POV E

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Depois de muito tempo morando fora do País, eu finalmente estava voltando para casa. Foi uma experiência maravilhosa, com um aprendizado sem igual, mas eu não via a hora de voltar. Sempre fui muito ligado à minha família e sentia falta deles terrivelmente, até mesmo do meu cunhado Emmett. Eu sabia o que me esperava quando chegasse a Boston. Eu tinha uma vaga "cativa" na pediatria da clínica na qual meu pai era sócio do Dr. Charlie Swan e do Dr. Richard Stalav. Os velhos estavam se aposentando das funções médicas e repassando para seus filhos assumirem os postos de trabalho.

Quando nos conhecemos, Charlie não cansava de falar sobre sua excepcional filha ginecologista/obstetra, formada em Harvard com honras, seu QI alto e bla blá, e de como seria maravilhoso que trabalhássemos juntos etc. Imaginei que a dita cuja deveria ser uma daquelas nerds metidas a sabe tudo e encalhadas que viviam para o trabalho e tudo mais, já que pelo que ouvi não gostava muito das funções sociais e nem namorava ninguém. Eu ri com esse pensamento sarcástico.

Uma batida leve na porta me tirou dos meus devaneios.

- Filho, posso entrar?

- Claro, mãe. Eu ia mesmo descer para falar com você. Tenho uma boa notícia.

Ela me olhou em expectativa.

- Acabei de fechar a compra do apartamento naquele condomínio na região central. Acertei tudo com o corretor e vou efetuar o pagamento na segunda-feira, e o antigo proprietário já disponibilizou as chaves. Isso quer dizer que você pode começar a decorar. – Esme fez um biquinho.

- O que foi? Não gostou da notícia?

- Gostei querido, mas você mal chegou e já vai embora? – Eu ri.

- Dona Esme, nós vamos morar bem mais perto e quando você ficar com saudade, pode bater na minha porta. – Eu ri mais vez.

- É algum pecado eu querer mimar o meu filho desgarrado? – Ela fungou e me abraçou.

- Mãaae. – Eu gemi. - Deixa de drama que agora eu vou ficar pertinho e vou encher tanto a sua paciência que você vai me expulsar daqui.

- Tudo bem - Ela limpou uma lágrima – Eu vou deixar o seu apartamento lindo.

- Ok. Agora posso saber o que a senhora veio falar comigo?

- Ah, sim. Já estava esquecendo. Amanhã tem o almoço de Bodas dos Swan, e eu acho que você deveria ir para conhecer a sua futura colega de trabalho, a filha do Charlie e da Renné, Isabella. Vão estar também alguns médicos da Clínica. Vai ser um bom momento para você conhecer as pessoas, e em um ambiente menos formal.

- Tudo bem, eu vou. Não posso ficar adiando esse encontro não é. Você a conhece?

- Não, eu só conheço a filha mais nova, Alice. Uma menina linda e simpática, casada com um empresário importante da sociedade. Ela frequenta muitos eventos, trabalha com moda ou algo parecido. – ela deu de ombros. - Mas eu acho que você vai se dar bem com a Isabella, que assim como você vive para a medicina. Só que com um diferencial, ela tem uma filha.

- Aquilo me intrigou. - Uma filha? Ué, então ela é casada também?

- Não. A Renné não toca muito nesse assunto. Isabella é solteira, mas muito dedicada à filhinha. Ela vive a elogiando. Mas porque esse interesse súbito?

- Ah, não é nada. Curiosidade mesmo.

Interessante, pensei comigo. Ela não deve ser tão nerd assim, se já teve tempo até de fazer uma filha. Estou intrigado. Bem, amanhã vou ver com meus próprios olhos a figura.

- Ok querido, vou deixar você descansar. Boa noite.

- Boa noite mãe.

Deitei na cama do meu quarto temporário e fechei os olhos, mas o sono não veio. Como sempre antes de dormir a imagem de Bella me vem à cabeça. Aquela morena linda que eu conheci há mais de quatro anos em San Francisco. Seu corpo fenomenal, sua boca sensual, sua inteligência e sinceridade que me cativaram desde o primeiro momento, aqueles seios empinados que eu...

- Arrg, você tem que parar de devanear Edward. - Meu sub consciente jorrava pra mim. – Você nunca mais vai ver essa menina na vida. – Mas, ela me estragou para todas as outras. Estou sempre comparando, ninguém nunca é suficiente. – E se eu fosse até Harvard e tentasse obter alguma informação? Eu poderia apenas com um apelido? Eu nem sei se Bella é seu nome de verdade. Talvez a nerd Swan possa me ajudar. Afinal ela também estudou lá.

- Droga! Tô duro só de pensar nela novamente. Preciso esfriar ambas as cabeças. Lá vamos nós banho frio...

...

- A festa na casa do Dr. Swan até que estava bem legal. Conheci alguns novos colegas de trabalho e todos foram bem receptivos. Mas, quem eu queria conhecer ainda não tinha aparecido. De repente eu vi uma movimentação diferente e um casal veio em nossa direção com uma senhora e uma menininha.

