Autora: Lisa Plumley
Título original: My best friend's baby.
Essa história não me pertence. Estou apenas a postando no universo de Card Captor Sakura.
CAPÍTULO II
Seis semanas depois;
Estava quase lá... Podia sentir... Com um ar compenetrado, Li Syaoran digitou mais algumas variáveis no diário do inventor que mantinha em seu computador e então deslizou a cadeira giratória pelo piso de carvalho de seu laboratório particular. Examinou a longa mesa repleta de tubos de ensaio, funis, pipetas, aparelhos de destilação, reagentes, provetas, lâmpadas de calor, soluções em frascos e plantas variadas que eram o foco de sua pesquisa atual. Deus, o que não daria para ver os resultados daquele trabalho! Pelo menos saber que alguém acreditava nele o bastante para investir dinheiro em suas idéias.
Invente a fórmula de transformar metal em ouro e ganhará milhões num piscar de olhos, suas irmãs lhe diziam. Não entendiam que não era o dinheiro que importava. Ainda acalentando esse sonho, Syaoran?, a mãe sempre perguntava. Tenha um bom emprego. Pare com essas bobagens. Mas ela também não entendia. Seu cargo de engenheiro na BrylCorp o mantinha ocupado e lhe gerava recursos para comprar materiais para suas invenções, mas não era a segurança que almejava.
Quer vender essas coisas? Financie você mesmo! Tem dinheiro suficiente, sugeriam seus cunhados. Mas também não entendiam que ganhar dinheiro não era sua meta principal. Estava interessado em ser um investidor idôneo. Uma vez alcançado esse objetivo, então se sentiria realizado.
Ainda chegaria o dia em que convenceria o pai de que todos aqueles anos que passara desmontando aparelhos elétricos, relógios e televisores não tinha sido em vão. Provaria isso a si mesmo e faria o pai ter orgulho de seu único filho do sexo masculino. As últimas três gerações de homens dos Li haviam abdicado de seus sonhos em prol das respectivas famílias. Abriram mão de esperanças e planos, abandonando talentos por causa de bocas para alimentar, crianças para vestir e hipotecas para pagar. Aquela tradição estava a ponto de acabar. Syaoran pretendia ser o primeiro a derrubá-la.
Com um último olhar à teta do computador, verteu outro ingrediente na solução que estava preparando e a mediu na bureta mais próxima. Precisava trabalhar aquela fórmula. Um dos investidores com quem fizera contato para projetos anteriores estava interessado em sua pesquisa atual. Porém, exigira um protótipo para apresentar ao conselho de diretores de sua empresa, na Califórnia, na reunião anual dos acionistas, que aconteceria dali a nove meses.
Não era um prazo muito longo para conferir as variáveis, fazer testes e reformular se necessário, já que só dispunha de algumas horas à noite e nos fins de semana para se dedicar às suas invenções. Nos últimos meses, sobrava pouco tempo para sua vida social, mas isso não importava. Desta vez pretendia ver uma de suas invenções sendo produzida. Se soubesse administrar seus horários, poderia ter muito que agradecer no final do ano.
▬ Ho! Ho! Ho! – riu alto, outra vez.
▬ Nem mesmo chegamos na Páscoa, tio Syaoran. – caçoou Eriol, ao ouvi-lo imitar a risada do Papai Noel.
▬ Eu sei. – Fitou seu pequeno hóspede, o sobrinho de sete anos que adorava mexer em tudo.
▬ É que já estou fazendo planos para o futuro.
▬ Oh! Sendo assim não vai caçar ovos de Páscoa conosco este ano. Estará celebrando o Natal?
Aquelas palavras o atingiram no peito como um tiro. Tinha perdido tantas Páscoas, tantos aniversários, tantos Dias das Bruxas e Quatros de Julho. Eriol era apenas uma criança. Compromisso significava só uma palavra em um teste de ortografia em sua escola. Mas quando terminasse aquela invenção tudo iria mudar. Seu próprio pai, isso para não mencionar seus numerosos tios e tias, sempre compareciam aos jogos escolares de basquetebol e as gincanas de ciências de que ele participava. Agora, como tio, não devia as mesmas coisas ao sobrinho?
▬ Talvez eu possa ir. Não posso prometer nada, mas vou tentar.
