Capítulo 2: Atualizando

Poucos minutos depois de sua maravilhosa reunião, a família Turner finalmente estava em casa. Elizabeth havia mostrado a seu marido a casinha encantadora a qual ela e Willy haviam vivido, e todos os três, no momento, estavam sentados no sofá da sala. Will estava no meio, com Willy sentado quase em cima dele, olhando-o com adoráveis olhos castanhos. Elizabeth sentava quase tão perto, sua mão segurando a dele, quase com medo de soltar. Will não pode deixar de ter um sorriso permanente em seu rosto. Finalmente, depois de todos esses anos, ele pode estar aqui com a família.

"Willy," disse Will, amando como o nome do seu filho soava. "Onde você conseguiu esse chapéu?"

"Mamãe o deu pra mim," Willy respondeu seus olhos nunca deixando o rosto de seu pai. "É meu chapéu pirata. Mamãe disse que combina comigo" Will olhou para sua esposa, uma sobrancelha levantada em diversão.

"O quê?" Elizabeth disse inocente. "Combina"

"Parece que sua mãe veio dizendo histórias piratas a você," Will disse com uma risada. "Você gosta de piratas Willy?"

Willy concordou seriamente. "É claro que sim, papai!" ele exclamou. "Você é um pirata!"

Will balançou sua cabeça, estremecendo com risadas. "Eu sou, não sou?" ele perguntou, divertido. "E como você sabia disso?"

"Mamãe me contou," disse Willy. "Ela me contou todas as histórias! Ela me contou como você conheceu o Capitão Jack Sparrow e saiu para salvá-la de Barbossa, e ela me contou como você salvou a vida do capitão Jack, e como você lutou com o kraken, e Davy Jones, e como vocês dois lutaram juntos com todo tipo de piratas de todo o mundo!" Willy respondeu, seus olhos brilhando de felicidade.

"Ah," Will disse num tom malicioso. "E sua mãe lhe contou que ela foi eleita Rei dos Piratas?"

"Sim," disse Willy, mal podendo conter seu entusiasmo. "Ela me contou isso. E me contou que você é capitão de um navio"

"Eu era," disse Will, um pouco de tristeza em sua voz. Ele sentiu Elizabeth apertar sua mão amavelmente. "Eu era capitão do Holandês Voador. Você vê, Willy, eu tinha que ajudar aquelas pessoas que morriam no mar para que eles não se perdessem. Você entende?"

"Eu acho que sim," disse Willy, franzindo as sobrancelhas levemente em concentração. "Eu sabia que você tinha que fazer um trabalho por dez anos. Mas agora você estará em casa pra sempre, certo papai?"

"Sim," respondeu Will enquanto abraçava o menino de novo. "Eu estarei em casa pra sempre"

Com essas palavras ele olhou para Elizabeth, seu coração batendo pela simples visão dela à sua frente. Ele a admirou por um momento, pensando que ela havia ficado ainda mais bonita no tempo que ele esteve longe. Maternidade havia posto um novo brilho em seu rosto. Sua devoção por Willy era óbvia.

"Papai?" perguntou Willy, tirando-o de seu transe. "Você vai me contar uma história?"

"É claro," disse Will avidamente. "O que você queria ouvir?"

"Que tal quando você e mamãe conheceram Capitão Jack Sparrow e vocês lutaram contra aqueles piratas esqueletos!! Esta é a minha favorita!" disse Willy, rastejando até o colo de seu pai.

"Está bem," Will disse, sorrindo para seu filho. Ele começou a história e antes de chegar à parte sobre a batalha épica com os piratas esqueletos, notou que Willy havia dormido em seu colo. "Eu não contei a história de maneira correta?" Will perguntou, preocupado. "Ele estava entediado?"

"É claro que não, Will," Elizabeth disse. "Você não viu como seus olhos brilharam enquanto você contava a história? Ele estava apenas cansado de toda a excitação. Ele dorme toda vez que eu o conto uma história pra dormir. Aqui, deixe-me colocá-lo na cama," ela disse, estendendo os braços para seu filho.

Will não se moveu para entregar seu filho, e estava quieto por um momento. "Posso colocá-lo na cama?" ele perguntou num sussurro quase infantil, seus olhos no rosto de seu filho adormecido.

