximando__ variando de qual tipo.

Mario pensou ter sido o coordenador, mas a voz era jovem.

­­__ Como?__ Mario virou-se e fitou o colega.

__ Elas são utilizadas principalmente para receitas, __ disse o garoto de cabelos extremamente negros espetados como um moicano jogado para trás__ são extremamente raras e sempre dão num ótimo resultado ao misturar com outras receitas.

__ Você parece saber muito disso.

Mario sentiu como se o garoto tivesse engolido em seco.

__ Bom, na verdade O Reino dos Cogumelos é minha série favorita de livros.

__ Que bom__ concluiu Mario. __ Eu acho.

O garoto se posicionou de frente para a janela apoiando seus braços na borda.

__ Ah propósito, __ questionou Mario__ Lorenzo, certo?

O garoto sorriu.

__ Pode me chamar de Larry, certo Bob?

__ Mario, é como a maioria me chama__ corrigiu Mario sorrindo... __ Ou bigode__ e riu.

O professor surgiu na porta e chamou Mario.

__ Então, até mais tarde, __ disse saindo sem o olhar__ Larry.

Mario seguiu o professor até sua sala ponderando sobre o diálogo com o colega.

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Luigi caminhando para o Lanchão do outro lado do pátrio, a lanchonete de frente para o jardim fora deste, pôde avistar a tempo Mario e Larry na janela. Luigi reflete sobre não gostar do rapaz, e seus amigos concordam.

__ Não é uma boa idéia seu mano se juntar com este garoto__ diz uma morena.

Luigi a fita.

__ Bom. Você sabe como é o Bob, não sabe?__ Luigi perguntou__ Ele nunca é contaminado.

Quem ouvia riu.

­­__ Tem razão, __ disse um garoto que sentou com uma bandeja __ Mario pode ser chantageado pela Princesa Cogumelo do livro que não vai cair na dela!

Agora todos riram.

A Princesa Cogumelo é a maior inspiração dos jovens para as adaptações de Donzela em Perigo. Em O Reino dos Cogumelos ela é descrita com uma afinidade para com a cor rosa e mostra-se refinada e monarca. Reside em seu castelo, juntamente com os empregados que a tendem. É retratada como a paixão de todos os heróis e vilões da série.

A atenção do grupo foi voltada para Larry atravessando o pátio sozinho como sempre, seguia em direção ao jardim do lado de fora. Pôs o pé direito sobre os paralelepípedos sob a grade que separa o pátio da grama alta e olha em volta. A luz celeste é refletida em seu cabelo escuro fazendo o parecer azul, seus olhos foram de encontro com os dos jovens na lanchonete, ele parece ignorar e agora olha em direção a colina a meio quilômetro de sua frente. Os que estavam de pé puderam ver e alguns que estavam sentados também, mas os outros foram impedidos pela barraca da lanchonete. O que avistaram__ uma árvore enorme e familiar, a popular e solitária castanheira da colina.

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Algumas horas depois a as aulas vieram a terminar. Alunos encheram novamente os corredores, mas seguiam agora para suas casas. Mario ao caminhar beirando o pátio em direção ao portão fora abordado por seus amigos que queriam saber como fora na sala do coordenador.

__ Bem, ele me passou um trabalho__ disse Mario.

Alguns franziram a testa e outros sorriram de deboche.

__ Sério?__ perguntou uma pequena ruiva__ Sobre o quê?

__ Uma espécie de resume de O Reino dos Cogumelos, __ Mario acrescentou antes que perguntassem__ toda a série.

Agora gargalharam, de deboche também.

__ Boa sorte, Bigode!__ disse o mais alto apalpando o ombro direito de Mario.

__ Eeei, ei!__ Luigi interrompeu__ não vamos deprimir o coitado.

Por melhor das intenções, Luigi não conseguiu evitar as risadas do grupo.

__ Tudo bem, mano__ murmurou Mario.

__ Ah, propósito__ disse Luigi__ preciso conversar contigo.

Mario que permanecia cabisbaixo fitou Luigi agora.

__ De irmão para irmão.

Todos arregalaram os olhos. Mario concordou.

Os amigos seguiram para suas casas, mas os irmãos permaneceram no Lanchão. Luigi pagou dois hambúrgueres e discutiram.

__ Cara, eu não tenho nada contra o Larry se você quer saber__ disse Mario enquanto Luigi mastigava.

Luigi engoliu e respondeu.