▬ Você conseguirá, tio Syaoran! – Eriol sorriu entusiasmado. – Minha mãe diz que você está sempre tentando criar coisas novas. Até mesmo as totalmente impossíveis.
Coisas impossíveis... Bom trabalho, Fuutie. Se não fosse sua irmã, inventaria um modo de não deixá-la expressar suas opiniões. Syaoran retribuiu o sorriso do sobrinho.
▬ Alguém tem de conseguir inventar coisas impossíveis, Eriol. Pode muito bem ser seu tio.
▬ Ou eu!
▬ Sim, quando for mais velho.
▬ O que está fazendo? – perguntou o menino, apontando para a proveta que Syaoran acabara de pegar.
▬ Isto é minha melhor tacada para conseguir uma boa quantia e poder inventar outras coisas. Quer ver?
Depois que a porta dos fundos se fechou atrás de Eriol, Syaoran pegou um vaso de hera sobre a mesa. Era hora de testar sua teoria. Hora de... De repente, ouviu um grito agudo e algo voou pelo aposento. Que poderia ser?
Assustado, quase derramou a solução. A histérica criatura alada parecia saída de um filme de Hitchcock. Voou para todos os lados e, por fim, empoleirou-se na luminária fluorescente que pendia do teto. Um pássaro destruidor de laboratórios isso é que ele era! Syaoran tinha uma vaga idéia de que a ave pertencia à grande defensora dos animais e gerente de um pet shop que morava na casa ao lado, ou seja, ninguém mais ninguém menos do que Sakura.
▬ Onde está sua dona, rapaz? – perguntou.
O pássaro arrepiou as penas muito verdes e arrastou suas garras pela instalação de metal, produzindo um ruído agudo. Em seguida, olhou para baixo como se mirasse uma tigela de ração. Formidável! Um pássaro diabólico e estúpido o bastante para pensar que poderia lanchar algo cem vezes maior que o seu tamanho. Pelo menos conseguira salvar a solução.
Tentando ignorar o animal que parecia feliz em seu novo poleiro, Syaoran elevou a proveta, conferiu os cálculos e preparou-se mais uma vez para verter a solução no vaso. Nesse instante, a porta da frente se abriu bruscamente, fazendo um enorme barulho. Sua mão tremeu para o lado, quase derramando o trabalho daquela manhã inteira.
▬ Olá, tem alguém em casa?
A voz rouca de Sakura chegou a seus ouvidos, seguida por um som de rodas que deslizavam ao longo do corredor. Um segundo depois, a cabeça ruvia apareceu entre os batentes da porta. As mãos recobertas por um par de luvas verdes foram as próximas a entrar em seu ângulo de visão. Ela entrou no aposento trajando um short de brim, um top cor-de-rosa choque e uma infinidade de pulseiras prateadas nos braços, o suficiente para causar uma lesão nos olhos de Syaoran.
Se os clientes do pet shop pudessem vê-la naquele momento, por certo não a reconheceriam. Nem parecia a mesma mulher firme e eficiente que vendia rações e spray antipulgas das nove às cinco da tarde. Não podia entender a dicotomia do estilo de Sakura. Mas para ela, de alguma maneira, parecia funcionar.
▬ Oi! Sinto muito por não ter podido chegar mais rápido. Tive uma pequena dificuldade para me locomover com estas coisas sobre o tapete da sala de estar – queixou-se, erguendo o pé para lhe mostrar os patins que estava usando.
O olhar de Syaoran seguiu desde os patins roxos, passando pelas joelheiras verdes, pelas coxas bem torneadas até chegar à cabeça de Sakura. Entre a confusão de apliques coloridos que se misturavam em seus cabelos, havia um lenço estampado com tons de púrpura que os prendia em um rabo-de-cavalo.
▬ Que bandana interessante! – zombou Syaoran, apontando para a peça. – Um excelente disfarce para quem fez lobotomia.
▬ Muito engraçado, senhor gênio, mas não estou com tempo para aturar insultos hoje. Você viu...
▬ Terada? – ele ergueu o queixo para cima. Nesse instante, percebeu que cometera um erro. O pássaro interpretou o gesto como um convite a mergulhar como um falcão sobre sua cabeça.
▬ Esse não é Terada. É Yue.
▬ Oh, que maravilha!
O pássaro pousou sobre a cabeça dele. Syaoran se segurou, tentando não estremecer, enquanto a ave cravava as garras sobre seu couro cabeludo, procurando o melhor local para lhe bicar.
