Olá, gente. Esse capítulo é na perspectiva do Gold. Agora finalmente temos o pontapé inicial da estória, que é a chegada da... Oops! Não vão querer spoiler, né? Mas vocês podem encontrar a resposta logo abaixo.
Infelizmente não deu para postar ainda em dezembro, mas tenho orgulho de dizer que hoje estou aqui. Dei uma pressinha nos fanarts para dar tempo de postar hoje, que, afinal, é um dia especial para Pokemon. Foi anunciada a nova geração dos games: X e Y. Uhuu!
Bem, em ritmo de festa, vos apresento mais um capítulo de Out of Order.
Disclaimer: Pokemon não me pertence
Visão do Gold
Abri a porta e me deparei com a pessoa que eu menos esperava encontrar no momento.
-O-O que é que ela tá fazendo aqui?! – consegui exclamar, perplexo.
-Essa é a Crystal, minha irmã que veio para morar conosco. Mas... – ah, então era ela. Que terrível coincidência... - Vocês já se conheciam?
-Você! – a garota de brilhantes olhos azuis me reconheceu – VOCÊ! – ela bradou furiosa.
Eu reconhecia um sinal de perigo quando via um, e tinha amor pela minha vida, então, dei meia volta para escapar dali rapidamente.
-Espera aí! – a mão do Bill me segurou pela camisa, impedindo minha fuga.
Droga!
– Será que alguém pode me explicar o que houve para vocês dois terem esse tipo de reação?- ele disse com um tom confuso.
Suspirei derrotado. É, hoje não era meu dia...
Mas vocês devem estar se perguntando "que droga é essa?", "do que eles estão falando?", ou coisas desse tipo. Calma, calma, eu explico. Mas, para explicar, eu vou ter que voltar um pouco no tempo, mais especificamente para o começo do dia...
RETROSPECTIVA
- Vamos! Só mais um pouco!
Eu estava montado numa espécie de arraia gigante, voando sobre uma colina. Um pouco à frente eu podia ver uma caverna e, por alguma razão, eu queria muito entrar ali dentro. Aterrissei perto da sua entrada e pude ouvir um forte ruído sair de lá de dentro. Lembrava um pio, mas, se fosse realmente um pio, seria de uma ave gigantesca. Aquilo, que poderia assustar a muitos, inesperadamente me instigou. E eu adentrei a caverna para lá dentro encontrar...
-Hey! – senti algo me sacudindo.
A imagem de uma fênix com as cores do arco-íris se distorceu à minha frente.
-Hey, Gold. Acorda! – dessa vez o movimento foi mais forte. Eu lentamente abri os olhos.
-Quê? – balbuciei ainda grogue.
-Acorda, Gold! O Bill tá chamando a gente lá na sala. – A voz do Ruby falava. Reconheci no Silver a fonte dos movimentos que me acordaram.
Meio tonto conseguir dizer:
-Caras, 'cês tão loucos? Ainda são 6 da manhã... E as aulas nem começaram ainda. – para quê acordar tão cedo, se não tínhamos nenhum compromisso?
– Eu também achei estranho... – o Ruby coçou os olhos. Sua voz não negava que ele 'tava sonolento. – ...mas, o Bill pediu para a gente ir para a sala agora.
Me arrastei até a sala, pelo jeito, eu era o último a acordar porque todos os outros já estavam de pé, esperando. Ao ver que todos tinham chegado, o Bill começou:
-Agora que estão todos aqui, posso falar. Bem, eu não sei ao certo como isso foi acontecer, - ele massageava a testa, seu estresse era visível - mas, o fato é que teremos um novo morador.
Eu não sei se isso é bom ou ruim. Se for mais um cara sem-graça, eu dispenso. Já estamos saturados desses por aqui. Mas se for uma garota interessante, por mim tudo bem!
Ah, mas que garota em bom estado mental viria morar com sete homens bagunceiros e um maníaco por moda? Tratei logo de eliminar minhas esperanças. Não tem jeito de uma garota normal vir morar aqui. Se alguma se aventurasse, teria uma sanidade mental questionável.
-Nossa nova moradora – eu ouvi direito? – chega esta noite. Eu quero causar uma boa impressão nela, então vamos tratar de deixar esta casa apresentável. Eu chamei vocês mais cedo hoje para fazer uma faxina.
