Ai, Sheila louca

Ai, Sheila louca! Acreditam que me esqueci completamente de colocar o nome da música que embala a fic, bem como a banda que a toca? Uma canção tão linda, chama-se "Everything", da banda Lifehouse e é um dos temas da primeira temporada da série Smallville.

E neste capítulo, tenho o imenso prazer de lhe mostrar um pouco da maravilhosa cultura da minha gente, um conto russo lindíssimo no qual meus pais se inspiraram para escolher meu nome, mas adianto que não tenho nada a ver com a causadora da inspiração, hein!

Uma boa leitura a todos!

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Capítulo II – Alma em pedaços

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You calm the storms

And you give me rest

You hold me in your hands

You won't let me fall

You steal my heart

And you take my breath away

Would you take me in

Take me deeper, now

Você acalma as tempestades

E você me dá repouso

Você me segura em suas mãos

Você não vai me deixar cair

Você roubou meu coração

E me deixou sem fôlego

Você vai me receber?

Vai me atrair mais ainda?

Ninguém sabia ao certo onde se localizava tal castelo. Alguns dizia que ficava ao norte da Escandinávia, outros que sua localização eram em alguma montanha de gelo na Sibéria. O que ninguém duvidava era de sua existência, e das coisas maravilhosas e terríveis que seus moradores eram capazes.

Não era feito de pedra ou barro, tijolo ou telha. Paredes, telhados, torres, escadas e pontes eram de cristal puro, transparente e reluzente, irradiando luz e a brancura da neve. Frio em alguns pontos, quente em outros, acolhedor e denso. Tal como seus ocupantes.

Eram quatro irmãs, belas, joviais e gentis. Sheila, a mais velha, era uma mulher de cabelos prateados e lisos, os olhos acinzentados e pele tão branca que lembrava a palidez quase mórbida. Gostava de observar as pessoas e o frio era seu principal companheiro.

A segunda era Annya, jovem de cabelos ruivos e curtos, olhos vermelhos e vivos, pele levemente bronzeada e muito alegre, gostava do sol e do calor, de rir e curtir as boas coisas.

Ingrid era a terceira. Jovem séria e pouco sorridente, tinha cabelos negros como a noite e olhos verdes brilhantes como estrelas. Gostava de ler, de ficar em silêncio, de caminhar por entre a bruma que se formava nos jardins do castelo.

E por fim, Helena. Uma garota ainda, com seus cabelos loiros soltos ao sabor do vento e os olhos azuis claríssimos sempre bem abertos. Sorridente, espevitadas, cheia de histórias e mimos, as flores eram suas amigas, os pássaros, seus companheiros.

Eram muito unidas e juntas faziam seu trabalho, uma ajudando a outra, mas sem interferir de fato no que faziam. Sheila cobria a terra de frio, preparando almas e vidas para as flores que Helena traria em seguida, espalhando as sementes que Annya iria ajudar a cultivar com o calor do sol e as chuvas de fim de tarde para que, com o tempo calmo e a bruma confortante trazidos por Ingrid, dariam uma colheita abundante.

E assim, o ciclo se seguia. Ano após ano. Até o dia em que algo aconteceu...

And how can I stand here with you

And not be moved by you

Would you tell me how could it be any better than this

E como eu poderia ficar aqui com você

E não me comover com você?

Me diga, como isso poderia ficar melhor?

Sheila se preparava para mais um ciclo de seu incansável trabalho, em poucas horas a bruma que Ingrid lançava sobre a terra se dispersaria e chegaria o momento de irradiar o frio, moldar cada floco de gelo e neve e espalhá-los feito chuva pelo mundo.

Gostava daquilo. Pacientemente, fazia desenhos com os minúsculos pedacinhos de neve, e sua imaginação era tão fértil que nunca um era igual ao outro. Centenas de milhares, cada qual com sua característica própria. Elevava-os à altura dos olhos, sorrindo para si. Eram perfeitos.

-Sheila! Sheila! – ouviu a voz de Helena a lhe chamar e deixou seu quarto.

Foi para a estufa onde a irmã passava a maior parte do tempo, cultivando flores e plantas diversas, das mais variadas cores, formas e tamanhos.

-O que foi, Helena? Por que me chamou com tanto entusiasmo?

-Veja, minha irmã, a nova espécie que criei! Não é linda?

Sheila pegou a flor que a irmã mais nova lhe estendia, era uma espécie de pétalas delicadas e rubras, mas o caule, notou, tinha espinhos. Ergueu uma sobrancelha interrogativa à Helena, que sorriu.

-Uma flor tão delicada poderia ser alvo fácil de predadores. Precisava de algo para se defender.

-Como vai chama-la?

-Não sei ao certo... Mas venha comigo, há mais delas nos fundos da estufa!

Helena levou Sheila até o local onde tais flores cresciam, a mais velha admirou-se com tantas cores e perfumes diferentes. Moveu-se por entre os arbustos carregados, tocando suas pétalas e folhas. Vermelhas, amarelas, brancas... Sorrindo, abaixou-se para sentir mais de perto o doce perfume que elas possuíam. E não viu quando um pequeno inseto saiu de uma delas, vindo para cima de si.

-O que é iss... Ai!

-O que foi, Sheila? – perguntou Helena, ao ver a irmã com as mãos sobre os olhos. Aproximou-se mais e viu escorrer, por entre os dedos pálidos, diversos filetes de sangue.

-Ingrid! Annya! Me ajudem!

As outras irmãs logo chegaram e encontraram a mais nova aos prantos e Sheila ajoelhada, as vestes já tingidas pelo líquido rubro. A levaram para o quarto, Ingrid fechou a porta com tudo, impedindo Annya e Helena de entrarem no cômodo.

Passou-se algum tempo, até que ouviram gritos e um choro desesperado vindos do quarto. Logo em seguida, Ingrid saiu, com os olhos vermelhos de chorar e uma expressão muito séria no belo rosto.

-O que aconteceu, Ingrid?

-Os espinhos feriram os olhos da Sheila... Ela está cega, Annya.

Chocada, Helena começou a chorar, encolheu-se nos braços da ruiva. Era a culpada pela desgraça da irmã mais velha. Jamais se perdoaria.

E também não seria perdoada. No dia seguinte, assim com em todos os outros, um frio de intensidade nunca antes vista varreu toda terra e assim seria por toda a eternidade e vida. Era a sua maneira de mostrar sua revolta por não poder mais ver as belezas dos cristais que criava e espalhava ao vento. Era a sua vingança contra a causadora de sua cegueira.

Em sua prepotência, Sheila daria mais e mais trabalho à Helena. E a jovem, culpada, não conseguiria superar a fúria da irmã. E então, existiriam lugares na Terra que jamais se perguntariam para onde foi a primavera, pois apenas conheceriam o rigoroso inverno...

Lugares como a Sibéria. Cidades como Moscou ou Oslo. Terras distantes como Asgard.

And how can I stand here with you

And not be moved by you

Would you tell me how could it be any better than this

E como eu poderia ficar aqui com você

E não me comover com você?

Me diga, como isso poderia ficar melhor?

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Capítulo dois ok! Gostaram do conto? É lindo, um dos meus preferidos quando criança, mas como disse, não sou em nada parecida com a Sheila que me inspirou o nome. Bom, somente o fato de que eu sempre fui meio cegueta, claro...

Beijos a todos!