Para a minha pequena Rin-chan... Sempre vou te amar, fofinha!
Notas da Autora – Hello!!!
Eu sei, eu sei. ¬¬ Demorei meses para atualizar esse fic, mas tive meus motivos. A falta de reviews me desanimou bastante, então fiquei enrolando para publicar o segundo capítulo. Depois minha amiga a qual eu dedicava o fic não está mais entre nós... Isso está sendo muito difícil de superar. ..
Contudo, estou continuando por ela. Rin-chan, aqui está o segundo capítulo, meu amor. Lis-sama ama muito a Rin-chan. Será sempre por você!
Então aqui está o segundo capítulo. Espero sinceramente que gostem e comentem, por favor. \o/
Agradecimentos a Dany que revisou para mim. Ai, ai, não sei o que seria de mim sem minhas amigas que sempre me ajudam. XD Beijos, querida!
Ah, muito obrigada também aos reviews do capítulo passado. Espero que continuem acompanhando a história e comentando. \o/ Beijos especiais a Mitzrael Girl (Você sabe que eu te amo, né? Muito, muito, muito mesmo! XD), Pyoko-Chan, Jéssica, Carol, Rin-chan (Quando lembro que nunca mais terei um comentário seu, eu me sinto tão triste...), Kagome-chn LP, Srta. Kinomoto, Lillyth, Thata chan, Helena (Minha sobrinha fofa e chata. XD Tia Lis e tio Dean amam muito você! D) e Claudia.
Por enquanto é só...
Até o próximo capítulo. o/
Beijos,
Lis-sama
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Tudo que Preciso é Você
By Palas Lis
For Rin-chan
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Capítulo 1
O Início da Glória de Outros
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Terras do Oeste – Castelo da família Inokuma
Por que os seus dias pareciam tão irritantemente tediantes e irritantemente comuns? Nada diferente acontecia em sua vida naquele castelo, e isso não agradava em nada Inokuma Sesshoumaru, o filho mais velho, o primogênito, do youkai rei das Terras do Oeste.
Ele era um rapaz de vinte anos, sem expectativa de vida, sem um caminho a seguir, sem um objetivo ou um sonho de vida. Apesar de ter tudo dentro do castelo, parecia não ter nada dentro de si. Parecia um infeliz condenado a viver tudo aquilo. Um infeliz condenado a viver.
Em uma sala ampla do castelo, ele estava sentado na soleira da janela, olhando fixamente em direção ao horizonte, analisando sem expressão no rosto as cores do céu naquele fim de tarde. Não tinha interesse no que via, mas também não via interesse no que o chefe da guarda de seu pai dizia.
Pior ainda que viver naquele castelo era ter de cumprir as ordens de seu pai. Não gostava de receber ordens, ainda que elas viessem de seu genitor. E sua presença naquela sala não era feito de livre e espontânea vontade, seu pai lhe mandara que estivesse ali.
Frente ao rei Inokuma Taisho, pai do príncipe primogênito das Terras do Oeste, estava o general de seu exército, chamado Onigumo Naraku, de cabeça baixa. A voz fria e sombria dele ecoou no ambiente em que estava – o que fez Sesshoumaru contrair imperceptivelmente o rosto.
- Foi inevitável o ataque, meu rei.
Sesshoumaru não escondia de ninguém sua antipatia por Naraku e não foi diferente naquele momento: estava de costas para o homem que conversava com seu pai, mostrando todo seu desprezo pelo youkai com seu ato de desinteresse.
Torceu levemente o nariz ao sentir o cheiro que estava impregnado no general: era sangue humano... Um desagradável e percebível cheiro humano. Se respirasse um pouco mais fundo, conseguiria sentir até mesmo o cheiro de lágrimas em suas vestes de combate. Aquele cheiro era insuportável e se irritou por Naraku se colocar diante do rei cheirando naquela maneira putrefata.
- O que aconteceu, Naraku? – Taisho perguntou, numa pose pensativa: os cotovelos apoiados na mesa e queixo nos dedos entrelaçados. – Por que aconteceu esse ataque? Quero que explique-se, imediatamente.