Lágrimas encheram os olhos de Elizabeth mais uma vez quando ouviu o tom de melancolia na voz de seu marido, como se ele sentisse uma culpa terrível por nunca poder ter colocado seu filho na cama antes. "Você nem precisa perguntar Will, é claro que você pode colocá-lo na cama," ela disse num tom gentil.

"Obrigado," Will disse enquanto pegava o garoto nos braços e o levava a seu pequeno quarto.

Elizabeth seguiu seu marido até o quarto de Willy e observou-o puxar as cobertas e delicadamente cobrir Willy, cobrindo toda a sua pequena forma. Ele tirou o chapéu de Willy e colocou no criado mudo. Ele passou a mão na testa de Willy e, amavelmente, beijou-a. "Te amo, Willy," Elizabeth ouviu-o sussurrar ao garoto adormecido antes de virar-se pra ela e fechar a porta.

"Ele é muito bonito," disse Will docemente. "Eu posso vê-la nele"

"E eu posso ver você nele também," Elizabeth respondeu. "Ele é exatamente como você. Ele foi uma bênção, eu te digo. Sua presença me ajudou tanto nestes dez anos. É como se você tivesse deixado uma parte sua pra trás," ela olhou pra ele, alegrando-se com o fato de que ela teria tantos dias mais olhando pra ele.

Ela tinha mantido uma imagem dele por todos estes anos e agora ela não precisava mais fazer isso. Ela poderia olhar pra ele de verdade.

"Nós temos tanto pra conversar," Will respondeu. "Tanto para atualizar"

"Nós temos," disse Elizabeth. "Mas nós temos todo o sempre para fazer isso. É tão maravilhoso saber que você não precisa mais ir embora. Saber que posso acordar toda manhã e ver seu rosto," ela continuou, sua voz sincera.

"É como o paraíso," Will concordou. "No meio tempo eu tenho que me acostumar a andar em terra; é tão estranho depois de viver num navio por dez anos"

"Eu imaginei que levaria um tempo pra se acostumar," Elizabeth riu. "Se você cair, vou fingir que não vi"

"Tudo bem," Will disse, um sorriso espalhando-se por seu lindo rosto. "É razoável"

Os dois andaram para a cozinha, onde Elizabeth fez uma xícara de chá para cada um, a qual Will foi muito grato por. Ele não tinha tomado um chá tão gostoso em muito tempo.

"O que você fez durante estes anos?" ele perguntou curioso. "Eu vi o Empress ancorado na praia. Você andou navegando?"

"Um pouco," Elizabeth respondeu e tomou um gole de seu chá. "Eu vinha navegando pelos primeiros meses depois de você ter partido porque o mar parecia tão calmante para mim. Mas aí eu descobri estar grávida de Willy e voltei pra esta ilha. Eu arranjei um emprego como governanta para uma família rica que mora no fim da estrada"

"Você gostou?" Will perguntou. "Eles são pessoas legais?"

"Muito," Elizabeth disse honestamente. "Eles não perguntaram muito sobre meu passado, mas eles sabiam que eu era bem educada e me contrataram. Deu-me um bom rendimento e isto era tudo que importava"

"Mas não me diga que você não navegou desde Willy ter nascido," Will disse, com uma sobrancelha arqueada. "Você navegou, não?"

"Você me conhece muito bem, William Turner," Elizabeth disse num tom brincalhão. "Sim, eu venho navegando desde então. Desde que Willy tinha uns três anos nós saímos no Empress durante os meses de verão, quando as crianças que eu ensinava estavam de férias"

"Férias de verão num navio pirata," Will disse, sorrindo. "Apenas na sua família. Você ensinava o Willy também?"

"Sim. Ele tem aulas junto com os filhos da minha patroa, e ele progride muito com eles," disse Elizabeth. "Ele é um garoto tão inteligente"

"Ele parece ser" Will respondeu. "Você tem visto ou ouvido sobre Jack?"

