Punishment

Sinopse: Uma punição sempre soa como algo ruim e doloroso. Mas no caso deles ela veio para mudar tudo, para trazer a tão esperada felicidade e para acabar com todo o fingimento e a mentira.

Ela era uma mulher que desejava morrer. E ele era um vampiro que precisava matar. Ele tinha uma punição para cumprir. E ela tinha o que ele mais desejava: A vida.

Essa é a história de quando unimos o útil ao agradável. E quando finalmente uma punição serviu mais como uma salvação.

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- Narração: Isabella Swan. ( Primeira pessoa do singular )

- Punishment: Punição.

- Vampiros, sangue e tudo que se pode extrair do mundo sobrenatural.

- Essa fic foi inspirada em vários seriados vampiricos, portanto não estranhe se fugir um pouco das habilidades e características dos vampiros de Stephenie Meyer. Aqui você irá encontrar um pouquinho de tudo: Twilight, True Blood e até mesmo The Vampire Diaries.


Abri os olhos ao ouvir o despertador. Aquele chamado não era direcionado a mim, porém era muito prazeroso observar Mike caminhar para longe da minha cama. Para longe de mim.

Com o corpo pesado e a cabeça ainda zunindo por culpa do sono, eu fiquei parada apenas olhando. Mike virou e me deu um beijo na cabeça.

- Durma mais, meu amor. - Sussurrou com o seu hálito nojento batendo em meu rosto. - Ainda está cedo.

Eu assenti fraquinho e esbocei um sorriso no lugar da careta que desejava.

Ele levantou-se e exibiu o seu corpo perfeito ainda nu. Fechei os olhos e senti a náusea me abater com força. Lembrei de como era tê-lo dentro de mim e isso foi o suficiente para me fazer estremecer e segurar um gemido de lamentação.

Escutei seus passos indo em direção ao banheiro. Quando a porta foi fechada eu finalmente consegui voltar a respirar e relaxar. Devo ter pegado no sono novamente porque em um piscar de olhos já estava muito mais tarde e meu corpo parecia muito mais descansado.

Com um suspiro sentei em minha cama e olhei para ao meu redor. Estava tudo perfeitamente arrumado como sempre. Tão perfeito quanto o próprio Mike e a sua vidinha.

O bolor costumeiro formou-se em minha garganta e eu o reprimi com força e dor. Sem muita vontade fui caminhando até o banheiro. Tinha que agüentar mais um dia inteiro de sorrisos falsos e atuações.

Você consegue.. você consegue. Comecei a repetir essas palavras em minha mente como um mantra, enquanto entrava de camisola dentro do chuveiro.

Passei mentalmente toda a minha programação. Não impedi que o suspiro de irritação saísse por meus lábios. Encostei a cabeça no vidro e deixei a mascara cair por alguns instantes.

Não seria tão ruim assim e ainda teria o homem-do-banco mais tarde. Valeria a pena.

Totalmente a pena.

Em uma velocidade mais lenta do que o comum eu me troquei e saí de casa. Como sempre senti o par de olhos me seguindo e me penetrando como se lesse a minha alma. O esnobei como fazia todos os dias.

Sabia que era mais uma de minhas neuroses.

Fui caminhando até a loja da mãe de Mike que ficava apenas há alguns quarteirões de distancia. Ao entrar lá fui recebida por um abraço forte e amável, o respondi da mesma forma, por mais que isso não fosse do meu real agrado.

- Minha querida e amada nora. - Senhora Newton beijava minhas bochechas e me apertava em seus braços caídos.

Sorri de volta e a apertei com um pouquinho mais de força, tentando transmitir o meu falso carinho.

- Minha querida e amada sogra. - Comentei no mesmo tom, recebendo um sorriso gigante em resposta.

- Parece cansada. - Ela passou a mão pelas minhas bochechas.

Culpa do crápula do seu filho, sua velha rabugenta.

- Mike e eu tiramos a noite para namorar. - Senti as minhas bochechas corando voluntariamente.

Senhora Newton deu um risinho malicioso.

- Claro, claro. - O rosto dela se iluminou. - O que me lembra de uma coisa! Já fez o teste hoje?

