Still Doll

Chapter Two:

'Are you afraid of dolls?'

XxX

Ele ouviu a pergunta atentamente, porém não ousou olhar diretamente para ela ao responder. Temia ser queimado pela intensidade das chamas que irradiavam daquele olhar.

- Não. –De pronto a resposta veio.

-Muito bem. – Ela deu um meio sorriso, e foi até um criado mudo empoeirado, e de dentro dele tirou um retrato.

-Eu conheço essa menina. – Anunciou o moreno. – Tem fotos dela por toda a casa.

-Alice... Ah, nunca ouve ou haverá menina mais bonita ou gentil no mundo. –Sakura falou encarando um ponto fixo. – Por mais que quisessem tratar a todas da mesma maneira, era evidente que Alice era mais graciosa até mesmo do que sua mãe.

-Ela era... Sua dona? –Sasuke perguntou cautelosamente. E pela primeira vez Sakura respondeu a sua pergunta.

- Sim. Embora 'dona' seja uma palavra muito impessoal para descrever a nossa relação... Eu era sua melhor amiga. Sua irmã favorita. Tinha duas outras irmãs, Lorina a mais velha, e Edith, a mais nova. Elas todas se davam muito bem, apesar de Lorina ser um tanto quanto arrogante, e Edith ser infantil a ponto de aborrecê-la de vez em quando. Sua mãe era gentil, e seu pai trabalhador. Os pais eram amorosos e não tinham preferências com as filhas adoradas. Todas viviam numa maravilhosa casa e gozavam da mais pura felicidade. – Sakura deu uma risada seca, e olhou o rosto de Sasuke por um momento. Depois pegou sua mão e o levou até o divã, sentando-se junto com ele. Um momento de silêncio sucedeu, e a boneca inesperadamente deitou-se no colo de Sasuke.

Depois de a surpresa ter passado, ele percebeu que ela estaria chorando novamente se não estivesse se apoiando nele.

Rapidamente ela se recompôs e voltou a falar ainda deitada em suas pernas.

-Bem, acho que é melhor falar um pouco da minha historia também. Eu diferente de agora, era uma boneca comum. Eu falava, brincava, sorria, me divertia, abraçava e dormia com minha amada amiga como todas as bonecas o fazem. Mas eu não sou deste país. Não se fabricam bonecas como eu aqui, mas eu fui feita ao estilo de boneca inglesa por uma japonesa que gostava muito deste país. Não vou entrar em detalhes da minha origem, até porque minha criadora inicial não passa de uma vaga lembrança para mim. Só que diferente das outras bonecas, meus primeiros donos haviam me designado para curar a doença de uma criança. O objetivo era que os Deuses passassem a doença para mim, e livrassem a pobre criança da morte. Eu falhei nesse objetivo, e fui parar no lixo, onde Alice me encontrou em um de seus vários passeios com um amigo muito próximo seu... Lewis acho que era seu nome... E me limpou, acolheu, e vestiu. Ela era muito novinha. Tinha cinco anos apenas. Mas já me amava de maneira admiravelmente profunda. Depois de mim ela não brincou com outras bonecas, por mais que elas surgissem, e devo dizer várias mais bonitas e arrumadas do que eu. Mas eu era especial para ela, e por esta razão ela é especial para mim.

Os anos passaram e eu continuava ali. Fazendo a alegria daquela linda garotinha, até que aquele homem chegou.

BRUM!

Ao dizer a ultima frase um trovão interrompeu o som sereno de suas palavras.

-Quem chegou? – Sasuke perguntou.

- O Senhor Yorkshire. Pai da dona da casa, e avô das meninas. Não vou entrar em detalhes a respeito dele,eu não o conheci bem o suficiente para tanto, mas podia-se dizer que era um homem um tanto quanto intimidador, já que tinha olhos escuros grandes e redondos que encaravam cada centímetro de tudo a cada momento, rodeados por óculos finos. Era assustadoramente branco também, e barrigudo. Eu não gostava dele, porque desde que ele chegara, eu passei a ver a mesma cor que eu vejo em você, em toda a família Liddell.