- Uma fonte segura me alertou dos planos secretos do rei Toshiro de atacar-nos essa noite. – Naraku mentiu, em reverência ao senhor. – Taisho-sama disse que em casos supremos, poderia ser feito um ataque... – um sorriso se formou nos lábios nele, sem que o rei notasse. – Foi exatamente o que fiz...
- Como foi o ataque? – Taisho suspirou e recostou o dorso no encosto da confortável poltrona que estava sentado.
- Devastador. – o moreno disse, sério.
O rapaz que estava sentando na janela, o filho mais velho do rei, olhou o homem pelo canto dos olhos, percebendo o tom maldoso que ele usou para descrever o ataque ao reino das Terras do Leste. Abnegativo, Sesshoumaru voltou os olhos para fora do castelo, vendo o céu já começando a escurecer.
- Rei e rainha foram mortos, assim como todos os filhos deles... – Naraku continuou a contar o ataque, sem deixar que o rei visse seu sorriso de satisfação pela destruição da família real das Terras do Leste.
- Isso quer dizer que no reino Leste não há mais pessoas da realeza? – Taisho deu um sobressalto na poltrona que estava, tamanho sua surpresa.
- Hai, meu rei. – Naraku continuou. – A linhagem real das Terras do Leste se extinguiu por completo... Por minhas próprias mãos...
- Isso quer dizer... – Taisho começou, preocupado.
- Taisho-sama é o único rei de toda Edo.
Um suspiro de frustração escapou dos lábios do rei, enquanto passava a mão pelo cabelo prateado. Não era assim que queria que as coisas tivessem terminado, não mesmo. Tinha muitas coisas que resolver, depois que recebeu essa notícia trágica. Edo todo estava em seu poder e isso exigiria duplo cuidado.
- Restou um sobrevivente, meu rei... – Naraku falou, endireitando-se e fitando o rei, que olhava-o com cara de interrogação. – A herdeira caçula do reino Leste, uma garotinha humana...
- E onde está? – Taisho quis saber.
- Está presa. – foi a resposta do chefe da guarda. – Quer decidir o que fará com ela, meu rei?
- Iie. – Taisho fez um gesto de impaciência com a mão. – Tenho coisas mais urgentes a tratar do que uma criança humana.
- Então eu mesmo decidirei o destino da garota... – Naraku sorriu internamente, não conseguindo segurar que seus lábios se curvassem num sorriso. – A morte dela será muito pouco pela ousadia do rei Toshiro em querer atacar-nos...
- O que tem em mente, Naraku? – Sesshoumaru falou, levantando-se e colocando-se frente ao moreno, impassível.
- Ela é bonita e será uma escrava perfeita... – ele encarou o príncipe momentaneamente, mas desviou os olhos logo em seguida, por questão de respeito a sua posição superior. – Quem sabe até uma concubina...
Sesshoumaru permaneceu olhando para Onigumo Naraku, com o rosto sem sentimentos ou emoções. Sabia que Naraku tinha prazer em matar, mas não que chegaria a ponto de destruir uma família real por completo. Isso fez somente com que Sesshoumaru o repudiasse ainda mais.
- Meu rei – Naraku se virou para Taisho, deixando de lado o primogênito. –, acho necessário que nomeie um de seus filhos para sucedê-lo... Nunca se sabe o que pode acontecer, não é mesmo...?
- Não posso escolher Inuyasha, ele é filho de uma escrava humana. – Taisho fez uma careta, com a imbecilidade de Naraku. – Será Sesshoumaru, meu filho mais velho e de puro sangue youkai.
- Eu não quero ser rei. – a voz fria de Sesshoumaru fez os dois olharem para ele no mesmo instante. – É uma perda de tempo governar Edo no estado em que ela se encontra.
Naraku trincou os dentes de raiva, fechando a mão em punho, até sentir as unhas cravarem na palma, mas relaxou os dedos, para não perfurar a pele e o rei e o príncipe sentirem o cheiro de seu sangue. Maldito Sesshoumaru! Uma idéia surgiu na mente de Naraku e ele deu um pequeno sorriso... Talvez, essa opinião de Sesshoumaru colaborasse para com seus planos...