- Ainda não. - Sorri, mesmo que a minha vontade era de chorar. - Que tal fazermos agora?

- Uma ótima idéia! - Ela virou-se e se dirigiu com a outra mulher que trabalhava na loja. - Jéssica! Eu e Bella já voltamos.

Trabalhar junto com a Senhora Newton havia sido uma idéia idiota que obviamente tinha surgido na cabeça de Mike. Ele realmente acreditava que aquilo só faria bem para nós duas. Que nos uniria mais como uma família.

Besteira.

A cada hora passada naquele lugar o meu ódio por aquela família só crescia, porém eu simplesmente agia como a nora perfeita. A noiva perfeita. A mulher perfeita.

Eu e Mary Newton caminhávamos em direção ao banheiro. Eu segurei a alça da minha bolsa com mais força e senti o ar faltando em meus pulmões. Enquanto a velha tagarelava sem parar eu simplesmente estava me controlando para não ter um ataque.

Aquilo fazia parte da rotina: Chegar ao trabalho, ser saudada por Mary e depois ir fazer o teste com ela no banheiro.

Ela retirou a caixinha da bolsa e me entregou. Vi o seu sorriso de expectativa aumentar, enquanto o segurei com as mãos trêmulas.

Espero que dê negativo.. por favor, dê negativo. Implorava mentalmente.

- Sinto que dessa vez dará positivo. - Falei animadamente, enquanto entrava em um dos box.

Fechei-me lá e abaixei minhas calças. Escutei a minha urina batendo no fundo da privada e com uma certa experiência eu coloquei o exame - já aberto - ali na corrente de liquido amarelado.

Dê negativo.. dê negativo.

Aqueles eram os piores três minutos do meu dia. Era o momento que o meu coração parava de bater e que tudo ao meu redor simplesmente sumia. Só existia aquele exame maldito.

Fechei os olhos e suguei o ar com força. Era o momento da verdade.

Com uma certa hesitação abri os olhos e encarei-o com receio. Negativo. Soltei um longo suspiro de alivio e um largo sorriso brotou em meus lábios. Sentia novamente os meus batimentos cardíacos e a minha respiração se acalmando.

Nem havia percebido que arfava.

Às vezes ficavam imaginando o que eu faria quando desse positivo. Era óbvio que isso aconteceria um dia e eu teria que estar preparada para ocasião. Sentia que podia ter um ataque ou algo parecido.

- E aí? - A voz ansiosa de Mary cortou os meus devaneios.

- Negativo. - Forcei a minha voz a sair triste e distante, como fazia todas as manhãs.

Abri a porta do box e encarei os olhos marejados da minha sogra. Ela me aconchegou em seus braços e me embalou como um bebê chorão.

- Não se preocupe com isso, meu bem. - Ela tentou me confortar. - É normal.

- Será que eu tenho algum problema? - Fiz um biquinho e as lágrimas logo encharcaram os meus olhos.

Até os grandes diretores de Hollywood me aplaudiriam de pé nesse momento.

- Não, querida. - Ela me apertou mais. - Claro que não!

Funguei um pouco e escondi o meu rosto por uns instantes.

Odiava essa obsessão dos Newton por uma criança. Eu nem estava casada ainda e eles teimavam que já estava no momento de engravidar. Isso seria seguir a tradição daquela família ao entrar na igreja com o barrigão.

Como se isso fosse ao menos bonito e respeitoso!

- Está melhor? - Mary sussurrou.

Eu assenti e me afastei.

- Estou sim, Mary. Muito obrigada. - Abri um sorriso grande e que parecia sincero. parecia.

Caminhamos lado a lado até a loja novamente, aproximando-se de Jessica que estava no caixa. Os olhos dela me fitaram com interesse e ela logo lançou um olhar intenso para o meu abdômen.

- E então? - Falou parecendo ansiosa.

- Não foi dessa vez. - Falei com um sorriso triste. - Mas sinto que a hora está chegando. Quero tanto um bebê.

Mary me abraçou e as lágrimas começaram a escorrer por seus olhos azuis como os de Mike.

- Você falou como uma legitima Newton! - Ela gritou escandalosamente.

