CAPÍTULO I

James Potter entrou no apartamento, fechou a porta, despiu a jaqueta esportiva e largou-a em uma cadeira. Então, pensando melhor, pegou a peça, foi ao quarto e pendurou-a no guarda-roupa, no lugar certo, obedecendo a uma ordem por cores.

De volta à sala, sentou-se no sofá, porém levantou-se novamente e passou a andar em círculos, inquieto.

— Mulheres — resmungou. — Quem precisa delas? São todas volúveis. Esquisitas. Totalmente irresponsáveis, imprevisíveis, incompreensíveis… in… in… ininteligíveis. Oh, céus, as mulheres me deixam maluco!

Estacou, passou as mãos nos cabelos e caminhou até a parede da sala, na qual bateu três vezes com força.

— Esteja em casa — murmurou, fitando a parede. — Em uma hora dessas, é preciso conversar com o melhor amigo. Vamos, vamos, avise que está.

Duas batidas abafadas soaram em resposta, e James bateu mais uma vez, confirmando a recepção.

Ótimo, pensou. Mensagem enviada, recebida e respondida. Três batidas indagando se havia alguém em casa, duas do destinatário em resposta e a última sua, pedindo ao amigo que se achegasse para conversarem. Primitivo, sim, mas funcionava. Além disso, era divertido, um código secreto conhecido apenas por ele e o vizinho.

Em poucos minutos, teria alguém para ouvir suas lamúrias, oferecer-lhe o ombro e bater em suas costas.

Sem dúvida, era adulto e perfeitamente capaz de lidar com as próprias emoções, lamber as próprias feridas, reerguer-se e seguir em frente. Sim, claro que era. Mas por que sofrer sozinho se tinha com quem partilhar a miséria?

Bateram na porta, e James apressou-se a atender.

— Que bom que estava em casa! Estou mesmo pedindo água e… Opa, tem algo errado. Está de robe verde, o que significa que está se sentindo péssima a ponto de tirar esse desastre do armário. O que houve, Lily?

James estreitou o olhar, avaliando atentamente a vizinha.

Lily definitivamente não estava no normal, concluiu. A figura esguia se cobria do pescoço aos pés com aquele robe de chenile horrível, verde-ervilha, um péssimo sinal. Aquele robe equivalia ao cobertor a que todas as crianças se apegam na infância, consolo nos momentos de debilidade física ou emocional.

Lily trazia um rolo de toalha de papel debaixo do braço e assoava o nariz avermelhado, parecendo doente. Completavam o quadro o rosto delicado muito pálido e os olhos castanhos, normalmente brilhantes, meio embaçados.

— Posso entrar, James? — Lily suspirou e enxugou o nariz com a toalha de papel mais uma vez.

— Como? Oh, claro. Desculpe-me. — Ele se pôs de lado, abrindo passagem. — Só estava dando uma olhada em você. Parece péssima, meu lírio.

A amiga o fitou irada e entrou, os pés protegidos por meias esportivas que na verdade pertenciam a ele.

— Muito obrigada — ironizou Lily, atirando-se no sofá. — Era exatamente o que eu precisava ouvir. Você faz maravilhas para levantar o moral de uma mulher.

James sentou-se na mesinha diante dela, deixando-se avaliar pela vizinha, que, a exemplo dele, torceu o nariz.

— Você também não ganha nenhum concurso com essa aparência, James — vingou-se. — Seus cabelos estão espetados, o que significa que andou passando as mãos neles, nervoso. Também apresenta olheiras, e o seu bronzeado sumiu enquanto estava em Kansas City.

— É, bem…

— Ainda é bonito, como todo solteiro… mas precisa cortar os cabelos. Francamente, são belos cabelos, castanho-escuros, mas, no momento, como já observei, parece que você levou um choque elétrico. Numa escala de zero a dez, você leva cinco.

James ajeitou os cabelos com as duas mãos e inclinou-se para a amiga.

— Você está doente? — questionou, preocupado. — Por isso está assim horrível e rabugenta, mas é alguma doença terminal?

