Cinderela e o Príncipe de Gelo

by Nicka I

Capítulo 2º: Situações Inusitadas.

Onze anos depois...

Mais um lindo dia de sol nasce na França, trazendo com ele o canto dos pássaros e do galo. (N/A: Ficou poético né?!)

Em um celeiro uma jovem acorda com o canto do galo.

Em um castelo um velho senhor se dirige ao quarto de seu filho.

- Ele vai ter que me ouvir!

- Acalme-se Robespierre!

- Não, Danielle! Eu vou ensinar esse moleque a honrar seus compromissos!

- Os comopromissos dele? Pelo que eu sei o compromisso é seu!

- Nós temos que fazer essa aliança com a Espanha, será muito importante para a França.

- Você não pode fazer um acordo com o rei da Espanha?

- Este é o acordo!

- Um casamento forçado? Que raios de acordo é esse?

- KAMUS! - gritava o senhor ao bater na porta do quarto com violência.

- KAMUS! - inssistiu ele.

- Deixe-o em paz Robespierre!

- KAMUS, SE VOCÊ NÃO ABRIR ESSA PORTA, AGORA, EU VOU ENTRAR AÍ!

Porém, nenhuma resposta era obtida, então, usando uma chave-mestra o senhor abriu a porta do quarto.

- Ele fugiu. - disse Robespierre ao ver a corda feita de lenções jogada pela janela.

- Oh, mon Dieu! Robespierre, eu quero o meu filho! - disse Danielle.

- Não se preocupe, agora mesmo eu vou enviar a guarda real atrás dele.

Enquanto isso em um feudo...

- As maçãs estão muito boas hoje. - dizia uma jovem, loira de olhos azuis que jazia ajoelhada recolhendo maçãs que haviam acabado de cair da macieira, quando derrepente ao ouvir um barulho ela olha para o lado de baixo do lugar onde estava e vê um homem cavalgando por dentro da propriedade, porém o cavalo usado por ele era um cavalo negro que a jovem conhecia muito bem.

- Ah, não vai não! - disse a jovem pegando uma maçã e acertando em cheio a testa do homem que estava montado no cavalo e acabou caindo, tamanha a força usada pela moça.

- LADRÃO! - gritou ela já a uma certa distância dele e ainda atirando-lhe maçãs.

- Acalme-se senhorita, o meu cavalo perdeu a ferradura e por isso peguei este emprestado. - dizia o homem um pouco atordoado, tentando se colocar em pé, porém o manto que ele vestia estava todo enrolado em seu rosto fazendo com que ele não conseguisse enchergar.

- Pegar emprestado? eu chamo isso de roubo! - disse ela, se aproximando dele.

Finalmente o homem conseguiu tirar o manto de seu rosto e se recompor.

- Alteza! - esclamou a garota ajoelhando-se aos pés do homem. - Perdoe-me, eu não o reconhecí!

- Eu sei. - disse ele montando novamente no cavalo.

- Este cavalo pertencia ao meu pai, é muito velho, se o senhor desejar temos cavalos melhores.

- Não, este está bom. Espero que isso de para pagar pelo cavalo. - disse ele retirando um pequeno saquinho de couro de seus bolso e despejando as moedas no chão.

- Obrigada alteza. - disse ela antes do príncipe desaparecer entre as árvores.

No meio da floresta...

- VEJAM, ELE ESTÁ ALI! - gritou um guarda.

- Droga! - disse Kamus, começando a cavalgar mais rápido.

- Parem! Ladrões! - dizia um senhor que estava no meio da estrada, tendo sua carruagem saqueada por ciganos.

- Era só o que me faltava. - resmungou Kamus.

- Socorro! Por favor me ajude! - emplorou o senhor a Kamus.

- Eu tenho problemas maiores para resolver. - respondeu Kamus.

- Mas ele está roubando o meu quadro! Não deixe senhor, aquele quadro é a minha vida! - clamou o velho senhor.

- Oh, mon Dieu. Tudo bem. - disse Kamus. - Pare ladrão!

O homem vendo Kamus vindo em sua direção, abandona o cavalo e sai correndo pelo meio da mata para despistá-lo.

Kamus também abando "seu" cavalo e segue correndo entre as árvores, atrás do homem.

- Eu ordeno que pare! - dizia Kamus.

- Eu não sigo ordens de pessoas arrogantes como você, mounssieur. - respondeu o cigano.

Os dois estavam tão entretidos que não viram que havia um pequeno precipício a frente e acabaram caindo em um rio que passava por ali. O cigano ficou um pouco atordoado com a queda e Kamus aproveitou para recuperar o quadro.

Algum tempo depois na estrada...

- Aqui está o seu quadro, senhor. - disse Kamus ao entregar o quadro ao ancião.

- Muito obrigado, meu jovem. - disse o senhor, abrindo a valise e retirando a tela.

- Eu só recuperei o trabalho porque o senhor disse que ele lhe é algo de importância vital.

- Uma mulher sempre é meu jovem. - disse o senhor abrindo a tela que tinha uma mulher pintada.

