Nota da Tradutora:

A fics está sendo revisada, logo, todas as respostas de reviews que eu havia feito em cada capítulo não serão postadas novamente, ok? Quando eu postar o próximo capítulo (que, no momento, é o de número dez) eu voltarei a responder cada review em seu respectivo capítulo seguinte. Espero que vocês entendam. E, só pra constar, eu passei bastante tempo traduzindo os parágrafos onde o Draco divaga. Ele é complicado (e perfeito)!


Última Vez:

Chovia em Hogwarts, e a chuva batia na janela quando ela foi para sua cama. Um flash de luz fez um traço no céu, iluminando o rosto de Hermione, e o barulho do trovão veio em seguida. Hermione puxou a cortina escarlate de sua cama e a fechou por completo. Ela se deitou e puxou os lençóis também escarlates (e dourados) para se cobrir, e dormiu. Mesmo que ela esperasse vê-lo ali, toda vez que via a cortina iluminada pela luz dos trovões. Ele estava em todo lugar, era infalível, não era?


Capítulo 2 – Poção Venenosa: Gato e Rato

Hermione acordou uma hora antes de suas colegas de quarto e tomou um banho, aplicando grandes doses de corretivo em seu rosto. Mais ou menos na hora em que Parvati e Lavender levantaram, ela estava sentada em sua cama, já de uniforme e com o cabelo arrumado, fazendo alguma lição que ainda não havia sido passada.

"Hermione! Como você pode estar fazendo lição? É o primeiro dia e aula!" queixou-se Lavender.

"Eu pedi lição de casa extra a McGonagall para o Verão, Lavi." Hermione disse baixinho, olhando para o pergaminho onde escrevia. Parvati gemeu e jogou um travesseiro na morena.

"De volta ao que era antes, aparentemente." ela sussurrou para Lavender. Elas sorriram uma para a outra e começaram a se arrumar.

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Hermione desceu as escadas e deu uma olhada em volta do Salão Comunal. Harry e Ron estavam jogando xadrez enquanto esperavam por ela.

"Garotos! Nós vamos nos atrasar pro café da manhã, vamos!" Hermione disse, exasperada.

"Mas Hermione, a gente tem que terminar esse jogo! Vai indo na frente!" Ron exclamou em resposta.

Hermione lançou um olhar apreensivo para o buraco do retrato, onde um grupo de alunos do sétimo ano estava conversando.

"Mas Ron..." ela choramingou, balançando a cabeça na direção do grupo. Harry rolou os olhos.



"Hermione, você é muito tímida! O que você acha que eles vão fazer? Comer você? Te assar no fogo como um monte de bárbaros? Eles são Grifinórios!"

Hermione simplesmente continuou parada, e Ron suspirou.

"Ei, vocês aí! Deixem Hermione passar pelo retrato, por favor!" ele gritou. Hermione pareceu devastada e balançou a cabeça freneticamente, olhando para os garotos que agora estavam rindo e caçoando dela.

Ron gemeu, puxou Harry pelo braço, e levou Hermione através dos garotos até o Salão Principal. Ela sorriu agradecida quando os garotos sentaram-se aos seus lados.

"Hermione, você precisa superar essa timidez!" Harry exclamou. Hermione sorriu ligeiramente e comeu sua comida, olhando para seu prato como sempre faz. Harry rolou os olhos e decidiu deixar pra lá.

O correio coruja chegou apenas alguns minutos depois, e todos olharam, menos Hermione. Logo, a morena estava mais surpresa do que qualquer um quando duas cartas caíram em seu colo, cortesia de uma coruja desconhecida. Ela abriu uma vermelha, porque a cor chamou sua atenção.

Querida Hermione,

Como está Hogwarts? Está se divertindo com Harry e Ron? Espero que sim. Seu pai e eu vamos para uma viagem de aniversário em Majorca, estou muito empolgada. Parece ser realmente exótico para um casal de dentistas, não é? Don vai ter a casa toda pra ele, tenho certeza de que irá gostar!

Eu gostaria de poder escrever uma carta maior, mas eu tenho um paciente que está chegando para tirar o dente do juízo e estamos sem anestésico... É melhor eu correr atrás de um novo estoque.

Com amor,

Mamãe.

P.S: Papai disse para você comer uma maçã a mais por dia, novas pesquisas mostram que elas realmente ajudam seus dentes mais do que pensávamos!

Hermione sorriu vagamente. As cartas de seus pais eram sempre curtas, mas eles sempre tiravam sarro no fim. Ela pegou sua outra carta, uma branca com uma rosa vermelha no topo.

"Oh, Hermione recebeu uma carta de amor!" Ron brincou. Hermione corou e balançou a cabeça.

"Não é, não!" Foi tudo o que ela conseguiu dizer. Colocou a carta embaixo de sua perna e continuou a comer. Ela a leria mais tarde.