— Sim. Estarei morta à meia-noite. Adeus, James. Eu só queria que soubesse que foi um amigo maravilhoso nestes últimos catorze meses, e que eu…

— Quer parar? — pediu ele. — O que você tem?

— Uma infecção nasal — resumiu Lily. Suspirou e apalpou o nariz. — Estava péssima ontem, fui ao médico e ele me receitou antibiótico. Mas, destemida que sou, fui a um primeiro encontro às cegas ontem à noite, mesmo assim.

— Pensei que tivesse jurado que nunca mais aceitaria encontro às cegas.

— Estava desesperada — confessou ela, suspirando. — Trata-se de um amigo de um primo de um dos clientes lá da agência de turismo. Dentista. Passou a noite inteira examinando meus dentes.

James riu, mas ficou sério quando Lily o fuzilou com o olhar.

— E sério! — protestou ela. — Toda vez que eu sorria, ele focava nos meus dentes da frente. Só queria saber dos meus dentes, entende o que quero dizer? Na despedida, pousou o braço nos meus ombros e disse que eu tinha os dentes mais bonitos que ele já tinha visto. Aí, beijou-me na testa.

Decidiu detalhar:

— Arrastei-me para fora da cama para conhecer um esquisitão! Nunca mais. Chega de encontro às cegas para mim. Nunca mais. Na verdade, posso até ter desistido dos homens…

— Bem-vinda ao clube — replicou James, desolado.

— Como assim? Você também está desistindo dos homens? — provocou Lily.

— Muito engraçado. — James levantou-se e levou a mão ao pescoço. — Estou por aqui com a espécie feminina. — Deteve-se e atentou à vizinha. — Mas por que está usando toalha de papel no seu pobre nariz vermelho?

— Não tenho lenços de papel — explicou Lily. — Coloquei na listinha do supermercado, mas…

— Já sei, perdeu a lista. O que aconteceu com o ímã de pingüim que eu lhe trouxe do Alasca? Aquilo deveria prender sua lista de compras na geladeira.

— Não sei… O ímã! Não sei onde o ímã foi parar. Mas a geladeira continua no mesmo lugar.

— Espere. Não vou permitir que continue punindo esse lindo narizinho arrebitado. — James atravessou a sala.

— Lindo narizinho arrebitado? — Lily voltou os olhos ao teto — Primeiro, aquele dentista fascinado por meus dentes. Se aparecer algum maníaco que se apaixone pelos meus olhos, terei o rosto inteiro venerado por malucos!

James voltou pouco depois com um lenço de algodão lavado e perfumado. Ao mesmo tempo que o cedia à amiga, confiscou-lhe o rolo de toalha de papel, que pousou na mesinha central, antes de se acomodar no sofá, também.

— Obrigada. — Lily aninhou o nariz no tecido macio. — Oh, que fresco e macio… Tem fragrância de limão. Vou lavá-lo e devolvo depois.

— Vai nada — contrariou James. Recostou a cabeça e fitou o teto. — Vai perdê-lo em algum lugar entre a máquina de lavar e a secadora.

— Não é justo — protestou a amiga, suspirando indignada. — Não quer acreditar que as máquinas da lavanderia do prédio somem com as coisas, mas elas realmente somem. Claro, não sabe porque manda tudo para uma lavanderia profissional. Grande coisa.

— Que seja — cedeu ele. — As máquinas somem com suas roupas.

Lily franziu o cenho e olhou-o carrancuda.

— Vai aceitar assim? — questionou. — Sem discutir. Céus, está mesmo deprimido. O que aconteceu? Ou melhor, quando aconteceu? Eu nem sabia que tinha voltado de Kansas City.

— Cheguei hoje no final da tarde — contou James, ainda fitando o teto. — Exausto. Telefonei para Marlene de Kansas City ontem à noite e marquei um encontro. Estava mesmo ansioso, queria vê-la, divertir-me e… Ha! Que piada.

— O que aconteceu? Ele encarou a amiga.