- Ela sorri como se solbesse de algo que eu não sei. - disse Kamus ao observar a tela.

- As mulheres têm vários segredos, eu pintei apenas um deles.

- O senhor é Leonardo Davinci? - perguntou Kamus ao ver a assinatura no rodapé da pintura.

- Sim, estou aqui a pedido do rei. Vim no logar de Michelangelo, ele ficou preso em um teto em Roma.

- Eu sou Kamus Desmolins, príncipe da França, muito prazer! Quem sabe um gênio como o senhor consiga trazer meu pai para o século XVI, pois a mente dele funciona como se estivéssimos no século X!

- Eu não sou nenhum gênio. Na verdade sou só a segunda opção! - disse o bem-humorado pintor.

- Vossa alteza deve... - disse um guarda.

- Sim, eu sei. Eu o levo até o castelo do rei, senhor Davinci. - disse Kamus.

Enquanto isso no feudo...

- Ela está com aquele humor novamente? - perguntou uma velha serva.

- O sol nasceu no leste? - respondeu a outra sarcásticamente.

- Sim , nasceu! - disse Natássia, ao entrar na cozinha.

- Porque a felicidade, senhora? - perguntou a serva.

- Porque eu finalmente consegui dinheiro para tirar Jean da cadeia! - disse a jovem ao despejar algumas moedas sobre o balcão.

- Jean já foi vendido ao rei e será embarcado para as Américas hoje. - disse a outra serva com amargura.

- Então, eu o comprarei devolta! - respondeu Natássia.

- NATÁSSIA! - chamou uma voz que vinha da sala de jantar.

- JÁ VOU SENHORA! - respondeu a jovem.

- Vá logo e tome cuidado senhorita, estas moedas valem tanto quanto as delas! - disse a serva, colocando as moedas no saco novamente para logo depois colocá-lo em um dos bolsos de Natássia.

Chegando a sala de jantar...

- Onde estava? - perguntou Claudine.

- Colhendo maçãs, senhora. - respondeu Natássia.

- Eu disse que queria um ovo de quatro minutos e não quatro ovos de um minuto! - reclamou Pandora.

- Sim, senhora! - disse uma serva retirando os ovos da mesa.

- Bom dia Natássia. - disse Esmeralda.

- Bom dia Esmeralda. - respondeu Natássia.

- Ora, ora, ora vejam só quem andou lendo perto da lareira novamente, está toda coberta de fuligem. - disse Pandora, olhando para Natássia.

- As pessoas leem porque não conseguem pensar por sí próprias. - disse Claudine.

- Eu descordo, a leitura é um hábito que todos deveriam ter. - disse Esmeralda.

- Esmeralda, não fale a menos que possa melhorar o cilêncio! - disse Claudine.

- Perdão mamãe. - disse Esmeralda.

- Natássia, pequena, venha até aqui. - chamou Claudine.

- Sim, senhora. - disse ela se aproximando.

- Olhe para você, parece que dormiu em meio aos porcos. O que posso fazer para que você melhore?

- Eu me esforço, madrasta, mas é difícil me manter limpa fazendo todo o trabalho.

- Ora, eu tenho te acolhido, vestido e alimentado durante todos esses anos e tudo o que pesso em troca é um pouco de colaboração, será que é pedir muito?

- Deixe mamãe! desde quando a plebe mostra algum tipo de gratidão? - disse Pandora.

- Desculpe madrasta, a senhora tem razão. - disse Natássia.

Derrepente Esmeralda se levanta da mesa, indignada pelo ato de sua mãe.

- Aode vai Esmeralda? - perguntou Claudine.

- Perdi a fome. Mamãe. - disse ela irônicamente.

Algum tempo depois no sótão...

- Ainda bem que os vestidos da minha mãe servem em mim. - disse Natássia que estava escondida atrás de um biombo se trocando.

- Você sabe qual é a pena para servos que se passam por membros da corte? - disse Gustave.

- Eu sei, mas Jean precisa de ajuda e este é o único modo de eu conseguir comprar ele devolta.

- Se a Claudine te pegar vestida desse jeito, ela vai te castigar.

- Ela e a Pandora são duas esnobes que não estão nem ligando para este lugar e para nós, aliás, aquelas duas só têm pose mesmo, porque não têm onde cair mortas e ainda fingem que tem dinheiro para gastar! - disse Esmeralda, terminando de colocar os sapatos.

- Se elas te ouvem dizendo isso...

- Ok, eu vou sair, mas não é para você rir ouviu bem?

- Ok!

Quando Esmeralda saiu de trás do biombo, estava trajando um lindo vestido em tons de verde e azul claro, que combinava perfeitamente com seus olhos azuis e seus longos cabelos loiros, que tinham cachos nas pontas.

- Como estou? - perguntou ansiosa.

- Uma verdadeira dama da corte,ou seja, totalmente irreconhecível!

- Eu vou tomar isso como um elogio. - respondeu ela.

- Como quizer, agora vamos fazer alguma coisa nesses cabelos!

Algum tempo depois na praça...

- Parem! - gritou Natássia aos homem que levavam os escravos em uma espécie de gaiola.