- Você não pode recusar ser rei, Sesshoumaru. – Taisho falou, sério; o tom autoritário de um rei falando mais alto que o tom calmo paterno. – É o único que posso escolher, você sabe muito bem nisso.
- Escolha seu filho bastardo. – Sesshoumaru fez o pai zangar-se e colocar-se de pé, frente a ele. – Não vê que é inútil querer colocar-me como rei de um reino que está se extinguindo?
Taisho estava acostumado com as pessoas inclinar-se quando ele mostrava-se imponente frente a elas, mas Sesshoumaru continuou ereto e majestoso, olhando o pai de igual para igual. O genitor não pôde deixar de admirar a ousadia do filho. Sesshoumaru realmente era digno do sangue puro que tinha correndo em suas veias.
- Sesshoumaru, não comece com isso de novo. – a voz do rei saiu em tom de alerta; os olhos dourados levemente estreitos. – Você será rei, ponto final. Não estou lhe pedindo, estou apenas comunicando.
Sesshoumaru lançou um olhar igualmente estreito para o pai. Claro que não tinha gostado de ser rei. Edo estava se auto-destruindo, logo não restava nada mais para controlar. Não se importava com tal poder, queria era poder interno. Queria ser imbatível e indestrutível.
Sem dizer mais nada, ele deu as costas para o pai e para o general da guarda real. Seguiu em linha reta para seus aposentos. Viu seu irmão no corredor e o ignorou. Pior que humanos fracos, era um híbrido fruto do acasalamento de um rei youkai e uma escrava humana. E era exatamente isso que seu inútil irmão era: um hanyou.
Não odiava seu irmão, mas também não gostava dele. Para o filho mais velho de Taisho, nada tinha importância. Tudo para ele era indiferente. A vida não tinha nada que pudesse ser aproveitável. Pouca importância tinha em ser príncipe ou rei, ser escravo ou liberto.
"Nessa vida nada é importante... Nada me satisfaz e nada me desperta...", pensou Inokuma Sesshoumaru, entrando no seu quarto e sendo recebido por uma humana de longos cabelos negros e olhos tristonhos, sua escrava particular. "Tudo é efêmero, então nada tem valor... Nada".
- Deseja algo, meu senhor? – a escrava humana perguntou, ajoelhando-se e colocando a testa no chão.
- Nada que você possa me dar, Sara. – ele respondeu secamente, passando direto por ela e sentando-se na poltrona no canto no ambiente. Não precisou olhar Sara para saber a posição que ela estava e falou, quase num rosnado: – Levante-se desse chão, mulher.
- Sumimasen, Sesshoumaru-sama. – ela se levantou de uma vez e se colocou atrás dele, de cabeça baixa como sempre fazia. – Não queria contrariá-lo... Não foi minha intenção, eu sinto muito.
- Pare de se desculpar, agora. – ele falou, friamente, começando a irritar-se com as desculpas dela. – Não preciso de suas desculpas.
Um momento de silêncio se fez após as desculpas de Sara cessarem com a repreensão de seu dono.
- O seu antigo lar foi destruído, Sara. – Sesshoumaru falou, direito, conseguindo ouvir a respiração dela ficar mais agitada mediante suas palavras.
- O castelo do Leste foi... Destruído? – ela perguntou, sentindo os olhos cheios de lágrimas imediatamente.
- Exatamente. – ele respondeu, frio, indiferente ao cheiro de lágrimas que invadiu suas narinas.
Por que os humanos tinham de serem tão fracos a ponto de demonstrarem fragilidade com lágrimas? Pior que o cheiro degradante de sangue humano, era cheiro de suas lágrimas... Elas cheiravam a fraqueza e inferioridade. Talvez, seja por isso que youkai's não choravam: eles não eram fracos nem inferiores.
- Você era uma serviçal daquele castelo, não? – a pergunta de Sesshoumaru seguiu um ralhar de garganta, pronto para repreender Sara por chorar, mas não falou nada.
- Hai. – ela respondeu, chorando. – Eu cuidava da princesa, antes de ser vendida pelo meu tio para ser escrava aqui.