Na aula de Poções, já que tinha terminado de fazer suas anotações e esperava os outros terminarem as suas próprias, ela discretamente pegou a carta e a abriu. Queria que fosse de seus pais novamente, talvez uma nota póstuma, ou talvez de sua amiga por correspondência na Suíça, Stina Olskie. Mas quando ela a abriu e viu a letra em preto no topo, seu sangue congelou. Era dele...



Malfoy se sentou de modo mais confortável depois de terminar suas anotações, e deu uma olhada em volta com desinteresse. Ele estava com muita preguiça depois de seu luxurioso verão para tirar uma com a cara dos Grifinórios, e até mesmo para tirar vantagem do favoritismo de Snape. Ao invés disso ele se sentou, observando os Grifinórios e Sonserinos interagirem sem se impressionar. Eles eram tão hostis uns com os outros, tudo por causa de uma porcaria de casa! 'Oh, você está vestido de verde, você é mau e está planejando me matar!' ou 'Oh, você está usando escarlate, você deve ser um bonzinho babaca com uma vara na bunda!'. Ele nunca havia acreditado na ilusão de que pessoas de casas diferentes eram diferentes (elas eram todas iguais), isso era só uma desculpa para fazer com que os outros conhecessem seu próprio desprezo. Se pelo menos houvesse alguma maneira de desabafar seu desgosto por Sonserinos, ele refletiu. Ele realmente odiava todo mundo. Eram todos iguais para ele, indignos de seu tempo, só de seu desdém. Gente com mente pequena, crianças prejudicadas, tão ingênuas, tão crédulas, sem ao menos saberem disso!

Seus olhos caíram em Hermione, e ele se sentiu ligeiramente bobo, olhando suas feições, a epítome de alguma experiência dolorosa. Ela conhecia o lado malvado do mundo... Não muito, mas um pouco. Talvez ela fosse a exceção de sua avaliação. Enquanto ele a olhava, pensando em qual parte em particular do lado malvado do mundo ela tinha conhecido, ela discretamente tirou uma carta do bolso de sua capa, olhando para ter certeza de que ninguém a tinha visto. Ela abriu a carta devagar, e só com a vista do topo seus dedos congelaram, e ele podia ver horror estampado na face da garota. Seu interesse aumentou. Tudo o que ela podia ver era o topo, e ela estava morrendo de medo? Talvez dissesse 'Voldemort e Companhia', ou algo do gênero. Malfoy riu ligeiramente para si mesmo quando ela tirou o resto da carta do envelope e o leu; observando a enxurrada de emoções que passaram por seu rosto expressivo. O que ela estaria lendo? Ele se sentiu possuído por uma repentina urgência em descobrir. O que fez a Grifinória ficar tão assustada?

Hermione guardou a carta com as mãos tremendo. Ela maldisse a carta quando observou suas anotação de Poções, não percebendo que seu nome estava sendo chamado até que alguém bateu com força em sua mesa.

"Senhorita Granger? Responda a pergunta." – disse seboso Snape, as sílabas deslizando pelas orelhas de Hermione como vento. Hermione empalideceu ao olhar para a expressão maliciosa na cara de Snape.

"Uh... Eu... Professor" – ela gaguejou.

"A poção fermentaria, e se tornaria altamente venenosa para humanos." – disse uma voz tranqüila de algum lugar da sala.

Todos, até Hermione, se viraram para ver quem havia respondido. Snape o olhou como se ele tivesse estragado sua diversão e Harry e Ron também o fizera; porque quem o havia feito era ninguém mais, ninguém menos que Draco Malfoy. Os outros estudantes voltaram a suas anotações, porque era o Malfoy, e ele era imprevisível. Quem sabia o que ele estava a fim de fazer? Só ele e Hermione ficaram se olhando, olhares bloqueados por causa das cabeças de seus colegas. Draco levantou uma sobrancelha sugestivamente e Hermione olhou para baixo, incapaz de encarar seus penetrantes olhos cinzas... Ela se sentiu como se eles fossem tirar todas as suas barreiras, derrubar sua fachada de proteção e deixar apenas a pequena garota crua e machucada nua para o mundo zombar. Ela voltou para as suas anotações, resmungando alguma coisa para si própria momentaneamente antes de copiar o que a varinha de Snape escrevia na lousa. Toda a sua concentração se voltou para as lições e quando ela pensou em olhar pra outro lugar que não fosse seu caderno, a aula acabou. Ron puxou seu braço.



"Vamos, Hermione! A gente vai se atrasar pro almoço!" ele disse avidamente, imaginando muita comida boa. Depois de tudo, Snape deixava as pessoas com fome (ou enjoadas, mas nesse caso, com fome).

Hermione assentiu, sorrindo ligeiramente se tranqüilizando, e seguiu os garotos pelo corredor. Eles tinham dado só alguns passos quando ela percebeu que havia esquecido seu material.

"Garotos! Eu deixei minha pena na sala!" ela exclamou, olhando para a sala de aula e em seguida para os dois garotos. Eles pareciam famintos.

"HERMIONE! Eu realmente preciso muito comer!" Ron choramingou, balançando os ombros e passando a língua em seu lábio inferior.

