Droga.
Astória nunca chegava em casa cedo. Nunca. O que ela estava fazendo aqui? Draco ia ficar doente.
Ele se afastou de Hermione o mais rápido que pôde. Como se isso ajudasse. Como se o dano já não tivesse sido feito.
O rosto pálido de sua esposa se transformou em um tomate vermelho. Ela não era do tipo a ficar envergonhada. Ela era do tipo de ficar envergonhada. Ela era do tipo de ficar chateada. E ela estava tão puta quanto ele tinha vista. Astória pegou a pulha de roupas de Hermione do chão e empurrou-as para ela.
— Se vista e saia da minha casa. — Astória lançou um olhar venenoso para Draco e saiu da sala. Ela bateu a porta atrás de si, fazendo sacudir uma foto da parede. Quebrou no chão. Hermione deu um pulo.
— Hermione — Draco disse suavemente.
— Não diga nada. — Hermione engoliu em seco e saiu da cama. Ela rapidamente puxou suas roupas sem olhar para ele, até que ela se virou, conectou seus olhos com os dele e então aparatou. Em um piscar de olhos, Draco foi deixado com ninguém além de sua esposa. Sua esposa muito chateada.
Ele teria que enfrentá-la algum dia. Draco vestiu um jeans e uma camisa e desceu a escada curva. Astória estava olhando o jardim pela janela, as mãos tremendo enquanto tentava beber um copo de água.
O coração de Draco doeu. Ele tinha a amado uma vez. Muito, muito.
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Era março, Draco e Astória estariam casados em poucos dias. A mansão Malfoy estava repleta de elfos domésticos e outros criados que atendiam as ordens e caprichos da mãe de Draco e Astória.
Tinham encomendado pelo menos cem pombas, uma orquestra inteira e quase todos foram convidados. A Srta. Greengrass, mesmo que acidentalmente, convidou os Potters. (Eles, pelo menos, recusaram educadamente). Não era apenas para os seus amigos e o que eles realmente queriam era fazer um show para todos. Tentando voltar às graças do Ministério. A única razão pela qual os Greengrass, que não foram desonrados durante a guerra, permitiram que sua filha se casasse com Draco era porque o Sr. Greengrass teve um problema com jogos e perdeu a fortuna de toda a família. Mas com todas as razões que as famílias pensavam que eles estavam se casando, a verdadeira razão era que Draco e Astória se amavam.
Draco abriu a porta do quarto onde Astória se trocava sem anunciar sua presença. Cerca de cinco elfos domésticos a cercavam. Ela estava com as costas voltadas para ele e em cima de uma plataforma, seus longos cabelos pretos torcidos e presos em um grande coque elevando-se que desafiava todas as leis da gravidade e dobras, e arcos, e babados de tecido branco afogando-a como uma espécie de monstro do casamento. Ele tentou sufocar uma risada. Não deu certo.
Astória se virou, seus olhos se estreitaram.
— O quê?
Draco sorriu maliciosamente.
— Nada... Você parece... — Ridícula, mas ele não podia dizer isso. Ele riu.
— Sim, eu sei. — Ela suspirou e saiu da plataforma. — Vocês podem nos dar um minuto? — ela disse para os elfos da casa. Eles balançaram a cabeça e saíram correndo do quarto. — Isso é horrível, eu pareço louca...
— Eu não diria louca...
Astória colocou a mão na cabeça e gemeu.
— Não foi assim que imaginei o dia do meu casamento.
Não era como Draco imaginava também. Ele enfiou a mão no bolso e tirou uma pequena caixa rosa. Ele passou a varinha por cima e ela aumentou de tamanho.
— Abra — disse ele à Astória.
Ela afastou as mangas de renda e abriu a caixa.
— Oh — ela disse suavemente. Draco sorriu. Astória tirou o tecido da caixa e a segurou em sua frente. Tratava-se de um vestido creme com apenas alguns detalhes de rosa, feito com um tecido leve e arejado, que a costureira chamara de chiffon, sustentada por pequenas correias e ela caiu de joelho. Draco tinha apanhado Astória olhando para ele na janela da loja.
— Eles nunca vão me deixar usar isso — ela gemeu — Mas é lindo, obrigada.
— Case comigo — disse Draco. Astória riu.
— Eu já concordei com isso, acredite em mim, se não, eu não estaria usando esse vestido horrível.
— Agora. — Draco estava olhando-a nos olhos — Troque e venha comigo.
— Você está falando sério? Nós não podemos... Oh, o que diabos.
Draco deu um momento a Astória para trocar seu vestido e soltar os cabelos. Ela era a coisa mais linda que já vira. Seu coração batia forte.