Depois disso fui vestir o meu uniforme e começar realmente a trabalhar. As horas naquela loja pareciam nunca passar. A cada momento em que eu olhava para o grande relógio que ficava pendurado logo atrás do caixa, ele parecia estar parado no mesmo lugar. Devia estar quebrado.

Vários dos clientes comuns puxaram papo comigo e mostraram a sua gentileza. Os esportistas que freqüentavam aquele lugar adoravam vir bater um papo comigo, e eu os ouvia abertamente. Sorria nas horas certas, comentava quando era necessário.

Era simplesmente perfeito.

Quando as coisas ficavam insuportáveis e eu achava que ia desistir de mentir no meio de uma conversa, eu simplesmente focava a minha mente no homem-do-banco. Repetia a mim mesma que o veria dali a algumas horas e que tudo ficaria bem.

Era tão bom lembrar de todo o seu mistério, enquanto estava rodeada de pessoas previsíveis e monótonas. Sempre ficava me perguntando várias coisas a respeito dele: De quem será que era aquele túmulo? Onde ele morava? Que horas saia dali? No que trabalhava?

E isso só fazia crescer mais a minha curiosidade e a minha atração por ele.

Ele era o objetivo de minha vida. Eu queria desvendá-lo na mesma intensidade que queria apenas deixá-lo como um desafio ou um enigma. Achava que sua presença poderia perder a graça quando finalmente descobrisse tudo e me saciasse.

E então a minha vida perderia completamente o sentido.

- Você parece abatida, Bella. - Mary passou a mão em meu rosto. - Que tal ir para casa mais cedo?

- Eu estou bem, sogra. - Abri um sorriso. - Não quero lhe deixar na mão. E também, seria uma tortura ficar em casa sem o meu Mike.

Notei de longe Jessica revirando os olhos e Mary se deliciando e se perdendo em minhas palavras.

- Você é muito para o meu filho, querida. É uma menina de ouro. - Ela me abraçou.

Realmente.. aquele nojento ninfomaníaco não me merece.

- Eu que não o mereço, Mary. - Assim que as palavras saíram de minha boca observei o sorriso aumentar nos lábios de minha sogra.

- Vá para casa e lhe prepare um jantar. Que tal? Mike irá adorar!

- Tem certeza que não precisa mais de mim?

- Absoluta, meu bem.

Estava feliz por poder sair dali e então abri um dos únicos sorrisos verdadeiros do dia. Despedi-me de Mary e de Jessica e fui caminhando lentamente até a minha casa.

Meus olhos se perderam no banco que eu tanto gostava de admirar nas madrugadas. Senti um leve arrepio em minha nuca. Um vento gelado bateu em meu rosto e me fez soltar um suspiro de alívio.

- Faça o tempo passar mais rápido. - Pedi com a voz baixa. Esperava realmente que ele me escutasse. - O dia está horrível hoje.

Entrei em casa e fui diretamente para a minha cama. Não estava com animo de fazer um jantar, porém sabia que o faria porque eu não podia perder a minha pose de noiva perfeita.

Enquanto estava deitada com a cabeça enfiada nos travesseiros ouvia uma chuva torrencial cair lá fora.

Só pela força do hábito, liguei a televisão e fiquei escutando a voz chata e entediante do apresentador do jornal.

- .. a chuva forte derrubou várias árvores na estrada que liga Seattle e Forks. Pelo visto todos as pessoas que pretendiam fazer esse caminho terão de arrumar um lugar para ficar.

Aquela foi a melhor noticia que eu podia escutar. Senti o meu coração até bater mais forte.

Mike trabalhava em um jornal em Seattle. Ele era colunista e escrevia sobre esportes radicais. Era muito famoso aqui na região o que fazia a loja de sua família ter mais clientes e lucro.

Ele também era um homem que atraia vários olhares femininos. Elas não estavam apenas interessadas em uma noite de sexo e sim em sua conta bancária gorda e recheada.

O telefone começou a tocar instantes depois do homem do jornal dar as boas noticias.

- Alô?

- Amor? - A voz de Mike me fez fazer uma careta.