Sesshoumaru não comentou aquilo. Humanos eram a pior raça que existia, em sua opinião. Como um parente vendia alguém de seu próprio sangue? Era lastimável e desprezível a atitude daqueles seres débeis e indignos, chamados vulgarmente de humanos.
- Eles a mataram também? – Sara sentiu um aperto no coração, temendo a resposta de seu dono. – Mataram a... Princesa das Terras do Leste...?
- Foram mortos todos da família real... – Sesshoumaru falou, vendo a mulher morena cobrir o rosto com as mãos e chorar. – A única sobrevivente foi à princesa.
- Rin Hime ainda está viva? – o sorriso dela foi seguido de lágrimas de alegria.
- Ela era a caçula da linhagem real? – Sara acenou com a cabeça para confirmar, limpando as lágrimas com a manga do quimono que vestia. – Então ela ainda está viva.
- Okagesamade! – Sara exclamou, feliz. – Demo... – Sara levou uma das mãos fechada ao peito, refletindo sobre o significado de terem poupado a princesa. – O que farão a ela?
- Naraku a escravizará.
A resposta dele a fez tontear e se apoiar no batente da janela para não cair. Antes de seu dono ser Sesshoumaru, foi Naraku. Ela estremeceu ao lembrar-se o que passou nas mãos do general da guarda. Ainda tinha espelhado pelo corpo as cicatrizes das surras violentas que levara constantemente dele.
- Por que está chorando? – Sesshoumaru perguntou, sem olhá-la. Sabia que chorava pelo cheiro das lágrimas. Não conseguia entender os sentimentos dos humanos, mesmo que tentasse.
- Rin Hime não agüentará muito tempo com ele, ela era uma garota muito frágil e inocente. – Sara falou, tristemente. – Naraku é um monstro.
- Isso não me diz respeito. – Sesshoumaru se levantou e caminhou para fora do quarto. Parou antes de abrir a porta e virou-se para a morena, olhando-a de esguelha. – Arrume-se, você será minha concubina essa noite.
- Hai, meu senhor. – Sara fez uma profunda reverência ao seu dono, concordando com o que ele falara. – Arrumar-me-ei para Sesshoumaru-sama.
Ele acenou com a cabeça, se agradando da obediência dela, e saiu do quarto em seguida, andando sem rumo pelos amplos e luxuosos corredores do castelo das Terras do Oeste, sem destino certo. Queria apenas passar o tempo inútil que tinha para desperdiçar.
Por mais que tentasse entender, não conseguia perceber o motivo dos humanos se apegarem uns aos outros assim. Entre youkai´s não existia isso. Casavam-se para procriação. Amor era uma palavra sem tradução nem sentido para eles. Sem a melhor importância. "Talvez seja por isso que tudo é tão vazio e enfadonho...".
-o-o-o-o-o-o-
A manhã estava fria e uma corrente gélida de ar soprou por debaixo da fenda estreita da porta, fazendo os olhos da princesa adormecida espremer-se, encolhendo-se de frio no chão que estava deitada. Sem abrir os olhos, ela abraçou o próprio corpo, contornando-o com os braços trêmulos a cintura.
"Será que tudo o que aconteceu foi um pesadelo e estou com frio apenas porque o vitral do meu quarto quebrou?", Rin perguntou-se, pedindo mentalmente que fosse realmente aquilo.
Não tinha coragem suficiente de abrir os olhos e comprovar se era ou não verdade as desgraças ocorridas no castelo. Ouviu passos sendo dados e sentiu quando fora aberta a porta do lugar que estava e a claridade – apesar de estar de olhos fechados – invadir o ambiente.
- Humana! – uma voz feminina e estridente gritou.
No instante que ouviu aquela voz e do que foi chamada, Rin teve certeza que tudo era real, que toda desgraça acontecida no castelo fora real. Seus olhos se encheram de lágrimas antes de abri-los lentamente, encarando com pavor a youkai parado a sua frente.
Ela desviou os olhos dela e olhou o estado em que se encontrava: estava deitada em um lugar imundo, uma algema presa no tornozelo cortado pelo próprio ferro preso à parede, às vestes antes brancas agora estavam avermelhadas – sujas de sangue seco e poeira grudada – e os cabelos desgrenhados e sujos também de sangue.