__ Eu sei, eu sei__ Luigi que encarava Mario agora encarou o copo de refrigerante. __ Todos nós sabemos o que ele__ sua atenção foi voltada para Mario que fitava demasiadamente por cima dos ombros do irmão... __ O quê? Ele está atrás de mim?__ e arregalou os olhos.

__ Não exatamente.

Luigi se virou para ver, Larry havia atravessado o pátio novamente para olhar a colina, porém desta vez ele pulou sobre a grade para o jardim de grama alta e sem se preocupar por quem olhava. Os irmãos entreolharam-se e em um instante corriam em sua direção.

Pararam apoiando-se na grade de 2 metros e meio e tentaram enxergar o colega em meio o mato.

__ Mas que__ Luigi chutou as pedras de baixo da grade... Mario permaneceu buscando-o e, com uma reação que quase provocou um enfarto em Luigi, pulou para cima agarrando se nas pontas da grade e caiu no outro lado sumindo na grama alta como fez o colega.

__ Você__ Luigi não pode completar sem voz e fez o mesmo...

Os dois correm sem saber para onde pelo jardim. Pensamentos estranhos ocorrem a Mario. Será que Larry... E então parou em meio a uma trilha feita pelo jardim, onde a grama estava cortada, pôde ver a silhueta de Larry a dez metros e logo Luigi veio a seu encontro o esbarrando. Mario ordena-o que faça silêncio.

Os irmãos ponderaram diversas opções para a questão o que o jovem punk estaria fazendo ali? E antes que encontrasse a resposta algo como um anjo surge como um ladrão e suas enormes asas de pombo cobriram o garoto.

Luigi quase mordeu a própria língua e correu junto com Mario em direção ao ocorrido.

__ Está louco?__ gritou Luigi em meio à correria. Mario mais uma vez preferiu não responder.

Não estavam correndo para salvá-lo, pois seria inútil. O anjo já havia subido novamente, suas asas batendo lentamente e deixando penas de pombo pelo caminho.

Ele voava em direção a árvore.

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Tudo teria sido mais fácil se os irmãos apenas tivessem corrido para a colina sem seus obstáculos. Enormes criaturas caminhavam nos arredores da colina. Em sua corrida os irmãos tiveram de pular sobre tartarugas monstruosas e espécies de seres vivos não identificados, algo como enorme fungos em forma de castanha com membros locomotores e se Luigi não tivesse vomitado por ver um desses com asas de pombo também.

O trajeto dos irmãos fora o seguinte__ Mario corria pela trilha seguindo o anjo e Luigi as suas costas. Luigi enxergou uma das criaturas no meio do matagal que esconde a trilha, pensou ter visto uma raposa e então ignorou apesar de preocupado. Aos poucos pôde ver cogumelos e pensou se Mario não estivesse vendo, mas concluiu que não seria tão desatento e sim que estivesse ignorando os fatos.

Tiveram de pular um curioso encanamento a céu aberto, numa espécie de vala, onde havia mais criaturas como a primeira, mas não tiveram tempo de assimilarem suas formas. O anjo ao longe desceu em frente à árvore e Mario foi de encontro a um enorme tubo aberto em sua frente que parecia como uma passagem secreta por dentro da colina. Luigi ponderou se Mario já houvesse percorrido este caminho anteriormente. Pensou em gritar para que Mario não entrasse, mas seria inútil.

Prosseguiram agora caminhando com cuidado pelo caminho radial e estreito até tudo ficar escuro e poder enxergar apenas uma saída para uma enorme fonte circular que brilhava como ouro graças à enorme quantidade de moedas no fundo que refletia a pouca luz solar que entrava pela abertura a sete metros acima. Quase caíram ao descer o degrau da fonte. A esquerda deles havia outra passagem e na frente deles uma enorme escada de ferro que levava a abertura acima.

__ Isto__ Luigi engasgou-se... __ Isto é um poço?

Mario apenas olhava para cima. Luigi olhou pela outra abertura procurando uma luz no fim e não a achou. Sem esperanças de sair por ali. Assustou-se ao sentir Mario pulando para a escada e provocando um terrível ruído enquanto subia por ela que arranhava na parede de tijolos de pedra. Luigi percebeu que não tinha outra escolha se não subir também.