"É, eu também." Harry concordou. Hermione olhou de volta para a porta da sala de Poções, depois de volta pra eles, e depois de volta para a sala.

"Mas... Bem... Tudo bem. Não se entupam de comida!" ela disse, meio brincando, meio rabugenta. Harry e Ron sorriram e foram embora. Hermione olhou para a porta da Sala de Poções de novo. Não tem ninguém lá, Hermione! Até o Snape já foi almoçar! Ela pensou, andando determinada na direção da porta aberta. Enfiou a cabeça na sala e deu uma olhada antes de entrar. Onde estava sua pena? Ela não tinha deixado na sua carteira? Deu um passo para trás quando viu Draco Malfoy, sentado no lugar em que sempre senta, sorrindo de modo tolo para ela. Como ela não o tinha visto?

Ela teria saído correndo na hora, mas percebera que sua pena estava ali, embaixo das mãos pálidas do rapaz, convidando-a para ir pegá-la. Ela simplesmente observou por um momento, e depois olhou para Malfoy. Alguma coisa desconhecida passou pelos olhos gélidos dele, e ela se arrepiou. O que ele queria com ela? Ela deu um passo em sua direção e viu seu sorriso se alargar. Gato e Rato, Gato e Rato... Era tudo o que passava em sua cabeça quando ela se adiantou um pouco mais em direção a sua pena, sem nunca olhar para o loiro. Porém, quando ela conseguiu finalmente pegá-la o gato colocou a mão na dela mais rápido do que ela pôde perceber, e o rato estava sem saída.

Os olhos de Hermione se arregalaram quando ela tentou puxar sua mão pequena que jazia seguramente na mão dele, maior e pálida, em vão. Ela então olhou para ele e pôde perceber como seu sorriso havia se alargado: seus dentes brancos brilhando em uma mágica perfeição, como se eles estivessem zombando dela...

"Me deixa ir..." ela disse, sua voz devendo ser autoritária, mas não saindo em nada mais do que um sussurro aterrorizado. Todos os músculos se seu corpo estavam tensos, prontos para disparar assim que ele a deixasse ir embora.

"O que tinha na carta?" ele perguntou, incapaz de tirar o sorriso triunfal de seu rosto, mesmo seu tom estando sério. Ele tinha pegado o rato.

"Não era nada." soou como uma mentira até para ela. A feição do garoto não parecia mais triunfal, parecia carnívora.

"Quem te mandou?" ele perguntou, sentindo o cheiro antecipado da vitória. Ele sabia que ela diria, mesmo que relutantemente.

"Ninguém importante." a voz de Hermione falhou ligeiramente e ela se forçou a tomar quantidades maiores de ar para conseguir respirar.



"Quem?" ele acentuou sua pergunta trazendo a morena para perto dele, observando seus olhos selvagens quando eles se encolheram e ela se debateu novamente. Ele a segurava firme.

"Meu… T-tio D-don." Hermione gaguejou, incapaz de tentar mentir para o rapaz que a segurava com a mão e também com os olhos. Ele saberia, ele veria. Ele não podia ver tudo?

"Você tem medo do seu Tio Don?" Malfoy perguntou calmamente quando ela desviou os olhos dos seus e passou a observar o chão. A morena lentamente recuperou um pouco de bom-senso.

"Não." ela sussurrou, ainda olhando para o chão.

"Você tem medo de mim?" ele perguntou, sorrindo de novo. Sabia que ela estava mentindo, mas também sabia que não conseguiria arrancar muito dela... Hoje. Seus olhos colidiram com os dela mais uma vez, o medo evidente neles.

"Não... Sim." respondeu, sendo cativada mais uma vez pelos olhos dele (que lhe pareciam tão poderosos para sua vulnerabilidade). Ele sorriu quase abatidamente, e sua mão soltou a dela tão rápido quando a tinha pegado antes. A reação de Hermione demorou um pouco para aparecer, ela ficou simplesmente olhando para ele antes de perceber que a tinha deixado ir. Sua mão se fechou em volta da pena e ela a olhou chocada, depois para ele de novo, totalmente transtornada. Quem sabia as regras para esse jogo? Ela deu um passo para trás e tropeçou em sua capa, antes de se virar, e lançar um último olhar para ele. Seu espanto e confusão se transformaram em medo e ela correu para fora da sala, derrubando a pena que tinha tido tanto trabalho para recuperar e nem ao menos ligando. A risada dele a seguiu, zombando dela enquanto se repetia em sua cabeça, dolorosamente clara.

Ele a escutou correndo nos corredores, fugindo dele. Tudo o que ele tinha feito era segurar sua mão e a perguntar sobre uma carta. Não pode se segurar, ele riu. Riu muito enquanto abaixava e pegava a pena que a morena havia derrubado, rodopiando-a em seus dedos assim como queria rodopiar sua pequena sangue-ruim. Um novo jogo.

Brincar de Gato e Rato com Hermione Granger era aparentemente mais interessante do que ele podia pensar...