Capítulo 1

Reinício

- Eu estou bem - repetiu Bella pela terceira vez enquanto lançava um olhar levemente irritado a Edward. - Não há qualquer necessidade de ir ao hospital!

- Tu desmaiaste repentinamente por causa daquele spray de cabelo, bateste com a cabeça e estás com má cor - disse ele, simplesmente, sem tirar os olhos da estrada. - Vou levar-te ao Carlisle para ele te examinar. Fico mais tranquilo depois de um raio X.

Bella cruzou os braços sobre o peito, olhando pela janela. Detestava quando Edward era demasiado protector. Ela tinha-se sentido enjoada pelo cheiro do spray de cabelo que Alice comprou e tinha perdido momentaneamente os sentidos, pelo que caiu e bateu com a parte esquerda da cabeça na borda da mesa, nada demais. Se de todas as vezes que ela caisse ou batesse com a cabeça, tivesse de ir ao hospital, de certo que passaria lá a vida.

O volvo prateado entrou no estacionamento do hospital de Forks e, assim que parou o carro, Edward apressou-se a ajudar Bella a sair, dirigindo-se em seguida para as urgências. Entraram pela porta, caminharam até ao balcão de atendimento onde o jovem Cullen rapidamente pediu à enfermeira para chamar Carlisle.

- Lamento imenso, Edward, mas o Dr. Cullen está numa operação - informou ela. - Terás de esperar que o médico de serviço às urgências esteja disponível para te atender.

- Não pode passar-nos à frente? - perguntou ele, inclinando-se levemente sobre o balcão. A enfermeira mordeu levemente o lábio inferior perante este gesto. - Por favor, a Bella bateu fortemente com a cabeça. Está com tonturas.

- A única coisa que posso fazer, é enviá-la já para a sala de raio X - vociferou a mulher, entregando uns papéis a Edward. - Sabes o caminho até lá, não sabes? Não posso fazer mais que isso.

- Obrigado, Janice - agradeceu ele, segurando a mão de Bella e dirigindo-se para o corredor da esquerda.

Chegaram à sala dos raios X e ainda esperaram cerca de dez minutos até serem atendidos. Bella continuava a teimar que não era necessário estarem ali e que estava perfeitamente bem, mas era constantemente ignorada pelo namorado. Após ter entrado na sala e tirado os dois raios X, a rapariga regressou para a sala de espera das urgências, onde teria de aguardar que o médico de serviço a pudesse ver. Contudo, Edward estava impaciente. Apesar de não se levantar de onde estava, batia ligeiramente com os dedos nos joelhos e olhava demasiado em volta.

- Vou ver se a operação do Carlisle ainda demora - informou ele, passados alguns minutos, levantando-se e caminhando para fora da sala. - Não saias daqui, Bella.

- Vê lá se eu vou fugir! - exclamou ela, sarcasticamente, enquanto cruzava novamente os braços e revirava os olhos. Assim que Edward deixou a sala, Bella levantou-se e encostou-se à parede. Estava farta de estar sentada e começava a ficar irritada de ali estar - em parte devido à super protecção do namorado.

- Isabella Swan - chamou um enfermeiro jovem aparecendo à porta da sala de espera. Bella olhou para ele. - Siga-me, por favor.

Caminhou até ele e seguiu-o por outro corredor até um consultório. Ele fez-lhe sinal para que entrasse, informando que o médico não demoraria. Bella olhou em volta, observando o local. Era um cómodo pequeno, com uma secretária, cadeiras e uma marquesa encostada à parede. As luzes estavam ligadas, assim como o aquecimento. Nas paredes, um quadro de tamanho razoável decorava o branco, em frente à janela. Era uma vista sobre uma cidade - a qual Bella identificou como sendo Veneza. Sob a secretária, além dos vários papeis de receitas e fichas de doentes, via-se um porta retratos em madeira branca que continha a fotografia de uma bela raposa negra.

A porta abriu-se e Bella rapidamente olhou na direcção do movimento. Esperava um dos médicos que trabalhava com Carlisle naquele hospital, talvez o Dr. Gerandy, mas nunca pensou que fosse uma mulher a sorrir-lhe por detrás dos seus raios X.

- Bella Swan, filha do Chefe Swan, presumo - disse a médica, colocando os raios X sobre a secretária e encarando a morena.