- Esme, é um prazer revê-la. A moça morena e grávida cumprimentou minha mãe, seguida pelo homem que estava junto dela.

- O prazer é meu, Alice. Nossa você está linda! – Alice fez uma careta.

- Ah, obrigada. Mas sei que estou gorda e inchada isso sim.

- O que é isso querida, você está maravilhosa. – Alice deu um sorrisinho e apresentou seu marido Jasper. Depois todos nós nos cumprimentamos.

- Oh! Essa é sua netinha, Renné? – Minha mãe não se conteve.

- Sim, essa é a luz da nossa casa. Emma.

- Ela é linda. Que cabelos e olhos lindos.

- Emma, amor venha cá. – Renné chamou. – A garotinha veio correndo com senhora nos seus calcanhares.

- Querida, essa é a Esme, uma amiga da vovó, diga olá.

- Olá, como vai? Ela falou em sua voz infantil. – Os Ohhs e ahhns vindo da minha mãe e irmã acho que assustaram a pequenina um pouco. – Eu ri com a cena. A menina era mesmo linda.

– Vovó, posso comer agora? – Ela cochichou - Renné riu e chamou a senhora que estava perto. - Claro amorzinho.

- Carmen meu bem, leve Emma para almoçar, por favor. E Isabella cadê?

- Sim senhora. Ela foi colocar as bolsas com as coisas de Emma no quarto e já deve estar descendo. – Renné assentiu e pediu licença para falar com outras pessoas.

Fui pegar um drinque e uns aperitivos e me distraí olhando a festa quando um vulto de cabelo castanho passou por mim acompanhada de Renné em direção aos meus pais. Fui chegando perto, aproveitando para conferir a maravilhosa silhueta da recém chegada que estava de costas para mim, quando escutei aquela voz.

- Então, onde está meu futuro colega de trabalho? – Ela dizia.

- Não, eu estou alucinando, não podia ser...

Me forcei a responder - Bem aqui.

Foi quando ela virou e eu fiquei boquiaberto. Era ela... Minha Bella.

Depois disso foi um turbilhão de emoções. A nossa apresentação constrangedora. A conversa de Bella com a minha mãe que não me saiu da cabeça. Até que eu consegui disfarçar e ir atrás dela pela casa, encontrando-a com a sua filha, ou melhor, nossa filha.

Deus, eu tinha uma filha. De quase quatro anos.

Uma linda garotinha ruiva, fruto de um fim semana com a mulher que virou a minha cabeça, e que por uma ajuda do destino voltou para mim com um laço para a vida toda.

Obrigada papai do céu.

Apesar do susto inicial, eu não me cabia de felicidade. Bella vai me dar uma segunda chance, e isso tudo ainda era muito surreal para eu acreditar. Eu ri sozinho enquanto dirigia de volta para a casa dos meus pais.

- E eu achando que ela era uma nerd feia, Rá. Morda sua língua Cullen.

O carro era puro silêncio, mas eu estava com a cabeça fervilhando para me importar. Eu precisava contar aos meus pais e resolver toda essa situação o quanto antes.

- Edward? – A voz da minha mãe me tirou dos meus pensamentos. – Nós já chegamos. Você vai ficar no carro?

- Ahn? Ah, eu, desculpe eu estava com a cabeça longe. – Meu pai deu uma risada de leve e balançou a cabeça.

Quando nós entramos eu pedi sua atenção.

– Mãe, pai, eu gostaria de conversar com vocês por um momento. – Ambos se entreolharam e assentiram. Sentamos na sala de estar e eu fiquei um momento organizando os pensamentos antes de encarar os meus pais.

- Eu quero contar uma coisa...

- Filho, pode falar. O que houve?

- Eu vou começar do início...

- Isso seria bom. – Carlisle comentou.

- Bem, eu... eu conheci Isabella Swan há mais de quatro anos atrás no congresso de medicina de San Francisco. Nós sentamos em assentos lado a lado e começamos a conversar. Nos apresentamos pelos codinomes do crachá. Era uma brincadeira do congresso para descontrair o ambiente tão formal, nós colocávamos apelidos na identificação ou apenas um primeiro nome. Então eu só conheci a Bella e ela conheceu o Edward. Ela me falou que estudava em Harvad e estava concluindo a residência em obstetrícia e eu disse o mesmo sobre Columbia e que estava de partida para a Europa para fazer minha especialização, mas o foco da conversa mudou e eu não disse para onde iria exatamente e nem aprofundamos o assunto. Nós nos encontramos em algumas festas que aconteciam pós palestras, sempre com muitas bebidas e muita azaração e acabamos nos envolvendo.

Esme e Carlisle nem piscavam. – Eu continuei.

- Eu não estava buscando um compromisso, e vocês sabem o quanto eu estava focado na especialização em neonatal. Bem, nós mantivemos tudo muito casual. Nada de sobrenomes e amarras ou telefones. Por fim, passamos aquele fim de semana juntos e depois cada um foi para o seu lado. E eu... – respirei fundo e continuei. – Eu acabei me envolvendo mais do que gostaria, mas não tinha muito o que ser feito no momento a não ser tocar a vida e focar na minha carreira. Eu me apaixonei por ela, e me arrependi muito por não ter sequer pedido o seu telefone. Talvez pudéssemos ter feito funcionar, eu não sei. Mas eu também não sabia se ela sentia o mesmo afinal. Eu fiz uma pausa.