-Ei! Que tratamento especial é esse? Você não fez faxina nenhuma quando eu estava para chegar! Ela é sua namorada? – questionei - Me dê pelo menos um bom motivo para acordar cedo e fazer essa faxina.
-Gold, tudo bem nós vivermos assim enquanto estamos entre homens. Mas, a coisa muda muito de figura quando uma mulher mora numa casa... – falou o Ruby – E, depois de encontrar um rato roendo minhas meias ontem, eu me convenci de que essa casa não tem condições sanitárias adequadas para abrigar seres humanos!
-Ah, então foi para lá que ele foi depois que o expulsamos do nosso quarto, Pearl! – disse o Dia.
-Mas foi você quem o atraiu com aquele seu estoque de comida!
-Vocês têm um estoque de comida? – o Red se interessou.
-Ele gasta a mesada dele todinha em guloseimas inúteis. – lamentou o Pearl.
-Pockys não são inúteis! – protestou o Dia.
-Nisso eu sou obrigado a concordar. Eles podem te ajudar a roubar beijos. – falei.
-Não numa casa como a nossa. – disse o Pearl – Ou você gostaria de roubar um beijo de um de nós?
-Peraí, isso aqui não é nenhum doujinshi estranho... – o Ruby comentou.
-Vocês estão fugindo do assunto! TRATEM LOGO DE COMEÇAR A FAXINA! – disse o Bill entregando vassouras, baldes e espanadores para nós. – Se dividam pelas áreas habitáveis e não deixem nada sujo!
-Tá bom, mas não se irrite! – disse o Red amenizando a situação.
-...Eu fico com os quartos. – o Green já subia as escadas.
-Eu também! – o Red se apressou para acompanhar o amigo.
-Eu e o Pearl ficamos com a cozinha e a despensa. – falou o Diamond no seu tom costumeiro.
-Certo! – o Bill parecia aliviado.
-Dia! Você acabou de escolher o pior trabalho possível! Quem sabe as espécies de praga que habitam aqueles armários! – um Pearl revoltado sacudia o Dia.
-Eu cuido da sala e dos corredores. – disse o Ruby saindo de fininho.
-Er... – olhei para os lados rapidamente à procura do Silver e o puxei pelo braço. – O Silver e eu ficamos com os banheiros! – saí puxando-o para fora da sala, para escapar da possibilidade do Pearl querer trocar de função.
-Hey! – o Silver soltou seu braço. – Você nem me deixou escolher o que eu quero fazer!
-Não me diga que você queria limpar a cozinha com o Dia?
-...Não. – ele admitiu.
-Então você deveria me agradecer!
-...
-Então, como eu te salvei de uma cilada, você lava as privadas! – sorri, dando-lhe tapinhas nas costas.
-Nem pensar! – ele afastou minha mão – Se é assim, eu vou limpar a sala com o Ruby! – ele se virou.
-Não, Silver! Eu estava brincando. – Ri nervosamente.
Ele me olhou intrigado.
-Uma vez eu acordei no meio da noite e fui sozinho ao banheiro. Eu sentei no vaso sanitário e comecei a...
-Eu não quero detalhes! Resuma! - ele falou rispidamente.
-Bem, quando estava fazendo minhas *A-hun* necessidades fisiológicas, senti uma dor aguda, como uma mordida! – eu falei ainda lembrando do terror que me percorreu naquela noite – E, quando eu me levantei para ver o que era... Eu vi. Dois olhos. – comecei a dramatizar – Dois enormes olhos vermelhos no meio da escuridão!
-Você está exagerando... – falou o Silver perdendo o interesse.
-Alguma criatura assombra esses banheiros! Outro dia ao me acordar no meio da noite eu os vi de novo... Aqueles olhos, vermelhos como o sangue! Eu nunca me esquecerei deles.
-Tá bom, já entendi. Então foi por isso que você me acordou anteontem de madrugada para ir ao banheiro. Você está com medo porque viu um rato... – ele chegou a essa conclusão rapidamente.
-Ei! Também não foi assim! – Ele teve a ideia errada. - Não é como se eu fosse um covarde que não pode ir em banheiros sozinho!
-Eu já entendi. Pare de gesticular tanto, desse jeito você vai acabar fechando... – ele foi interrompido por um forte ruído.
