O prédio de três andares da empresa de organização de casamentos Wedding Belles, no coração de Boston, estava sempre movimentado. Naquela sexta-feira, porém, o número de pessoas e o barulho que criavam haviam atingido novos níveis. Noivas — acompanhadas por suas atendentes e mães ansiosas — enchiam os escritórios e saíam pelos corredores. O aroma de bolo de chocolate pairava no ar. Uma profusão de cores se esparramava, abrangendo desde vestidos de gala a arranjos de flores e enfeites de mesas de festa.
Os paetês nos vestidos de noiva e véus brancos faiscavam sob o sol da manhã que, embora fraco, filtrava-se pelas janelas e refletia-se nos bordados, lançando lampejos de luz pela recepção, pelos corredores e escadarias.
Isabella Swan, contadora da Wedding Belles, abriu caminho por um grupo de damas de honra risonhas que criavam um farfalhar de cetim e renda com seus vestidos. Ela contornou um outro grupo que escolhia entre vários tons de azul e um terceiro que provava vestidos em tons de rosa e lilás. O tempo todo, ia dizendo "olá", "com licença" e sorrindo educadamente, enquanto subia até seu escritório no terceiro andar.
Quando finalmente chegou lá, fechou a porta maciça de madeira e recostou-se nela com um suspiro.
A assistente geral de cabelo negro e traços angelicais da empresa, Ângela Weber, soltou um riso.
— Parece uma selva lá fora.
Retirando o casaco azul-marinho, Bella adiantou-se na direção de sua mesa de estilo antigo.
— Na organização de quantos casamentos o pessoal está trabalhando?
— Vejamos. Os casamentos de junho do ano que vem estão nas etapas iniciais de planejamento. As noivas de setembro estão finalizando os detalhes.
— E as de abril estão entrando em pânico? — Bella pendurou o casaco no armário. Sentou-se em sua poltrona de couro marrom com as costas viradas para as cortinas esvoaçantes de seda amarelo-claras que davam ao escritório o ar elegante que adorava.
Ângela inclinou a cabeça para o lado, pensando a respeito.
— A Wedding Belles gosta de pensar nisso como um aumento de oportunidades de último minuto. — Com um riso, voltou a lançar dados de faturas no computador para o pagamento das contas daquele mês.
Bella sentiu um aperto no peito enquanto observava Ângela. A assistente — e a Wedding Belles, aliás — não tinha motivo para verificar o mais recente depósito na conta da empresa e descobrir que, na verdade, era composto por cada centavo das economias de Isabella. Ou para saber que a receita estimada para aquele ano não seria suficiente para cobrir as despesas do mesmo período. A diferença que faltava acabaria com a reserva de caixa da Wedding Belles e não haveria dinheiro o bastante para o casamento que haviam prometido a Ângela. Mas Isabella sabia.
Ainda assim, não ligou o computador imediatamente para começar a preparar o e-mail para as demais "Belles" — como eram chamadas as diretoras — a fim de informá-las sobre as dificuldades financeiras da empresa. Precisava avisá-las, naquela manhã, antes que os planos de casamento de Ângela prosseguissem. Mas não podia fazer aquilo diante dela.
— Ângela, você me faria um favor?
Sempre prestativa, a assistente ergueu os olhos depressa.
— Claro.
— Eu deveria ter apanhado uma garrafa de água na cozinha, mas tenho de fazer outra coisa agora mesmo. É algo que não pode esperar...
Apesar de detestar pedir à assistente da empresa que fizesse aquele tipo de tarefa pessoal, Bella não teve escolha. Precisava de alguns minutos de privacidade e, quando Ângela lançava faturas para pagamento, usava uma mesa em seu escritório.
— Poderia pegar uma garrafa para mim?
— Lógico!
Ângela saltou da cadeira.
— Não acredito que hesitou em me pedir! Devo tanto a vocês todas. Faria qualquer coisa por vocês.
Diante da gratidão e afeto na voz de Ângela, Bella sentiu-se mortificada.
— Por favor, não precisa dizer isso.