- O que quer senhora? - perguntou o homem.

- Pago vinte moedas para que solte meu servo.

- Ele já foi vendido. - respondeu o homem.

- Se não me devolver meu escravo, eu levarei este assunto ao rei! - contestou ela.

- Tarde demais, foi o rei quem comprou estes escravos. Eles serão embaracados para as Américas amanhã bem cedo.

- Eu exijo que devolva meu servo!

- Saia da minha frente. - disse o homem.

- Eu não sairei até que me devolva meu servo.

- SAIA LOGO! - gritou o homem.

- Não é educado gritar com uma dama. - dissse uma voz masculina atrás de Natássia.

- Alteza! - disse ela ao se virar e fazer uma leve reverência.

- Solte o servo dela! - ordenou Kamus.

- Mas, senhor... - tentou contestar o homem.

- Eu serei o próximo rei da França, não acha que é um pouco imprudente discutir comigo? - disse Kamus em tom ameassador.

- Abram, a cela e deixem o servo da senhora sair! - ordenou o homem a seus subalternos.

- Obrigada, alteza. - disse Natássia.

- Porque se importa com alguém que além de ser um servo, é um ladrão? - perguntou Kamus ao descer do cavalo e ficar diante de Natássia.

- Este homem, alteza, é apenas uma vítima de sua própria condição. - explicou ela.

- Não compreendo.

- Bem, a coroa não oferesse estudo e nem condições dígnas de sobrevivência as pessoas de classe inferior, obrigando-as a roubar para sobreviver. Então, visto por este lado, me paresse que o senhor apenas cria ladrões para depois puní-los.

- Qual o seu nome, senhora? - perguntou Kamus.

- Creio que meu nome não seja dígno de ser lembrado por um príncipe. - respondeu Natássia comessando a caminhar.

- O nome de uma mulher que cita, Georges Danton, com certeza é dígno de ser lembrado até mesmo por um rei. - respondeu Kamus seguindo-a.

- Vossa alteza devería se preocupar em cuidar de seu povo e não com um nome.

- Eu cuido do meu povo.

- Me refiro as pessoas que trabalham no campo e fazem este país andar, e não aos que ficam com os créditos por isso.

- A senhora, fala como se realmente se preocupasse com os servos, no entanto, desfruta de todos os luxos que a vida de cortezã lhe oferesse. Isso não lhe paresse um paradóxo?

- O senhor, define o rumo da vida de milhares de pessoas todos os dias, no entanto, em vinte anos não conseguiu definir um rumo para a sua própria vida. Isso também não lhe paresse um paradóxo? - retrucou Natássia.

- Realmente se importa com a plebe?

- São eles que realmente fazem esse país funcionar e por isso meressem tanto ou mais respeito que os membros de outras classes sociais. Hoje, o senhor salvou um servo, mas sequer olhou para os outros? - disse Natássia.

- A vida campestre me cansa. - respondeu ele.

- Como se o senhor soubesse o que é cansaço. - disse Natássia.

- Você me acha esnobe?

- Esta é uma constatação inevitável para qualquer um que passe mais de um minuto a seu lado. - disse Natássia voltando a caminhar, porém dessa vez mais rápido.

- Seu nome. - disse Kamus.

- Não é importante.

- De onde veio?

- De um lugar que tenho certeza que o senhor jamais conheceu. - respondeu ela.

- Deiga-me ao menos aonde estas hospedada.

- Estou hospedada na casa de uma prima.

- Quem é ela?

- É minha única razão de estar aqui. - tentou despistá-lo

- Quem é?

- Minha prima, já disse.

- Onde te encontro?

- Em lugar algum.

- Diga-me ao menos seu nome. - disse Kamus alcançando a garota e se pondo a sua frente.

- Sinto que o único nome que tenho a dizer é Janeviéve Philipeaux. - disse Natássia por fim.

- Nunca conheci ninguém com tamanha paixão pela vida. - disse Kamus.

- Então, alteza, receio que nunca tenha conhecido alguém que realmente tenha vivido. - respondeu ela.

- Kamus... - uma voz chamou.

- Oui. - respondeu o rapaz.

Aproveitando a destração do príncipe, Natássia saiu correndo com seu servo.

- O que está fazendo?

- Eu estava apenas... - ele ía dizer algo mais parou ao perceber que Natássia havia desapareciso.

- Apenas... - disse a senhora ao se aproximar dele.

- Nada de importante mamãe.

- Quem era aquela moça?

- A quem se refere? - tentou desfarçar.

- Ora, Kamus, todos na praça não só a viram como ouviram tudo o que ela disse a você.

- Depois falamos sobre isso mamãe, por hora, vamos indo porque eu tenho algumas coisas para fazer.

- Tudo bem, então, vamos.

Continua...

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Agradecimentos:

Dora Miller: Oie! Que bom que você gostou! Eu adoro por o Kamus pra fazer par com a Natássia (eles ficam bonitinhos juntos né?!rs). O romance já vai começar...

Obrigada pelos elogios...^_^

Bjokss...

Obrigada também, a todos os que leram mais não comentaram...

Bjokss!