Pigmentos de Amor

Kaline Bogard

Capítulo 02
A cor de um equívoco

Como de costume Kiba foi encontrar-se com o namorado na frente do Conselho de Konoha.

Aburame Shino fazia estágio no lugar, seu plano era de construir uma carreira de professor que o fizesse conseguir uma Cadeira na Universidade.

Precisou esperar pouco tempo, Shino era pontual. A chegada do rapaz transformou o mundo de Kiba: eram Almas Gêmeas, uma combinação rara que afastava os tons cinzentos com o qual todo shifter enxergava e devolvia tudo às suas verdadeiras tonalidades. Verde, vermelho, azul, amarelo… uma explosão multicolorida que sempre surpreendia Kiba e da qual nunca se cansava.

— Yo! — exclamou para o rapaz, aproximando-se dele. A vontade era de dar um beijo, mas ainda que namorassem há seis meses, não ousava fazer algo assim na rua a luz do dia.

— Olá — Shino respondeu. A expressão calma não revelou como ficava feliz em ser recepcionado pelo namorado. Principalmente num fim de expediente de sexta-feira, quando fizeram planos de sair para jantar fora.

Kiba não tinha coragem de beijar o namorado, mas era perfeitamente capaz de segurar-lhe a mão e puxá-lo na direção de onde Shino deixava o carro esportivo estacionado. Apesar da deficiência visual, era um exímio motorista.

— Tudo bem? — Shino perguntou. A mão de seu jovem namorado estava gelada! Kiba parecia nervoso com alguma coisa.

— Tudo ótimo! — ele respondeu empolgado. Sentia mais do que nunca o peso das camisinhas na carteira que guardara no bolso. Tinha autorização da mãe para dormir fora, iria para a casa de Naruto mais tarde! Antes, todavia, seus planos envolviam coisas mais… calientes.

Shino não insistiu. O vínculo lhe trouxe uma onda de bons sentimentos. Junto com algo que já tinha captado antes, embora não tão forte.

Algo de teor extremamente sexual.

Na curta viagem de carro até o Ichiraku, restaurante preferido do casal, Kiba tagarelou narrando com detalhes como foi o próprio dia. Shino ouvia distraído, os sentidos focados em outra direção.

Fazia alguns dias que notava o comportamento mais… ou menos… não sabia que termo usar. Através do vínculo podia sentir que o garoto irradiava umas intenções convidativas. Teve preocupação que se relacionasse com a proximidade do cio, afinal era mais ou menos época para que aquilo acontecesse, visto que namoravam há seis meses e foi bem quando o garoto passou pelo primeiro cio.

Apesar disso, não captava o cheiro característico, nem nada que confirmasse suas suspeitas. Acabou deduzindo o óbvio: seu namorado era apenas um jovem afoito querendo dar o próximo passo. Shino não era tão mais velho assim, entendia perfeitamente. E seria hipócrita se dissesse não desejar o mesmo.

Era por volta de sete horas da noite quando terminaram o jantar no restaurante familiar. O combinado era Kiba estar até as nove horas na casa de Naruto, conforme as regras de Tsume.

— Quer ir a algum lugar? — Shino indagou ao voltarem para o automóvel.

— Pro seu apartamento — Kiba limpou a garganta enquanto travava o cinto de segurança.

— Tem certeza? — Shino observou por alguns segundos. Via poucos detalhes, e tão somente em preto e branco. Sua doença o impedia de captar minucias, mas os que seus olhos perdiam, os outros sentidos percebiam. Sobretudo o vínculo sobrenatural entre duas Almas Gêmeas.

Ambos sabiam que; caso terminassem na casa de Shino, não seria para um mero bate-papo, ver um filme ou ficar em inocentes beijos.

Havia um… clima entre eles. Nada relacionado ao cio, como a parte Alpha de Shino confirmou. Simplesmente dois namorados querendo aprofundar a intimidade.

