Disclaimer: Saint Seiya TLC pertence ao Kurumada e a Shiori Teshirogi. Isso é apenas um empréstimo sem fins lucrativos.

Avisos: Conteúdo Yaoi.

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Capítulo I

Após mais uma incansável jornada diária, o imponente astro Rei se retira preguiçosamente, perdendo-se no infinito. Seus últimos raios coloriam o céu em tons alaranjados e rosados.

Observar o pôr-do-sol era uma das atividades favoritas dele.

Desejava profundamente um dia conseguir encontrar um oponente tão majestoso e imponente quanto o Sol, e aquilo havia se tornado sua meta desde que vestira pela primeira vez a armadura de escorpião.

Soltou um longo suspiro, deixando os olhos se fecharem levemente.

Passos ritmados invadiam sua morada, indicando que alguém se aproximava. Ele sabia quem era, conhecia bem a aura gelada do invasor.

Esboçou um sorriso franco, abaixando a cabeça com leveza, até o queixo encostar-se no próprio peito. Enquanto isso, mãos suaves e macias desciam de seu ombro até o tórax, o tocando delicadamente. Após ser envolvido por braços alvos e firmes, voltou a abrir os olhos, suspirando longamente.

- Chegou cedo hoje, Dégel de Aquário... - virou o rosto para o lado, sentindo o nariz roçar na bochecha do invasor.

Em resposta, ele sorriu amigavelmente, acomodando o queixo no ombro do amigo.

- Senti vontade de vir aqui mais cedo. Incomodo? – perguntou o aquariano, receoso de que o cavaleiro que envolvia nos braços não estivesse afim de companhia.

- De modo algum, você sabe que é meu melhor amigo nesse santuário... nessa vida... nesse mundo – soltou o ar longamente, refletindo sobre oque havia dito.

- E como anda seu coração hoje, Kardia de Escorpião? – ainda permanecendo com o amigo envolvido nos braços, Dégel levou a mão destra até o lado esquerdo do peitoral de Kardia, logo acima do pulsante coração escorpiano.

- Muito bem, pra ser sincero, desde que o Grande mestre Sage lhe incumbiu de 'cuidar de mim' – frisou as últimas palavras, rindo levemente – eu tenho me sentido bem, bastante aliviado...

- Fico feliz em poder ajudá-lo, meu amigo... Não faz idéia do quanto. – Aquário fechou seus belos olhos lilases. Um longo suspiro desprendido de seus lábios fez com que o escorpiano estremecesse ao sentir o ar quente bater em seu pescoço.

Tempos atrás, o motivo da misteriosa febre que o cavaleiro de Escorpião sofria fora enfim descoberto por Sage, o respeitado mestre do santuário. Este constatou por fim que tal febre vinha diretamente do coração do escorpiano. Ao descobrir a gravidade do problema, Sage usou de sua sabedoria e descobriu uma forma de retardar a intensidade da enfermidade do Escorpião. Kardia havia desenvolvido uma espécie de contra-ténica, a qual primeiramente, teria a função de livrá-lo da doença. Todavia, tal técnica não havia sido bem sucedida, mas ao menos iria servir para controlar os efeitos da enfermidade, a retardando ao máximo. Tal controle, porém, precisava da ajuda efetiva do protetor da décima primeira casa zodiacal, o cavaleiro mais próximo do Escorpião, Dégel de Aquário. Kardia sabia que não lhes restava muito tempo de vida; com sorte, alguns míseros anos. Entretanto, mesmo ciente da morte iminente, concordou em receber a ajuda do amigo.

Desde quando não passavam de meras crianças aspirantes a cavaleiro, ambos haviam simpatizado de imediato. Dégel sempre tímido demais para se aproximar dos outros aprendizes, enquanto ele, Kardia, tinha um humor sádico que botava medo nos demais. Jamais alguém ousaria apostar que ambos, tão opostos, viriam a ser os bons amigos que atualmente haviam se tornado.

Ao saber da enfermidade do amigo, Dégel sentiu como uma pontada em seu coração. Desesperou-se, porém fora informado logo em seguida que ele seria uma espécie de cura para manter a chama da vida de escorpião ainda acessa. Pelo menos por um tempo...

Todavia, o sábio Grande mestre decidiu que quem contaria os detalhes sobre a intervenção da aura congelante de aquário na cura da enfermidade de escorpião, seria o próprio Kardia.

Desde então, Dégel visita diariamente a oitava casa zodiacal, logo após o pôr-do-sol. Concentra seu cosmo poderoso de forma afetuosa, e assim envolve o amigo.