-E o que tem isso?- Ele estava arrepiado por dentro ao imaginar a imagem de tal homem, e dos motivos para aquela boneca tão

-Eu vou chegar lá. Agora... Ah sim. O velho. Eu o chamava assim, na verdade. Não gostava dele o suficiente para lembrar seu nome e até hoje isso me foge a memória. Estava presente no dia em que a senhora Lidell informou às meninas que o avô iria passar um tempo na casa pois estava passando por dificuldades. Todas compreenderam e não tocaram no assunto depois disso. O velho era bastante mimado pela filha nos primeiros dias, mas depois de um tempo, todos passaram a agir estranho com ele. Alice me falou isso, porém eu pensei que não fosse nada de mais. Afinal, os parentes finalmente haviam percebido o quão esquisito e incômodo aquele velho senil era.

-E ele foi embora?- Cautelosamente o garoto perguntou. A historia era extremamente envolvente! Era ainda melhor do que uma de suas narrativas de suspense.

-Foi mandado embora. Poucos dias depois de Alice me relatar o fato, o senhor Lidell teve uma briga séria com ele. Não demorou para que partisse. No fundo eu me senti muito aliviada quando soube que ele partiria, pois então aquela cor atormentadora iria embora também. Mas não foi o que aconteceu.

Desta vez o Uchiha não interrompeu-a. Seu coração batia descompassado pela expectativa.

Sakura viu que ele não faria nenhuma interrupção e deu um meio sorriso

- Era 5 de Novembro, e estava chovendo. Eu e Alice estávamos brincando aqui. Neste quarto. Já era tarde da noite quando começou o barulho lá em cima. – Ela olhou para cima. – Ouvimos uma discussão alta, e vários gritos seguidos. Naquele momento, Alice estava assustada, por isso me apertou mais junto a si.

BRUM!

Outro trovão ruiu do lado de fora.

- Móveis sendo revirados, mobília sendo estilhaçada, gritos agonizantes ecoavam pelos corredores, até que as lamparinas se apagaram, e Alice deu um pequeno grito. No momento eu também estava com medo. Ela me apertou ainda mais forte, e nós nos escondemos bem ali.- Ela apontou para a penteadeira antiga que estava rente a janela, sendo fracamente iluminada pela luz da lua, ofuscada pelas gotas de chuva. – Eu podia ouvi-la chorar baixinho e falar 'Tudo vai ficar bem, não é?', e eu tentei. Eu não respondi. Mas quando eu olhava para ela eu via a cor arroxeada tornando-se mais intensa. Ela não ouviu. Mas eu fiquei atenta e ouvi uma voz sádica perguntando em gritos 'Onde está ela? Diga logo sua vagabunda!'. Eu não ouvi mais, já que no outro minuto a porta estava sendo arrombada. Alice continuava chorando e falando para mim 'Tudo vai ficar bem'.

'-Aí está você'- E eu pude vê-lo. Era o velho. O maldito nos tirou de lá arrastando Alice pelos cabelos. Ela gritava e chorava tanto... E eu não podia fazer nada! Nada... E então o velho tirou o machado. –Ela apontou para o objeto recostado perto do divã. – E pôs fim em tudo com um golpe, fatiando-a ao meio, bem diante dos meus olhos.

Sakura respirava com dificuldade e seus punhos tremiam. No entanto, segundos depois, sua expressão tornou-se neutra e fria. Sasuke por outro lado estava mortificado.

- Eu vi aqueles olhos bem de perto. Eles irradiavam um brilho assassino, e ele não parava de rir, contemplando o sangue dela que jorrava em cima de mim. Eu sentia que explodiria. Era tanto ódio. Tanto, tanto... Eu olhava para ela, mas não podia chorar. Eu via seu sangue e não podia me levantar e enforcar o bastardo que causara aquilo. Eu queria gritar, mas estava muda. Eu... Ah, não tem como descrever aquilo, eu simplesmente fui tomada completamente pela ira, e senti meus olhos se queimando. O desgraçado, no entanto deve ter percebido também, pois começou a me olhar assustado e a arregalar ainda mais aqueles odiosos olhos redondos. Meu peito começou a inflar, e queimar assim como meus olhos. Meu corpo logo pareceu estar em chamas, mas ele ia ficando graduadamente mais próximo à explosão, assim como uma bomba relógio. Ele num movimento de pânico me jogou para longe, e tentando ir para trás, tropeçou em algumas correntes que ficavam lá para trancar alguns quartos perigosos. Assim que ele me jogou, e eu senti o baque do chão em minhas costas, foi o ápice. Tudo explodiu, e eu senti minha mão se levantar num movimento brusco e repentino, surpreendendo a mim e a ele. Nem preciso descrever a expressão de horror ao ver uma simples boneca de porcelana ganhar vida, não? Bom, os planos dele de me deixar jogada no quarto mudaram, e antes que eu pudesse recuperar os movimentos completamente, ele prendeu minhas pernas na corrente, a amarrou firmemente na parede, largou o machado, e saiu correndo. Tudo o que ouvi depois foi a porta sendo trancada.

