II - Selena

Selena Newman aparatou em Hogsmead, e se dirigiu a uma loja em busca de uma roupa mais adequada para a ocasião, não ligou para os olhares que a seguiam, com certeza estava chamando atenção, não havia pensado nessa dificuldade, fora realmente embaraçoso o olhar com que foi recebida no ministério. O bruxo que pesava as varinhas a olhou de modo estranho e pelos corredores todos a haviam notado, até que na sala de espera ela finalmente perguntou a atendente o que estava acontecendo e ao ouvir a explicação seu rosto ficou vermelho de raiva.

– Minhas roupas, o que têm elas? – Selena perguntou à moça ruiva que lhe atendia.

– Sa... São roupas trouxas e totalmente inadequadas – a moça segredou – eu adoro usá-las quando vou à parte trouxa de Londres, porque são mais sensuais e marcam o nosso corpo, mas aqui nós não podemos usá-las.

A ficha caiu – "estúpida" – eles se vestem de maneira formal parece que vivem em outro século, outro mundo. Bom pensando bem estão mesmo em outro mundo. Tudo aqui é diferente, sabia que a sociedade bruxa da Europa era tradicional mais assim era demais, foi até o banheiro e olhou-se no espelho.

Ela usava uma bermuda jeans preta cintura baixa, um top preto bordado um casaco preto que ela trazia nas mãos para qualquer eventualidade, nada de mais, até achava que estava formal para o seu gosto, imagina se estivesse de short e camiseta que era o que o tempo pedia, aquela era uma manhã muito quente para os padrões de Londres isso na sua terra seria tido como sendo corriqueiro.

Então tirou sua varinha e murmurou um feitiço de transfiguração e logo suas roupas se transformaram em um vestido preto comportado, deixando seu colo e os braços de fora, manteve o casaco, deu uma voltinha resolveu prender os cabelos deixando cair alguns cachos, embora fosse uma bruxa de seus quase quarenta não aparentava seu corpo esguio com pernas bem torneadas, cintura marcada, seu ar travesso a fazia parecer mais jovem do que era, não se achava bonita tinha a pele morena tão comum na sua terra, traços indígenas lábios bem marcados covinhas quando sorria, olhos negros, cabelos negros ondulados, herança de sua mãe uma trouxa brasileira, embora seu pai fosse inglês os traços físicos que predominaram foram os maternos, tinha altura mediana e busto que ela achava horrorosos por serem grandes mas que ali ela sabia seriam apreciados, na verdade isso ela já sentira,alguns olhares masculinos a atingiram ali.

– Bom isso já chega!

Saiu e deu uma olhada para a assistente que com um sinal aprovou o visual, deixando-a mais segura para sua apresentação.

No ministério tudo foi rápido conferiram suas credenciais e seus documentos e ela foi liberada com votos de boas vindas. Arthur Weasley agora Ministro da Magia, foi muito simpático e lhe falara que seus netos estudavam em Hogwarts e que com certeza ela logo os reconheceria, pois tinham a marca registrada dos Weasley, os cabelos ruivos. Selena foi orientada pela moça a ir até Hogsmead que era o centro comercial mais próximo da escola para ser atualizada na moda bruxa e não fazer feio na escola.

Entrando na lojinha ela foi bem recebida, especialmente quando se apresentou. Escolheu alguns trajes e por mais que ela tentasse não escapava do preto essa era sua cor preferida mesmo antes do que havia acontecido, olhando-se no espelho seus pensamentos foram para longe num passado recente e ainda doloroso, agora ela se sentia praticamente obrigada a introduzir uma cor no seu vestuário então sempre optava por alguns acessórios coloridos pequenas coisas só pra quebrar o tom sombrio que agora parecia ser sua aura,algo um tanto triste e melancólico.

