01 - A Toca

Disclaimer: Infelizmente, a JK é uma pessoa egoísta e não me deixou ficar com nada. Apenas com a idéia psicopata de levar o Draco para a Toca. Já é alguma coisa, não?


Finalmente, o dia da nossa partida chegou - infelizmente. Não que eu estivesse com medo de dar de cara com aquela manada ruiva me esperando já na King Cross, cheios de porretes na mão e prontos para me esmagar a qualquer passo em falso que eu desse. Mas vamos e convenhamos, quantas vezes por século você ouve falar de um Malfoy que vai passar o Natal na casa dos Weasleys e volta para contar como estava a ceia?

Ginevra segurou a minha mão com força quando descemos na King Cross.

- Calma, pequena. Eu não vou voltar correndo para o castelo, pedindo socorro - eu brinquei e ela relaxou a mão, sorrindo.

- Talvez não pedindo socorro - ela ironizou, antes de depositar um beijo em meus lábios.

Há um ano e meio atrás, se alguém me disesse que em breve eu estaria nessa posição - e me sentido tão bem - eu com certeza indicaria o St. Mungus. Quer dizer, tudo começou muito rápido. Primeiro eu achava que os nossos encontros eram apenas beijos, diversão melhor que Pansy Parkinson. Mas depois do segundo encontro - que ela fez o favor de se atrasar - eu já não tinha tanta certeza assim.

Draco Malfoy, estava de fato apanhado por uma Weasley. E, orgulhoso como sou, não me sentia nem um pouco mal em dizer isso a quem quer que fosse. O que não me fazia engolir desaforos do irmão dela e dos seus amigos. Mas ela me distorceu muito, é sério. Não, eu não deixei de ser irônico, sarcástico, sexy e arrogante. Digamos que eu moderei a intensidade dessas qualidades em mim. Exceto sexy, que o tempo fez o favor de triplicar em mim.

- Boa noite - a sra. Weasley cumprimentou-me sorridente, depois de dar um abraço apertado em todos. - Estou realmente feliz que você tenha vindo passar o natal conosco!

- Eu também, sra. Weasley - eu respondi polidamente, embora não fosse bem verdade.

A Toca parecia ter sido no passado um grande chiqueiro de pedra, que foram acrescentando cômodos aqui e ali até ela atingir os andares que tinha. E era tão torta que com certeza era sustentada por mágica. Quatro ou cinco chaminés estavam encarrapitadas no alto do teto vermelho e em um letreiro torto enfiado no chão, próximo à entrada, lia-se A TOCA. Em volta da porta de entrada encontrava-se uma variedade de botas de borracha e um caldeirão muito enferrujado. Várias galinhas castanhas e gordas ciscavam pelo quintal. Pior que o que eu imaginei. Respirei fundo, eu ia mesmo entrar... naquilo? Gina segurou a minha mão com firmeza. É, eu ia entrar.

Segui Gina para dentro e ela me mostrou toda a casa. Inclusive o seu quarto.

- Tem certeza que meu quarto é aquele lá em baixo e não esse aqui do lado? - perguntei, beijando-a atrás da porta.

- Draco! - ela reclamou, antes de se render ao beijo. - Bom, se você prefere, o quarto aqui ao lado é o do Rony e do Harry...

- Lá em baixo é um ótimo lugar, não acha? - brinquei, me imaginando dentro do mesmo quarto que Weasley e Potter. A palavra "sangue" inevitavelmente me veio à mente.

Estranho, no quarto em que eu ficaria também haviam duas camas.

Qual dos outros cinco irmãos seria o menos perigoso? Com certeza Percy, mas tinha quase certeza que esse era o irmão que não falava com a família. Ainda sobravam os gêmeos, o que tratava de dragões e o que trabalhava em gringotes. Os Weasley são pessoas perigosas.

A Gina é aquela criaturazinha geniosa, o fiel escudeiro do Potter tem um ótimo soco. Os gêmeos - tinha medo do que podiam fazer comigo, com todas aqueles logros deles. Imagina o irmão que cuida de dragões, que monstro não devia ser? E o que lida com duendes... Devia ser bem forte também. Afinal, força é uma coisa de família, né?

Isso sem contar com minha sogra, que tem toda aquela pose e impõe o maior respeito aos filhos e meu sogro, que já conseguiu por meu pai na cadeia - não que faça muita diferença - por causa daquela última batida que ele conseguiu que o Ministério desse.

Eu mal tinha terminado de tomar banho - pasmem, eles tinham água quente - quando Granger bateu na porta avisando que o jantar seria servido em dez minutos. Eu pretendia sair do quarto em cinco, mas Potter e Weasley entraram no quarto.

- O que vocês querem? - perguntei. E quem disser que eu recuei dois passos, é mentira.