— Marlene rompeu comigo, ruiva. Conheceu outro camarada enquanto eu estava fora, um corretor de ações na bolsa de valores. Disse que namorar um especialista em computação equivalia a ser uma freira em um convento, porque ela só ficava em casa, esperando que eu voltasse de minhas viagens.

— Não posso condená-la — falou Lily, pensativa.

— Oh, muito obrigado — ironizou James. — De que lado está, afinal? Acabo de ser dispensado, ruiva. Gostaria de um pouco de solidariedade, se não for pedir demais, amiga.

— Bem, o que quer que eu diga? Vamos analisar a questão com frieza. Você foi para o Alasca logo após o ano-novo, assim que soube que seu tio Robert ia se recuperar do ataque cardíaco e da cirurgia que se seguiu.

— E daí?

— Ficou fora por quase dois meses — prosseguiu Lily, contando nos dedos. — Voltou para casa, conheceu Marlene em uma festa e saíram quase todas as noites por… quanto tempo?… Três semanas?

— Mas foram três semanas fantásticas! — assegurou James, saudoso. — Quando me lembro…

— Poupe-me dos detalhes. — Lily assoou o nariz no lenço macio. — Então, partiu para Kansas City e ficou lá um mês. — Fez pausa. — O que esperava que Marlene fizesse? Só saíram juntos por algumas semanas e então… puf… você desaparece, nem sabe dizer quando estará de volta a Ventura.

— Nunca sei quanto tempo vou ficar fora. Sabe como é… — resmungou James. — Depende do que eu encontrar lá, depende do problema no sistema computacional da empresa.

— Eu entendo, James, mas sinto saudade quando você está longe. Imagine o que uma namorada sente. Marlene obviamente gostava de você, mas o relacionamento era muito recente para ela suportar esse tipo de separação. Provavelmente, resolveu romper antes que se magoasse. Lamento, amigo, mas entendo a posição dela.

— Não está me ajudando a sair da depressão, Lílian — acusou James, de cenho franzido.

— Lamento, querido, mas prefiro ser franca. — Lily deu de ombros. — Encare, James. Vai ter muita dificuldade em encontrar uma mulher com a qual se case e tenha filhos, se insistir nesse trabalho.

E continuou, franca:

— Todas essas viagens estão malogrando suas tentativas de envolvimento romântico, devido à falta de atenção adequada… Céus, viro psicóloga quando estou com infecção nasal.

— Agora estou oficialmente deprimido — declarou James, fitando o teto novamente. — Que grande amiga você é, Lílian Evans. Lançou-se do limite da minha miséria a um abismo profundo.

— Não exagere, James.

— Bem, não quero mais falar sobre isso. — Ele se levantou. — Vamos comemorar.

— Comemorar o quê? — Lily espantou-se ao vê-lo rumo à cozinha.

— Não faço idéia — respondeu ele. — Mas havemos de encontrar um motivo. E aí, alguma cultura inútil para mim?

— Tenho uma ótima. — A vizinha endireitou-se no sofá.

James voltou com uma garrafa de vinho e duas taças de cristal. Serviu a bebida, passou uma para Lily e ergueu a dele.

— A nós — brindou. — Aos melhores amigos… nos bons e maus momentos… e esta noite de sábado definitivamente é um dos maus. — Fez pausa de repente. — Opa. Espere. Acho que você não deve misturar álcool com antibióticos.

— Há um aviso no frasco, mas isto não é uísque cem por cento. Um pouco de vinho não fará mal. Pode até me relaxar, e me sentirei melhor… porque estou péssima.

— Está bem — concordou James, cauteloso. — Mas vou limitar sua cota, senhorita.

Bateram os cálices de leve e provaram o vinho. Delicioso. James sentou-se perto de Lily outra vez.

— E a cultura inútil? Talvez me anime um pouco…

— Que vinho gostoso — elogiou Lily. — O antibiótico me deixa com tanta sede… O vinho desceu como veludo, acariciando minha garganta ressecada.

James reabasteceu a própria taça.

— Uma trivialidade, por favor, srta. Evans.