Feito isso foi até a lojinha de doces e fez a festa, afinal chocolates eram um dos seus prazeres secretos. Passou por uma pequena livraria – Verbo ad Verbum – resolveu entrar e foi direto a seção correspondente a sua área o que foi um completo desagrado, tinha alguns livros antigos de edições quase que totalmente defasados, se a biblioteca da escola fosse assim então não se admirava os problemas que os rapazes e moças um do seu agrado olhou e viu um sobre tradições da sociedade bruxa britânica e resolveu comprá-lo não estava disposta a passar outro vexame. Estava tão distraída olhando os livros que não percebeu um vulto que também estava totalmente absorvido em sua leitura, foi um esbarrão daqueles, seu livro caiu e ela por pouco não foi ao chão, só não caiu porque braços fortes a seguraram.

– Desculpe-me a culpa foi toda mi...– foi interrompida por uma voz ríspida.

– A Srta não olha por onde anda?

Como eu ia dizendo, eu estava distraída – mas ao olhar para o rosto do homem aquele olhar frio a intimidou. Ele ainda segurava seu braço.

– Desculpa – ela falou timidamente.

– Já ouvi não sou surdo. Acho que a Srta é um perigo, devia prestar atenção por onde anda. – Ele falou de modo grosseiro.

Largou-a e apanhou os livros afastando-se sem dar a mínima para a expressão de revolta que se formara no rosto dela.

– Quem ele pensa que é! – seu rosto estava vermelho com calor que subiu na sua face.

– Mal educado! – ela disse.

Ele já estava na porta, mas se virou para ela.

Ela instintivamente levantou o queixo em um tom desafiador. E se voltou para a estante tentando recobrar o decoro. Estava furiosa e odiava perder o controle.

– Aquele homenzinho, argh! Bufou de raiva.

Ouviu o barulho da porta sendo batida.

Respirou fundo, tinha que esquecer o incidente, afinal ela ia recomeçar sua vida, não ia permitir que esse incidente estragasse o seu humor.

Selena foi orientada para seguir a estradinha que a levaria a escola, caminhava envolta em seus próprios pensamentos, soubera da guerra bruxa que ocorrera ali naquele local, ao andar imaginava como teria sido terrível quanta dor e quanto sofrimento, quantas vidas foram perdidas por causa da sede de poder, ódio racial, pura maldade, felizmente a guerra não chegara tão diretamente em seu país lá as coisas eram tão diferentes, mas todo mundo bruxo sofrera, muitas famílias fugindo da guerra tinham se refugiado no seu país, sua família, porém havia se radicado lá antes mesmo da primeira guerra.

Lá não havia a possibilidade desse tipo de coisa acontecer, era difícil encontrar "puro-sangue" e se não houvesse a miscigenação as famílias bruxas teriam desaparecido, alguns estudos mostravam que justamente essa mistura fazia muita diferença e o toque de magia indígena associado ao africano tinham fortalecido em muito os poderes dos bruxos nascidos dessa união, a magia parecia funcionar como a herança dos genes recessivos e as misturas eram muitas, diversas famílias trouxas tinham filhos bruxos, cresciam sem nenhum tipo de preconceito uma vez que cresciam juntos com os não bruxos, mas no Brasil até os não bruxos tinham um "que" de bruxaria, pelo número de pessoas que tinham premunição sabiam interpretar sonhos com diversos propósitos sabiam fazer simpatias que eram pequenos feitiços e como ali fervilhavam diversas raças as magias se encontravam fossem ocidentais ou orientais ou até mesmo nativas todos conviviam em paz.

Sim era impossível haver ali tanta intolerância como havia ocorrido nesse local. Mas é claro nem tudo são flores o que mais dificultava era o acesso a cultura a educação bruxa. Muitos bruxos eram educados por suas próprias famílias nem todos tinham a sorte de cursar a universidade.