▬ É um agapómis, o pássaro do amor.
▬ É mesmo? Que interessante!
Sakura dirigiu um olhar carinhoso à ave.
▬ São excelentes animais de estimação, porque são muito inteligentes, fáceis de lidar e afetuosos também.
▬ Oh, com certeza! – Syaoran alojou a proveta sobre o suporte e apontou para Yue. – Poderia prendê-lo, por favor? Tenho trabalho a fazer.
▬ Você é um desmancha-prazeres. Quando, durante este milênio, não teve trabalho a fazer?
Sorrindo, Sakura elevou o braço e chamou Yue com beijinhos. Obediente, o pássaro voou em sua direção e pousou em seu ombro.
▬ Bom trabalho. Branca de Neve.
▬ Obrigada. Você deveria superar esse medo que tem de pássaros, Syaoran. Eles não vão feri-lo.
▬ Medo? – perguntou, arqueando as sobrancelhas com um ar incrédulo. – Não tenho medo nenhum. Poderia esganar esse pequeno traiçoeiro como um...
▬ Não diga uma coisa dessas! – recriminou Sakura roçando Yue de encontro à face. – O pobrezinho já sofreu demais.
Syaoran examinou Yue mais de perto.
▬ Não me parece doente. Tem a plumagem um pouco debilitada, talvez...
▬ Não brinque. Também ficaria debilitado se tivesse passado pelo que ele passou. Por sorte, eu estava lá para salvá-lo.
▬ É só o que precisa. Achar outra pobre e indefesa criatura que dependa de você.
Executando um movimento sobre os patins, Sakura se aproximou dele.
▬ Tem algo que quer me falar, Syaoran? Está se sentindo indefeso hoje? Ou uma de suas criações está acabando com você?
▬ Minhas invenções nunca vão acabar comigo.
Onde ela estava querendo chegar?, perguntou-se. Sakura encolheu os ombros.
▬ Está bem, se não quer me contar, não conte.
▬ Agora espere um minu...
▬ Amigos dependem uns dos outros, só isso. – disse ela, acariciando o pássaro. – De qualquer maneira, alguém levou Yue para o meu trabalho ontem à noite. Eles estavam se mudando e não puderam ficar com ele.
▬ Alguém levou um pássaro para o pet shop da Tomoyo? Eu não sabia que vocês vendiam esse tipo...
▬ Não vendemos. Ainda mais agora que Tomoyo está querendo vender a loja e se mudar para Sun City com o marido. Por esse motivo tive de salvá-lo.
▬ Teve de salvar o marido de Tomoyo? Por quê?
▬ Excesso de ração.
Syaoran sorriu. Sakura revirou os olhos.
▬ Não brinque! Salvei Yue, é claro.
Dizendo isso, elevou a mão como se fosse um poleiro e sorriu como uma mãe orgulhosa, aprovando quando a ave caminhou sobre seu dedo. Com a outra mão acariciou o bico reluzente. O bichinho arrulhou um pouco e dirigiu um olhar a Syaoran que sugeria que alguns seres do reino animal tinham muita sorte e alguns humanos não sabiam o que estavam perdendo. Ele piscou e ajustou os óculos, recriminando-se mentalmente por aquele pensamento absurdo.
Sakura sorriu, ainda afagando as penas de Yue, e de repente Syaoran imaginou como seria ser acariciado por aquelas mãos. Quase pôde sentir o toque suave e inebriante.
▬ Em que está trabalhando? – perguntou ela, contemplando os tubos de ensaio e as provetas.
Como num passe de mágica se transformou outra vez na velha camarada Sakura. Oh, Deus, a última coisa que precisava era envolver-se com sua vizinha. Não depois de todo aquele tempo e menos ainda quando tinha a melhor chance, em três anos, de patentear uma de suas invenções. Definitivamente não.
▬ Vi Eriol lá fora, e ele disse que você não está explodindo nada hoje – continuou ela com um ar de falsa decepção. – O que está havendo?
▬ O que está havendo? – Syaoran olhou através da janela. – Eu é que estou surpreso daquele moleque destruidor não estar explodindo nada.
▬ Ora, ora. Tenho certeza de que era igualzinho quando criança. Admita. Nem sempre foi tão certinho.