PAFT!
-... a porta. – ele completou um pouco tarde demais. – Seu idiota! Por que não presta atenção no que faz? Agora estamos completamente no escuro! – eu só conseguia ouvir sua voz devido à escuridão que se instalara.
-Calma, calma. Eu dou um jeito nisso rapidinho. – falei enquanto procurava a maçaneta. – Eureka! – puxei com certa ansiedade a maçaneta que acabara de encontrar.
-Você achou? Ótimo, então abre logo a porta.
-...
-Gold? Por que você está hesitando?
-Er... Digamos que a maçaneta estava um pouco gasta e... – eu não consegui terminar a frase.
-QUÊ?! – seu tom de voz saiu mais alto que o comum - VOCÊ QUEBROU A MAÇANETA?!
-Não! Você entendeu errado. Eu não quebrei a maçaneta. – tentei explicar a situação antes que ele ficasse mais zangado – Ela já estava frágil e soltou quando eu puxei.
-Ou seja... VOCÊ QUEBROU A MAÇANETA! – ele grunhiu acusadoramente.
Massageei as têmporas, como eu faria ele acreditar que isso e aquilo eram coisas diferentes?
-Argh... Que seja. – ele falou mais calmo, mas ainda irritado – Pode ser que algum dos meninos nos escute e abra a porta... Mas, Gold, francamente você tinha mesmo que...
Minha mente se desligou do discurso dele no momento em que eu avistei, de novo,aqueles olhos que tinham me assombrado nos últimos dias.
-S-Silver... Você está vendo aquilo!
-Você não vai conseguir desviar minha atenção tão fácil assim, Gold. Como eu estava dizendo, você deveria ser mais cauteloso com... – a criatura estava se movendo traiçoeiramente.
-Silver, é sério! A-A criatura está entre nós.
-O quê? – ele finalmente parou com aquele papo e pareceu me dar atenção.
-Ela está se movendo sorrateiramente... Mas ainda dá para ver os seus olhos...
-...eu estou vendo. – ele falou com uma voz repentinamente tensa – Estão perto de mim.
-Então sai daí! – exclamei preocupado.
-Estou tentando. – sua voz estava cautelosa e ele parecia estar se movendo. – Um passo de cada vez. – sua voz se aproximava.
PAFT!
Eu senti seu corpo esbarrar em mim, me fazendo tropeçar. Não consegui me reequilibrar a tempo e senti meu corpo tombar no chão. Ele caiu logo depois.
-Ai! O que você está fazendo?! – perguntei irritado.
-Não sei se você percebeu, mas não dá para enxergar nad- Ai..!
-O que houve?
-Ela me mordeu! E... está em cima de mim. – a sua voz estava um pouco tensa.
O temor voltou a minha mente quando observei os olhos da criatura se aproximando mais e mais. Até que...
BAM!
A porta se abriu com impacto. A luz rapidamente penetrou exibindo a cena em que me encontrava. Eu estava caído a poucos centímetros do Silver, que caíra de barriga para o chão, e bem em cima dele eu vi... uma tartaruga.
-Tur! Então era aqui que você estava! – o Dia exclamou em frente à porta.
Ela olhava calmamente para mim, alojada nas costas do Silver que parecia ter acabado de perceber a situação também. Diamond calmamente se inclinou e levantou o animal.
-Hm... O que vocês dois estavam fazendo?– Dia coçou a cabeça, confuso ao nos ver caídos daquele jeito. – Bem, acho que isso não importa. Obrigada por terem achado o Tur! – ele sorriu agradecido. – Hm, que cheiro é esse? Ele precisa de um banho... – ele fez uma careta.
Eu pisquei os olhos ainda surpreso com a reviravolta inesperada.
-Ele gosta de se aventurar quando nós dormimos e acaba se perdendo... – ele explicou - O Pearl até colocou esses adesivos que brilham no escuro no casco dele para que nós o encontrássemos mais fácil... Mas não ajudou muito. – ele baixou os olhos, um tanto decepcionado.
Silver olhou fuzilando para mim.
-Hm... essa maçaneta parece estar com defeito. – ele falou examinando a porta – Ainda bem que eu resolvi checar quando ouvi um estrondo por aqui, senão vocês ainda estariam presos. Vou pedir para o Bill trocá-la! - ele saiu correndo.