Selena completou seus estudos na Escola de Formação de Bruxos da Amazônia e sua pós-graduação no Instituto das Bruxas de Salém na América, lá terminara seus estudos com louvor e retornara para sua terra onde desenvolvia suas atividades na sua antiga escola e tinha um consultório na cidade com clientela variada, isto é, bruxa e trouxa. Agora tudo mudara, ela tivera necessidade de se afastar por isso fora primeiro para os EUA e depois enviara seu currículo para essa vaga na Inglaterra que pra sua surpresa tinha sido aprovada e ali estava ela, com um novo desafio esquecer o passado e recomeçar.

Quando viu a imponente arquitetura do castelo, seu coração acelerou era muito mais do que sonhara, atravessou o gramado, respirou fundo e entrou, falou com o porteiro se apresentado e foi conduzida para a sala da diretora que segundo ele já a esperava, no caminho ficou abismada era tudo fantástico aquela atmosfera era encantadora viu o salão, os fantasmas, sorria para si e para o mundo, era um sonho, pensou que se tivesse estudado num lugar assim quantas coisas teria aprendido mais rapidamente, porém ela não tinha do que se queixar claro que a escola na América " Universidade de Magia Salém" não tinha esta atmosfera mas tinha um corpo docente de primeira não tão tradicional mas extremamente avançado, mas aquele lugar era sensacional ela tinha alguns conhecidos que estudaram ali e que sempre falaram com carinho deste lugar que era especial para os bruxos, um amigo em particular que a muito não via e a fizera rir muitas vezes quando lhe falava de suas aventuras.

– Entre, já a estávamos esperando, espero que sua viajem tenha sido agradável. Com a voz em um tom ao mesmo tempo suave e contido, Minerva a cumprimentou.

– Sou Minerva McGonagall, diretora de Hogwarts, e estendeu a mão delicadamente.

– Selena Newman,– falou enquanto cumprimentava Minerva. - Estou feliz por estar aqui e por ter sido aceita para o cargo, sua escola é muito famosa e tradicional em todo o mundo bruxo.

– Creio que a Srta irá se adaptar perfeitamente aqui, seus aposentos já estão prontos, suas malas já estão lá a sua disposição, espero que tudo esteja ao seu gosto. O período letivo ainda não iniciou e, portanto teremos algum tempo para nos conhecermos, alguns professores ainda não chegaram, mas a maioria já está aqui.

Dizendo isso Minerva, observava a face feliz da nova professora.

– Professora Minerva, não sou muito afeita a formalidades, espero que possamos realmente nos tornar amigas e apreciaria que a Sra. me chamasse pelo meu primeiro nome, Selena.

– Então comece me tratando por Minerva. Aceita um chá de rosas? Sei que vocês preferem café, no seu País, mas este é muito delicioso, experimente. As duas mulheres deram-se muito bem e a conversa foi animada que nem viram o tempo passar.

– Querida me desculpe eu soube pelo Ministério o que aconteceu e lamento muito. Creio que aqui você vai se recuperar rapidamente. E acrescentou junto a sorriso acolhedor, um aperto de mão ainda mais reconfortante.

Selena abriu um sorriso doce, mas ao mesmo tempo triste.

– Obrigada Minerva, era tudo o que eu queria ouvir.

– Se precisar de mim estarei as suas ordens, também sei o que é perder alguém.

Um silencio se seguiu por alguns instantes, mas logo Minerva se recuperou.

– Vamos jantar? Minerva convidou.

Levantaram, e caminharam em direção ao salão.

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N/A – Selena Newman: Selena vem do grego e é relativo à lua e Newman é homenagem ao ator Paul Newman.

Verbo ad Verbum – do latim "palavra por palavra", criação minha afinal um comércio perto de uma escola tem que ter uma livraria básica.

N.A Chá de Rosas

Ingredientes:

Água: 4 chávenas de chá
Rosas: 6
Água de rosas : 1 colher de café
Açúcar: q.b.

Preparo:

Coloque a água numa chaleira e leve a lume alto. Quando ferver, coloque as pétalas de rosa e deixe-as em infusão durante 5 minutos. Retire e junte a água de rosas. Adoce a gosto e sirva imediatamente.