— Claro, sr. Potter. Que tal esta… Sabia que os elásticos de borracha duram mais se os guardar na geladeira? Que tal?

— Nada mal — avaliou James, satisfeito. — Nada mal mesmo. Lembre-me de colocar os elásticos na geladeira. Não, esqueça. Vai escrever um bilhete para si mesma para se lembrar de me avisar e acabar perdendo o papel.

— Isso mesmo. — Lily riu e esvaziou a taça em três goles. — Um vinho muito, muito suave. Está me aquecendo toda. — Ergueu os pés e agitou os dedinhos, fazendo a meia escapar e cair no chão. — Trouxe alguma trivialidade de Kansas City?

— Claro, minha pobre amiga.

James pegou as meias, dobrou-as, colocou-as sobre a mesinha e passou o braço ao redor de Lily. Ela se aninhou junto dele, enxugando o nariz enquanto buscava uma posição confortável.

— Pronta para a trivialidade, com os cumprimentos de Kansas City?

— Estou. — Lily sorriu. — Mas pode me servir mais vinho, por favor?

— Não. Mais um dedinho e só. Não vamos nos arriscar misturando álcool e antibiótico, Lírio. Isso me deixa preocupado.

— Só mais um dedo e está ótimo — prometeu ela. — Já estou bem alegre só com isso.

James mediu a dose para Lily e voltou a se aninhar junto dela no sofá.

— Pois bem, srta. Evans, saiba que existem 293 formas de fazer troco para um dólar.

James esvaziou a taça, pousou-a na mesinha, voltou-se e deu um beijo rápido no nariz da amiga.

— Que tal essa trivialidade, ruiva? — gabou-se. — Ficou por baixo, não é? E sem fala? — Deteve-se. — Bom, cancele essa parte. Nada a deixaria sem fala. Ainda vai estar dando sua opinião diante dos portões do paraíso.

— Provavelmente. — Lily riu e, então, soluçou.

— E então? O que achou da trivialidade sobre o dólar?

— Legal — afirmou ela. — Definitivamente, vence a minha sobre elástico. — Inclinou-se para a frente e beijou o amigo no rosto. — Você venceu esta rodada, sem dúvida.

— Ah, doce vitória! — Com isso, James abafou um bocejo. — Céus, estou exausto. Trabalhava dezesseis, dezoito horas em Kansas e, na volta, ainda levo um fora de Marleide. A vida realmente é uma mer… às vezes.

— James, o nome dela era Marlene. Marlene, não Marleide.

— Oh, sim… Marlene, linda Lene — corrigiu ele, e franziu o cenho. — É a vida: vem fácil, vai fácil. Será? Não. Se acredito que às vezes a vida é uma grande mer…? Sim.

— Ora, não fique tão deprimido — consolou Lily. — Ganhou nossa disputa de hoje com sua trivialidade. Isso é muito importante, sabe? É, hoje, você tinha uma das boas.

— E qual é o meu prêmio? — cobrou James.

— Um beijo da perdedora — ofereceu Lily. Fez um beicinho exagerado e fechou os olhos.

James deu um beijo sonoro nos lábios da amiga, hesitou por uma fração de segundo e, então, beijou-a novamente, com mais gentileza.

Lily sentia os lábios se derretendo à pressão suave. Ele a provocava com a língua gentilmente, pedindo passagem. Ela correspondeu ao beijo sensual e às carícias com a língua em total abandono.

Lílian? Admoestou uma voz interna O que estava fazendo? Beijando na boca seu melhor amigo, James Potter?

Claro, sempre trocavam "bitocas"… mas, oh, céus, não se tratava de uma bitoca entre camaradas. Tratava-se de um homem beijando uma mulher, de verdade.

Não deviam estar fazendo aquilo. Não. De jeito nenhum. E ela poria fim à cena em um instante. E logo. Dali a pouco. Na semana seguinte… Mas apenas emitiu um gemido feminino de puro prazer, enquanto o beijo prosseguia.