A vassoura de Astória estava encostada na parede. Agarrou-a e sentou-se ao seu lado.
— Vamos. — Astória estava sorrindo de orelha a orelha enquanto tomava a mão de Draco e subia. Eles voaram pela janela aberta para o ar fresco da primavera.
Eles não foram capazes de aparatar para da mansão Malfoy, então eles iriam viajar para Londres e aparatar ao seu destino final a partir daí.
Draco tinha conhecido Astória em Hogwarts, mas ela era mais jovem do que ele e eles não se conheciam muito bem. Então, se as pessoas perguntassem onde eles haviam se conhecido, falava que na América.
Um ano depois que a guerra terminou, Astória foi para a América se encontrar. Draco foi para escapar. Viu-a sentada nos degraus de uma pequena igreja branca em algum lugar da Geórgia vestindo um vestido rosa e comendo pêssego. Tecnicamente não era amor à primeira vista. Mas era amor naquela visão.
Era ali onde eles estavam indo à vassoura. Para aquela pequena igreja branca. O lugar onde eles seriam casados.
Suas famílias teriam que viver com isso.
#
Um pesadelo passou por Draco enquanto ele recordava o dia em que se casou com Astória. O beijo. Os votos. Os votos que ele tinha quebrado.
Astória se virou e olhou para ele. Ele esperava que ela perguntasse como ou por quê. Ele queria que ela o fizesse. Mas ela apenas olhou para ele com frieza em seus olhos. A menina do pêssego e a igreja branca a mil quilômetros de distância.
— Astória — disse sem saber o que mais dizer. Ela apenas sacudiu a cabeça.
— O que você quer jantar? — ela perguntou.
Draco tropeçou para trás. Essa era a última coisa que ele pensou que ela diria. Não parecia ela. Quando ela ficava louca. Ela ficava muito louca. Ela jogava coisas, e amaldiçoava, e tentava enganar as pessoas.
— Eu...
— Estou com fome, tive um longo dia de trabalho e quero comer — disse ela.
— Não, devemos falar sobre isso. — Não. Draco não queria falar sobre isso, mas ele não queria que ela guardasse tudo e jogasse-lhe um avada kedavra em seus sonhos.
— Eu não quero falar sobre isso. — Sua voz estava tensa. O vidro quebrou em sua mão, derrubando fragmentos afiados e água em todos os lugares.
— Tori, você está bem?
— Não me chame assim — ela retrucou. Sua mão estava cortada e ensangüentada.
— Me deixe ajudar. — Draco estendeu a mão para ela e ela se afastou.
— Não.
Astória alcançou sua bota onde ela mantinha sua varinha e começou a murmurar um feitiço sobre suas feridas, então ela começou a desaparecer. Lágrimas vazaram de seus olhos e ela deslizou para o chão.
— Como você pôde... Como você pôde, por que você tinha que estragar tudo?
Draco queria vomitar. Ele sabia que iria mais tarde. Ele não sabia como isso havia acontecido. Tudo o que sabia era o modo como Hermione o fazia se sentir. A maneira que Astória não fazia há muito tempo. Como se ele fosse especial. Importante. Digno. Mas, obviamente, ele não era.
— Eu sou um id...
— Não, você não é! — ela gritou. — Você não está arrependido, você está apenas lamentando porque você foi pego!
— Vamos. — Draco de repente sentiu-se indefeso e ele não sabia o porquê. Ele merecia todas as palavras que ela lhe lançava. Ele era o trapaceiro. — Você sabe que as coisas não estão bem conosco há anos.
— Isso não lhe dá o direito. — Astória levantou-se.
— Não. Mas eu nunca te vejo, nunca... Nós não nos tocamos, nem nos beijamos, nem nos falamos, você sempre está no trabalho.
— Sempre volta a isso, não é? Você não gosta que eu trabalhe. Você quer que eu fique aqui como seu animalzinho de estimação e não queira nada além de você.
— Isso não é verdade! — Draco bateu o punho contra a parede. — Eu não me importo que você trabalhe, Hermione tem um emprego e eu não...
A boca de Astória se abriu. Oh, Merlin. Ele não deveria ter dito aquilo.
— Você diz seu nome, seu nome para mim, você é nojento, você me deixa enjoada. — Astória colocou a varinha de volta em sua bota e saiu correndo da cozinha. Draco não a seguiu. Ele deveria ter seguido ela. A porta da frente abriu-se e fechou-se.
Ela se foi.
A pergunta atormentava sua mente. Valeu à pena?