O silêncio dele o fez voltar a realidade, e perguntar numa voz semi-embargada.

- Mas... Então você simplesmente o deixou fugir?- Ele logo se arrependeu. Que tipo de pergunta era aquela? Ela certamente ficaria irritada. Porém não foi o que ocorreu.

-Ah não. Eu fiquei por dias frustrada por não poder abrir a maldita porta. Eu batia insistentemente todos os dias, e eu sabia que todos os dias ele vinha aqui e olhava pelo olho mágico para ver se eu era realmente viva. E eu era. E como era. Ao menos eu tenho certeza de que ele nunca mais pode dormir tranqüilo já que a noite eu fazia muito barulho. Andava com o salto alto pelo chão oco, gritava muito alto, arrastava as correntes e as batia nas paredes, e acima de tudo, conversava com Alice. Sim. Ela aparecia as vezes para me fazer companhia, e me dizia para descansar. Mas eu sempre respondia que não até que aquele monstro estivesse morto.

Eu realmente pensei que se o matasse teria paz, junto da minha amada amiga, e tentava de todas as maneiras quebrar as correntes para pode chegar até a porta. Logicamente eu considerava cortá-las com o machado, mas ele se encontrava longe demais para que eu o alcançasse. Porém todos os dias eu tentava alcançá-lo, e quando me frustrava, atormentava o velho maldito, como que o preparasse para a morte.

Eu realmente me encontrava satisfeita com o resultado de minhas tormentas, já que quando ele ousava abrir um pedaço da porta, eu sempre via aquela cara redonda, maltratada pela falta de sono, e os braços magros pela alimentação ruim. 'Talvez eu consiga matá-lo gradualmente, com uma doença ou por falta de dormir. ' Mas eu sabia que aquilo não me satisfaria. O que eu queria era ver aquele corpo maldito mutilado.

Até que enfim chegou o dia. Eu com toda a minha força de vontade chamei pelo machado, para que a vingança divina se realizasse finalmente. Foi a primeira vez que orei, e tenha certeza, não foi por um motivo santo, apesar de não haver nada mais justo do que a morte daquele infeliz. E o machado veio. Para as minhas mãos, como se fosse um imã. Era de noite, eu não havia feito barulho ainda. Eu pude ouvir os passos dele em direção ao quarto, então bolei um plano. Fingiria estar morta, e não faria ruído algum, para que ele dormisse e então abaixasse a guarda. Escondi o machado, e joguei-me ao chão. Ele olhou pelo olho mágico e me viu naquele estado. Ouvi claramente a risada de euforia, e os suspiros de alívio. Abriu a porta, e usando a vassoura me cutucou para certificar-se que eu estava imóvel. Eu não me mexi.

Ele passou a primeira noite de alegria e eu ouvia-o abrir garrafas de vinho para comemorar a vitória sobre mim. Entretanto aquilo durou pouco.

'Tudo estava escuro, e o assassino já se encontrava dormindo profundamente, aproveitando as várias horas de sono que eu lhe roubara e não ia acordar facilmente, porém eu queria que ele se encontrasse, para que quando me visse, soubesse exatamente pelo que estava pagando. Preparei tudo. Era a hora, e eu não esperaria nem mais um segundo. E então bati o machado nas correntes, vendo-as partirem imediatamente. Juntei tudo que havia separado do quarto e tomei cuidado para não fazer barulho desnecessário, até que cheguei ao quarto dele. A porta me obedeceu como o machado anteriormente e se trancou. Peguei as correntes que haviam me prendido por tanto tempo, e passei por cima de suas pernas para que não fugisse. Logo apanhei uma corda normal e amarrei suas mãos acima da cabeça. Em seguida peguei um caco de vidro e passei lentamente por seu rosto, cortando de fio a fio aquela face maldita. Ele acordou do sono profundo com um grito de agonia e com o espanto de se encontrar amarrado na própria cama. Porém o horror maior foi quando me viu. Perfeito. Era hora vingança. '

-'Meu rosto!- Ele tentou mover as mãos para alcançar a ferida, mas foi inútil.