Potter! Pare com isso, repreendia-se James. Não pode beijar Lily assim. Não desse jeito. O problema era que ela correspondia plenamente, deixando-o excitado. Tinha lábios tão macios, tão solícitos, tão… Mas estava errado! Tratava-se de Lily, sua camarada, sua melhor amiga. Era loucura. Era… sensacional.

James gemeu e abraçou Lily com mais força. Ela o enlaçou ao pescoço, e aprofundaram o beijo. Tombaram no sofá macio sem interromper o contato, ela deitada sobre ele. O cinto de seu robe afrouxara durante a movimentação, expondo seus ombros.

James piscou, incrédulo ante a extensão de pele nua a centímetros de seus olhos, em uma imagem ligeiramente desfocada. Segurou Lily com firmeza e a ajeitou sob seu corpo, assumindo a posição superior. Suportando-lhe o peso com um braço, passou a beijar o tentador ombro desnudo e foi baixando rumo ao seio.

— O que… o que vestiu por baixo do robe? — indagou, audacioso.

— Hum? — Lily parecia sonhadora. — Oh, não vesti nada. Nada. Acabava de tomar um longo banho de espuma quando você bateu na parede. Não tive tempo de me vestir, apenas peguei meu velho robe confortável e vim. Estou como vim ao mundo por baixo do robe, James. Que tal isso como trivialidade?

— Não é propriamente uma trivialidade — observou ele, meneando a cabeça. — Não chega nem perto. Vou beijar você de novo, Lírio, porque estou mesmo precisando…

Com isso, segurou-a pela nuca e beijou com tal intensidade que ela perdeu o fôlego. Lily sentia o calor aumentar e a pulsação se acelerar, impossibilitando qualquer raciocínio… Só era capaz de sentir, de saborear… de desejar.

Desejar James.

De queimar de desejo por James Potter.

Vozes internas repreendiam James, mas ele as ignorava solenemente, permitindo que a paixão consumisse seus pensamentos e se apoderasse de seu corpo.

Sentia-se incendiar.

Nada mais importava, exceto a intensidade do desejo por Lily, algo que jamais experimentara. E ela também o queria. A ele. Era tão deliciosa… com sabor de vinho e aroma perfumado do banho de espuma recente.

Lily… nua na banheira… com milhares de bolhas de sabão sobre a pele macia, grudadas aqui e ali, e acolá, e…

James afrouxou o cinto do robe, afastou as abas e expôs toda a parte superior do corpo maravilhosamente feminino.

Bolhas aqui, pensou vagamente, enquanto se abaixava para abocanhar um mamilo e provocá-lo com a língua.

Desceu mais um pouco.

E bolhas aqui, anotou mentalmente, beijando a pele refrescante no abdome de Lily. Que bolhinhas sortudas…

Retornou ao seio, o qual abocanhou voraz. Lily enterrou as mãos nos cabelos espessos dele, apertando-o contra o peito, ofegante.

Os cabelos castanho-escuros de James eram realmente gostosos, deliciou-se ela, forçando o raciocínio em algum ponto do cérebro anestesiado. Tão espessos e sedosos… Cabelos maravilhosos. Divinos.

Oh, sentia-se tão estranha. Mas maravilhosa. Nunca experimentara uma paixão tão infinita, tão forte, tão ardente. Não suportava mais, tinha de aplacar aquele fogo antes que não sobrasse nada além de cinzas dispersas ao vento.

— James, por favor! — implorou, abafando um soluço. — Eu o quero tanto. Por favor…

— Também quero você, Lírio — confessou ele, sem reconhecer a própria voz. — Mas…

— Não pense. Não temos de pensar, temos, James? Diga-me que não temos de pensar.

— Não temos de pensar — repetiu ele, tentando se convencer. — Não pensar… Oh, espere. Controle de natalidade. É melhor pensarmos nisso.

— Eu tomo pílula — informou Lily. — Não precisa se preocupar.

— Isso dispensa mais raciocínio —; concluiu ele.

— Isso mesmo.