Costumavam trocar olhares silenciosos, cúmplices, quando se encontravam naquela condição. Kardia podia jurar que o amigo lhe ocultava algo desde que seu tratamento havia começado, porém não achava certo pressionar o aquariano.

- Dégel... – sussurrou enquanto sentia a aura congelante envolver ambos os corpos ali unidos pelo abraço do aquariano. Já era comum aquele tipo de ato acontecer. Na verdade, aquário sempre fora muito carinhoso consigo, e ele, por sua vez, tinha verdadeira adoração por sentir seu corpo tão próximo do amigo. Sentia-se protegido, querido... Amado.

Amado? Cogitou por um instante a respeito de toda aquela demonstração de carinho e a mudança emblemática de Dégel...

...

Não, não era prudente fazer aquelas suposições, ainda mais na situação que se encontrava. Concluíra que a enfermidade havia lhe deixado carente, porém, jamais tomaria o alvedrio de supor uma coisa daquelas.

Amava sim, e muito, o aquariano, contudo, o tinha como um amigo fiel, um irmão, por assim dizer. E tinha plena certeza que o aquariano o via da mesma forma.

- Sim? – respondeu o aquariano com um resmungo, o que fez Kardia rir enquanto levava uma das mãos até o rosto do amigo, afagando a face alva e bonita.

- Não está dormindo ai escorado em mim, não?- divertiu-se Kardia, trazendo um distraído Dégel a realidade.

- Ahh, não eu... Bem eu estava só concentrado em meus pensamentos. Pensava em um livro que andei lendo sobre a mitologia de Poseidon... só isso... – respondeu o aquariano, abaixando o rosto, um tanto sem graça. Sentiu as faces ficarem coradas e buscou disfarça-las ao máximo, cobrindo o rosto com os cabelos lisos e esverdeados.

- Pensamentos literários? Sei! Estaria meu amigo intelectual apaixonado? – riu Kardia mais uma vez. Dégel estremeceu, sentindo uma fina gota de suor descer por seu rosto alvo. – Hey...que foi Dégel? Esta meio trêmulo... Eu disse algo que não devia?

Kardia se arrependeu do comentário, sabia o quanto Dégel era fechado em termos de relacionamentos amorosos e temia que o amigo o deixasse sozinho.

Virou o rosto, procurando encarar aquário e ver qual expressão se encontrava estampada em sua face. Para sua surpresa, o aquariano o fitava com o olhar receoso. O rosto, ainda levemente corado, dava-lhes uma beleza estonteante, sem contar que já era normalmente bonito. Kardia sabia o quanto o amigo era desejado, não só pelas amazonas do local, como também pelos próprios cavaleiros, e isso o incomodava em seu âmago. Não ia expor aquilo, mesmo porque era absurdo ter tamanha possessividade pelo amigo, por mais que o considerasse como um irmão.

Dégel fitava os belos olhos azulados do escorpiano, tomado cada vez mais pela sensação indescritível do hálito quente do mesmo batendo em seu rosto, o olhar penetrante, confuso, e não era pra menos. Aquele silêncio entre os dois estava, de fato, se tornando constrangedor. Por mais que gostassem de se observar, jamais estiveram com o rosto em uma proximidade tão grande; Muito menos com os pensamentos tão conturbados.

No interior do emblemático Dégel de aquário, um sentimento forte que nutria pelo amigo escorpiano crescia cada vez mais. Desde que começaram a passar mais tempo juntos, o aquariano se via cativado com tamanha força de vontade e garra que o amigo possuía. Logo acabou por sentir uma vontade inexplicável de tocá-lo, e foi assim que tal proximidade havia se dado entre eles. Sempre usando a desculpa de que, quanto mais próximos os corpos estivessem, mais efetivo seria seu poder congelante no coração febril de escorpião.

Logo mais, Dégel se pegou admirando não só as qualidades peculiares do amigo, como também seu físico, seu belo rosto, seu calor, seu cheiro. Semanas atrás havia então concluído que estava apaixonado por Kardia, porém, temia que se revelasse tal sentimento, o escorpiano fosse expulsá-lo de vez de sua vida. E isso o aquariano não poderia suportar.

Procurou então desviar suas atenções para a leitura que tanto apreciava, como bom intelectual. Dégel era sem dúvidas o cavaleiro mais inteligente entre os demais, sempre pronto para ajudar até mesmo o grande mestre e Atena com sua mente sagaz.