Ângela abriu um sorriso radiante; os bonitos olhos azuis brilharam
— Está maluca? É como dizer que eu não deveria me sentir grata! Não existe gratidão o bastante no mundo para demonstrar como dou valor ao que estão fazendo por mim.
O desapontamento tornou a deixar Bella com o coração apertado. Ângela era a pessoa mais bondosa e altruísta que conhecia, e sua vida fora extremamente difícil. As Belles não iriam pagar o casamento dela porque eram maravilhosas. Haviam tomado aquela decisão porque Ângela era maravilhosa. Amável. E merecia o gesto bondoso. Bella sentiu-se como se ela, pessoalmente, fosse a causa da iminente decepção da assistente. Afinal, era a encarregada das finanças.
Junto à porta do escritório, ela virou-se com um sorriso.
— Volto num instante.
Frustrada, Bella disse:
— Leve o tempo que precisar.
Tão logo ficou a sós, virou a poltrona de frente para o computador. Tinha de elaborar o e-mail para as demais Belles explicando que não teriam condições de arcar com as despesas do casamento de Ângela. Mas, com a gratidão dela ainda pairando no ar, não conseguiu fazer aquilo. As palavras simplesmente não saíam. O máximo que conseguiu fazer foi redigir uma convocação para uma reunião de emergência. Depois de enviar a mensagem, acessou um editor de textos para tentar elaborar algumas linhas do que poderia dizer na reunião para explicar às Belles como estava a situação financeira.
Mais uma vez, não conseguiu pensar em uma maneira de amenizar o golpe de ter de quebrar uma promessa. Desse modo, em vez de digitar, pegou o telefone e ligou para o celular da mãe.
— Está ocupada?
— Como sempre. — A mãe riu. — Mas você nunca me liga no trabalho e, portanto, deve estar com um problema que é mais importante do que as tortas de mirtilo que estou fazendo.
— Acertou.
— O que aconteceu?
Preocupada, pois sabia que Ângela poderia retornar no meio de sua história, Isabella foi sucinta:
— Não tenho tempo para explicar agora, mas estamos sem dinheiro.
A mãe soltou uma exclamação de perplexidade do outro lado da linha.
— A Wedding Belles está indo à falência?
— Não, temos dinheiro o bastante para nos manter nos próximos meses, se formos cautelosas. O problema é que prometemos fazer o casamento da nossa assistente. Se lhe dermos o casamento que estivemos planejando, acabaremos cheias de dívidas. Se não o fizermos, teremos de voltar atrás na nossa palavra.
— Ah, querida. Isso é terrível.
Bella lançou um olhar à porta.
— Eu não deveria ter telefonado. Ângela vai voltar a qualquer momento e não posso falar na frente dela. Mas me sinto péssima e não sei o que fazer. Nem sequer consigo pensar numa maneira de explicar nosso problema num e-mail para as outras Belles. Estou numa enrascada!
— Puxa, para você admitir que não consegue se organizar ou planejar algo para sair de uma situação é porque as coisas devem ser graves. Edward saiu — disse a mãe, referindo-se a Edward Cullen, o mais jovem dos dois irmãos Cullen e atual presidente das Empresas Cullen. Era o único residente do lar da família e o patrão de Renee. — Ele saiu voando, como se seus pés estivessem pegando fogo. Então, por que não vem até aqui? Farei um café, e podemos conversar. Duas cabeças sempre pensam melhor que uma. Talvez, juntas, consigamos chegar a alguma solução. O que acha?
A perspectiva de deixar o escritório dissipou parte do estresse de Bella. Só de pensar em dividir o mesmo espaço com Ângela enquanto ela lançava faturas e conversava alegremente sobre seu casamento, já sentia uma profunda dor no coração. E sua mãe era sagaz. Analítica. Era de quem Bella herdara sua própria habilidade de raciocínio lógico. Será que, juntas, conseguiriam encontrar uma solução para aquele problema? Ou, se não, talvez conseguissem encontrar um meio de amenizar o golpe, não apenas para Ângela, mas para as demais Belles, que ficariam arrasadas em não poder cumprir sua promessa.
— Estarei aí dentro de uns 20 minutos.