James levantou-se e despiu-se rápido, jogando as roupas no chão. Lily avaliou cada centímetro formoso dele como se nunca o tivesse visto antes, apesar de já terem ficado de maiô um diante do outro em várias ocasiões, em festas da família Potter.

Mas agora era diferente, observou Lily. Não estava com o James camarada, amigo, parceiro. Tratava-se de James, o homem, e… oh, misericórdia, ele era tão másculo que dispensava qualquer descrição.

Era como se de repente ganhasse óculos mágicos que lhe permitiam ver o que nunca vira antes. Incrível.

James inclinou-se e tomou Lily nos braços, puxando-a contra o peito, o robe abandonado no sofá.

Beijou-a de forma exigente, e ela retribuiu agarrada a seu pescoço. Erguendo-a nos braços, ele tomou o corredor, direto ao quarto. Pousou-se de pé no chão, afastou a colcha e instalou-a no centro da cama imensa. Deitou-se a seu lado sem perder tempo.

Tão linda, pensou James, ao beijá-la novamente. Lily era diferente, delicada e feminina, a conscientizá-lo demais da própria masculinidade.

Sempre a achara bonita de uma forma juvenil, mas, naquele momento, Lily revelava-se a mulher mais sensual, tentadora e sedutora que já conhecera.

Sabia, desde que a conhecera naquele dia fatídico em que chegaram de mudança na mesma hora, que Lily era divertida, zelosa e carinhosa. Logo descobriram que divergiam tanto em relação a tudo que nunca seriam mais do que amigos, tão amigos a ponto de estar presentes quando um precisasse do outro.

Mas, por que, raios, nunca reparara em como Lily era encantadora? E feminina? E sensual? Já a vira de biquíni ínfimo e nunca registrara em seu estúpido cérebro masculino o tesouro que tinha ao alcance das mãos. Porque tratava-se de Lily apenas, sua melhor amiga, aquela que sempre o acompanhava às festas da família Potter à beira da piscina.

Mas, naquelas ocasiões, reuniam-se todos, enquanto agora… estavam sozinhos, e ele a desejava tanto.

Não pense, Potter, avisou o cérebro. Não pense.

Continuaram se beijando, acariciando, explorando, descobrindo. Com as mãos, refaziam a trajetória dos lábios, e a paixão só fazia crescer. De tão ofegantes, a palpitação do coração atingia níveis alarmantes.

— Oh, James, por favor — implorou Lily.

— Sim — cedeu ele, rouco.

James posicionou-se sobre ela e a penetrou, sentindo a umidade cálida da feminilidade recepcionando-o, festejando o que ele lhe trazia. Passou a se mover, devagar a princípio, depois aumentando o ritmo da dança, até atingir sincronia com seus corações disparados. O contato tornou-se mais quente. Mais pulsante. Até atingirem o momento de êxtase.

— James!

— Li… ah, Lily.

Permaneceram abraçados, à mercê das ondas do orgasmo que os levava de volta à realidade.

James relaxou em cima de Lily, exausto, saciado, e então rolou para o lado, com o pouco de energia que lhe sobrara. Aninhou a amante contra o peito e puxou a coberta.

Não conversaram, ambos consumidos pela sensação de espanto e encantamento, cientes de que haviam partilhado uma experiência única.

A simples essência do ato… a intimidade, a intensidade e perfeição… fazia com que parecessem virgens.

Finalmente, tornaram-se cientes da complexidade do que haviam feito, percebendo que haviam trilhado um caminho que amigos geralmente não tomavam.

— Não pense — murmurou James.

— Não — concordou Lily, um leve tom de pânico na voz. — Não pense.

Adormeceram sobre o mesmo travesseiro, de mãos dadas.

Continua...


Olá garotas!

A próxima atualização será segunda-feira 26.11.12

Espero realmente que gostem! Estou bastante entusiasmada e feliz com os comentários de vocês!

Essa história terá XI capítulos e dedico esse primeiro a minhas primeiras leitoras:

Luana Mesquita

Karol

Alessandra de Souza

Julie

Aguardo retorno de vocês!

Beijinhos ;*

MaryGheizon.