Elizabeth rolou os olhos. "Nós nos encontramos algumas vezes nos verões que saímos pra navegar e ele veio aqui algumas vezes para ver como estávamos o que foi bastante amável de sua parte. Ele foi estranhamente prestativo. Mas faz mais de um ano que o vimos pela última vez"

"Eu acredito que ele continua com suas esquisitices?" perguntou Will, já sabendo a resposta.

"Certamente ele está," disse Elizabeth, balançando a cabeça. "Sempre vagando, entrando em algum perigo. Barbossa partiu com o Pérola logo após você ter partido, ele me disse, mas Jack conseguiu de alguma maneira pegá-lo de volta. Se ele conseguirá mantê-lo é outra questão"

Will riu, tomando o último gole de seu chá. "Jack Sparrow será sempre o mesmo, parece. Ao menos na maioria dos aspectos," ele disse num tom amigável.

Elizabeth concordou, subitamente lembrando-se de algo que queria perguntar a Will desde que ele retornou. "Will," ela disse cuidadosa, "eu vi seu pai a bordo do Holandês, mas ele não veio à praia. O que aconteceu a ele?"

Will suspirou ainda um pouco triste pelo o que aconteceu. "Ele está indo para o outro lado. Ele disse que sua vida tinha apenas sido prolongada para ficar no Holandês comigo. Era o seu tempo de ir. Mas foi ele que me fez continuar por todos estes anos sem você"

"Estou triste que ele tenha de ir," disse Elizabeth sincera. "Mas eu sei que ele morreu feliz, porque ele passou todos estes anos com você"

"Sim," disse Will. "Ele estava feliz. Mas eu vou sentir sua falta. Meu trabalho seria tão mais difícil de lidar sem sua companhia. Às vezes você vê coisas no fim do mundo que você não quer ver"

"O que você quer dizer?" Elizabeth perguntou, querendo saber do que Will estava falando; esta era a primeira vez que ele falava de suas experiências no mundo imortal.

"Eu tinha que transportar pessoas que eu sabia que eram jovens demais para morrer," ele disse tristemente. "Crianças, jovens homens e mulheres, e até mesmo famílias inteiras. Eles eram sempre aqueles que não queriam admitir que haviam morrido. Os mais velhos sempre pareciam estar em paz. Eu sempre tentava consolar aqueles que pareciam irritados, mas às vezes nada parecia consolá-los," ele terminou de falar, seus ombros um pouco caídos, parecendo derrotado.

"Eu posso assegurar-lhe uma coisa, Will," Elizabeth disse docemente ao mover-se para abraçá-lo. "Nunca houve um capitão mais cuidadoso daquele navio em toda sua existência"

"Eu encontrei James Norrington lá," disse Will calmamente ao abraçá-la de volta. "Ele manda cumprimentos a você"

Elizabeth recuou, chocada. "Você se encontrou com James? Ele estava bem?"

Will concordou com a cabeça. "Nós conversamos e ele me contou que estava em paz. Ele morreu te ajudando e achou o lado que ele deveria ter escolhido. Foi um pouco estranho entre eu e ele e meu pai, mas Norrington entendeu que meu pai não tinha controle sobre seus atos na época"

"Estou feliz em saber que está em paz," disse Elizabeth, aliviada. "Ele perguntou a você como acabou sendo o capitão do Holandês?"

"Ele perguntou," Will respondeu. "Eu disse como tudo acabou e que nós finalmente casamos. Nós amenizamos nossas diferenças e ele expressou sua confiança que você estaria aqui quando eu voltasse"

"Eu também," ela disse, ao beijar sua testa. "Você nunca precisou duvidar de que eu estaria aqui quando fosse a hora de você voltar pra casa. Eu te amo, Will, mais que minha própria vida"

"Eu também te amo," Will disse, seus olhos iluminados com as palavras. "E eu nunca duvidei de você. Mas é agradável ouvir alguém dizer estas palavras; ajudou-me a me prender ao fato de que meu retorno era algo que realmente ia acontecer, em vez de apenas algo que existia na minha imaginação"

Após os dois terminarem o chá, eles foram para o quarto, e enquanto Elizabeth colocava sua camisola Will viu um segundo guarda-roupa e abriu-o encontrando vários modelos de roupa lá.

"De onde elas vieram?" ele perguntou interessado.