Logo após ele sair, pude sentir o clima ir ficando gradualmente mais obscuro. Droga, não queria ter que encarar o mau humor do Silver...
-Heheh! Então, acho que eu vou ajudar o Ruby. – Disse me levantando e indo até a porta. Senti sua mão segurar meu ombro.
-Onde você pensa que vai? – ele tinha uma aura obscura ao seu redor – Correndo daqui após me enganar daquele jeito e sair deixando todo o trabalho para mim?! Nem pense nisso.
Iiiigh! Aquele Silver me dava medo.
-Agora, pegue isso e vá esfregar o vaso sanitário. – ele empurrou uma escova em mim e começou a tirar algumas teias de aranha com um espanador.
Me aproximei um tanto relutante do fedorento objeto e, com um golpe, levantei a tampa. Arrisquei olhar lá dentro. Por que eu fui fazer isso? O que vi me fez vomitar.
-Gold! É para limpar, não para sujar mais ainda! – ouvi um berro do Silver.
Depois da minha fedorenta experiência de manhã, eu já tinha me lavado (e desinfetado) e estava a caminho da sala.
-Tô saindo! – Falei para eles.
Eu já sabia o meu destino certo: a Arcanine Station, a casa de games mais badalada da cidade! Depois de uma manhã fedida e torturante, isso era o mínimo que eu merecia.
- Lalala... Esse cara sou eu! – sai cantarolando despreocupadamente. Agora era minha vez de se divertir!
Ao chegar no Arcade, dei uma boa olhada na atendente que ficava no balcão de entrada e tentei uma cantada. Ela me olhou feio.
Tá bom, já entendi. Ela não podia paquerar no ambiente de trabalho... Talvez quando ela estivesse largando fosse uma melhor hora... (N/A: Não, ela não gostou foi de você mesmo.)
Saí de cena e procurei algum jogo interessante disponível. Comecei com um jogo de luta, Close Combat 2. Eu tinha a meta de chegar perto do recorde atual, nem que para isso precisasse tentar várias vezes.
-Yeah! –comemorei ao conseguir uma boa pontuação e alguns tickets de prêmios.
Hm... Acho que essa pontuação está satisfatória por hoje. Vou tentar fazer uma outra coisa...
-É isso! – saí correndo ao avistar uma máquina de gashapon de um anime que eu gostava. Tentei pegar as figures dos meus personagens favoritos. Consegui pegar a Dragonite Kid e o Barnaby (o Lopunny), mas nada de pegar o meu favorito, o Wild Raikou. Joguei mais e mais até conseguir pegá-lo.
-Que emoção! – apertei a figure contra a bochecha, emocionado. Finalmente tinha conseguido uma figure do meu herói favorito! – Hm... Agora, o que eu faço com isso? – me perguntei olhando para os incontáveis tickets que tinha conseguido pelas minhas partidas. – A-há! Já tive uma ideia...
Fui até o posto de trocas e procurei algo que me interessasse.
-Gostaria de um skate, senhor? – perguntou o atendente, um cara muito feio.
-Já tenho!
-E que tal uma bola?
-Não.
-E que tal esse imperdível kit de puzzles? Ele inclui um cubo mágico e...
-Eu passo. – cortei sua fala – Vamos lá, você não tem nada mais interessante?! Algum produto novo e excitante?
-Hm... – ele me olhou um tanto irritado – O que nós temos de mais novo é isso aqui. – ele apontou para uma pelúcia de peixe-boi gigante – Mas eu não acho que faça o se...
Parei de escutá-lo, encantado com a pelúcia. O peixe-boi parecia estar pedindo para que eu o pegasse.
-Por favor, me tire deste lugar.
Eu ouvi sua voz me pedir. E ela era tão adorável que eu não pude resistir. Calma, eu vou te salvar, Wendy!
-Quantos tickets ela custa? – falei empolgado, me apoiando na mesa.
-Hã? – o vendedor piscou os olhos por um momento, me olhando descrente. – 50000 tickets, senhor.
Quê? Isso tudo? Eu mal tinha 7000... Olhei de novo para Wendy.
-Você não vai me salvar? – ela tinha os olhos marejados.