- Relaxa, Malfoy. Viemos pra te mostrar o caminho até a cozinha - Weasley disse vermelho, indicando a passagem entre ele e a porta. Aquilo era muito estranho e eu levantei uma sobrancelha.

- A mãe do Ron nos fez prometer que íamos tratar você bem, e isso inclui não te matar - Potter explicou. - Embora nós tenhamos muita vontade.

Eu começava a gostar da Sra Weasley. Só rezava - sim, nesse caso em espeífico, eu rezei - para que fosse recíproco.

Eu já disse que descobri que tinha uma visão meio distorcida da vida dos Weasleys?

Quer dizer, eu usava de exagero quando ofendia a família Weasley, chamava-os de pobres e tudo o mais, mas nós até tivemos uma mesa farta - não para padrão Malfoy, mas ainda assim farta - naquele dia. Não sei se era porque eu estava lá e eles queriam provar que eu estava errado ou se realmente era comum. E pela cara de meia indiferença de todos, acho que era a segunda opção mesmo.

- Coma mais um pouco, Draco - Molly Weasley disse já me passando uma travessa de rosbife.

Eu fui praticamente obrigado a repetir o prato umas duas vezes, assim como todos na mesa. Como é que eles - tirando a minha sogra - conseguiam ser tão magros? Terminei o meu prato pela segunda vez e tomei o suco de abóbora tentando esconder uma careta. Não que estivesse ruim, mas eu detesto suco de abóbora, de verdade. E a Sabe-tudo Granger tinha de perceber, lógico. E, por tabela, Potter. Que cutucouseu escudeiro. Que sorriumaldosamente.

- Está gostoso, Draco? - ele perguntou sarcástico, lançando um olhar rápido para Sra. Weasley.

Aquilo poderia ser chamado de momento de tensão. Gina prendeu a respiração e eu segurei sua mão embaixo da mesa, que ela apertou com força. Todos olharam para mim e tive de usar toda a minha educação e força de vontade Malfoy para conter os impropérios que senti vontade de dizer ali. O filho-da-mãe estava me chamando pelo primeiro nome. Pelo meu lindo nome, como se ele fosse digno disso.Respirar, inspirar. Respirar, inspirar.Finalmentedescobri a utilidade desse mantra que a Gina vivia recitando quando discutíamos.

- Está delicioso...Ron - eu respondi, com uma singela ironia. - Parabéns, Sra Weasley, a senhora é uma ótima cozinheira - elogiei e Gina suspirou aliviada ao meu lado, relaxando a mão.

- Obrigada, querido. Pode me chamar de Molly - ela disse, com um sorriso educado.

Ótimo. Mais uma coisa para lembrar. Chamar aquela cambada pelo nome de batismo. O cúmulo. Mas, pelo menos, eu ainda estava vivo.

Depois do jantar, fomos todos para a sala de estar - pequena e confusa demais - onde eu parei para observar o jogo de xadrez entre Potter e seu escudeiro, enquanto Gina e Granger ajudavam "Molly" na cozinha.

Ele até jogava bem, e tinha também a lealdade das peças - bem gastas - que obedeciam prontamente. Eles perceberam que eu - sentado naquilo que eles chamavam de sofá - estava observando a partida.

- Malfoy, eu aposto dois galeões que você não vence o Ron - Potter disse, desviando os olhos do tabuleiro.

- Se prepare para perder dinheiro, Potter - eu aceitei o desafio, tentando defender meu orgulho. Me sentei no tapete junto à eles assim que Potter perdeu.

Agora imaginem. Draco Malfoy, único herdeiro da família mais rica de Londres, jogando xadrez em um tapete. Não em uma mesa de madeira nobre, escura e com detalhes em prata pura. Mas em um tapete, que embora tivesse um leve cheiro floral, era velho. Muito velho e remedado em alguns pontos.

Eu já disse que ele era bom? Até tomei uma boa dianteira no início da partida, usei de toda a minha concentração, tentei ajustar minhas táticas ao estilo de jogo dele, mas no final ele ainda ganhou. Mas foi por pouco, embora eu ainda ache que a culpa foi das minhas peças, que eram rebeldes demais e me desconcentravam.

- Mãe, pai, eu vou dar uma volta com o Draco lá fora, tudo bem? - Gina perguntou, entrando na sala.

- Não demorem, por favor - Arthur Weasley pediu. E me olhou sério, como se dissesse "olhe lá o que vai fazer à minha filha".

Não se preocupe, Arthur. Não farei nada que você não faria com a sua esposa. Debaixo dos olhares raivosos do Weasley mais novo, eu segui minha pequena para fora.

- Então, o que achou do jantar? - ela perguntou, enquanto subíamos um morro no quintal da casa.

- Quando disse que tinha gostado, falei a verdade - eu expliquei. Ela sorriu e me beijou, contente, que foi quase uma recompensa por ter suportado os familiares dela.

