Laços de Destruição

Capitulo 2: Lições de caça.

-Grande Odin, desejamos apenas sua permissão meu senhor!

Odin realmente não queria crer no que ouvia. Os três campeões do torneio de caça haviam retornado no mesmo dia em que os enviou. Suas trilhas de alguma forma haviam se cruzado e cruzado com seus pesadelos. Belealf trazia nas mãos um desenho de uma pata, em tamanho natural, o problema é que ela dava duas do tamanho da mão do forte homem. Odin reconheceu o tipo de pata, lembrava á de um cachorro e, claro, só poderia haver uma criatura assim em Asgard.

-Mandem chamar Loki. Eu espero que entendam que jamais lhes foi dada permissão para caçar nas florestas do palácio.

-Pai de Todos, nada caçamos em suas terras, mas a trilha para lá nos levou, e é apenas a vontade de servir-lo que nos trouxe aqui para que possa atender esse humilde pedido. – continuou Gladsheim, que havia sido o principal interessado no animal.

-È contra todas as regras, jamais tal coisa foi proposta antes.

-Então nos de a honra de sermos os primeiros a tentar. Grande Odin, não creio que sozinho qualquer um de nos tenha alguma chance, se o que conversamos enquanto nos dirigíamos pra cá estiver certo, esta criatura é REALMENTE grande e poderosa, me espanta que ela tenha passado despercebida por seus caçadores. – o comentário de Kalico não o surpreendeu. È claro que o animal havia passado despercebido pelos caçadores reais. Nenhum deles tinha permissão para adentrar a parte da antiga floresta, que por ser naturalmente perigoso ainda abrigava á fera. Não importava qual fosse à situação, eles jamais poderiam ir para lá.

-Pai de todos, se nos der permissão, garanto que não voltaremos sem este troféu. Imagino a grandeza que terá os caçadores desse reino. A grandeza que esse torneio tomará diante dos nove reinos, acredite na segurança que a eliminação desse monstro pode trazer.

Ao entrar no salão e ver o brilho decidido nos olhos do pai, Loki só pode emudecer.

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Mal-humor não era uma descrição muito exata para o que Loki sentia. Ele sentou, levantou, andou pela sala de estudos e num ímpeto final jogou um enorme vaso contra a porta. Thor foi rápido o bastante para com um golpe de braço desviar o vaso de sua direção. O loiro olhou para o irmão menor. Podia ver o brilho furioso nos olhos esmeralda e esperava que aquilo não fosse para si.

-Loki ?

- O que deseja irmão ?

-Apenas descobrir o que o pai queria falar-lhe. Soube que ele o chamou...

- Não é da sua conta.

Thor suspirou. Sabia que seria difícil.

-Então você não precisa de nada ?

-Preciso, paz e tranquilidade seriam ótimas nesse momento. Como vê nada que você realmente possa conseguir.

Thor suspirou novamente e enquanto saia sua mente sussurrava para si. "Mas eu faria tudo por você irmão".

Loki estava furioso, Odin, seu pai, seu REI, havia liberado as florestas do palácio para o torneio de caça. È claro, isso significava que Loki teria que retirar o feitiço de proteção que havia sido conjurado. Ele também não podia obrigar Fenris á permanecer na ala isolada do palácio ate aquela loucura acabar. O lado bom, se é que podia ser posto dessa forma, era que, como em qualquer caçada, os caçadores estavam por sua conta e risco.

Com esse pensamento o deus da trapaça sorriu.

"Após a permissão de Odin, os três guerreiros voltarão à floresta, com seus cavalos abastecidos e armas em mãos. Boa parte da manhã será gasta buscando pistas da 'terrível besta'. Pouco depois do meio dia, eles pararão para almoçar. Há um acordo entre eles, após capturarem a fera, cada um seguiria seu rumo atrás da segunda caça para o torneiro. Que lindo ! O mais belo e poderoso troféu que haveria nas salas históricas de Odin. Há! Coitados..."

Da enorme varanda de seu quarto Loki observava pouco a pouco o dia passar. Os caçadores de Odin queriam um troféu ? Bem, eles não eram os únicos.

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Essa é tua casa. E melhor que ninguém você saberá utilizá-la á seu favor.

Estava no ar, na terra, na forma como as folhas balançavam. Ele sabia, havia começado, Loki, tinha dito que poderia acontecer.

E ele faria acontecer.