- Edward...

– Pai, por favor, eu preciso falar tudo. – Carlisle assentiu e esperou.

- Hoje eu tive a maior surpresa da minha vida e o maior susto também ao reencontrar Bella, ou melhor, Isabella, e ainda por cima descobrir que... temos uma filha. – Meus pais me encaravam boquiabertos - Sim, Emma é minha filha e de Bella, concebida naquele congresso. – Minha mãe levantou e me abraçou com lágrimas nos olhos.

- Querido, eu nem sei o que dizer. Oh meus Deus! Eu tenho uma neta!

- Nós temos, Esme. – Ela concordou secando as lágrimas e rindo. - Meu pai riu e sentou mais perto me olhando.

- Filho, pelo visto vocês conversaram?

- Sim. Ela disse que agora que sabia quem eu era e onde eu estaria iria me procurar para contar. Disse também que eu não precisava assumir qualquer responsabilidade e que não queria me cobrar nada - até porque ela não precisa do meu dinheiro - mas eu nem deixei que ela terminasse de falar. Ela me explicou que na época tomava injeções contraceptivas, mas havia tomado antibióticos na semana anterior e o efeito foi anulado. Mas, não me interessa as circunstâncias que Emma foi concebida, ela é minha filha eu vou assumi-la. E eu quero mais do que isso, eu... eu pedi a Bella mais uma chance. Nós começamos tão errados, e eu quero mostrar para ela que eu posso ser um cara bom para ambas, eu quero ser um pai e... talvez um marido no futuro, quem sabe, mas eu ainda não disse essa parte para não assustá-la. Bella é muito independente.

- Nossa! Você está mesmo caído por essa menina.

- Pai, eu me apaixonei por ela há anos atrás e nunca pensei que iria reencontra-la. Você vê como a vida dá voltas? Não só reencontrei, como temos uma filha juntos e ela também confessou sua paixão por mim.

- Ah meu filho, eu estou tão emocionada com tudo isso. E também muito feliz que você aceitou isso tão bem.

- Edward, você tem certeza sobre a paternidade da menina? Você sabe que para registrá-la vai ter que ser feito um exame de DNA.

- Eu sei pai, e eu tenho certeza. Eu e Bella já conversamos sobre isso. Além do mais é só olhar para aquela carinha. Ela não se parece nada com a mãe. - Eu sorri.

- Verdade Carl – Esme concordou. – Eu cheguei até a comentar isso com a própria Bella, a menina é a cópia do nosso Edward. Cabelinhos ruivos e olhinhos verde esmeralda.

- Venha aqui vovó Esme. – Carlisle chamou. – Ela riu e foi se aconchegar ao lado dele no sofá.

Conversamos mais um pouco, mais leve depois da minha confissão, e eu fiquei muito feliz com o apoio dos meus pais. Minha mãe começou a fazer planos para acrescentar um quarto rosa no projeto de decoração do meu apartamento e a começar a desativar o quarto antigo de Rosalie para fazer um espaço de brincar para Emma. Eu me despedi deles e subi para tomar um banho e ligar para Bella.

- Alô?

- Oi amor, tudo bem?

- Oi Edward, estava esperando sua ligação.

- Você já está em casa? Como foi com seus pais?

- Estou sim. Foi tudo bem, eles ficaram um pouco espantados, mas está tudo ok agora.

- Aqui também, - Eu ri. – Mas, prepare-se. Minha mãe está muito emocionada com a notícia e já entrou no modo decoradora. Imagine que ela quer fazer um quarto de brincar para Emma aqui também. – Nós rimos.

- Oh, a loucura então é de ambas as partes. Minha mãe quer fazer um almoço para reunir a família. Mas eu pedi para ela esperar até nós contarmos para Emma.

- Eu concordo. E ela, onde está?

- Ah, está no quarto com Carmen. Daqui a pouco vou ler a histórinha da noite e coloca-la para dormir.

- Diga que eu mandei um beijo. Eu já estou com saudades. Das duas.

- Eu também. - disse suspirando - Precisamos conversar sobre tanta coisa ainda.

- Bella, eu gostaria de agilizar o DNA para poder dar entrada nos papeis do registro.

- Tudo bem, porque você não vem aqui em casa amanhã à noite e conversamos sobre tudo? Aproveita e janta conosco.

- Eu vou adorar.

- Ótimo, vou estar em casa lá pelas 17h. – E deu um grande bocejo.

- Ok. Vou deixar você descansar. Até amanhã. Boa noite amor.

- Boa noite querido.

Eu fiquei com um sorriso bobo estampado no rosto mesmo depois que ela desligou. Uau! o dia de hoje revelou mais surpresas do que eu poderia esperar a minha vida inteira, mas eu não poderia ter ficado mais feliz com isso.

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Continua...