— Até lá já terei uma torta pronta para você.
Bella riu. A mãe sempre soubera como fazê-la se sentir melhor.
— Faça uma cobertura e também uma porção de pudim de chocolate.
A mãe soltou um riso.
— Que tal se eu colocar chantilly por cima?
— Sim! — Bella suspirou. — Obrigada, mamãe.
Desligando o telefone, levantava-se da poltrona, quando Ângela entrou.
— Aqui está a sua água.
— Obrigada. — Bella colocou a garrafa na mesa. Pegando o casaco prático no armário, vestiu-o. — Preciso sair. Vou me ausentar durante a maior parte da manhã. Se alguém me procurar, é só pedir que ligue para o meu celular.
— Está certo — assentiu Ângela, parecendo um tanto surpresa.
Bella deixou o escritório. Nos corredores e escadarias, teve mais uma vez de contornar noivas, damas de honra e vestidos reluzentes para se encaminhar até a porta da frente. Enfim, saiu para os grossos flocos de neve que caíam em Boston naquele final de inverno.
O trânsito a impediu de chegar à mansão Cullen em 20 minutos como havia esperado. Quase 40 minutos haviam se passado quando o segurança na guarita abriu o portão automático e a deixou entrar na propriedade. A neve pesada que estivera caindo grudava-se às sempre-vivas exuberantes que ladeavam o longo caminho de entrada e aos galhos desfolhados dos sólidos carvalhos no pátio da frente, tornando a mansão Cullen e seus arredores um cartão-postal de inverno.
Ela dirigiu pelo caminho circular até a entrada de serviço e ficou surpresa ao encontrar um belo Mercedes azul parado diante da porta da cozinha.
Descendo do carro, notou um homem debruçado sobre o banco de trás do outro veículo. Usando um terno preto e sobretudo com um cachecol branco em torno do pescoço, parecia alguém que poderia ter saído da capa de uma revista. Só que, quando se ergueu deixando o carro, segurava um bebê, uma bolsa de fraldas e uma mamadeira.
O bebê — um menino, se o grosso macacão azul com capuz servia de indicação — retorceu-se, fazendo com que o cobertor que o envolvia caísse no chão. Depois, a mamadeira caiu e, enfim, foi a vez da bolsa de fraldas. Até o bebê escorregou um pouco.
— Droga!
Bella aproximou-se rapidamente.
— Deixe-me ajudar. — Agachando-se, recolheu o cobertor, a mamadeira e a bolsa de fraldas.
— Obrigado. Estou meio desajeitado...
Reconhecendo a voz, ela ergueu os olhos depressa.
— Edward?
— Sim?
Com os itens de bebê nas mãos, ela se levantou. Vira Edward Cullen pela última vez aos 12 anos, quando fora com a mãe, pela última vez, a uma festa de Natal dos Cullen para os funcionários. Aquilo acontecera 14 anos antes. O jovem Edward de que se lembrava de sua infância tornara-se um homem alto, atlético. Pelos seus cálculos, estava agora com 36 anos. Ele estava com o cabelo castanho cortado bem rente, o que lhe realçava ainda mais os grandes olhos verdes. Seu sorriso juvenil de antes era agora bastante sexy.
— Sou eu. Isabella Swan. A filha de Renee.
— Deus do céu! Bella! — Ele a observou, correndo os olhos desde o cabelo castanho dela até o casaco simples.
— Uau. Olhe só para você. Toda adulta.
— Sim. — Bella riu, mas o fato de Edward a notar como mulher arrepiou-lhe a pele. Tivera uma queda gigantesca por ele durante a maior parte de sua infância. — O tempo não parou só porque minha mãe queria que fosse assim
Edward deu uma risada, ajeitando no colo o bebê que parecia ter cerca de 6 meses. Alguns fios de cabelo loiro escapavam do capuz forrado do macacão. Curiosos olhos azuis estudavam Bella.
— Quem quer que tenha decidido que roupas de inverno de bebê têm de ser feitas de tecido escorregadio merecia um bom castigo. — Ele tornou a ajeitar o bebê. — Nunca vou me acostumar a segurá-lo direito!