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O dia se estendia, guerreiros poderosos penetravam na grande floresta. Com suas lanças e espadas e com sede de gloria. Pegadas, sombras, pelos em galhos, as únicas pistas de sua presa. A empolgação era grande, grande o bastante para nublar o perigo que espreita, esperando, com sua própria sede o sangue em suas presas.

Conforme escurecia os caçadores começavam a perceber porque a Antiga floresta era proibida. Suas arvores velhas tinham folhas largas que impedia a luz da lua de entrar facilmente, seus troncos rijos eram sombrios e nessa noite de inverno o vento uivava quase tanto quanto os lobos.

Pouco a frente á uma clareira, ela não dá nada alem da vista pra uma colina, quase uma pequena montanha* , onde, banhado em luar o maior lobo que qualquer um deles já viu em suas vida, seus olhos dourados , sem medo, sem culpa, sem piedade. O uivo alto ecoa pela floresta, de varias partes seus iguais respondem. Eles agora sabem agora todos os moradores da mais antiga das florestas sabem. Hoje é noite de caça !

O glorioso animal saltou para escuridão abaixo de si. Sua trilha desaparecendo na terra. O som de galhos quebrando eram as únicas pistas que podiam seguir e seguiram.

Horas se passaram. E aquela altura eles já não tinham certeza do quão fundo eles estavam na velha floresta , ainda em seus cavalos eles ouviram algo se aproximar, um barulho de ossos e pedras, velozmente se aproximando... os cavalos empinaram quando o bando de cervos passou por eles, assustados e insanos. Em meio ao caos o cavalo de Beleaf empinou-se mais uma vez nas pernas traseiras quando das sombras o enorme lobo surgiu, atacando seu cavaleiro e o levando com sigo para escuridão da floresta, tão rápida e mortalmente quanto veio, se foi, deixando apenas um cavalo e manchas de sangue na terra.

Foi preciso um momento. Um momento para que Gladshiem e Kalico se recuperassem, para que tentasse, mesmo que em vão entender o que acontecerá, uma troca de olhares rápida e eles seguiram atrás da fera. Suas trilhas os levaram caminhos de escuridão sem fim, um cheiro de umidade começava a despontar das arvores, assim como pequenos ruídos.

Mesmo a pouca luz, eles viram, metros a frente o corpo de Beleaf, partido ao meio, deixado em uma poça de sangue com apenas o frio cenário ao redor. Não fazia sentido, não havia lógica. Eles trocaram olhares mais uma vez.

-Por que ele o deixaria aqui ? – a pergunta na mente de ambos escapou pelos lábios do caçador de Asgard – Ele pegou sua presa, por que deixa-lo sem nem mesmo aproveitar?.

Kalico olhou para Gladshiem com certo nojo, ele não parecia se importar com a morte do outro homem a tratava como um jogo, e talvez para todos fosse exatamente isso.

-Ele o deixou aqui, caçador, porque nós ainda estamos vivos. E Beleaf não entrou sozinho nessa floresta.

A ideia de ser caçado por sua própria caça fez Gladshiem rir !

-Então existe uma fera com coragem para desafiar Gladshiem. È o que veremos !

Ele seguiu em frente, perdendo a face preocupada de Kalico. Se a fera sabia que estava sendo caçada, então, talvez, eles realmente não estavam mais caçando...

Uma neblina se formava , era fina, fruta da garoa que brilhava tênue á luz da lua que recusava-se á perder a majestade naquela noite. Kalico lamentava não terem parado para procurar abrigo. No cosmo sem fim no qual ele navegava, tudo era o vazio, o silencio e a calmaria. Uma vastidão sem começo nem fim. Agora naquele lugar , ele podia sentir-se claustrofóbico.

Nunca o silencio, nunca o céu vasto e luminoso. Gladshiem parecia completamente indiferente à preocupação e desconforto que Kalico sentia. E isso só o fazia se sentir pior.

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-Você esta quieto Loki.

Olhos esmeraldas se voltaram para o Deus do trovão.

-Comparado á... ?

-Bem, mais quieto que o normal.

-Eu estou bem Thor.

-Mas você passou o dia todo inquieto. E agora...

-E agora não falta muito mais que um par de horas para o amanhecer. Eu estou cansado irmão. Deixe-me.

Thor encarou seu irmão largado sobre um confortável divã, o veludo escuro ameaçando engoli-lo em sua atual fragilidade. Thor se deitou consigo o abraçando.

-Nunca.

Loki realmente devia estar cansado, pois ele não protestou.