Mario chegou ao topo e pôde ver a árvore com maior precisão, olhando para o alto, e esperou Luigi subir, este ficou admirado com o vasto jardim a sua frente e o colégio imundo a quase meio quilômetro de distância. Que irônico, ele pensou.

__ E então__ começou Luigi.

Mario o encarou.

__ Quando é que você vai me contar para aonde você vai quando está sem mim?

Mario olhou ao redor com a testa franzida com o intuito de responder com o olhar.

__ O que é isso, cara?__ Luigi perguntou antes que o irmão respondesse.

__ Este__ deu uma pausa ofegante__ é o lugar aonde venho pensar.

__ Pensar?

__ Sim. Criar estórias, praticar minha arte__ respondia com a maior clareza e a menor preocupação.

Luigi levantou uma sobrancelha e o sol abriu de encontro aos olhos de Luigi que se lembrou que estavam de mochila. Ele a retirou das costas e a abriu recolhendo seu boné verde com a letra L estampada. O endireitou após pôr na cabeça e puxou os cabelos amassados para fora. Tirou o smoking azul marinho deixando apenas a blusa branca de manga comprida que usa por baixo, pôs seu casaco verde, de manga curta, com o desenho de um cogumelo. Mario fez o mesmo, pôs o boné vermelho com o M estampado e o roupão vermelho e castanho de flanela quadriculado sobre o smoking azul marinho, mas sem tirar a blusa branca de baixo.

__ Certo__ recomeçou. __ Você não vai mesmo me dizer o que é isto aqui?

__ Isto__ Mario responde sentando, encostado à pedreira, virado para o jardim__ é o quintal atrás da escola__ e sorriu.

Luigi mordeu os lábios, mas antes que pudesse falar Mario respondeu.

__ Cara, eu te diria se eu soubesse.

__ O quê?

__ Sério__ Mario olhou em volta. __ Eu venho aqui há tempos e não sei exatamente o que seria, mas... Arrisco em chamar de O Reino dos Cogumelos.

Luigi sentou com a barriga doendo de rir.

__ Fala sério?

__ A parte que eu não sei que lugar é este, sim.

Luigi, porém estava enraivecido ainda.

__ Mas por que você não me contou sobre__ se perdeu nas palavras...

__ O Reino...

__ Ou seja, lá que lugar é este.

Mario suspirou cabisbaixo e olhou em direção a escola.

__ Lembra quando você disse que já estamos grandes de mais para estórias?

__ Bob, eu__ sua atenção foi voltada para duas ou três penas de pombos que vinham caindo do alto da colina...

Mario e Luigi se posicionaram como moscas espremidas na pedreira. Mario sugeriu com os movimentos de sua cabeça para que Luigi subisse pelo canto esquerdo da pedreira na colina. Luigi concordou assustado e Mario seguiu subindo em algumas pedras para arrancar algo. Quando Luigi ia levantar o joelho para se mover avistou na sua frente uma das criaturas que havia visto no jardim. Agora pôde enxergar sua silhueta.

__ Booob!__ chamou murmurando...

Mario voltou pondo o que pegou no bolso, olhou para a criatura e a reconheceu.

__ Ah, não se preocupe com isto.

__ Como não?__ perguntou Luigi tremendo com olhos arregalados.

__ Olha só pra ele, __ Mario caminhou para o lado de Luigi__ é fofinho__ e sorriu.

A criatura tinha a seguinte descrição__ algo como um cogumelo marrom de meio metro, mas com duas patas desproporcionais à cabeça o que o deixava fisicamente fraco e desengonçado. Pulava de vez em quando como um cachorrinho querendo pegar uma bola. O rosto emburrado com sobrancelhas grossas juntas e olhos arregalados, sem falar de uma boca larga com dentes caninos vazando, mas que apesar da aparência não se mostra uma ameaça.

__ Não!__ Luigi gritava baixo como uma unha arranhando o quadro__ Ele definitivamente não é fofinho...

Mario suspirou como se uma gota caísse de sua testa.

__ Certo__ Mario andou pra frente chutou o bicho como uma bola e só puderam ouvir o pequeno grunhido de desespero da criatura. __ Nos livramos dele, viu?

Luigi estava paralisado, olhando a criatura descer rolando até o jardim, com os queixos caídos sentindo-se um idiota.