— Tenho — Kiba voltou os olhos e fitou Shino. As íris atípicas brilhavam de ansiedade.

Não precisou de nenhuma outra confirmação.

Shino deu a partida e rumou para o apartamento em que morava.

Não era a primeira vez que Kiba visitava o lar de seu companheiro. No decorrer daqueles meses foi vezes o bastante ali para sentir-se a vontade e um tanto "dono" do território. O lugar de asseio indiscutível era clean, com poucos móveis. Shino tinha problemas de visão, desse modo era mais fácil para ele executar as tarefas do dia a dia.

Shitsurei… — Kiba pediu logo na entrada, tirando os sapatos para calçar o par de surippa que já tinha cativo.

Shino aproximou-se da estante de livros, onde costumava guardar as chaves do carro e a carteira. Despiu o casaco e o pendurou no gancho atrás da porta. Manteve apenas os óculos de sol no rosto.

Kiba acompanhou tudo com atenção ansiosa que beirava o tocante. Quando Shino fez menção de sentar-se ao sofá, Kiba aproximou-se em dois passos e o impediu, segurando-lhe a mão.

— Vamos pro quarto…? — a voz saiu rouca, eriçando os pelinhos da nuca de Shino. A parte Alpha reagiu de modo positivo, mesmo o detalhe da mão um tanto gelada foi aprazível. O momento era importante. Mesclava ansiedade, expectativa, nervosismo.

Podia apenas imaginar quão difícil era para um Ômega dar tal passo ousado. A sociedade costumava reprimi-los impondo limites que sequer faziam sentido, restolho de um período antigo contra o qual lutavam. Contra o qual Kiba lutava.

Era um dos aspectos que Shino mais amava em seu companheiro: a ousadia, a rebeldia, a coragem por vezes insensata. Admirável acima de tudo.

— Vamos — e foi o Alpha quem fez o derradeiro movimento.

No caminho mesmo pararam para se beijar. Finalmente dando vazão as sensações que apenas insinuavam o rumo que o começo de noite tomaria. Pararam ao chegar à porta, quando de alguma forma Kiba sentiu as costas baterem contra a parede, dada a ferocidade que o beijo tomou. Ficou claro que apesar do jeito contrito, o Alpha queria aquilo tanto (senão mais) quanto ele.

Às cegas a porta foi aberta. Invadiram o quarto aos tropeços. Shino tendo que ser ágil para amparar Kiba antes que uma queda acontecesse, gesto que aproveitou para começar a sondar o corpo do futuro amante, os dedos longos deslizando pela pele morena de sol, geralmente quente, mas que naquele instante parecia pegar fogo sob as carícias que recebia.

Em segundos esbarravam na cama. Shino interrompeu o beijo, para que Kiba se acomodasse primeiro, sentando sobre o colchão e arrastando-se até o meio da king size. O Alpha foi em seguida, engatinhando até ficar alinhado com o garoto, cuja respiração começava a ofegar.

— Posso? — Kiba indagou enquanto segurava com cuidado nas laterais dos óculos escuros.

— Claro — Shino respondeu baixinho, sentindo o objeto sendo retirado de seu rosto.

Por instantes apenas se fitaram, admirando um ao outro. Kiba sempre se impressionava com a perfeição da pele marmórea, em que nada maculava a beleza quase artística do Alpha. Enquanto, por sua vez, Shino era incapaz de perceber os detalhes, perdendo assim a cena adorável que era seu jovem Ômega corando, tanto num sinal de certa timidez quanto pelos hormônios que faziam o sangue correr mais rápido. Os lábios carnudos, inchados pelos beijos de há pouco, que arfavam sem fôlego…

— Eu… — Kiba quase engasgou. Quase — Eu comprei camisinhas…

A mão enfiou-se entre o colchão e o próprio corpo, esgueirando-se no bolso em que guardava a carteira. Shino esperou, jovial, sem sair da posição, até que o namorado encontrou os pacotinhos referidos e exibiu com certo orgulho.