▬ Talvez não. Mas sempre fui um Li comportado desde o nascimento.
▬ Acho que agora já têm cura para isso. Uma vacina antichatice ou...
▬ Hã-hã. De qualquer maneira, deve pular uma geração, porque Eriol é imune. – Syaoran suspirou e voltou a se concentrar na solução da proveta. – Gosto de ficar com o menino, mas o danado é um perito na arte da demolição. Já destruiu meu bico de Bunsen, apagou meu arquivo no diário do inventor...
▬ Mas você tinha feito backup, é claro?
▬ Sim, mas não é essa a questão. Nos vinte minutos desde que a mãe o deixou aqui...
▬ Fuutie, Shiefa, Fanren ou Feimei? Nunca consigo falar os nomes na ordem certa.
▬ Fuutie. E ninguém consegue, com exceção de minha mãe.
▬ Yelan, certo?
Syaoran sorriu.
▬ Bem, desde que Fuutie o deixou aqui, Eriol conseguiu fazer tudo isso, quase reformatou meu disco rígido, fez um castelo de lama com a terra necessária à minha pesquisa, e...
▬ Em suma, agiu como qualquer criança normal de sete anos de idade, certo? O que esperava quando concordou em passar os sábados com seu sobrinho?
Syaoran sacudiu a cabeça.
▬ Ah, não sei... Não me interprete mal. Amo o pequeno peralta, mas com meu horário apertado, passar os fins de semana com minhas sobrinhas e sobrinhos é quase como se tivesse minha própria família.
▬ Não entendo sua fobia a família. Meu pai, por exemplo, só me via uma vez por ano e não há nada de errado comigo.
Se tivesse uma família, gostaria de ter mais tempo para se dedicar e se preocupar com ela do que os pais divorciados de Sakura tiveram. Em sua opinião, um homem poderia ou ser um bom pai e marido... Ou um profissional de sucesso. Tentar ser todas essas coisas ao mesmo tempo não era justo com ninguém.
▬ Tenho sorte de não ter filhos, Sakura. Caso contrário não poderia me dedicar às minhas invenções.
▬ Sim, claro. É um sortudo!
▬ Céus, quanto sarcasmo! O que deu em você?
Ela encolheu os ombros e correu as pontas dos dedos ao longo da mesa do laboratório.
▬ Talvez o relógio biológico que sua ex-namorada mencionou seja contagioso.
Syaoran estremeceu.
▬ Acho que há cura para isso, agora.
▬ Hum... – bufou Sakura. – Então, de que se trata essa nova invenção?
▬ É um acelerador de crescimento. Uma versão nova que pretendo testar. Quer assistir ao teste?
Sakura sorriu.
▬ Não é o tipo de pergunta que uma moça como eu ouve com muita freqüência.
▬ Claro que não. Afinal, aquela coleção de animais selvagens que mantém junto à porta espanta seus namorados.
▬ Engraçadinho. Eu não chamaria um cachorro, um gato, alguns peixes, um hamster, um periquito e o Yue de coleção de animais selvagens. Além do mais, meus bichos me amam. Não roncam, não deixam meias sujas no meio do chão e tampouco me abandonam quando as coisas ficam difíceis.
Nesse instante, seu patim direito rodou, fazendo-a perder o equilíbrio e buscar apoio nos bíceps de Syaoran. A solução viscosa e azulada sacolejou no interior da proveta. Se não perdesse o líquido inteiro entre Eriol, Sakura e a criatura alada, seria um milagre, pensou Syaoran. Rangendo os dentes, elevou o tubo cilíndrico, tentando preservar a fórmula e sem querer ergueu-a junto. Ela gritou e pendurou-se no tórax viril.
▬ Tem certeza de que sabe o que está fazendo com isso? Acho que derramou um pouco de sua poção mágica em Yue.
O pássaro em questão agitou as asas e voou outra vez para a luminária. Sakura olhou para cima preocupada.
▬ Você está bem, Yue? Está sentindo algo?
Syaoran fez uma careta.
▬ Afinal sou tão bom como mágico quanto você como patinadora! – disse ele, passando os braços ao redor da cintura delgada e libertando-se dos punhos que quase quebravam seus ossos.