Levou a mão ao nariz ao sentir o cheiro do lugar e o do sangue seco no corpo. Seu rosto ainda tinha marcas do líquido seco e grudado à pele. Puxou as pernas para junto do corpo e encostou a testa nos joelhos, chorando. Aquilo era tortuoso e desumano.
- Levante-se, humana! – novamente a youkai gritou, tirando a corrente da parede e a puxando, trazendo junto com ela o tornozelo de Rin.
- Itai! – ela gemeu de dor, percebendo que as pernas estavam esfoladas pelo rasgo na lateral do vestido.
- Naraku quer que a leve para se lavar... – o youkai falou, dando mais um puxão na corrente. Rin entendeu e se colocou com muita dificuldade em pé. – Ele quer vendê-la e no estado que está, mesmo sendo princesa das Terras do Leste, não receberá grande coisa.
Saindo do covil onde Rin estava presa, ela levou as mãos aos olhos para proteger os olhos castanhos da claridade proporcionada pelos primeiros raios de sol. Quando se acostumou com a luz, seguiu a youkai por entre um caminho pedras e arbustos, até um pequeno rio.
Rin tropeçou algumas vezes, mas conseguiu acompanhá-la. Seu desgaste psicológico e físico a fez andar mecanicamente, sem nem prestar atenção o que fazia.
Forçou a mente a lembrar o que tinha acontecido com ela no dia anterior – se é que aconteceu tudo no dia anterior –, mas só se lembrava dos pais mortos e da morte dos irmãos. Respirou fundo e passou a costa da mão nos olhos, para evitar que chorasse. Seu rosto tinha cortes e as lágrimas os faziam arderem.
Uma pontada no pescoço a fez levar a mão ao local e senti-lo úmido. Olhou os dedos que tocaram no lugar e comprovou que estava sangrando. Ela comprimiu os lábios, rasgando com um pedaço da vestimenta de dormir que estava e enrolando no pescoço.
- O que eu estou fazendo aqui, senhora? – Rin perguntou; a voz saindo arrastada.
- O seu castelo foi invadido há dois dias trás. – a mulher youkai respondeu, sem encarar Rin. – Você foi à única sobrevivente da família real, então Naraku decidiu trazê-la com um "troféu".
- E o que acontecerá comigo? – ela quis saber.
- Ora, pergunta imbecil! Você virará escrava. – ela respondeu, secamente, como se fosse algo evidente demais e que não precisasse ser perguntado. – Tem sorte se não virar uma concubina.
Rin baixou os olhos e continuou a caminhar, olhando os próprios pés descalços e machucados. Nunca pensou que isso aconteceria: de princesa cheia de luxo e glória tornar-se uma escrava cheirando a sangue e ferida, tendo que praticamente se arrastar com uma corrente presa a seu corpo.
A youkai parou frente ao rio e tirou a algema do tornozelo de Rin, apontando depois para o rio, com desprezo. Rin acenou com a cabeça e caminhou cambaleando até as águas claras e lindas do lugar.
Olhou para os lados, certificando-se que não havia ninguém ali para se lavar. Não era a hora mais indicada para se ter pudor, mas ainda tinha a educação que os pais lhe deram.
Despida, ela sentiu o corpo arrepiar-se com uma brisa fria que sobrava, sem contar a falta de ar que lhe deu ao entrar de uma vez na água quase cortante de tão glacial que estava.
A youkai que a acompanhava olhava para a direção contrária, desinteressada do banho da humana. Estava ali apenas porque o esposo lhe ordenara e não tinha como o desobedecer, a menos que quisesse apanhar como uma reles escrava humana.
Rin começou a lavar-se, querendo se livrar do sangue impregnado em seu corpo. Esfregou com força, enquanto chorava, relembrando o motivo de estar com aquele cheiro horrível. As cenas daquela madrugada eram horríveis e atormentaram sua mente. Era tudo um grande tortura mental.