-Não se preocupe, Wendy! Eu voltarei e te salvarei. Nem que tenha que investir toda minha mesada nisso!
Senti um olhar de estranheza em mim e notei a cara de espanto do funcionário que me atendia.
-Eu vou voltar para busca-la. Não deixe mais ninguém pegá-la enquanto isso. – disse inquisidoramente.
-S-Sim, senhor? – ele me olhou um tanto assustado.
-Heh! – sorri para mim mesmo e dei meia volta para jogar mais uma partida, dessa vez no meu console favorito, o Hyper Beam Mewtwo. Dei uma espiada para ver se ele estava livre.
Nenhuma única alma circulava ali perto.
Oba!
Corri animadamente até o brinquedo, só para, segundos antes de chegar, ver outro garoto ocupar o MEU lugar.
-Ei! – exclamei zangado – Você viu que eu estava vindo para cá e se atravessou na frente!
-Hm... Ganha quem chega primeiro. – ele respondeu indiferentemente.
-Mas eu o vi primeiro!
-E daí? – ele deu de ombros, desinteressado.
-E daí que este é meu lugar por direito.
-É mesmo? – ele sorriu cinicamente – Então por que você não vem pegar?
Não precisava falar duas vezes. Me joguei na frente do jogo, empurrando o garoto para longe. Ele perdeu o equilíbrio e caiu.
-EI! Você acabou de me empurrar?! – ele se levantou furioso.
-Eu achei que tivesse sido óbvio. Oh, espera, não me diga que você bateu a cabeça? – respondi cinicamente.
-ORA, SEU..! – Ele me puxou pelo colarinho.
-Nada de brigas dentro do prédio, rapazes! – a moça da recepção se aproximara, acompanhada de um segurança alto. O garoto deve ter se intimidado, porque me soltou imediatamente.
-Mas ele acabou de roubar o meu lugar e de me derrubar! – ele protestou.
-Isso é verdade, senhor? – a mulher mudou a direção de seu olhar para mim. E, pelo seu olhar, eu tive a impressão de que ela guardava certo rancor pela cantada de mais cedo...
-Er... – droga, eu não tinha nenhuma desculpa em mente...
Pouco tempo depois, no meio da rua, massageei minhas costas.
-Hunf, também não precisava ter me enxotado desse jeito... – resmunguei para uma porta fechada.
Argh, se não fosse por isso eu teria conseguido juntar os tickets para salvar a Wendy...
-Mas eu não desistirei ainda! Não enquanto ainda me chamar Gold! - me levantei determinado.
Mas isso fica para outro dia. Já estava ficando tarde e eu não queria perder o episódio do meu anime... Dei meia volta e comecei a fazer o caminho de volta para casa.
Quando estava passando perto de uma praça, meus olhos capturaram algo interessante. Uma bela garota encarava um mapa em suas mãos.
-Cara, que belezinha! – eu tive que parar para contemplá-la melhor. Ela usava roupas justas com um casaco por cima e seu cabelo estava preso em marias-chiquinhas. Seu rosto tinha uma expressão de confusão, enquanto ela se decidia se ia pela direita ou pela esquerda.
Quando finalmente ela começou a vir na minha direção, arrastava com dificuldade uma mala que parecia que podia explodir a qualquer momento de tão cheia que estava. Aquela seria uma ótima deixa para mim.
Rapidamente me aproximei dela, que me olhou confusa. Olhando mais de perto ela era realmente bem bonita.
-Olá! – disse dando o meu melhor sorriso – Você parece estar com problemas, será que eu posso ajudar?
Ela me olhou desconfiada, mas não negou a ajuda.
-Hm... – ela levantou o mapa numa altura que eu pudesse ver - Bem, você poderia me dizer onde eu pego o ônibus para essa região? – ela apontou para um ponto no mapa.
Aparentemente ela estava indo para a mesma direção que eu! Isso é que era sorte. Talvez o dia não estivesse completamente perdido!
-Heh! – sorri masculamente – Eu sei exatamente como você pode chegar lá.
-Mesmo? – ela sorriu esperançosa, seus olhos brilhavam como cristais.
Aquilo me surpreendeu e fui obrigado a desviar o olhar quando senti um leve ardor no rosto.
-Sim. Eu te levo até lá. – disse ainda sem me atrever a olhá-la.