Bella piscou duas vezes os olhos e continuou a olhar a médica. Ela era incrivelmente jovem, se não tivesse com a bata do hospital vestida, Bella apostava que não teria muito mais que a sua idade. Tinha a pele clara e o rosto apresentava feições clássicas e pouco marcadas. Tinhas os cabelos presos num coque, e os olhos - de um verde claro manchado de mel - estavam ligeiramente escondidos por detrás de uns óculos de armação fina e observam-na calmamente. Além disso, ela sorria delicadamente.

- Bom, a Janice disse-me que o teu namorado quase implorou que eu te atendesse - comentou ela, mantendo o sorriso. - Parece que ele é um dos filhos do Dr. Cullen, certo?

- Sim - respondeu Bella mecanicamente ainda a olhar para os estranhos olhos da mulher. Pareciam-lhe levemente familiares.

- Então, diz-me, o que te aconteceu? - perguntou a médica, voltando a olhar para os raios X. - Não tens nenhuma fractura ou contusão, mas, mesmo assim, prefiro saber o que aconteceu.

- Eu desmaiei e bati com a cabeça - contou rapidamente. - Não foi nada de mais, um desmaio por causa do impossível cheiro de um spray para o cabelo. Só que o meu namorado acha que eu sou feita de cristal e insistiu em trazer-me aqui.

- Entendo. Ele fez muito bem, estas situações podem originar problemas graves - explicou a médica, levantando-se e caminhando até Bella. - Se não te importas, vou apenas verificar como está a zona do embate, sim?

Bella não respondeu e limitou-se a indicar onde havia batido com a cabeça. A médica observou o local do embate atentamente, fazendo um pouco de pressão em certas zonas para verificar que estava tudo bem. Porém, no momento em que ela colocou os dedos sobre a cabeça de Bella, esta última sentiu um leve arrepio nas costas. A pele da médica era fria, mas suave e, de alguma forma, acolhedora.

- Parece-me tudo bem, mas vou receitar-te uns compridos para tomares, caso fiques com dores ou tenhas tonturas - informou ela, sentando-se novamente.

- Doutora - chamou Bella levemente constrangida. - Ah, eu não devia perguntar isto, mas... se não é indiscrição... que idade tem?

- Pareço muito nova, não é? - perguntou com um sorriso. - Tenho vinte e dois. Estou apenas a estagiar, sendo que o Dr. Carlisle é o responsável pelo meu estágio.

- Já se pode ser médica aos vinte e dois anos? - admirou-se a morena. - Quantos anos tem o curso de medicina?

- Os meus pais eram médicos e eu sempre me interessei pelo assunto - explicou ela, terminando de prescrever a receita. - Quando entrei para a universidade já sabia mais que muitos alunos do ano seguinte. Prestei exames e deixaram-me avançar um ano. Aqui tens - terminou ao entregar-lhe a receita.

- Obrigada - agradeceu Bella, levantando-se ao mesmo tempo que a médica.

- Bem, eu tenho de ir ver dois pacientes que estão internados - comunicou ela, apertando a mão da rapariga e saindo do consultório. - Com licença.

Bella seguiu logo atrás dela. Deveria voltar para a sala de espera e encontrar Edward antes que ele pensasse que ela havia realmente fugido. Contudo, ainda não tinha saído completamente do consultório quando viu o ruivo a caminhar apressadamente até ela. Sorriu perante a expressão preocupada dele.

- Eu estou bem, não tenho rigorosamente nada! - exclamou ela. - Apenas tenho de tomar isto - entregou a receita ao rapaz - caso tenha dores ou tonturas. Eu disse-te que não era nada.

- Mas podia ter sido - protestou Edward enquanto regressavam ao balcão de atendimento para carimbar a receita. - Imagina que tinhas feito um derrame interno.

- Tu és demasiado pessimista.

- E tu és problemática, Bella! - declarou ele, abrindo a porta para que ela saísse do hospital. - Podias, realmente, estar com algo grave e nem te preocupas.

- Se soubesses a quantidade de vezes que eu costumo bater com a cabeça, não dizias nada - reclamou Bella ao entrar no carro. - É algo normal para mim.

- Sim, é normalíssimo alguém andar a bater com a cabeça nas bordas das mesas! - exclamou sarcasticamente. - É um novo hobby.

- Mas, tal como a médica disse, está tudo bem! - bufou Bella, voltando a cruzar os braços e revirando os olhos. - Raios, nem sequer lhe perguntei o nome. Queria contar ao Charlie sobre a nova médica.

- A estagiária já chegou? - indagou Edward de olhos postos na estrada. - O Calisle disse-nos que vinha uma médica nova de New York, para fazer estágio. Não sabia que já tinha chegado.