– Sente-se confortável Sir? Eu espero que sim. Pois eu planejei uma noite inteirinha pra você. –Falei sorrindo com os olhos em chamas, indicando com a mão a imensa diversidade de objetos pontiagudos e cortantes em minha posse.

Aqueles olhos não poderiam ter ficado mais redondos, negros e cheios de horror. Eu aumentei o sorriso, observando-o dar gritos incessantes e agoniados. '

Ao relatar esta ultima parte, Sakura parecia mais calma, e ao ver o rosto de Sasuke que apesar de não estar horrorizado como era de se esperar, encontrava-se tenso. Ela voltou à realidade ao constar este fato.

-Não vou entrar em detalhes do resto. Mas eu pude ver nítida e claramente, que a cor que eu vi em Alice, em toda a família... E que vejo em você. – Sasuke mirou-a nos olhos ao ouvir a ultima palavra. – Esta cor arroxeada que me intrigava tanto no inicio, se encontrava forte e intensa no velho agoniado. E conforme eu o esquartejava mais forte a cor ficava! Era impressionante... Até que quando eu finalmente dei um fim nele, a cor não sumiu. Pelo contrario, pareceu ter assumido seu ápice! Tão logo o matei que percebi. Esta cor que eu vejo indica os mortos. É a cor da morte.

E Sasuke finalmente arregalou os olhos.


Transmissão ON:

Kashiri: OLÁ PESSOAS! Voltei mais cedo do que imaginavam não é?

Sasuke: Para a nossa tristeza. - Sasuke sussurra para si mesmo mas a autora que tem ouvidos de águia ouve e lhe dá um beliscão no braço -AI!

Sakura: Kaah chan, não seja malvada! Você sabe que no fundo ele gosta de você. - Sakura sorri abertamente.

Kashiri e Sasuke: BEEEM NO FUNDO MESMO.

Kashiri: Mas agoraaaaa falando com as minhas queridissimas leitoras, - Kashiri empurra Sasuke pro lado.- GOMEN! Eu sou uma desgraça completa com prazos pra fanfics T.T Eu juro do fundo do meu kokoro que eu queria mesmo ter postado esse capitulo antes, mas infelizmente eu sou uma baka desorganizada e como consequencia disso, as fics ficam à margem. MAS EU PROMETO DAR O MEU MELHOR PARA POSTAR O ULTIMO CAPITULO O MAIS RAPIDO POSSIVEL, OK?

Sasuke: Não precisa gritar, ô tia doida.

Sakura: Sasuke kun. - Ela lhe lança um olhar fatal.

Sasuke: Glup =#

Kashiri: Bom, eu gostaria de não demorar muito na transmissão de hoje, e só explica o motivo de eu ter sido tão... Hm... Desânimda semana passada ( não tenho certeza se foi na semana passada mas vai isso mesmo). Eu tinha que terminar um trabalho de português que consistia em transformar um livro de duzentas-e-lá-vai-cacetada páginas em uma HISTORIA EM QUADRINHOS feita Á MÃO. E ao envés de fazer bonequinhos palitos como qualquer outro ser humano com a sanidade mental perfeita, o que a titia Kaah faz? Desenha TUDINHO em mangá. É isso aí. O instinto otaku falou mais alto e eu fiz a historia inteira em mangá, o que consequêntemente me custou muitos músculos da mão doloridos, um surto psicótico pela possibilidade de não terminar a bagaça a tempo e uma história do 'menino do pijama listrado' com MUITO menos 'historia' do que ela realmente tinha. Felizmente tudo teve um final feliz, mas no dia que eu postei a fic eu tinha acabado de acabar os desenhos e a minha sanidade mental estava reduzida a fragalhos, e não teve como eu ser... bem, eu mesma por um tempinho, hehe.

Sakura: Mas você teve o trabalho mais fofo da turma Kashiri chan.

Kashiri: HAAHAHA EU SEEI! VALEU A PENA TODO O SOFRIMENTO! MUHAHAHAHHAAAAAAA

Sakura: Ih, ela pirou.

Sasuke: Correção: Ela é pirada.

Kashiri: MUHAHAHAHHAHAAAAAAAAAAAAA

Sasuke: =.=''

Sakura: =x

A autora continua rindo descontrolada no chão até que Sasuke e Sakura a tiram da sala.

Sakura: Então, é isso Minna! Deixem reviews, ok?

Transmissão OFF

Um agradecimento especial para quem mandou reviews. Espero que curtam o capítulo, JA NA!