"Bem, eu sabia que você estaria voltando pra casa," Elizabeth disse, corando um pouco. "Então algumas semanas atrás eu comprei algumas coisas. Você precisa de roupas pra vestir, afinal"

"Naturalmente!" Will disse, colocando as calças de pijama e uma camisa antes de subir na cama junto a Elizabeth. Ele abriu os braços e ela entusiasmadamente subiu neles, amando a maneira como eles encaixavam perfeitamente em seu corpo. Eles se olharam, dois pares de olhos castanhos olhando um para o outro. Oh, como ela sentiu falta disso! Ficou quieto durante alguns minutos até que Will falou de novo. "Eu senti tanto a sua falta, Elizabeth," ele disse, sua voz um pouco instável.

"Oh Will, eu senti sua falta também," ela disse em resposta. "Eu tentei tanto ser forte durante estes anos, mas foi tão difícil algumas vezes," ela admitiu, ficando ainda mais perto dele.

"Você é a mulher mais forte que eu já conheci na minha vida, Elizabeth," disse Will, seriamente. "Você fez coisas que nenhuma outra mulher fez, e você continua a fazer; você lutou valentemente contra seus inimigos, se tornou uma lorde pirata e a capitã de um navio, e mais importante de todos, você fez um trabalho maravilhoso criando nosso filho"

"Sim," disse Elizabeth, "mas existe uma coisa que eu não consegui fazer; Eu não consegui retornar a Port Royal"

Will ficou em silêncio por um momento antes de responder. "É compreensível, Elizabeth," ele disse, acariciando seu cabelo sedoso. "Existem tantas memórias de seu pai e Norrington e memórias de uma vida diferente. Talvez você precisasse de tempo antes de voltar lá"

"Eu não conseguiria ir lá sozinha," continuou Elizabeth. "Eu queria você comigo quando eu fosse. Mas eu escrevi pra Andrew e Amelia e nós vemos mantendo contato"

"Mesmo?" disse Will, um pouco surpreso e ainda se sentindo triste por ter perdido tanto. Elizabeth notou a mudança no seu tom de voz instantaneamente.

"Will," ela disse, acariciando sua bochecha. "Não é sua culpa que você não estava lá. Você tinha que cumprir o seu dever; você não tinha outra opção. O importante é que você está conosco agora"

"Eu sei," disse Will suspirando. "Mas eu odeio que eu tenha perdido tudo isto. Eu perdi tanto da vida de Willy, eu perdi você se tornando uma mãe, eu perdi anos de amizade com Andrew e Amelia e até mesmo perdi Jack tentando reaver seu navio pela centésima vez. Eu apenas desejo ter feito alguma coisa para impedir tudo isto"

"Todos nós desejamos," Elizabeth respondeu. "Mas nós também sabemos que nada poderia ser feito. Você é um homem bom e honrável, e você cumpriu o dever que lhe foi dado como capitão do Holandês," ela parou por um momento, como se estivesse com medo de dizer a próxima afirmação. "E isso é melhor do que qualquer alternativa," ela disse, olhando em seus olhos.

Will respirou fundo. Apesar destes dez anos terem sido tão difíceis para os dois, foi uma alternativa bem-vinda comparada a sentença de morte que Davy Jones tentou aplicar nele. Ela estava certa. Ela estava tão certa. "Você sempre consegue me ajudar, Elizabeth. Como você faz isso?"

"Porque eu te conheço," Elizabeth respondeu, com um sorriso astuto, que fez lembrar aquela garota maliciosa que ele conheceu a todos aqueles anos na viagem da Inglaterra. "Eu conheço cada centímetro de você de frente para trás"

Will sorriu amplamente, seus espíritos flutuando ao se abaixar pra beijar os lábios dela mais uma vez. "Sim," ele disse. "Você conhece"

A/N: Oi todo mundo! Desculpem-me pelo fim estranho, mas eu acho que funcionou então o usei. Espero que tenham gostado

T/N: Foi mal pela demora, mas traduzir um texto é cansativo e leva muito tempo e pra quem tá no terceiro ano feito eu que não tem tempo pra nada fica difícil. Mas eu vou tentar traduzir o próximo capitulo o mais rápido possível. Beijos