Fora criado em Bluegraad, na Sibéria, local onde todas as maiores preciosidades literárias se encontravam. Perdeu a conta das vezes que se infiltrava junto de seu melhor amigo de infância, Unity, dentro da desmesurada biblioteca do local, alimentando sua sede por conhecimento gradativamente. Bons tempos aqueles, mas nada se comparados com o presente.

- Novamente perdido em seus devaneios? – Kardia interrompia a concentração de Dégel, o trazendo de volta a realidade pela segunda vez. Ambos riram, voltando a se fitar.

Apesar da situação já estar se tornando desconcertante, nenhum dos dois ousava se afastar. Precisavam de tal proximidade? Talvez...

Receoso, Dégel resolveu abaixar o rosto, sendo surpreendido pela mão de Escorpião em seu queixo, trazendo seu rosto novamente para a altura anterior. Instantaneamente, Aquário sentiu o rosto ruborizar mais uma vez. Ao ver-se fitando aquele belo par de olhos mais uma vez, Dégel sentiu os batimentos cardíacos acelerarem. Buscou se controlar ao máximo, mas todo e qualquer esforço fora inútil.

Percebendo o estado que o amigo se encontrava, Kardia levou uma das mãos até o rosto do mesmo, acarinhando-o no rosto mais uma vez. Percorreu com o indicador todos os detalhes do semblante de aquário, notando o quão os lábios deste eram rosados... Convidativos...

Fechou os olhos, buscando tirar a imagem tentadora de sua mente.

Aquilo era absurdo. Como podia desejar os lábios de seu amigo?

Sem pensar em mais nada, assim que viu Escorpião fechar os olhos, Aquário sentiu como se o amigo fizesse um convite mudo.

E seguindo sua intuição, deixou que seus olhos cerrassem, enquanto os lábios pressionavam os de Kardia. Sentiu a textura macia destes, buscando timidamente aprofundar o beijo.

Kardia, por sua vez, se encontrava completamente abstruso. Aturdido! Por mais que - vez ou outra - cogitasse a possibilidade de - no seu mais íntimo - desejar o amigo querido como algo acima de qualquer amor fraternal, julgava que aquilo seria sofrimento demais. Sabia muito bem que sua vida não iria durar muito. Sabia que se envolver com alguém, especialmente Dégel, era crueldade demais. Não queria que o aquariano sofresse com sua morte certa. Não queria criar no outro expectativas de um futuro que não iria existir.

A mera possibilidade de ver Dégel sofrendo o apavorava.

No entanto, ao sentir-se tão carinhosamente beijado por aquele ser tão querido e precioso para si, não conseguiu evitar os próprios impulsos, e aquilo que a tanto jazia escondido em seu interior mais íntimo parecia clamar por liberdade, vigorosamente.

Dégel era o único que conseguia ver o lado humano de escorpião. O único que podia tocá-lo sem receio. Chamá-lo de amigo e confiar nele. Também fora o único que tivera o prazer de vislumbrar um sorriso sincero, sem a ironia predominante. Talvez por isso o intelectual aquariano havia se deixado apaixonar pelo sádico escorpião. O conhecia tão bem quanto a si próprio, e o amava incondicionalmente desde então.

O beijo repentino e inocente parecia ganhar mais ímpeto gradativamente, logo as mãos frias de Dégel começavam a acariciar cuidadosamente a região onde o coração doente do amigo ficava, sentindo que este agora pulsava disparado.

Teve medo. Fez menção de resetar o rosto, mas uma mão possessiva segurou-lhes a face, impedindo o cessar do beijo.

Línguas, gostos, toques, sensações indescritíveis eram trocadas durante o ato. Kardia contornava os lábios do amigo com os seus próprios, os roçando de forma carinhosa. Dégel, sem poder conter-se, delineava com a língua os lábios de escorpião, e em resposta, teve seu lábio inferior tomado em um leve chupão. As línguas passeavam, cheias de ardor, explorando ambas as bocas. As mãos acariciavam mutuamente os corpos dos recém-descobertos amantes.

Após alguns minutos de cumplicidade, e o beijo se findou. Ambos os amigos se fitavam, agora receosos.

Por mais que aquela situação fosse até previsível, no interior de cada um, vivenciá-la era algo surreal demais.

E novamente um silêncio constrangedor tomou conta do local...

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N/A: Obrigada pelo review, Suh! E quanto a você, Lucky, obrigada pelos risos e conversas. Aqui está o 1º capítulo !

Já aviso que vou mudar a aparência dos dois, de acordo com as colorações de pele, cabelo e olhos do anime The Lost Canvas.

E pasmem, Dégel ganhou olhos cor lilás.

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