Bella não sabia que Edward havia se casado, quanto mais que tivera um filho, mas sua mãe não falava sobre a família para a qual trabalhava. Era uma das razões pelas quais os Cullen a adoravam, confiavam nela e a haviam promovido ao longo dos anos, desde cozinheira até administradora da residência.
— Seu bebê parece ter uns 6 meses. Se ainda não se acostumou a segurá-lo até agora, está em apuros.
— Ele não é meu. — Edward respirou fundo. — Bem, agora é. Joshua é o filho do meu irmão Emmett.
Bella quase revirou os olhos diante de sua própria estupidez. A notícia estivera em todos os jornais, três meses antes, quando o irmão de Edward, Emmett, e a esposa haviam morrido na queda de seu jato particular numa área de bosques no estado de Nova York.
— Ah, lamento muito.
— Está tudo bem.
— Não, não está. Eu deveria ter me dado conta de que era o filho de Emmett.
Para desviar a conversa do assunto trágico, ela colocou as alças da bolsa de fraldas no ombro e estendeu os braços para o bebê.
— Deixe-me pegá-lo enquanto você retira o restante das coisas dele do carro.
Edward soltou um riso inesperado.
— Eu deixaria você pegá-lo, mas não consigo tirar uma certa coisa dele do carro. Nem sequer sei como instalaram a cadeirinha no assento. Não faço ideia de como pode ser retirada. E tenho de retirá-la. Vou usar o utilitário para Joshua de agora em diante. Deveria ter pensado nisso antes de ter usado este carro para ir buscá-lo.
— Você quer que a cadeirinha seja retirada?
— Sim.
— Deixe comigo. — Com um sorriso, Bella entregou-lhe a mamadeira e o cobertor e passou as alças da bolsa de fraldas pelo braço dele até o ombro. — Tenho quatro sobrinhas e sobrinhos. Se quero levá-los para tomar sorvete, preciso tirar todas as cadeirinhas deles dos carros das minhas irmãs e colocá-las no meu.
— Não seria mais simples usar o carro da sua irmã?
Ela franziu a testa.
— Tenho duas irmãs. Não posso dirigir dois carros de uma vez. Tenho de retirar as cadeirinhas para colocá-las no meu.
Edward tornou a rir.
— Eu havia me esquecido de como você é detalhista.
Bella fez uma careta e, então, debruçou-se sobre o banco de trás do Mercedes, verificando os cintos e fivelas que prendiam a cadeirinha de bebê.
— Depois de toda a diversão que tivemos escapulindo das festas de Natal de sua família para os funcionários, como pôde me esquecer?
— Não me esqueci de você. Apenas de como é detalhista. E, se me lembro corretamente, nós não escapulíamos das festas de Natal da minha família. Eu escapulia. Você sempre me encontrava e me passava um sermão.
— Eu tinha 12 anos da última vez. Para mim, isso era divertido.
— Certo.
— Aposto que ficou contente quando parei de vir com a minha mãe.
— Na época em que você parou de vir, eu parei de escapulir. — Ele riu. — Parece que, conforme fui ficando mais velho, as festas se tornaram menos entediantes.
Bella respondeu de dentro do carro:
— É mesmo?
Edward deu um passo atrás. Ela provavelmente não se dava conta da figura sensual que apresentava debruçada daquele jeito e, como um cavalheiro grato pela ajuda que recebia, ele desviou o olhar.
— Sim. Quando me tornei administrador da Bolsa de Estudos Universitária Cullen, como minha primeira responsabilidade de família, achei que era melhor começar a conhecer as pessoas que estavam na fila do dinheiro, a fim de poder escolher sabiamente os beneficiados.
— Nunca agradeci a você.
A voz de Bella atraiu o olhar dele de volta ao carro, de onde ela soltava a cadeirinha de bebê. Daquela vez, notou a parte da perna comprida e bem torneada exposta sob o casaco. Ela certamente não tinha mais 12 anos. E, pela maneira como o ajudara sem hesitação, ficara bem parecida com a mãe generosa e feliz. Não podia acreditar que a achara irritante todos aqueles anos antes, quando a menina sempre encontrara o esconderijo dele durante a festa de Natal e correra para contar ao seu pai.
