x. Todas as músicas que aparecerão são do Oasis.
x. Mantenho comunicação com vocês via box de review, ok?
2 Questions are the answers you might need.
There's blood on the
tracks, and they must be mine.
Fool on the hill,
and I feel fine.
Don't look back,
'cause you know what you might see...
Abriu os olhos. Abriu os olhos e deu um pulo, procurou a varinha nas vestes, não encontrou. A ausência da varinha não o surpreendeu. Ficou olhando para os lados freneticamente feito um animal acuado ou alguém que bebeu muito café. Demorou um pouco para que realmente absorvesse as imagens do ambiente. Viu um travesseiro com uma bela mancha de sangue seco e soube de onde ele tinha vindo ao tocar o alto da sua cabeça. Devia ser um corte bem feio, Draco anotou mentalmente que precisaria dar uma olhada naquilo mais tarde. Viu também um abajur verde sobre uma escrivaninha de estilo vitoriano. Gostou do abajur. Observou duas portas idênticas, mas em paredes opostas. Era um quartinho claustrofóbico e cafona, mas não era o que ele esperava de um cativeiro. Nunca tinha estado na prisão, mas tinha certeza que celas não tinham aquela decoração simpática.
Se não estava na prisão, sob custódia e guarda do Ministério da Magia estava em situação pior... Suspirou e prendeu a respiração por um instante. Olhou a mancha de sangue pisado no travesseiro. A mancha seca e o machucado indolor na cabeça significavam que aquilo não era tão recente. Talvez alguns dias... Não conseguia lembrar de nada além daquele lugar úmido e pestilento, onde ele tinha dormido por dias incontáveis sem receber notícias do mundo. Snape já deveria estar morto, ele pensou. Se estivesse vivo tinha sido muito cruel ao deixá-lo ali, sem comida e apenas com água da chuva a disposição. Snape era um filho-da-mãe capaz de uma coisa daquelas, mas alguma coisa em Draco dizia que ele devia estar mesmo morto. Afastou essa idéia rapidamente. Se continuasse pensando bobagens daquele tipo logo ele próprio estaria morto. Havia duas portas, era uma escolha simples. Draco escolheu.
"Ah, você acordou...", disse a moça com o punhado de amêndoas na mão.
Tinha aprendido com os gêmeos o hábito de ouvir atrás das portas e por causa desse hábito passara os últimos dois meses em estado de paranóia. "Algumas pessoas não podem simplesmente ser presas...", Ronald disse sombriamente. "Eu sei", Harry disse, "Aquele desgraçado vai ter o que merece!". Foi feito assim um acordo silencioso entre os dois melhores amigos. Gina gostaria de não ter ouvido porque sabia, como uma grifinória cheia de sentimentos violentados por aquela guerra, que algumas pessoas mereciam morrer. Mas ela preferia não ter ouvido nada porque não poderia ignorar que agora era a terceira parte do acordo. Sua parte nele era impedir aquelas duas pessoas amadas de cometer um crime terrível contra alguém cujo único crime tinha sido a imprudência.
Draco estava em todos os jornais. Qualquer cidadão comum adoraria dar fim ao bode expiatório favorito da Inglaterra. O menino que abriu as portas de Hogwarts para Aquele-que-não-deve-ser-nomeado era persona non grata em qualquer lugar em que Gina pudesse pensar. Não estava certo. Ainda que Draco fosse um Comensal da Morte, ela achava toda aquela comoção nacional um exagero perigoso. Por isso ela não hesitou na entrada secreta da gruta. Uma gruta entranhada no bosque da velha propriedade dos Ravenclaw, que logo se tornaria um museu e parque nacional. Era madrugada alta e ela entrou com passos decididos. Passos que invariavelmente esbarravam e ratos e poças d'água. Gina ouvia sua própria respiração. Se arrependia e se absolvia por ter ido até ali sozinha. Parou ao encontrar o final da gruta.
Gina sabia que tinha ido fazer a coisa certa. A saliva passou grossa pela garganta. Draco Malfoy, fanhoso e grosseiro, o garoto das piadinhas cruéis estava a uns 3 metros dela. Parecia mais magro e com certeza estava muito mais sujo do que ela poderia lembrar. O ar da gruta ficou viciado e irrespirável de repente. Gina tinha feito notar sua presença se anunciando com uma polidez que ecoou boba nas paredes e no teto cheio de lanças afiadas. Draco não se mexeu, continuou fazendo exatamente o que estava fazendo. Um barulhinho fino e indefinível.
Gina ouviu um ruído vindo da entrada da gruta, um ruído familiar: as vozes de seus irmãos e Harry. Draco ergueu a cabeça deixando aparecer suas profundas olheiras negras. Gina disse alguma coisa que ele não respondeu. Draco gritou. Não foi um grito de medo, de dor ou de qualquer outra dessas coisas. Era um grito de quem está calado e sozinho numa caverna, sem água limpa e sem comida humana há dois meses. Pelo menos Gina entendeu desse jeito. Tinha que fazer alguma coisa. Harry pisava duro pela galeria que levava ao esconderijo de Draco. Alguma coisa precisava ser feita. Draco tinha começado a bater os punhos fechados nas pedras da parede. Estava fora de controle e não teria parado se não tivessem batido com força na sua cabeça.
"No Cairo", ela disse. Cairo, ele pensou. Draco encostou-se na mureta de madeira grossa e projetou o tronco para frente. Sentiu uma brisa quente e úmida e viu um porto logo embaixo e uma cidade amarelada.
Não poderia afirmar com certeza que ali era o Cairo, mas com certeza podia dizer que ali não era mais Londres. Como os Aurores não tinham aparecido ainda e ele tinha perspectivas de ficar vivo por mais um tempo, aceitou bem o fato de estar no Egito. Aceitou também, partir daquele momento, a premissa básica de que qualquer coisa que Gina dissesse era verdade. Era melhor para sua sanidade mental.
"Bem vindos ao Cairo, hã?", ele disse sem entusiasmo, dando um tapinha nas costas de Gina. Atravessou a porta sabendo que ela o seguiria. "Só tenho mais uma pergunta", ele disse sentando na cama onde acordara. "Como diabos eu vim parar aqui?".
All
my people right here, right now
D'you know what I mean?