Não querendo deixar o corpo para fora da água, ela mergulhou até ficar apenas a cabeça de fora. Afundou a cabeça e tirou a sujeira do cabelo, passando os dedos trêmulos e finos entre os fios negros. Soluçou a ver a cor vermelha que a água a sua volta ficou.
"É o sangue de meus irmãos...", pensou Rin, amargamente, observando a água avermelhada marcar grande parte das águas ao seu redor. "O sangue deles está no meu corpo...".
Tirou o pano do pescoço e lavou delicadamente o ferimento, até conseguir fazê-lo parar de sangrar – a muito custo. Depois daquele banho, ela virou-se para a youkai e fitou os olhos vermelhos e vazios dela.
- Tem um pano aqui para secar-se. – ela falou, segurando um pano velho na mão, entendo-o para ela.
- Certo. – Rin encolheu-se e levou os braços para cobrir os seios, envergonhada de estar despida em um lugar onde qualquer pessoa pudesse vê-la naquele modo.
- Enxugue-se rápido e vista isso. – ela entregou o pano a Rin e um quimono. A garota se enrolou depressa no pano que a youkai lhe entregara, ocultando sua nudez. – Sou Onigumo Kagura, esposa de Naraku. Por enquanto, sou sua dona.
- "Dona"? – Rin contraiu o rosto, surpresa com aquele termo, até então, desconhecido por ela.
- Minha cara – Kagura deu um sorriso de escárnio. –, você não é mais princesa... Agora você não passa de um objeto.
Ela murmurou um "hai" e baixou os olhos, enquanto se enxugava para vestir um quimono grosseiro e velho, em uma tonalidade de marrom escuro. Não era exatamente o quimono de panos nobres que costumava usar, mas pelo menos não tinha mais o cheiro de sangue nele e isso já lhe era suficiente.
- Está pronta, humana? – Kagura perguntou, ao vê-la pentear os cabelos longos e negros com os dedos. – Preciso levá-la para casa.
- Estou, sim, Kagura-sama. – Rin falou, sentindo a mulher colocar a algema em seu tornozelo novamente.
- Então vamos. – Kagura a puxou. Ela retrucou consigo mesmo, entre caretas: – Com tantos empregados na casa eu que tenho que trazer uma escrava para se lavar... Maldito Naraku!
- Está... Doendo. – Rin reclamou baixinho, sentindo o ferro no ferimento.
- Vamos, humana. – Kagura não deu atenção aos murmúrios de dor de Rin e a levou de volta para casa. – Acha que tenho o dia inteiro apenas para você?
Rin puxou os cabelos molhados para cima do ombro, deixando a mostra um fino corte no pescoço, causado pela espada de Onigumo Naraku. O lugar já não sangrava, mas doía agudamente. Mais um pouco de pressão que o youkai tivesse colocado, teria lhe causado um corte grave.
"O que será de mim, agora?", Rin pensou, deprimida, fechando com força a mão em punho. "Não tenho mais nada, mais ninguém...".
Andavam o percurso de volta, mas dessa vez Rin não foi deixada no cubículo que estava mantida em cárcere privado, e sim para a mansão. Ela caminhava olhando para chão, cabisbaixa, sentindo-se cansada por tudo que estava acontecendo com ela.
- O que houve, Kagura-sama? – Kanna, a filha de Naraku, perguntou, assim que a madrasta cruzou o imenso portão da propriedade da família Onigumo com Rin atrás de si. – Demo... – ela reparou na escrava que a mulher puxava pela corrente. – Quem é essa?
- Seu pai capturou essa menina quando invadiu o castelo das Terras do Leste. – Kagura fez uma careta visível para Rin. – Ela era a princesa.
- Princesa? – Kanna deixou os bordados que fazia e se levantou, aproximando-se de Rin com um olhar curioso. – É a primeira vez que vejo alguém de realeza tão de perto...
- Pois não se anime. – Kagura de um sorriso de deboche. – Ela não é mais princesa. Essa menina não passa de uma escrava, agora.
- Uma escrava... – a menina continuou com a mesma expressão vazia que sempre tinha no rosto pálido. – Otto-san não costuma tratar os escravos muito bem, não é?