— Por que desejaria me agradecer?
— Pela bolsa de estudos.
— Você a conquistou.
Bella saiu do carro, retirando a cadeirinha de bebê.
— Pronto.
— Obrigado.
— Não há de quê. — Ela fez um gesto na direção da porta da cozinha. — Vou acompanhar você até lá dentro. Entregaremos a cadeirinha para a minha mãe e pediremos que designe alguém para colocá-la no assento do seu utilitário.
— Ótimo. — Edward começou a se adiantar até a porta, mas a bolsa de fraldas escorregou de seu ombro, parando com um baque surdo em seu antebraço. A mamadeira e o cobertor tornaram a cair e até o bebê pareceu numa situação precária.
— Droga.
Joshua começou a chorar. Bella estendeu os braços até ele.
— Eu fico com o bebê. Coloque a mamadeira nesse compartimento lateral da bolsa de fraldas. Ponha a bolsa e o cobertor dentro da cadeirinha para que fique mais fácil para carregar.
Edward entregou-lhe Joshua.
— Juro que vou aprender como fazer essas coisas.
Segurando o bebê, Bella encaminhou-se até a porta.
— É claro que vai. Todos os pais de primeira viagem precisam de um pouco de tempo.
Lembrando-se do irmão e da cunhada e de como haviam se comportado como bobos, cobrindo Joshua de atenções exageradas nos primeiros dias depois de seu nascimento, Edward esforçou-se para controlar uma onda de tristeza.
— Sim. Bem, se há uma coisa que não tenho é tempo. Quando a mãe de Rosalie descobriu que tinha câncer e os médicos recomendaram que começasse a quimioterapia imediatamente, tive que ficar com Joshua. Meus pais estão idosos e moram na Flórida desde que meu pai se aposentou. Assim, tenho que criar o bebê sozinho. A partir de agora. De hoje. Como não tenho uma babá, terei de ficar andando de lá para cá com ele no colo esta noite. Sem a menor ideia sobre o que fazer.
Quase chegando à porta, Bella olhou por sobre o ombro. Seus olhos bonitos continham preocupação, que ele logo disfarçou com um amplo sorriso.
— Você se sairá muito bem. — Joshua derrubou o chocalho e, sem um instante de hesitação, ela se agachou, pegou-o e guardou-o no bolso do casaco — sem dar o chocalho sujo para o bebê e sem perder o fio da meada da conversa.
— Enquanto esperava minhas irmãs voltarem para casa, já andei muito para lá e para cá com um de meus sobrinhos no colo. Às 2h, parece um inferno. Mas, então, é só aninhar o bebê no colo, sussurrar coisas para acalmá-lo e ele para de chorar. Você se sentirá muito bem por ter conseguido isso.
Segurando a cadeirinha com os demais itens, Edward observava-a, impressionado. Ela não apenas sabia o que fazer. Também sabia o que não fazer. Aquele conhecimento já parecia fazer parte de sua natureza.
— Eu lhe daria quase qualquer coisa que quisesse se você me ajudasse hoje à noite.
Bella riu, divertida.
— Estou falando sério. — Ele respirou fundo e olhou para o bebê nos braços dela, que não chorava mais e parecia bastante feliz aninhado junto ao seu peito. Estudou o bebê calmo e a mulher que o segurava apenas por um momento antes de dizer: — Só que eu gostaria de ajuda por mais do que uma noite. Se puder passar o próximo mês comigo enquanto entrevisto babás, farei com que valha a pena para você.
Ela fitou-o com pesar.
— Lamento, mas não posso. Tenho um emprego.
— Sei que tem um emprego. Paguei a sua universidade, lembra? Não estou lhe pedindo que me ajude para sempre. Apenas durante as três ou quatro semanas que precisarei para entrevistar babás.