__ Mano, __ começou Mario fitando Luigi de relance__ aqui aparecerá muito mais desses.

__ Tudo bem, eu já sei como chutar.

__ Não!__ Mario riu__ É sério. Não serão sempre pequenos como este...

__ Este era pequeno?__ perguntou Luigi com olhos arregalados.

__ Irão vir de outras espécies, eu mesmo já vi outros e não me arrisquei em enfrentar.

__ E mesmo assim você continuou vindo?__ perguntou Luigi gritando.

__ Não grita!__ gritou Mario pulando para tapar a boca do irmão.

Rolaram pela grama parando num nível abaixo, não do mesmo lado de onde chegaram. Luigi sentiu-se desconfortável com o corpo pesado do irmão caído sobre seu peito. Luigi não conseguiu pronunciar alguma palavra para pedir que seu irmão saísse de cima, mas não foi preciso, pois este se levantou com pressa caindo para trás tropeçando no corpo deitado de Luigi. Luigi virou-se para ver o que havia assustado Mario e concordou que fora a reação certa.

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Minutos depois, Mario e Luigi estariam se perguntando como é sentir-se uma presa? E, pois estarem pensado nisso conclui-se que sobreviveram. Esta foi a festa para os dois, ter passado pelo exército de monstruosas criaturas que os fizeram sentir isso. Podemos pensar que os dois iriam passar a valorizar muito mais a vida após o decorrido, mas irão. O perigo tomava conta do medo com crescente freqüência.

Difícil será contar pros netos sobre a aventura que tiveram. De alguma maneira, que os irmãos não sabem também, atravessaram aquelas criaturas que pulavam para cima deles. Enquanto isso uma tartaruga que parecia andar sobre duas patas saiu de um de vários ninhos de sua espécie e mordeu a perna direita de Luigi que a pisou com força usando o pé esquerdo, a tartaruga largou a perna e se escondeu dentro de sua carapaça.

__ Mas que__ berrou Luigi...

Mario o puxou subindo a colina e atravessaram moitas. Luigi não agüentou de dor na perna e caiu deitando-se no chão, gemia de um lado pro outro com as mãos apertando a canela. Mario concordou que deviam parar e olhou em volta, era uma trilha de barro acompanhada de cercas acompanhando as pedreiras e moitas do outro lado, o lugar era escondido pelas copas das arvores.

Mario retirou do bolso o objeto que havia pegado na pedreira. Um cogumelo cor de oliva com manchas brancas, esmagou em suas mãos até virar pó e caminhou em direção a Luigi. Chegando ao irmão abriu sua boca com uma mão e deixou o pó cair em sua garganta.

__ Que porcaria é esta?__ perguntou Luigi engasgado.

__ Vai ajudar, acredite__ disse Mario caminhado para a moita, para ver as criaturas agitadas através dela.

__ Quero saber como isto pode me ajudar com o ferimento.

__ Você se esqueceu da dor, não esqueceu?

Luigi se deu conta de que estava agora com as mãos na garganta ao invés da canela. Engoliu o seco do pó após isto. Em seguida pôs os braços ao chão para apoiar a se levantar, mas outra pena caiu em sua frente, ele a pegou a analisou. Ah não.

Mario reconheceu o estado de pânico do irmão, só ele que gemia como um liquidificador quando ficava com medo. Mario imaginou que uma aranha caminhava sobre os ombros do irmão e se virou para ter certeza, mas o viu segurando o que parecia ser uma pena branca de asa de ave. E seguindo com o olhar as outras que caíam, avistou o pânico que o irmão nem imaginava.

__ Mantenha calma__ sugeriu Mario falando por entre os dentes__ e prepare-se para correr.

__ O quê?__ perguntou Luigi seguindo o olhar de Mario.

Ao olhar para cima enxergou um daqueles primeiros monstros, mas com uma diferença, este batia asas de pombo e descia lentamente em dupla com outro atrás. Luigi viu o terror em cima de seu nariz e após um vulto viu apenas as folhas das árvores cobrindo o céu. O primeiro havia sido arremessado longe por uma pedra que o atingira em sua testa colidindo com força na pedreira atrás de Luigi e perdendo muitas penas de sua asa.