- Ela é tão nova! - afirmou a morena. - Disse-me que tinha vinte e dois anos, achas normal?

- Deve ser uma daquelas raparigas marronas que passa a vida com a cabeça enviada nos livros e quase nunca vê a luz do dia - comentou Edward com um sorriso torcista. - Um novo passatempo para o Carlisle. Sei que não vai descansar enquanto ela não tiver um ataque de stress por causa daquilo que tem de saber e fugir daqui. Ou então ela assusta-se com esta cidade e volta para NY.

- Estás a ser mau - acusou Bella, olhando-o de lado. - Em primeiro, o Carlisle não faria isso. E em segundo, ela não me pareceu nenhuma marrona.

- Ah ah - riu-se Edward. - Vamos ver quanto tempo aguenta aqui em Forks. Mudando de assunto... vais jantar lá a casa, neste fim de semana. – como sempre, não era um convite.

- Tenho de falar com o Charlie, mas por quê? - perguntou Bella.

- Tu sabes como é a Alice. Ela adora preparativos e parece que nos arranjou uma festa de noivado - informou ele no que Bella pareceu engasgar-se. - Oh, vá lá, deixa-a divertir-se. Ela está delirante com o nosso casamento.

- Mas eu não quero nenhuma festa! - protestou a morena irritada. - Eu disse-te que não queria!

- Diz isso à Alice - ordenou Edward. - Agora vou levar-te a casa. Tens de falar com o Charlie.

§ § §

Corria, exausto e cansado, sem querer saber para onde se dirigia ou que horas eram ao certo. Limitava-se a correr, gastar as suas últimas energias, esquecer por completo o maldito cartão de casamento que tinha recebido horas antes. Já tinha percorrido uma larga distância, dado a volta sem se aperceber muito bem do que fazia e estava de regresso à floresta de La Push quando caiu por terra, completamente exausto. Não teve forças para voltar a colocar as roupas no corpo, apenas conseguiu virar-se, ficando de costas para cima, antes de perder completamente os sentidos.

Não via qualquer luz, apenas a escuridão corria-lhe o cérebro. Escuridão e sons indistintos, vozes, murmúrios, sussurros, o embater das ondas do mar nas rochas, gritos abafados... O cheiro da erva, da floresta, o cheiro de queimado de uma fogueira, mar, canela e menta, chuva, terra húmida... Uma infinidade de visões distorcidas, contrastes, luzes, sombras, brilhos, nada nítido, confusão, confusão, confusão, confusão! E um anjo... ofuscado pela luz, os cabelos esvoaçantes, o toque delicado e suave, como uma pluma, a sua voz...

- Vais ficar bem - uma promessa divina.

E, subitamente... Trevas!

§ § §

- Eu falo com o Charlie, tu tratas do teu jantar - disse Edward poucos segundos antes de Charlie entrar em casa.

Bella não respondeu. Soltou um suspiro de quem não tem outra hipótese e entrou na cozinha ao mesmo tempo em que o seu pai entrava em casa.

- Bella? - chamou Charlie, retirando o casaco.

- Aqui - respondeu simplesmente. - O Edward janta connosco!

- Oh, Bella, eu tenho imensa pena, mas não vou poder jantar - informou Charlie. - Vim a casa apenas para trocar de roupa, vou agora ter com o Billy a La Push.

- Por quê? - indagou a morena, aparecendo à porta da cozinha. - Aconteceu alguma coisa?

- Encontraram o Jacob desmaiado na orla da floresta, perto da estrada que vai para Port Angels - contou Charlie no que Bella conteve um grito. - Levaram-no para o hospital e ele está lá internado.

- Eu vou lá! - exclamou a morena enquanto Edward saía da sala e revirava os olhos.

- Não adianta ires lá, Bella! - protestou o Cullen.

- Edward – bufou furiosa, aproximando-se do namorado enquanto Charlie subia as escadas. - Ele está neste estado por culpa do cartão idiota que lhe enviaste, lembraste? É o mínimo eu ir ver como ele está.

- Sabes bem o que penso da tua relação com ele - protestou o ruivo. - Não te impeço de fazeres o que quiseres, mas descansa que não ficarei contigo no hospital.

- Por favor - pediu Bella, segurando-lhe o braço. - Ele é meu amigo...

- Faz o que quiseres! - rosnou ele, com os olhos negros fixos na namorada. - Eu não vou poder ir contigo. Tenho de caçar.