Prolongando durante um segundo aquele contato, testou sua reação. Nenhum pensamento sobre carícias, beijos ou qualquer outra coisa erótica passou por sua cabeça. Tudo limpo. Maravilha! A fantasia que tivera com Sakura momentos antes por certo não passara de uma aberração. Talvez estivesse trabalhando demais. Oito horas no escritório e mais umas quatro em seu laboratório eram suficientes para abalar a libido de qualquer sujeito.
Era normal querer beijar, acariciar e abraçar qualquer mulher que se aproximasse dele. Até mesmo se essa mulher fosse sua melhor amiga. Precisava começar a sair mais. Colocou-a no chão e pegou a proveta outra vez. Sakura dirigiu-lhe um olhar inexplicavelmente desapontado, encostou o quadril na mesa do laboratório e o encarou.
▬ Muito bem. Vejamos o que este seu suco é capaz de fazer.
Confuso pelo tom desanimado na voz feminina, franziu o cenho. Sakura sempre fora sua incentivadora mais fiel, até mais do que seus parentes que não acreditavam em suas invenções. Sua vizinha, camarada e confidente sempre tinha palavras de incentivo para lhe dizer, mesmo nos momentos difíceis.
▬ Qual o problema, Sakura? – perguntou, esforçando-se para conferir o calendário pendurado na parede atrás dela. – Está naqueles dias em que...
▬ Não ouse concluir ou morrerá!
Syaoran calou-se e pegou o vaso de hera. Enquanto vertia a solução na terra, Sakura patinou ao redor da mesa com ar de desaprovação.
▬ Não é de se admirar que suas experiências levem meses para ficar prontas. Precisa de uma assistente. – disse, olhando uma pilha de caixas de pizza acumulada em um canto. – Alguém que cuide dos detalhes da vida real para você enquanto está na terra encantada, inventando coisas.
Syaoran cruzou os braços e a encarou por trás dos óculos.
▬ Agora sei que tem algo que a está aborrecendo. Só fica de mau humor quando está em dificuldades.
A expressão assustada no rosto feminino o pegou desavisado. O modo como ela mordeu o lábio inferior, dava a impressão de que se sentia... Vagamente culpada. Levando as mãos à cabeça, Sakura retirou a bandana colorida, soltando as mexas ruivas. Aquele gesto era uma revelação. Jamais teria soltado os cabelos a menos que tivesse um encontro ou acontecido um desastre ecológico. Sakura tinha um segredo. E ele queria saber o que era.
▬ Bem, eu... ah...
▬ Eu... ah... o quê? – provocou-a Syaoran.
▬ Eu... Estou preocupada sobre o encontro com o senhor Amamiya no banco amanhã. É isso que está me afligindo.
▬ Está preocupada com o pedido de empréstimo?
▬ Sim.
▬ Ora, ora. Que tipo de...
▬ É só isso.
Depois que a mentira foi dita, respirou aliviada. Não podia revelar seu segredo. Tirando a proveta das mãos de Syaoran, Sakura verteu toda a solução no vaso com a hera.
▬ Pronto! Agora pode aproveitar o resto do dia para se divertir – anunciou ela, batendo palmas.
No vaso em frente a eles, a terra chiou. O som ficou mais alto... Alto o bastante para atrair Yue que se acomodou no ombro de Sakura. Eles se entreolharam. Jamais tinham ouvido ruído tão intrigante. Momentos depois, a hera, antes verde e lustrosa, inclinou-se para o lado, tão murcha quanto uma tira de toucinho frita.
▬ É parece que terá de voltar à estaca zero – comentou tristonha. – Mas não desanime. Sei que você consegue, Syaoran.
.
CONTINUA!
N/A: Olá queridíssimos. Desculpas o atraso, não pense que foi por não ter tempo; era pura preguiça mesmo! D: E peço novamente desculpas por isso. Amei todos os comentários, todos eles. E agradeço muitíssimo por vocês terem comentado e participado assim da fic; não sabem como isto me deixa feliz. Muito feliz mesmo! Bem, eu escrevendo aqui as minhas notas, tive uma idéia excelente tanto para mim, quanto para vocês...
Que tal um desafio até sexta-feira que vem hein? Até sexta-feira aqui nesta história deve ter no máximo uns dez reviews e eu postei o próximo capítulo na sexta-feira para vocês fresquinho. Isto é, se apenas tiver dez (ou mais) pessoas comentando! E aí que tal? *u* Estou aguardando os comentários, okey?³
Até logo mais queridos. ;*