- Oi, bebezinho. - Comentei com a voz manhosa. - Estou morrendo de saudade.

Um sorriso maldoso não deixou de brotar em meus lábios.

- Já soube das noticias? - Ele não parecia tão chateado como eu previra.

Coloquei a televisão no mute no mesmo instante.

- Não, não. O que aconteceu? - Assumi um tom preocupado.

- Árvores caíram na estrada. Não poderei voltar para casa.

- Você está bem? - Decidi ficar um pouco histérica. Queria compensar a falta de entusiasmo de ontem.

- Estou, Bells. - Ele falou com a voz rouca que não lhe caia nada bem. - Já estou até instalado em um hotel.

- Graças a Deus, amor!

- Queria poder ir para casa. Queria poder te ver..

- Eu também queria que você estivesse aqui, meu amor. Queria estreiar uma lingerie que é um arraso. - Fiz uma voz provocativa que eu sabia que o excitava.

- Hoje vai ficar para a imaginação. - Ele falou tão empolgado quanto eu.

- Durma bem. - Sussurrei. - Eu amo você.

Aquelas palavras soaram erradas demais. Mentirosas demais. Mas eu não liguei, simplesmente as deixei escapar.

- Eu também amo você, noiva. Sonhe comigo. - E então ele desligou.

Subi na cama e comecei a pular como uma criança alegre. Não me sentia animada daquela forma há muito tempo. Eu finalmente teria uma noite só para mim. Uma noite sem que eu precisasse me entregar da forma mais humilhante do mundo.

Uma noite que eu poderia passar o tempo que quisesse observando o meu enigma.

- Sem Mike e seu pinto nojento! - Gritei alegremente.

Decidi que faria todas as coisas que gostava. Cozinhei o meu prato preferido e vesti o meu moletom mais surrado e confortável. Nada das camisolas transparentes de seda que deixavam o meu fio dental aparecendo.

Não lavei a louça e tomei banho de porta aberta. Aumentei a TV em um volume insuportável e quando estava mais tarde pude finalmente me concentrar no romance que estava tentando ler a meses.

Era a minha noite. Somente minha.

Foi tão bom poder finalmente descansar sem ter aqueles dedos intoleráveis me tocando. Foi muito bom poder ter aquele espaço todo para mim, ficar esparramada, sem medo e sem atuar.

Cochilei por algumas horas e senti que toda a minha energia estava revigorada. Era óbvio que todo o meu cansaço era em conseqüência de Mike. Ele sugava toda a minha energia.

Toda a minha felicidade.

Olhei para o relógio e notei que já passava das duas da manhã. Um sorriso de satisfação abriu em meus lábios e eu tive que conter o meu corpo para que ele simplesmente não me desobedecesse e saísse correndo em direção aos degraus da frente da minha casa.

Ele já devia estar lá esperando para ser observado como em todas as noites.

Como de costume vesti uma camisola. Imagina se ele resolvesse olhar para mim e estivesse vestindo aquela roupa tão desleixada. Ele merecia mais. Muito mais.

Encarei-me no espelho que ficava próximo a minha cama por alguns instantes. Estava sendo refletida uma mulher de estatura mediana, cabelos longos e escuros com olhos cor de chocolate.

Ela parecia feliz.

Fiz novamente o caminho em direção a minha felicidade. Dessa vez não prestei atenção no barulho da madeira e sim no do meu coração. Ele pulava em ansiedade e expectativa. Eu ansiava tanto vê-lo e perder meus olhos em seu mistério que chegava a doer.

Abri a porta e mais uma vez fui recebida pela brisa gelada e acolhedora. Meu olhar correu diretamente para o banco como se a minha vida dependesse daquilo. Porém ele estava vazio.

Pisquei os olhos e os esfreguei com a mão antes de abri-los novamente e encarar o mesmo lugar de toda noite. Vazio. Completamente vazio.

O desespero me tomou e fez com que eu levasse a mão ao peito. Olhei para os lados e procurei qualquer indicio de sua presença. Mas nada.

- Como? - Sussurrei baixinho. - Onde?