-Obrigada. – ela disse gentilmente – Mas você pode me deixar na parada de ônibus. É o suficiente para mim.
-... – bem, é claro que ela não confiaria cegamente em mim. Então isso estava de bom tamanho. – Ok, vamos andando. – me inclinei e levantei a mala dela. Estava realmente pesada, mas eu não deixei transparecer e agi como se estivesse carregando algo bem leve. Eu queria impressioná-la pela minha prestabilidade, gentileza e, por que não?, músculos.
-N-Não precisa! – ela tentou me parar – Eu mesma levo minha bagagem.
-Ora, eu não posso deixar você carregar isso, enquanto eu estou aqui com as mãos livres. – tentei agir como um cavalheiro – Em troca, por que você não toma um café comigo?
-Não, obrigada. – ela disse sem nem pensar duas vezes.
-... - Puxa, ela nem mesmo hesitou! – Hm... Então considere isto uma cortesia. – continuei caminhando, carregando a enorme bagagem.
-Sabe, você realmente não precisa carregar isso... Eu sei quanto está pesada.
-Não tem problema. Eu posso fazer isso.
-Pelo visto não tem como te convencer... – ela suspirou – Então, obrigada! – ela sorriu.
-Não há de quê. – devolvi o sorriso.
Nós caminhamos por algum tempo em silêncio.
-Então, você é nova por aqui? – perguntei tentando parecer desinteressado.
-Sim, estou de mudança. – ela respondeu tranquilamente.
Oba, isso era bom. Uma garota novata numa área que eu dominava. Se eu conseguisse o número dela, poderia guia-la pela cidade, ensiná-la um monte de coisas, visitar um monte de lugares legais e, quem sabe? Ela poderia até perceber o cara incrível que eu sou e se apaixonar por mim...
-Hahaha – ri com os pensamentos.
-Hey! – ela abanava as mãos na minha frente – Você está bem? Já faz um tempo que você tá calado e começou a rir do nada.
-A-ah! – droga, de devaneios. Ela podia achar que eu era maluco agora... – Eu apenas me lembrei de uma piada muito engraçada, foi isso.
Ela me olhou desconfiada. Ah, não, isso não era bom... Eu não podia deixar ela se afastar agora, tinha que pegar o telefone dela antes!
-Ei, olha! – apontei para o outro lado da rua. Nós tínhamos chegado ao topo de uma escadaria. – A sua parada é ali. Basta atravessar o sinal.
Ela olhou para o local e ia começar a falar algo quando eu a cortei.
-Então, para comemorar o nosso encontro, eu vou te trazer algo para beber! – estava tentando evitar que ela fosse embora assim tão rápido. Ela era uma garota interessante (e que não me deu um fora nos cinco primeiros minutos), afinal.
-Não pre-
-Estou indo! – saí correndo até uma máquina de bebidas antes de ela terminar a frase. Eu ainda tinha algumas moedas restantes dos jogos no Arcade. Coloquei-as na máquina e escolhi duas bebidas. Como não sabia do que ela gostaria, escolhi uma dessas bebidas super doces e coloridas que as meninas costumam gostar.
Corri de volta e fiquei feliz de ver que ela ainda estava lá, recostada no corrimão da escada.
-Você... – ela fez uma pausa. E eu fiquei com medo de receber uma reclamação. – Realmente, você não precisava fazer isso tudo. – ela disse finalmente.
-Não tem problema. Eu também já fui novato por aqui uma vez. – disse sorrindo. – E de uma coisa eu sei: você se sente bem melhor quando tem alguém para te ajudar.
Ela pareceu surpresa com as minhas palavras, seus olhos brilharam um pouco. S-Será que esse era um daqueles momentos que acontecem nos animes? Se fosse, então, eu não podia arruinar o clima.
-A-A sua bebida, eu vou abrir para você. – falei tomando a latinha cor-de-rosa da sua mão. Minha mão tremia um pouco e estava difícil abrir a latinha. Mas eu não desistiria, ela estava esperando por isso! Finalmente eu consegui puxar o anel para cima quando-
*Onomatopeia de refrigerante sendo aberto aqui, por favor*
Assim que eu abri a latinha, um jato de refrigerante voou na direção dela, molhando seu rosto e manchando seu casaquinho branco.