Rin estremeceu com aquelas palavras. Sentia o estômago dar voltas e a vertigem tomar conta do corpo. Só de imaginar o que passaria nas mãos daquela criatura desprezível chamada Onigumo Naraku, tremia a ponto da Kagura sentir na corrente que segurava, os tremores da menina.
- Eles são objetos, Kanna. Somente isso. – Kagura deu de ombros com a aparente preocupação da enteada. – Então seu pai tem todo o direito de fazer o que quiser com eles.
- Entendo. – a voz dela soou de certo modo triste, enquanto olhava para Rin. Ela deu as costas para a morena e voltou a sentar na varanda da mansão, pegando os panos no chão para bordar.
- Kagura-sama, seu senhor a espera na sala. – uma escrava apareceu no lugar que enteada e madrasta conversavam. – Mandou que levasse a garota.
Kagura fez uma pequena carranca, e seguiu a direção que o marido se encontrava. Detestava receber ordens do marido, era humilhante. Tudo que queria era a liberdade que nunca teve. A escrava que a chamou, andava sua frente, ajoelhando no chão e deslizando o fusuma para a mulher entrar.
- Onigumo-sama, sua esposa está aqui. – a escrava disse, não olhando para ele.
- Kagura... – a voz de Naraku ecoou pelo ambiente.
- Hai, meu senhor. – Kagura ajoelhou no chão e encostou a testa nele, num ato de total submissão ao marido. – Trouxe a escrava que mandou que se lavasse.
Rin ainda estava fora da sala e foi puxada para dentro quando Kagura se levantou do chão. Um arrepio percorreu toda sua costa: o ar dentro da sala era tão sombrio que a deixou momentaneamente sem ar. Quando conseguiu respirar novamente, soltou o ar lentamente.
O homem permanecia olhando a janela, desinteressado. Isso chamou a atenção da menina, contudo não mais que uma imensa cicatriz em forma de aranha que Onigumo Naraku tinha nas costas. Rin estava tão distraída olhando a estranha marca nas costas nuas do homem, que não percebeu quando ele a olhou de soslaio.
- Acho que já reparou em minha cicatriz, não é mesmo, princesa?
Rin arregalou os olhos e notou que ele a olhava. Tentou recuar um passo, mas a corrente em seu tornozelo a impediu de dar sequer um passo.
- Humanos, sempre tão assustados. – Naraku referiu-se ao olhar apavorado dela.
A morena estava tão assustada com a presença do youkai que não conseguia desviar os olhos dele, e por alguns segundos encarou-o olho no olho, perdendo-se de medo nos orbes perversos dele. "Kami! Ele parece não ter alma!", Rin pensou, sentindo o corpo voltar a tremer.
- Princesa, não sabe que uma escrava não deve olhar para seu dono? – Naraku vestiu a parte de cima de seu quimono e aproximou-se lentamente de Rin. – Está me ouvindo, garota?
- ... – Rin não conseguia falar, estava assombrada demais para pronunciar alguma palavra.
- Quando você estiver em minha presença, aja como escrava que é. – Naraku segurou-a pela cabeça e empurrou seu rosto de encontro ao chão, obrigando-a a reverenciá-lo.
- Itai! – Rin sentiu a testa colidir com o chão e gemeu de dor. – Sumimasen, eu não sabia... E...
- Calada, princesa. – Naraku falou, calmamente, ainda com a mão em sua cabeça. – A partir de hoje, você só fará o que eu mandar.
- H-hai... – Rin falou num choramingo abafado pela posição que seu corpo se encontrava.
- Parece-me que ainda não entendeu... – ele pressionou mais a cabeça dela no chão, dando um sorriso sádico ao ouvi-la gemer. – Preste atenção que não irei repetir: você vai fazer o que eu mandar, quando eu mandar e como eu mandar.
- H-hai... M-meu s-senhor... – ele finalmente soltou a cabeça dela e Rin levou a mão no lugar que bateu no chão. – Peço perdão por contrariá-lo.
- Aprendeu rápido, princesa. – Naraku levantou-a do chão pelo braço, para analisá-la melhor. Ele segurou o queixo dela e passou o dedo pelos traços do rosto, porém Rin mantinha os olhos baixos, com medo de olhá-lo de novo. – Uma linda humana...