§ § §

O cheiro era diferente. Nada de floresta, nada de mar, nem chuva ou o queimado de uma fogueira. Cheirava a pessoas, perfumes comerciais, álcool etílico, medicamentos. Vozes indistintas enchiam-lhe os ouvidos. Vozes de homens e de mulheres, felizes e angustiadas, satisfeitas e destroçadas, mas nenhuma delas se assemelhava à voz do anjo que ouvira na floresta. A escuridão ainda tomava conta da sua mente. Não se atrevia a tentar formular um pensamento que fosse. Sabia que, tudo aquilo que estivera a combater, atacá-lo-ia no preciso momento que ganhasse consciência. Mais vozes e mais cheiros, mais confusão. Aquele aroma demasiado doce do vampiro Cullen pairava no ar. De certeza que se encontrava no hospital Forks. Mas quem se atreveria a levá-lo para lá?

Abriu os olhos sem nada ver. Uma névoa densa cobria tudo à sua volta, transformando o cómodo num misto de contornos mal delineados e uma mistura de cores e brilhos. Voltou a fechá-los e tentou mexer-se, mas ainda não tinha forças para isso, o corpo não lhe obedecia. Engoliu em seco enquanto tentava a todo custo afastar qualquer tipo de pensamento, de raciocínio. Porém, uma voz em particular destacou-se no meio da confusão.

- Eu exijo ver como ele está! - brandou aquela voz, a alguma distância.

Jacob abriu novamente os olhos, esforçando-se para, desta vez, conseguir ver mais que uma névoa e uma mistura de cores. Os contornos estavam mais nítidos e ele teve a certeza que se encontrava num quarto do hospital. Olhou em volta, mais três pessoas encontravam-se internadas naquele cómodo, sendo que nenhuma tinha visitas. Soltou uma pequena exclamação de desagrado e, logo em seguida, viu Bella a surgir, furiosa, pela porta da enfermaria.

- Jake! - exclamou ela, aproximando-se da cama onde o rapaz se encontrava. - Eu fiquei tão preocu-

- Sai daqui - ordenou Jacob com a voz baixa e fraca. - Sai daqui, Bella, sai daqui!

- Desculpa... - murmurou ela parada perto da cama do moreno. - Eu não queria que... desculpa.

- Não me interessa desculpas - afirmou o Black. - Apenas desaparece daqui!

- Deixa-me explicar, por favor - pediu Bella tentando, mais uma vez, aproximar-se. - Eu-

- Sai daqui, Bella, SAI DAQUI! - gritou Jacob furioso, fixando os olhos nos dela. - Eu não te quero ver!

- Jake, eu não saio daqui enquanto não te explicar as coisas! - declarou a morena determinada. - Não quero que cometas mais loucuras, não quero que-

- Pela última vez, SAI DAQUI! - berrou ele completamente irritado. - VAI-TE EMBORA, NÃO TE QUERO PERTO DE MIM!

- Jake... - sussurrou Bella com os olhos marejados ao mesmo tempo em que a porta do quarto era aberta de rompante.

- O que raios se passa aqui? - interrogou a voz da nova médica entrando no cómodo. - Bella, que estás aqui a fazer? O Mr. Black tem de descansar!

- Mas-

- A doutora importa-se de a tirar daqui? - questionou Jacob, dirigindo-se para a médica. - Eu não quero esta rapariga perto de mim!

- Bella, espera-me lá fora, gostaria de falar contigo por uns minutos - pediu ela e, vendo que a rapariga se preparava para retaliar, continuou. - Por favor, não me obrigues a expulsar-te daqui. Espera-me lá fora.

Bella mordeu levemente o lábio inferior e caminhou até à porta, revoltada. Por sua vez, Jacob suspirou pesadamente e virou o rosto na direcção das cortinas que rodeavam a sua cama. Percebeu que a médica ainda ali estava quando ela fechou as mesmas cortinas e ficou a encará-lo. Jake olhou-a de lado antes dela voltar a falar.

- Jacob, eu sou a Dra. Valdis, estagiária do Dr. Cullen, e estou encarregue do teu caso - informou ela, fitando-o por detrás dos óculos finos. - Como te sentes?

- Bem - respondeu secamente. - O que estou aqui a fazer? Como vim aqui parar?

- Encontraram-te na orla da floresta, inconsciente - contou Valdis, retirando o estetoscópio de volta do pescoço e aproximando-se do rapaz. - Eu realmente gostaria de saber como ficaste naquele estado. Respira fundo - ordenou ao abrir a camisa de hospital que Jacob usava e colocar o aparelho no peito.