Fiquei com medo. Será que aquele homem não era simplesmente uma ilusão da minha cabeça doente e perturbada? Será que eu não o estava imaginando para esquecer de meus problemas?

Suguei o ar com força e me apoiei no corrimão.

Não. Não tinha como eu ter inventado uma pessoa tão imperfeitamente linda. Não tinha como a minha imaginação criar tudo aquilo. Todo o mistério que o rodeava e que me fazia perder a cabeça.

Um misto estranho de emoções percorreu e o meu corpo e uma coragem absurda invadiu a minha alma. De repente eu estava caminhando. Não tinha mais controle sob meus membros, tudo agia de acordo com as minhas emoções.

Fazia tanto tempo que eu não sentia nada. Que eu era passiva. E agora que essa onda elétrica percorria meu corpo eu simplesmente não conseguia controlar. Eu estava me descontrolando pela vida toda.

Fui observando o banco ficando cada vez mais próximo. Eu estava com os meus olhos cravados lá. Tentando achar alguma explicação convincente. Tentando acreditar que ele era realmente real.

O banco agora estava há menos de meio metro de distância. Eu não controlei os meus dedos e logo passei a tocá-lo, sentir a sua textura com bastante delicadeza e concentração. O homem havia sentado ali. Eu sentia isso.

Eu sentia a presença dele ali.

Sentei em seu lugar e encarei a porta da minha casa com um sorriso. Pensei que se estivesse alguém sentado ali nos degraus dava para vê-la perfeitamente bem, e se ela usasse camisola - como eu usava todas as noites - provavelmente daria para ver a sua calcinha, ou a falta dela.

Corei com aquele pensamento e soltei um risinho.

Talvez ele realmente soubesse o que eu fazia antes de vir vê-lo, afinal. Eu estava com as provas bem no meio das minhas pernas. Só a minha nudez demonstrava tudo claramente.

Talvez ele sempre soubesse da minha presença e nessa noite desconfiara que eu viesse finalmente me aproximar. Talvez ele tivesse nojo de mim por ser tão sem vergonha e por andar sem as roupas de baixo.

Soltei um longo suspiro e encarei o tumulo pela primeira vez. Daquele ângulo não dava para ler o que estava escrito na lápide, mas eu não me importei. Só de saber que ali dentro descansava alguém importante para o meu homem já bastava. Já era o suficiente para me fazer respeitá-lo e sentir a sua perda.

Porém a curiosidade brotou em minha cabeça. Como se alguém estivesse me controlando a fazê-lo. Como se eu fosse a marionete pronta para ser comandada e controlada.

Abaixei-me na grama molhada com o sereno e me apoiei sob o braço para ler o nome do falecido: Edward Cullen.

Era o um belo nome. Parecia um nome de um nobre ou de alguém respeitoso. A curiosidade cresceu ainda mais em meu peito. Eu precisava saber como era o rosto do homem com esse nome e então encarei a foto que ficava logo ao lado da escritura.

O choque me abateu e me fez cair no chão. A minha cabeça começou a girar e todos os acontecimentos a passar por ela. Era ele. Eu não tinha duvidas sobre isso. Eu o observara tempo demais para confundi-lo.

Ele estava incrivelmente bonito na foto e exibia um sorriso torto e singelo.

Ele estava morto.

Uma brisa gélida bateu em meu pescoço. Era como se alguém estivesse respirando bem atrás de mim.

Um arrepio percorreu a minha espinha e me fez fechar os olhos por um instante.

Eu não gritei quando braços frios me envolveram e nem quando eles me jogaram violentamente sob o banco que eu tanto admirava. Era como se eu já soubesse que aquilo aconteceria desde quando havia descido o primeiro degrau da escada que ficava em frente a minha casa.

Já estava premeditado.

Ainda de olhos fechados eu senti um corpo fazendo pressão sob o meu. Senti mãos grandes e macias acariciando-me e me fazendo arqueá-lo de surpresa e de prazer.

Lábios tocavam os meus ombros desnudos pela camisola de alça fina. Eles eram frios, porém proporcionavam calor ao meu corpo. Deixavam-me desejosa e incrivelmente quente.