Ainda que a visão fosse prejudicada, conseguiu identificar a embalagem fácil. Sentou-se sobre a cama, do lado de Kiba, pegou e analisou com cuidado.

— O que foi? — o Ômega não entendeu. Teria errado a marca?

— O tamanho… — as sobrancelhas de Shino se ergueram em diversão — Você comprou das pequenas.

Kiba ficou olhando o pacotinho, parecendo ter dificuldade em codificar o que foi dito. Até que tudo fez sentindo e ele cobriu os olhos com uma das mãos.

— Naruto filho da puta! Não prestou atenção nisso!

A frase explicou muita coisa. Shino não perguntou nada, mas sentira certa curiosidade em saber como seu namorado conseguiu comprar aquilo, já que por questão de leis, Ômegas não podiam adquirir sem permissão expressa. Além disso, não imaginava Tsume indo com o filho comprar camisinhas…

Agora o mistério se desvendava!

— Não podemos fazer mais? — a decepção de Kiba fluiu pelo vínculo e encheu Shino de pena.

— Eu tenho algumas — revelou — Espere.

Levantou-se da cama e foi até a cômoda. Abriu a segunda gaveta, onde guardava as cuecas e procurou por um tempinho. Mas lembrou-se de um fato.

— Acabaram… — sussurrou.

— Acabaram?! — Kiba ergueu-se sobre os cotovelos, intrigado com o que ouviu — Como assim?

Shino voltou para a cama, surpreso com o ciúme que o atingiu. Tocou no rosto de Kiba, que não fugiu ao contato.

— Acabaram muito antes de conhecer você. Eu não tinha motivo para comprar mais e repor.

— Ah — os lábios do Ômega se juntaram em um biquinho indignado — E por que não repôs depois de me conhecer? Você nunca pensou em fazer sexo comigo?!

— Sim. Eu pensei, Kiba. Pensei várias vezes em te trazer para essa cama e fazer amor com você. Mas… você só tem dezessete anos. Eu não queria pressionar e apressar as coisas.

O tom de voz tranquilo veio junto com uma onda de acalento em que a presença do Alpha envolveu o outro por completo. Foi uma sensação somada a posse, que acendeu o desejo em Kiba outra vez.

— Você vai ver só. Sei que sou um partidão, mas vou melhorar muito! Tanto que você vai ter um estoque de camisinhas na gaveta só pra gente poder transar!

Shino deixou um som engraçado escapar pela garganta enquanto engolia a risada que quase deu. Aquele Ômega não tinha a menor noção sobre como tirava o Alpha dos trilhos, como Shino precisava ser forte e lutar contra a tentação que era o cheiro daquele garoto, e como tudo piorou nos últimos tempos, quando Kiba começou a dar leves sinais de interesse sexual. Algo nítido, mas ainda preliminar demais para que Shino levasse as coisas para outro nível.

Lisonjeado com a atitude do namorado, acabou abraçando-o e puxando-o de encontro ao peito.

— Não tenho camisinhas, mas tenho lubrificante — soou rouco. Queria apenas espantar a insegurança que emanava de Kiba, e que nem o desejo ressurgindo foi capaz de afastar — Posso mostrar quanto desejo eu sinto por você?

A pergunta veio junto com uma onda sensual tão forte que inebriou Kiba. Ele apenas acenou com um gesto de cabeça, as mãos deslizando devagarinho para começar a puxar a blusa do Alpha.

Tinham pouco menos de duas horas para se perder nos caminhos do amor. E ambos queriam aproveitar cada segundo…


Notas finais do capítulo

HOHOHOHOHO

No próximo teremos o quê?!

( ) Lemon
( ) Cobrança de penaltis
( ) Pulo de cena
( ) Hihihihihi

Semana que vem não tem atualização! Vou viajar pra encontrar as amigas! Dai vocês vão ficar livres de mim... mas depois a gente volta e só para no "Fim".