- Quem me encontrou? - perguntou ele levemente receoso, lembrando-se que, após uma transformação em lobo, nenhuma peça de roupa lhe permanecia no corpo.

- Eu - respondeu a médica com simplicidade, não conseguindo evitar um leve sorriso perante a expressão de constrangimento do rapaz. - Estava a regressar de Port Angels quando a minha raposa me chamou a atenção para ti. Pedi ajuda de imediato.

Jacob tapou os olhos com uma das mãos e voltou a suspirar pesadamente.

- Isto é completamente embaraçoso - confessou ele sem olhar para a Dra. Valdis. - Eu... peço desculpa.

- Não peças desculpa - disse ela, fazendo alguns apontamentos na ficha médica de Jacob. - Explica-me como foste parar ali.

- É complicado - murmurou ele ainda com o olhar desviado.

- Eu tenho algum tempo, não te preocupes - afirmou ela, terminando os apontamentos e encarando o rapaz. - Afinal, eu não te dou alta hoje!

- O quê? - admirou-se ele, virando o rosto para ela. - Só pode estar a brincar, eu não vou ficar aqui!

- Ah vais, sim! - contrariou Valdis. - O Dr. Cullen reprovava-me já se eu te desse alta depois do incrível esgotamento físico que tiveste.

- Mas-

- Eu volto no final do meu turno, para ver como estás e para me explicares o que te tinha acontecido quando te encontrei - avisou ela, abrindo as cortinas e preparando-se para sair do cómodo. - É bom que tenhas uma justificação minimamente plausível.

Jacob ainda tentou responder, mas a médica já tinha deixado o quarto. Do lado de fora, Bella andava de um lado para o outro, profundamente irritada. Ao ver Valdis a sair, não demorou a chegar até ela.

- Eu preciso de falar com ele! - exclamou, cerrando os punhos fortemente. - Ele tem de percebe-

- Ouve, Bella, eu não faço ideia o que tens de dizer ao Jacob, nem quero saber! - declarou ela num tom de voz firme. - Mas ele é meu paciente, acabou de sofrer um esgotamento físico como eu nunca tinha visto e não pode, de maneira nenhuma, irritar-se. Pelo que peço desculpa, mas não te posso deixar entrar.

- Mas eu tenho mesmo de falar com ele! - explodiu Bella, levando as mãos as cabelos. - A Dra. não entende, eu não-

- Isabella Swan, não me faças chatear contigo! - exclamou Valdis seriamente. - O Jacob não está em condições de se irritar e, ao que me pareceu, a tua presença é mais que suficiente para ele ficar fora de si. Falas com ele quando tiver alta, por agora, estás proibida de o ver. E não me olhes assim - avisou ela irritada. - Estou apenas a zelar pelo bem estar do meu paciente. Com licença.

Bella ficou boquiaberta ao ver a médica a afastar-se. Ela tinha-a, simplesmente, proibido de ver o seu amigo. Assim é melhor! disse uma voz na mente da morena. Falas com ele assim que tiver alta e estiverem os dois mais calmos. Suspirou. A voz tinha razão. Virou costas ao corredor por onde a médica tinha seguido e, não sem antes lançar um leve olhar à porta do quarto de Jacob, deixou o hospital.

§ § §

Chegou a casa e bateu com a porta. Ainda não estava totalmente consciente do que se tinha passado no hospital. Jake simplesmente a mandara embora, como se a odiasse, como se ela fosse um ser repugnante, e Bella sentia-se como tal. Ele tinha todo o direito de ser frio com ela, depois do que havia acontecido. Mas seria realmente necessário toda aquela agressividade?

Caminhou, às escuras, pela casa vazia - Charlie deveria estar em La Push com Billy, ou já no hospital -, subiu as escadas, entrou no seu quarto e sentou-se sobre a cama, a olhar para a escuridão. Puxou as pernas para cima, encostando os joelhos ao peito e abraçando-os com força. Lá fora, uma chuva fraca começava a cair. Suspirou e tentou conter as lágrimas que teimavam em marejar-lhe os olhos escuros. Tanta coisa tinha acontecido nos últimos meses. Como é que ela se tinha permitido a perder Jacob daquela maneira?

Afundou a cabeça entre os joelhos e o peito, deixando as lágrimas escorrerem livremente pela sua face e humedecerem a blusa que usava. Sentia o estômago a protestar com fome, mas não se moveria dali até ter expulsado todas as suas mágoas. Mesmo que tivesse de chorar até à manhã seguinte.


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Cap 2 em breve

Just