- Você demorou muito para vir, Bella. - Ele sussurrou bem perto do meu ouvido.

Abri os olhos por conta do choque ao ouvir o meu nome soar tão sensual em seus lábios. Era a primeira vez que eu ouvia a sua voz e ela era melodiosa, rouca e perfeita. E então foi a primeira vez que vi seus olhos.

Seus lábios tomaram os meus no mesmo instante, impossibilitando-me de gritar em choque. Sua língua penetrou a minha boca me fazendo perder a linha de raciocínio, fazendo com que eu esquecesse das íris vermelhas que me fitavam com tanta fome.

Eu correspondi veementemente, até abrindo as pernas para encaixá-lo melhor. Suas mãos pareciam estar em toda parte e sua boca se encaixava e se esfregava na minha de uma forma tão perfeita e única que me deixavam louca.

Eu acho que eu nunca estivera tão acesa. Nunca havia reparado como um bom amasso era bom e prazeroso. Desejava muito que ele cometesse loucuras comigo. Desejava me perder na vermelhidão de seus olhos.

- Oh, meu deus. - Murmurei quando aquela boca soltou-se a minha e foi em direção ao meu pescoço.

As mãos dele agora me tocavam por dentro da camisola. Acariciavam a minha barriga magra e branca, apertavam-me, fazendo-me gemer e me estremecer.

De repente elas estavam brincando com o elástico da minha calcinha, nem ao menos um segundo depois.

- Por que justo hoje foi inventar de usar calcinhas, Bella? - O sussurro dele foi tão baixo e malicioso que quase fez o meu coração parar.

Eu senti que estava derretendo e que podia morrer a qualquer momento. Nem ao menos percebi que corava e que aquela era a prova de que ele sabia de minha existência e que ele notara na minha falta de roupa nas noites antigas.

Ouvi um tecido rasgando-se e sinceramente não me importei, porque eu pulsava por ele. Sentia o meu ponto mais íntimo úmido e simplesmente latejando de tanta vontade de senti-lo dentro de mim.

Aquilo me assustou. Nunca havia sentido um desejo tão grande e desesperador. Achava que podia morrer se ele não me penetrasse. Eu costumava ter nojo e asco dessas partes, porém agora ela me parecia tão atraente.

Tão certa.

- Quero fazê-la gemer verdadeiramente. - Nem ao menos havia reparado que ele já tinha abaixado as próprias calças. Só apenas o senti me invadindo com força, fazendo com que eu tivesse um espasmo de puro prazer e surpresa com o seu tamanho.

Tudo ficou borrado para mim. Apenas sentia o seu membro latejante me penetrando e essa era a melhor sensação do mundo. Enquanto isso o beijava de olhos abertos, para que assim a sua beleza não me escapasse da vista.

Assim eu podia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.

Meu corpo estava metade no banco e metade para fora. As minhas costas doíam e eu as sentia arranhando no cimento, porém não ligava. Todo o meu foco estava nele. No homem lindo, misterioso, sexy e perigoso que me penetrava sem dó nem piedade.

Eu sabia que ele representava perigo. Cada poro do seu corpo exalava isso, fazia com que eu tivesse estremecimentos, porém isso não era o suficiente para me fazer querer fugir.

Agora eu gemia loucamente e eu sabia que não era nada forçado. Soava tão diferente aos meus ouvidos. Meu corpo balançava na sincronia perfeita com o dele e eu agarrava os seus cabelos cor de cobre entre meus dedos, os puxando e tentando fazê-lo sofrer como eu.

Em seu rosto eu podia ver o êxtase puro e isso me agradava. E eu queria fazer mais. Eu queria muito mais.

Senti que estava próxima do ápice e meu corpo já mostrava alguns sinais. E então o rosto dele foi aproximando-se do meu mais uma vez, porém ele não me beijou. Ele foi com ele em direção ao meu pescoço e com as mãos de uma forma brusca puxou a minha cabeça para o lado.

Gostei daquele lado selvagem. Fez com que eu gemesse mais alto.

Com a outra mão ele prendeu os meus dois pulsos em cima da minha cabeça e então começou a beijar o meu pescoço, deixando-me louca e temerosa.