__ Agora! – ordenou Mario.

Luigi rolou pela lama e levantou-se correndo seguindo Mario que já subia uma rampa de terra, pulando sobre pedras verticais. Foi nesta parte que Luigi, pedindo para parar apoiando-se no tronco de uma árvore, vomitou no chão e voltou pro irmão caminhando lentamente com a mão na barriga. Alcançaram o fim da sombra das árvores e sentiram o corpo coçar com o sol batendo em suas costas e apesar da incomoda sensação e vontade de sair dali não conseguiam se mexer ao ver a fantasia a sua frente.

__ Ah, meu Deus!__ exclamou Luigi.

__ Não tenho certeza se Deus tem a ver com isto__ corrigiu Mario.

Estavam de pé, de frente de um homem com cabelos ondulados castanhos crescidos até o pescoço, cara emburrada com sobrancelhas grossas e sorriso largo com dentes caninos a mostra, vestia uma jaqueta marrom e calçava um tênis verde. O que mais intrigou os irmãos fora a complexa questão de onde estão saindo essas asas? Duas enormes asas de pombo estavam fechadas atrás da jaqueta do homem, era fisicamente impossível ter uma coisa dessas no corpo, a mais provável resposta seria__ as asas fazem parte da jaqueta. O cúmulo é que elas se mexiam com o instinto do homem que as tinham.

O homem se virou para os irmãos quando eles chegaram chamando atenção no topo da colina onde estavam. Atrás do homem estava Larry com um rosto tenso e sem voz, ambos em baixo da enorme castanheira, que era vista do colégio.

Mario como sempre preferiu permanecer calado, mas seu irmão não agüentou.

__ Você é um anjo?

__ É esta a idéia que eles têm de anjo?__ perguntou o homem para Larry.

__ O que__ gaguejava... __ O que exatamente é você?

O homem não respondeu, permaneceu examinando os irmãos por um longo período, em seguida encarou Larry que entortou a boca e balançou a cabeça sem sentido, o homem então olhou novamente para os irmãos e suspirou sorrindo.

__ Isto está ficando cada vez melhor__ disse o homem.

__ Ah, __ enraiveceu-se Luigi__ fica melhor se falar!

__ Luigi!__ interrompeu Mario.

O homem riu.

__ Não tenho problema em dizer meu nome__ disse o homem olhando pra baixo sorrindo.

Os irmãos se entreolharam.

O homem se aproximou e estalou os dedos, Larry no mesmo instante foi puxado por raízes que brotaram do chão e o prenderam contra a árvore.

__ Larry!__ gritou Mario.

__ Ah, então vocês se conhecem__ disse o homem franzindo o cenho.

__ Fica longe dele!__ ameaçou Luigi. O homem se aproximou mais dos dois__ Então fica longe da gente... De todos!__ Luigi arregalou os olhos quando o homem parou.

__ Me chamam de Chestnut, __ disse o homem pondo a mão direita no peito esquerdo e se curvando com a apresentação__ Capitão dos Goombas.

Os irmãos se entreolharam.

__ Criaturas fungos, habitantes do Reino__ completou Chestnut, mas fora interrompido por Luigi...

__ Sabemos o que são Goombas, mas__ fez uma pausa... __ Isto é ridículo.

__ Vocês não tem o senso do ridículo__ zombou Chestnut apontando com o rosto para as roupas dos irmãos.

Luigi explodiu.

__ O que você quer com Larry?!

Os irmãos deram um passo para trás, seu coração disparou, olhos arregalaram-se quando Chestnut abriu suas enormes asas, jorrando poeira pra todos os lados, e disse__ Não é exatamente com Larry que queremos alguma coisa__ e subiu aos céus com a velocidade de uma bala.

Os irmãos cobriram os olhos e quando a poeira dissipou-se puderam assimilar a cena. Prepararam-se para correr, mas foram impedidos por algo e caíram no chão de barriga no chão.

__ O que são essas coisas?__ perguntou Luigi quase sem força.

Miniaturas das criaturas que os atacaram estavam mordendo braços, pernas, costas e o rosto dos irmãos.

__ Goombas__ respondeu Mario. __ Filhotes de Goombas.

Com o rosto contra o chão puderam enxergar de relance Chestnut pousando no meio dos dois. Em suas mãos abertas na direção do peito estavam dezenas de filhotes de Goomba girando sobre os palmos como redemoinhos em ondas.

__ Bob!__ chamou Luigi__ Estamos perdidos, não estamos?

Mario mais uma vez preferiu não responder.

O homem ajoelhou-se e aproximou cada mão sobre as costas dos irmãos. Tudo ficou escuro.