Ficamos sem reação por um momento. E, logo depois, eu entrei em pânico. Eu tinha molhado ela! Eu tinha arruinado o clima justo quando estava tudo dando certo! Aaagh!
-M-Me desculpe! – falei me apressando para enxugar o rosto dela.
Mas, no momento que eu ia dar um passo na sua direção, tropecei em algo. Senti meu corpo se desequilibrar, a queda seria inevitável. Desviei meu corpo para o lado, evitando cair sobre ela. Mas acabei esbarrando em alguma outra coisa.
-Ai! – exclamei quando me choquei contra o chão.
Olhei para cima, a garota não tinha a mínima atenção em mim, olhava para a escadaria, aterrorizada.
-Minha mala! – ela gritou em pânico.
Olhei para baixo e pude ver a enorme mala derrapando pelos degraus. Ela estava tão veloz, que quando se chocou lá embaixo, o zíper não pôde mais conter o caos que estava lá dentro e ela se abriu espalhando roupas e pertences pessoais por todos os lados.
-Minhas coisas! – ela gritou, correndo escada abaixo para juntar os pertences.
Eu corri também para ajuda-la. Algumas pessoas que passavam na rua pararam espantadas. Peguei alguns livros que estavam espalhados perto dos degraus. Notei algo branco em cima de um degrau e apanhei.
-O que é isso? – suspendi o objeto e meu rosto corou assim que percebi do que se tratava.
-Me devolva isso! – a garota arrancou o sutiã das minhas mãos, enfurecida e constrangida. Ela me encarou furiosamente por um momento, sem saber o que dizer.
-Hunf! – ela fungou com desprezo, virando as costas. Ela apanhava o máximo de coisas que podia e enfiava na mala, envergonhada com os olhares das pessoas.
Apanhei mais algumas roupas que restavam no chão e entreguei a ela, que, as puxou sem nem olhar na minha cara.
Eu ia pedir desculpas a ela, quando ouvi uma voz conhecida.
-Hey, você não é o carinha de hoje mais cedo? – me virei, encontrando o idiota responsável pela minha expulsão do Arcade. Mas dessa vez ele estava acompanhado de dois garotos. – É você mesmo! Não pense que eu esqueci daquilo! – ele levantou o punho ameaçadoramente.
Finalmente a garota olhou para mim.
-O que houve? – ela indagou um tanto tensa.
Eu não estava em uma posição muito favorável agora. Nesses momentos, o melhor a fazer é...
-Vamos pegar ele! – o garoto bradou furiosamente.
CORRER!
E assim corri o máximo que podia, deixando a garota com sua mala estourada para trás, sendo perseguido de perto por três brutamontes. Felizmente, eles não eram tão espertos quanto eu, e consegui despistá-los me escondendo em um beco.
Quando finalmente achei que estava seguro sair de lá, já era noite.
-Droga, eu perdi o meu anime! E o Bill vai me matar! – saí correndo, pegando todos os atalhos que conhecia para chegar em casa o mais rápido possível.
FIM DA RETROSPECTIVA
Bem, então voltamos ao ponto de partida.
-E então? Alguém vai me explicar isso direito? – insistiu o Bill.
-Bem... – eu tinha parado de tentar fugir (os garotos também não deixariam isso acontecer, de qualquer forma) e tinha sido sentado numa cadeira, com todos olhando inquisidoramente para mim. -...eu vi essa garota na rua, parecendo precisar de ajuda, e foi isso que eu fiz, a ajudei... Só que hoje eu estava num dia de má sorte. Isso é tudo.
-Você consegue ser tão vago quando quer, Gold... – disse o Silver.
-Como você tem a cara de pau de dizer que foi só isso que aconteceu? – a garota se manifestou, enfurecida, do outro lado da sala. – Você diz que teve um dia de azar? Por acaso, você sabe a vergonha que eu passei por sua causa? Tudo de íntimo que eu tinha, escancarado no chão da rua para todo mundo ver! Você sabe como foi humilhante ter que carregar sozinha uma mala gigante estourada por aquela escadaria imensa e por todo o percurso até aqui? Imagina como eu me senti quando entrei no ônibus toda suja e recebi olhares de todos?! – ela olhou para o chão, suspirando pesadamente – Você me meteu numa cilada e fugiu sem ao menos pedir desculpas! E eu até cheguei a pensar que você era uma boa pessoa... Que ingênua! Eu devia ter ouvido à mamãe quando disse para não confiar em garotos da cidade grande.