- Me desculpe por isso. - Sussurrou bem baixinho próximo a minha orelha.

Não esperava a dor que veio a seguir. E ela veio no mesmo instante que o meu orgasmo, fazendo com que eu me perdesse entre a dor e o prazer, criando um misto ainda mais agradável.

Sentia como se ele estivesse rasgando o meu pescoço, enquanto eu gozava loucamente sob ele. Os espasmos no meu corpo eram violentos e eu no começo até tentei expulsá-lo por conta do susto, mas logo desisti dessa idéia.

Ele estava sugando todas as mentiras pelo meu pescoço. A cada instante eu sentia a minha vida esvaindo-se por entre a boca perfeita dele. Sentia que ele retirava a minha força vital, mas não a minha sensação prazerosa.

Eu estava o ajudando. Eu sentia isso. E isso me fazia feliz. Verdadeiramente feliz.

Tudo foi ficando turvo e distante. Eu sentia as coisas ao meu redor acontecendo em câmera lenta e sabia que tudo estava prestes a acabar. Todo o meu sofrimento, a minha passividade, infelicidade e todos os meus fingimentos.

Então aquela boca soltou-se de mim e eu me senti mais sozinha do que nunca. Ia abrir a boca para pedir que ele voltasse a me sugar quando encontrei seus olhos vermelhos sob os meus.

Havia sangue em seus lábios e aquilo o deixava mais sensual. Tive uma vontade estranha de sugá-los. Ele levou o próprio pulso a boca e a perfurou em frente aos meus olhos, fazendo jorrar sangue com força dali.

- Beba. - Ele ordenou o esticando para mim.

Eu nem cogitei a idéia de não fazer. Simplesmente agarrei-lhe o braço com as minhas mãos - que agora já estavam soltas - e os levei até os meus lábios, sugando os furos com certa hesitação.

Quando aquele líquido tocou a minha língua tudo mudou. Eu o puxei com mais força e o suguei com mais pressão. Era tão bom. Era tão certo. E eu precisava de mais. Parecia que toda a minha clareza estava voltando, porém a vida já havia ficado para trás.

Não conseguia sentir o calor vir junto do despertar. Só conseguia assimilar que aquele sangue era a melhor refeição de todos os tempos e que era só dele que eu precisava para viver.

Edward deu uma risadinha quando percebeu o meu desespero. Sugava-o avidamente, segurando-lhe com força e decisão. Parecia uma pessoa que não bebia água há muito tempo e então era presenteada com a água mais cristalina e boa da região.

- Chega. - Ele tentou tirar o seu pulso de mim com delicadeza, porém eu o impedi.

Era muito malvado retirar o doce da boca da criança. Soltei um gemido em forma de protesto.

- Você já bebeu o suficiente, Isabella. - Ele falou de forma autoritária que me fez retirar a minha boca imediatamente.

Quando meus lábios se distanciaram daquela maravilha eu consegui finalmente sentir o cansaço sob o meu corpo. Não tinha forças para nada. Puxei o ar com força e o meu pulmão doeu.

Tudo doía.

- Estou cansada. - Falei em um fio de voz.

- Descanse. Você realmente precisa. - Ele já não estava mais encima de mim. Apenas o olhei mais uma vez.

E depois deixei o meu corpo cair na escuridão.


Nota da Autora: Mais um pouquinho para vocês. Esse pedaço com cenas mais fortes, onde o nosso personagem Edward teve uma participação mais importante. Espero sinceramente que vocês tenham gostado.

Essa fic é muito diferente de tudo, porque ela mistura vários universos, não apenas o Twilight. Espero que isso não seja um problema para vocês.

Agradecimento especial: Eu queria agradecer a todas as pessoas lindas que mandaram reviews. Eu as li e as amei. De verdade! Elas são o combustivel do meu trabalho, com elas sei que estou agradando e tenho mais vontade de escrever. |Muitissimo obrigado. Não conseguirei respondê-las, porque comecei a trabalhar e tempo está BEM curto. Mas saibam que eu as adoro, do fundo do meu coração.

O próximo pedaço virá em breve.. só depende de vocês.

Beiiijinhos!