Carol estacionou o carro em frente a um edifício alto, moderno e ornamentado. A distância entre Oak Room e Madison Avenue não era colossal e a viagem foi calma e silênciosa, apenas houve troca de olhares e sorrisos meigos.

Therese abriu a porta do passageiro e saiu da viatura observando atentamente a rua, os prédios e as pessoas que passeavam tardiamente.

- Bem-vinda à minha nova morada. Espero que estejas preparada para visitar o meu covil – o tom irónico e sedutor de Carol fez com que a mulher mais nova sentisse um arrepio, olhasse alegremente e soltasse um enorme sorriso.

Entraram no prédio e subiram até ao segundo andar. Os corredores eram largos e o chão era coberto com uma alcatifa requintada cinzenta. Viraram à esquerda e caminharam por breves segundos até chegarem à porta 2D.

- Chegou o momento. Tenho de confessar que estou um pouco nervosa. Espero que gostes.

- Tenho a certeza de que vai ser o apartamento mais bonito que eu já vi – Belivet tocou no braço da sua amada fazendo-a sentir-se segura e confortável.

A mulher mais velha abriu a porta calmamente, colocou a mão nas costas de Therese e empurrou-a suavemente para dentro do seu apartamento. A moça inclinou a cabeça para o lado direito de modo a ver Carol enquando deslizava com o impulso do empurrão. Ao voltar-se novamente para a frente, a jovem mulher examinou atentamente cada divisão do compartimento. À esquerda existia um corredor que separava a cozinha, a suite, o WC e um quarto médio que não estava decorado e à direita havia uma enorme sala com um sofá de canto, uma pequena estante com livros, uma televisão e uma mesa média de jantar. Os olhos de Belivet encantavam-se cada vez que miravam uma nova direção.

- Carol! Sinceramente não percebo a razão do teu nervosismo.

- Bem, eu… Eu apenas quero que gostes do que é meu.

- Que eu goste? O apartamento é simplesmente perfeito! Foste tu que o decoraste? E sozinha?

O espanto e o orgulho da moça fizeram a mulher mais velha sentir tanta alegria e afecto. Ai como Carol desejava sentir os lábios do seu amor naquele momento.

- Vou buscar umas bolachas e fazer chá. Queres também?

- Sim, por favor.

Aird dirigiu-se para a cozinha enquanto a mulher mais nova continuava a explorar a casa. Averiguou calmamente todos os detalhes da decoração. A sua amada tinha feito um trabalho esplêndido. Olhou para o canto da sala e estava lá um gira-discos com um disco de vinil no seu interior. Aproximou-se para observar melhor. A curiosidade tomou conta do seu corpo fazendo a sua mão colocar a agulha sobre o círculo para reproduzir a música. Therese não queria acreditar na melodia que estava a ouvir. Era a peça de Teddy Wilson ft Billie Holiday que tinha tocado no piano em casa de Carol, quando a visitou pela primeira vez. Fechou os olhos para desfrutar das memórias calorosas que a mente lhe trazia.

- Tenho ouvido este disco todos os dias desde que nos afastamos. Lembro-me perfeitamente da manhã em que me ofereceste-o.

A moça virou-se rapidamente encontrando Carol sentada no sofá com uma pequena mesa à sua frente onde sobre ela estavam duas chávenas de chá e um prato com bolachas de chocolate.

- "Que nos afastamos?!" Tu é que me abandonaste, Carol. Tu é que foste embora deixando apenas uma carta dolorosa, não eu!

O desabafo espetou o coração da mulher mais velha como uma faca. Therese não tinha intenção de dizer tais palavras, mas a mágoa e a fúria emergiram da sua alma.

- Eu liguei-te inúmeras vezes, chorei todas as noites, perguntei a mim mesma todos os dias "Onde é que eu errei?" e olhava desesperadamente para a porta do meu apartamento com esperança de ouvir um toque e seres tu – as lágrimas corriam belo rosto de Belivet e num gesto bruto ela desligou o gira-discos.

Um suspiro doloroso foi soltado por Carol e os seus olhos começaram a encher-se de água.

- Therese… eu nunca te quis magoar. Eu tive de pensar na minha filha…

- Eu sei – gritou a mulher mais nova num tom estridente.

A raiva, a dor, a tristeza e o rancor pairavam no ar. Therese olhou para Carol e viu como a magoou naquele momento. Estava na casa da sua amada como hóspede e criou uma discussão. "O que foi que eu fiz?", pensou a moça cheia de arrependimento. Ao perceber que tinha estragado qualquer hipótese de envolvimento com a mulher que amava, Belivet apoiou as costas na parede e escorregou até sentar-se no chão. A solidão invadiu o seu coração mesmo não estando sozinha. Desviando o olhar da mulher mais velha suspirou:

- Acho que a minha estadia aqui terminou. É melhor eu ir embora.

- Não! Por favor, fica. Eu preciso desesperadamente de resolver todos os nossos problemas. Podemos nunca mais ter o que tinhamos, mas eu não aguento viver sabendo que me odeias.

Therese não estava à espera daquela reação de Carol. Partia-lhe a alma ver o seu amor chorando e em desespero, mas partia-lhe ainda mais o coração a amada pensar que era odiada.

A jovem mulher gatinhou melancolicamente até ao sofá, apoiou-se nos joelhos de Carol e colocou o cabelo dourado da mulher mais velha atrás das orelhas.

- Nunca mais penses que eu te odeio, pois é algo impossível em todo o universo.

Carol ao sentir o rosto de Therese perto do seu não conseguiu evitar a paixão que lhe corria pelo corpo. Então num gesto doce e rápido segurou a face da moça e beijou sua boca meigamente. Aird não queria saber da discussão, só queria tocar no seu anjo nem que fosse a última vez.

Sem quebrar o beijo, Belivet colocou suas mãos na cintura da mulher que amava e entre toques e carícias colocou ambas de pé. A mulher mais velha ao perceber que era desejada começou a beijar calorosamente o pescoço da moça. Therese gemeu de desejo sentido as mãos de Carol massajando todo o corpo.

- Leva-me para a cama.

Aird não queria ouvir outra coisa. Esboçou um sorriso atrevido e voltou beijar Therese, e ao mesmo tempo que a impulsionava para o seu quarto, movia sua lingua no interior da boca da jovem mulher. Carol deitou ferozmente a sua amada na cama, tocou firmemente nos seios e deu pequenos beijos ao longo do pescoço. Belivet agarrou nos braços da mulher mais velha e puxou, de modo, a ficar deitada por cima de Carol. A moça acarinhou todas as partes do corpo da sua amante, despiu as roupas e deslizou as mãos até às nádegas, ficando com a cabeça por entre as pernas. A respiração de Aird começou a acelerar e Therese disse num tom sedutor:

- Esta noite quem dita as regras sou eu!