Os olhares dos garotos se dividiam entre mim e ela. Olhares de compaixão para ela e de desprezo para mim.
-P-Peraí! Não foi bem assim! – tentei me defender – Vocês não ouviram minha versão da estória ainda!
-Nada do que você diga vai mudar o que você fez a Srta. Crystal sentir, Gold. – disse o Ruby com olhos de censura.
-Meu primeiro dia nesta cidade... E começou desse jeito... – sua voz embargou e ela segurou as lágrimas.
O Bill que até então tinha escutado tudo calado, levantou-se e se dirigiu a ela.
-Crys, você teve um dia difícil, eu sei. Então, aproveite para descansar e tomar um banho agora. Depois de uma boa noite de sono, você vai se sentir melhor. – disse acariciando sua cabeça - E não deixe o dia de hoje te deixar uma má impressão sobre a cidade. Amanhã nós vamos nos divertir e eu vou te apresentar tudo de bom que tem por aqui! – ele se virou para o lado - Pearl e Dia, por favor levem a Crys para o quarto que nós deixamos pronto para ela.
-Certo! – os dois bateram continência e se reuniram um de cada lado da garota. Ajudando-a a subir as escadas.
-Red, Green... Vocês poderiam levar essa bagagem lá para cima?
-É para já! – respondeu o Red, enquanto o Green apenas acenou a cabeça positivamente.
Eles subiram com a mala e o Bill se dirigiu a mim. Prendi a respiração.
-Gold, eu não sei se o que você disse é realmente verdade. Mas eu prefiro acreditar no que você disse, do que pensar que você faria tudo isso apenas para importunar uma pobre garota. – ele suspirou – Mas, sabe, ela pode parecer durona a primeira vista, mas é uma garota muito sensível... Então, se desculpe com ela e faça o possível para não lhe causar mais problemas.
O Bill geralmente era um manezão, mas às vezes ele conseguia agir tão maduro...
-Se você não fizer isso, você vai se ver comigo! – ele completou, mudando totalmente de tom e assumindo uma expressão ameaçadora.
Retiro o que disse. Ele não era tão maduro assim...
-Tá bom, tá bom. Já entendi! Eu vou lá pedir desculpas a ela. – ele continuou me encarando insatisfeito.
-E..?
-...e vou fazer tudo o que for necessário até que ela me perdoe. – ele pareceu aprovar dessa vez.
-Bem, você parece ter entendido a situação. – ele pôs uma mão no meu ombro e ao ver meu olhar confuso, continuou – Eu te desejo boa sorte. Minha irmã não é de perdoar tão fácil... Eu sei disso porque já senti na pele. – e, depois de me dar um sorriso quase irônico, ele foi embora da sala, me deixando sozinho cheio de receio.
O que exatamente ele quis dizer com aquilo? Bem, eu iria descobrir de uma forma ou outra. Mas de uma coisa eu tinha certeza: meus dias não poderiam ser piores que o de hoje.
Azar no jogo, azar no amor - Peter Pan meets Wendy – End
E aí, curtiram o capítulo? Desculpem pela piadinha com "Esse Cara sou eu". Não sou fã da música (muito menos de Roberto Carlos), nem nada, mas eu tinha que colocar o Gold fazendo isso. Ele é o tipo de cara que cantaria músicas como "Todo mundo gosta de mim" e coisas do gênero, então, já que essa tava em alta, resolvi fazer uma piadinha inocente. xD
Depois de escrever, eu reparei que só estou escrevendo estórias de azar... -.-' Mas eu prometo que não vai ser sempre assim.
O próximo capítulo é o da Crystal. Eles finalmente vão à escola e encontrarão outros personagens!
Ah, só como esclarecimento, eu não sei qual vai ser a frequência do lançamento capítulos. Inicialmente tinha pensado em dividir um capítulo em dois (já que são grandes) e postar um por mês. Mas não dava para partir esse, senão perdia o sentido. Então, vou fazer assim: Se eu achar que dá para dividir um cap. no meio, posto 1 por mês, se não, posto a cada dois meses.
Enfim, alguém acha que mereço reviews? *u*