Já contei como é bom ter Ginevra Weasley me beijando? Ela tem um gosto bom - que fica ainda melhor quando está chupando alguma fruta - e eu me sinto estranhamente... bem quando faço isso. É melhor do que insultar os amigos dela num corredor cheio ou que passar as minhas férias na Mansão de inverno da família, sem dúvida.

Ela se afastou - hoje você não vai ver o Bill, Charlie, Fred e George. Eles só vão chegar amanhã pro almoço.

- Isso é bom - eu a beijei de novo, e uma dúvida voltou à minha mente - com qual deles eu vou dividir o quarto?

- Com Charlie. Ele é legal, você vai ver...

- Como Ronald? - eu perguntei. E veja bem, eu tentei ser educado, chamei o infame pelo nome de batismo.

- Não, o Ron é estourado. O Charlie é mais legal, foi o único a não criar caso com nosso namoro. E mamãe achou que seria perigoso deixar você com os gêmeos, eles são...

- Sádicos - eu concluí, lembrando das Gemialidades Weasley que eles largavam "sem querer" nos corredores.

- Eu ia dizer que elessão meio sem-noção de perigo. Mas... Sim. Eles tem uma leve tendência sádica, sim.

- Leve, claro - eu disse irônico. Ela riu e voltou a me beijar.

Lembro que uma vez Vicent e Gregory acharam um saco fechado de doces numa das mesas da sala de Feitiços. Idiotas, sorriram como se o Natal tivesse chegado mais cedo e comeram todos. Ficaram quase três dias na Ala Hospitalar. Quando eles souberam que os dois tinham caído na armadilha, ainda levaram mais doces para os dois.

- Eles não iam respeitar a trégua imposta pela mamãe - ela terminou, enquanto sentávamos na grama, no alto do morro.

- É, Potter comentou algo como "prometer tratar você bem e isso inclue não te matar" - eu lembrei, beijando-a.

Eu não consigo ficar muito tempo perto dela sem tocar seus lábios. É... Viciante. Eu entro em abstinência,de verdade.Crises torturantes. Então, enquanto estamos juntos, eu faço questão de beijá-la. Muito. Mesmo. Sim. Eu estou apaixonado por essa ruiva. Há muito tempo. Um ano,dois mesese alguns dias.E eu pretendo continuar assim, obrigado.

- Mamãe disse que você não é como Ron pintou nas férias - ela riu entre meus lábios.

Era uma boa notícia, afinal. - Duas já foram. Só faltam seis e eu sobrevivo a tudo dessa vida.

- Você sabe que vai voltar vivo, Draco.E a mamãe sempre dizia ao Ronque o que faltava a você era uma Gina para 'amolecer seu duro coração de pedra' - ela sorriu e eu a beijei.

O fim de noite passou rápido e logo Granger apareceu para nos chamar. Era "hora de ir pra cama". Pela primeira vez em minha vida, eu tinha horário de entrar no quarto. E foi uma experiência muito boa, estando com a barriga cheia e sonolento o suficiente pra não reclamar. O problema é que no dia seguinte, eu acordei com dois pares iguais de olhos me observando. E ops, eram dos irmãos gêmeos da Gina.

- Bom dia, cunhadinho! - um deles saudou. Não pergunte qual dos dois era.

Olhei para a janela e vi que ainda estava amanhecendo. - Bom dia - respondi meio incerto.

- Olha Fred, ele é educado! - George falou irônico.

George me puxou pela gola do pijama - de seda, preto e que me deixa extremamente elegante, diga-se de passagem - e me fez sentar na cama.

- Vamos conversar um pouco, Malfoy - eles disseram, trocando os olhares que eu classificava como sádico.


N/A: Que lindo. Vocês gostaram mesmo da premissa? Que mágico.
Antes que vocês digam 'nhá, o mais difícil era conquistar a Sra Weasley e ele já conseguiu. O resto agora é moleza' deixem-me esclarecer. A Sra. Weasley confia dez vezes no julgamento de Gina. Então, se ela fala que o Draco é um bom menino, ele é. Baseado em minha mãe, que minha mãeé assim também. Acho que o mais difícil será Ron e Arthur. E os Gêmeos. E o resto da família.

Sapos de chocolate para: mila-nesa, Jullia Malfoy, Princesa Chi, Miss Leandra Friendship Black, miaka, Rk-Chan, Franinha Malfoy, ChunLi Weasley Malfoy, Tina Granger, Silvia, TheBlueMemory, .Miss.H.Granger., Ronnie Wheezy, Srta. Mariana, brockthueL, Ferfa, Mari G. Malfoy, Musa Kyoyama, Lika Sylterin, Lari Malfoy, Kah Black Malfoy, sosofifiazinha, Rita.

Quem comentar dessa vez ganha... Penas de Algodão-Doce, direto da Dedosdemel.
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