Quando Bella entreabriu os lábios para argumentar, ele a interrompeu, dizendo:
— Ouça, sou inteligente o bastante para reconhecer quando estou nadando em águas desconhecidas e para reconhecer uma pessoa bem qualificada para me tirar delas. Além disso, você é de uma família que conheço. Posso confiar em você. Se precisarmos mexer alguns pauzinhos, estou nos círculos certos e tenho influência o bastante para que, não importando quem a esteja empregando, eu consiga que lhe deem algum tempo de folga.
Ela estendeu a mão até a maçaneta da porta dos fundos.
— Mesmo que você conseguisse isso, não posso tirar tempo de folga agora. Há um grande problema financeiro que preciso resolver. É por isso que estou aqui. Minha mãe se ofereceu para me ouvir desabafar a esse respeito.
— Está com um problema financeiro? — Parado na entrada lateral coberta de neve da imensa mansão de estilo Tudor que estava na sua família havia gerações, Edward fez um gesto circular com a mão. — Olhe ao redor. Se há um problema que não tenho é dinheiro. — Com poucos passos, aproximou-se dela.
— Se precisa de dinheiro, está falando com a pessoa certa. Não falei que a recompensaria muito bem?
— Meu problema é grande demais para ser resolvido com o salário normal de alguém que você contrataria para ser babá durante algumas semanas.
— De quanto precisa para resolver o seu problema?
Bella soltou um suspiro.
— Edward, é dinheiro demais...
— Nada é demais. — Ele indicou Joshua com um gesto de cabeça. — Ele é a minha família. Para os Cullen, dinheiro não é empecilho quando se trata de família.
Ela riu, sacudindo a cabeça.
— Você não pode me pagar cem mil dólares por um pouco de trabalho.
— Por que não?
— Porque é ilógico.
— Não é. Da maneira como vejo as coisas, provavelmente levarei um mês para encontrar uma babá. Assim, você estaria usando uma boa parte do seu tempo. E já lhe disse que dinheiro não é empecilho. Não porque eu não saiba o valor de um dólar, mas porque Joshua é importante demais para mim. Você tem a habilidade de que preciso, mas não tem dinheiro. Eu tenho dinheiro, mas preciso da sua habilidade. Para mim, é a combinação perfeita.
Ela respirou fundo.
— Edward.
— Por favor?
— Não posso me ausentar do trabalho durante um mês.
— Você pode ir para o trabalho. Só preciso mesmo de ajuda à noite.
— Certo. E quem vai cuidar de Joshua durante o dia?
— Espero que sua mãe possa fazer isso — admitiu ele com um sorriso embaraçado. — Sei que não faz parte de seu trabalho, mas acho que ela não vai se recusar a me ajudar. Especialmente porque tem uma porção de empregadas na equipe que podem se revezar com ela nos cuidados com o bebê. Mas assim mesmo ainda me restam as noites... — Fez uma pausa, fitando os belos olhos castanhos de Bella. — Por favor.
— Eu não sei...
— Eu sei. Conheço sua família. É da natureza de vocês ajudar as pessoas.
Era por aquele motivo que Edward persistia. A mãe dela nunca conseguira se recusar a ajudar ninguém que precisasse, mas era também a administradora da casa. Apesar disso, ainda insistia em continuar cozinhando para ele durante a semana. De qualquer modo, embora Renee supervisionasse os empregados, ela e todos de sua equipe trabalhavamdurante horas preestabelecidas. Ele poderia incluir os cuidados de Joshua temporariamente no esquema de trabalho da casa durante o dia, mas não poderia pressionar ninguém a ficar com o bebê durante a noite também. E precisava desesperadamente que alguém o ajudasse durante a noite. Não por si mesmo, mas pelo inocente bebê que agora estava sob sua guarda.
— Pense em Joshua.
Bella olhou para o bebê em seus braços. O adorável Joshua escolheu aquele exato momento para lhe abrir um sorriso sem dentes. Ela conteve um gemido de desespero. Já estava se afeiçoando à criança.
— Eu lhe darei 50 mil dólares no início e mais 50 mil no final do mês. Se o nosso acordo for mais longe, eu pagarei 25 mil dólares por semana a você. — Sustentando lhe o olhar com firmeza, Edward declarou: — Dinheiro nunca foi problema para mim. Você precisa de dinheiro. E Joshua precisa de você.