- O que fará com ela, Naraku-sama? – Kagura perguntou.
- Por enquanto, coloque-a para trabalhar na casa, até eu vendê-la... – Naraku falou, soltando Rin e voltando para a janela que estava quando as duas entraram. – Essa princesa foi encomendada.
- Como assim, Naraku-sama? – Kagura perguntou, confusa.
- Tenho uma pessoa que quer pagar muito dinheiro para ter uma princesa com ele... – Naraku sorriu, perverso. – Não vejo utilidade para ela nessa casa, acho mais viável vendê-la.
- Como quiser, meu senhor. – Kagura concordou, como sempre fazia com que o marido dizia. – Quer que eu mande chamar esse homem para o senhor?
- Ele já está a caminho, Kagura. – Naraku falou. – Chegará em alguns dias para olhar a princesa, e tenho certeza que gostará do que vai ver...
Kagura olhou a pose altiva do marido e estremeceu. Ele era um youkai terrível e chegava a assustá-la, por muitas vezes... Ainda mais quando falava naquele tom cruel e sinistro.
- Minha querida Kagura, minha glória logo será estabelecida. – Naraku falou, após alguns segundos calado; um brilho nos olhos por seus planos estarem decorrendo corretamente. – Logo meu plano entrará em ação, a segunda parte dele... E Edo estava totalmente em meu poder...
Aquele ar denso ficou mais forte e Rin caiu de joelhos no chão, respirando com dificuldade. Quando o ar entrava em suas narinas, parecia que estava corroendo os vasos sanguíneos do lugar de tão horrível que o ar era. A presença de Naraku tornava o âmbito insuportável para uma humana.
- Leve essa humana daqui, Kagura. – Naraku ordenou, fazendo um gesto com a mão. – Ela vai desmaiar se continuar aqui, e não posso correr o risco de que se machuque e não consiga vendê-la.
Kagura fez outra reverência antes de sair da sala, levando Rin junto consigo. Caminharam pela mansão até um enorme cômodo, onde se preparavam os alimentos para a família Onigumo. Rin logo notou algumas outras mulheres ali, sentadas sobre os joelhos, descascando algumas verduras, com uma expressão de puro cansaço e tristeza.
- Ensinem-na como trabalhar. – Kagura soltou a perna de Rin e jogou a corrente para o lado. – Você ficará aqui, até a segunda ordem, entendido?
- Hai. – Rin respondeu, olhando para as outras escravas.
- Ótimo. – Kagura falou e ficou olhando a menina antes de sair da cozinha. – O que está esperando para começar a trabalhar?
- Eu...
- Comece, agora. – Kagura quase gritou, satisfazendo-se quando a menina ajoelhou no chão e começou a tentar fazer o mesmo que as outras escravas. A esposa de Naraku saiu logo em seguida da cozinha, deixando-as a sós.
- Você é a princesa das Terras do Leste! – uma as escravas do lugar exclamou, curvando-se numa reverência a Rin.
- É mesmo! – as outras perceberam que era a princesa e se curvaram também.
- Levantem-se... – Rin disse, com o coração apertado no peito ao ver aquele ato delas. – Não sou mais princesa... Sou exatamente como vocês: uma escrava.
- Demo... – uma delas tentou falar.
- Onegai, eu imploro-lhes, não me faça ficar pior do que já me sinto... – Rin disse, segurando-se para não chorar, pegando uma verdura e descascando-a. – Não me tratem por princesa, agora sou apenas Rin...
As mulheres ao redor dela baixaram os olhos, continuando seu serviço, entendendo os motivos da garota lhes pedir aquilo. Rin parecia tão abatida e deprimida, que as escravas conseguiam imaginar por tudo o que ela havia passado nos últimos dias, com a invasão ao castelo.
"Elas me olham com pena... Sentem dó do meu estado...", Rin deixou que a franja negra cobrisse seus orbes castanhos, para ocultar as lágrimas que se formaram neles. "Agora não passo de uma escrava, dependente da vontade de meu dono... Uma escrava...".
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