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Enquanto ele vivesse, Draco nunca esqueceria a primeira noite que passaram juntos. Astória tinha ido embora fazia um mês por um trabalho na África. Draco tinha se oferecido para ir com ela, mas ela disse que ele iria atrapalhar. Então ele estava sozinho na mansão Malfoy.
Ele havia enviado alguns de seus funcionários embora mais cedo, então ele era o único que restava para dar a Rony Weasley a papelada que ele precisava para um caso que ele e Potter estavam trabalhando. Draco desceu poucos andares para o Departamento dos Aurores.
A porta de Weasley era feita de vidro colorido. Ele podia ver claramente duas silhuetas através da porta. Hermione e Weasley.
— Você trabalhou todas as noites nas últimas semanas! — Hermione gritou.
— Eu tenho que trabalhar, de que outra forma poderíamos comer?
— Você age como se você fosse o único a trabalhar — ela retrucou. — E quando você está em casa, tudo o que faz é sentar-se em qualquer canto, você mal me nota. Merlin maldizia o dia em que eles decidiram que televisionar jogos de Quadribol era uma boa ideia.
— Lamento se quando chego em casa eu quero me divertir e não ser incomodado.
— Eu não...
Weasley riu. A porta se abriu. Hermione explodiu e deixou a porta bater atrás dela. Ela quase correu direto para Draco.
Ela ofegou.
— Desculpa.
— Está tudo bem — disse Draco, com a mão no braço.
— O quanto você...
— Não muito — Draco mentiu.
Hermione assentiu e correu, saindo do corredor. Draco bateu na porta de Weasley. Ele respondeu e pegou os papéis. Foi uma transação sem palavras.
Draco voltou para seu escritório e puxou a varinha quando percebeu que alguém estava lá.
— Oh, Hermione. — Ele baixou a varinha. — O que você está fazendo aqui? — Seus olhos estavam vermelhos. Ela estava chorando. — Você está bem?
Ela encolheu os ombros. Draco colocou uma mão em seu ombro. O calor disparou através de seu corpo. Ela era pequena, frágil. Bonita. Hermione caiu em seus braços. Draco hesitou, mas depois a envolveu em um abraço apertado. Ele podia sentir seu coração bater em seu peito. Seu coração acelerou com o dela.
Ela olhou para cima e quando seus olhos se encontraram ele não conseguia mais parar. Os lábios de Draco pegaram os dela. Ela imediatamente o beijou de volta. Suas mãos se enroscando em seu cabelo, e as dele correndo por suas costas. Era selvagem. Apaixonado. Diferente de qualquer coisa que ele já experimentara.
Eles bateram contra sua mesa e na estante. Draco sentou-se de volta na cadeira e Hermione pousou em seu colo. Ela ofegou com o contato.
Seu rosto era rosa e seus lábios inchados. Seu cabelo era uma confusão emaranhada em suas mãos. Os pequenos dedos de Hermione puxaram a gravata de Draco até que ela se desfez e deslizou para o chão. Então ela foi trabalhar nos botões.
Ninguém disse uma palavra. Ambos pareciam saber que, se o fizessem, tudo desmoronaria.
Draco deslizou sua mão sob a blusa cor-de-rosa de Hermione e a arrancou.
Droga.
Aqueles lábios cor-de-rosa macios encontraram-se com os seus e antes que começasse. Ambos iam ceder.
Estar com ela parecia uma queda. Como calor, e casa, e canela. Mágia, mistério. Uma descida em algo além, algo maior do que ele mesmo.
— Você é perfeita, bruxa — ele rosnou em seu ouvido.
— Fale de novo — sussurrou ela.
— Bruxa, minha bruxinha perfeita.
Eles ainda estavam na cadeira quando tudo acabou. Seus braços enlaçados atrás de seu pescoço, suas respirações, pesadas, trabalhadas, um uníssono.
— Não vá — ele disse em seu ouvido. — Fique, fique comigo.
Draco odiava a si mesmo. Ele sempre odiaria a si mesmo por trair seus votos. Mas ele queria fazer novamente.
#
Draco sentiu as lágrimas no canto de seus olhos. Ele se abaixou e pegou os fragmentos de vidro no chão com a mão. Sua varinha teria sido suficiente, mas foi sua culpa que o copo se quebrou. Ele merecia cortar e cortar as mãos. Estar de joelhos pegando os pedaços. Não que ele pudesse realmente juntar as peças. Não as peças que importavam.
Bateram à porta. Draco se levantou. Talvez Astória houvesse voltado e esquecera sua chave. Ele correu até a porta da frente e a abriu, esperando ver o rosto de sua esposa.
Não era sua esposa. Era Rony Weasley.
Oh inferno.
