Capítulo 1 - O Príncipe e a Plebéia

- Você vai mesmo para a Austrália Edward? - Rose perguntou ao primo, que estava concentrado em alguns papeis.

- Sim Rose. - ele largou os papeis de lado e olhando para a loirinha, sorriu - Eu vou sim. Preciso muito dar um tempo da loucura que anda este palácio ultimamente e achava que você deveria fazer o mesmo. Passar um tempo longe da vovó e da Tia Clara vai fazer muito bem para você.

O príncipe Edward Anthony Philip George da Noruega estava na sala de leitura do Palácio em companhia da prima, Duquesa Rosalie Adélia Marie de Vestfold.

Ele é príncipe-herdeiro de uma das ultimas monarquias modernas. O próximo na linha de sucessão do trono, atrás apenas do seu pai. E isto é muita responsabilidade!

Todas as monarquias da Europa estão sob suspeita depois dos inúmeros escândalos ocorridos nos últimos anos, com a recente renuncia do rei da Espanha. Os holofotes estão sobre os herdeiros diretos aos tronos e com isto, a pressão da mídia norueguesa sobre a preparação de Edward para assumir o seu lugar está a cada dia maior. Perseguições da imprensa em qualquer lugar onde ele fosse e sobre qualquer palavra que ele falasse, o deixando muito chateado. E em face destes acontecimentos, seus pais acharam melhor aceitar o desejo do filho de cursar uma nova pós-graduação na longínqua Austrália.

Este será um tempo para que o príncipe consiga um pouco de paz em meio à turbulência. Seis meses em Melbourne sem protocolos reais, sem honras, sem pressão. Vivendo quase como um plebeu.

Sua viagem planejada tão em cima da hora e com tão pouca pompa era uma regalia que seria impossível há alguns anos atrás. A monarquia vem se modificando desde o reinado do seu avô, o rei George II, e estava se tornando ainda mais moderna sob o comando dos seus pais, o rei Carlisle e a rainha Esme. Hoje já era possível que os membros da família real levassem uma vida quase normal em algumas ocasiões. Edward e seu irmão, o príncipe Jasper, já puderam frequentar a escola regular e conviver com outras crianças na infância e Edward estudou Ciências Políticas na tradicional Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde fez amigos leais e um dia, até poderia vir a se casar com uma plebéia, assim como seu pai, que encontrou a sua eleita nos corredores da universidade de Oslo.

Apesar de ter sido criado de maneira menos rígida do que o que seu pai foi, Edward ainda tinha muitos protocolos a seguir e sentia o peso do cargo que carregaria em um futuro que ele esperava estar muito distante: Rei da Noruega e soberano de um povo.

- Bem que eu queria te acompanhar priminho - Rose suspirou - Mas começarei na semana que vem aquele estágio que eu tanto queria na empresa de Emmett. Não posso sair agora!

- Então ele te chamou mesmo, hein?

Emmett McCarty é o melhor amigo do príncipe desde a pré escola e também herdeiro de uma das maiores empresas de investimento do país. Edward desconfiava que o amigo tinha uma queda por sua prima e por isto já o tinha alertado da sua situação com a loirinha.

- Sim! - Rose se sentiu muito empolgada - Ele disse que eu tenho o perfil perfeito para o cargo!

-Que maravilha, Rose! - Edward vibrou - Este estágio será ótimo para a sua carreira.

- Eu acho que vou me dar muito bem lá, pois sempre foi meu sonho trabalhar em uma empresa de investimentos! E também Emmett é um gato! - ela piscou o olho para o primo que bufou, a repreendendo.

- Rose…

- Eu sei, eu sei Edward… Eu sei do nosso 'compromisso' - ela revirou os olhos e levantou os dedos para fazer o sinal de aspas - E não vou desistir dele. Só acho que você vai encontrar alguém de quem goste de verdade e não vai precisar se casar com sua prima sem graça aqui.

Rosalie, além de prima do príncipe e única filha do irmão do rei, é a sua prometida. Ela é a sua única opção para noiva se ele não achar alguém à altura até a data limite para o anúncio do seu noivado, que é o dia do seu aniversário de 28 anos.

26 anos… quase 27. Isto lhe dá um pouco mais de um ano para encontrar alguém adequado e assim tanto se livrar, como à prima desta enorme responsabilidade.

Edward não tinha uma eleita, mas não era por falta de tentativas. Ele já andou com muitas mulheres, mas nenhuma delas fez com que ele quisesse assumir um compromisso. Algumas eram muito sonsas, outras assanhadas demais, mas todas tinham algo em comum: Apenas queriam o título e não o homem por trás dele. Além disto, ainda tinha o agravante que a única vez que ele achou que tinha se apaixonado de verdade, por uma colega de faculdade, aos 21 anos de idade, a moça não o quis por ele ser príncipe.

Ele tinha certeza que estava fadado a ficar sozinho por toda a vida.

- Eu realmente espero encontrar alguém que me ame, por mim, mas principalmente por você que não tem nada a ver com estas tradições ridículas que a vovó insiste em manter.

Edward já estava farto dos mando e desmandos da sua avó e dos conselheiros da monarquia, mas enquanto ele mesmo não fosse o rei, nada podia fazer a não ser aceitar todas as imposições.

- Eu sou tão família real quanto você, Edward. - Rosalie falou indignada - Não é só por que sou filha do irmão do rei e não tenho o título de princesa que não tenho obrigações com este país. Se você tem que se sacrificar em nome das tradições, nada mais justo que eu faça o mesmo.

- Você é tão perfeita Rose - Edward se aproximou da loirinha e a abraçou, grato por seu apoio incondicional - E é por isto que eu acho que você merece alguém melhor do que eu, melhor do que o galanteador barato do Emmett. Tome cuidado com ele, por favor.

- Eu sei me cuidar Edward… E só acho Emmett bonitinho. Nada mais do que isto, te prometo - Rose sapecou um beijo na bochecha do primo - Mas esquece isto e me fala mais da sua viagem! Estou tão curiosa para saber como você conseguiu o que queria em tão pouco tempo e sem nenhuma reclamação maior da vovó!

Empolgado com a curiosidade da prima, Edward começou a falar daquela viagem tão desejada e que apesar dele ainda não tinha idéia, que mudaria sua vida para sempre.


Mais uma vez, Isabella Marie Swan tinha um novo lar. Pelos próximos seis meses o pequeno apartamento no complexo da universidade de Melbourne será a sua morada e refugio.

Ela soltou um suspiro satisfeito ao se dar conta que a seus últimos pertences já estavam devidamente armazenados nas gavetas e armários, e assim se pôs diante da janela do seu quarto a fim de admirar o final de tarde quente e aconchegante.

- Que dia lindo! Como eu gostaria que os dias na Noruega fossem assim... - ela murmurou para si mesma, esticando as mãos para fora da janela e aproveitando o calor tão raro em sua terra natal.

Depois de uma temporada na Nova Zelândia onde aprendeu mais sobre trabalho escravo e colaborou com uma ONG local, seguido de alguns meses viajando pelo outback australiano com um grupo de amigos e trabalhando voluntariamente, na amanhã do dia anterior, a jovem socióloga tinha finalmente chegado a Melbourne para a última etapa do seu período de dois anos fora de casa: um curso de pós-graduação em políticas públicas pela renomada universidade da cidade.

Em seus 25 anos, Bella Swan sempre foi um espírito livre. Ela nunca gostou de se apegar muito às pessoas além de sua família é claro. Amava muito a todos, mas não se tornava emocionalmente dependente das coisas e pessoas ao seu redor as quais considerava muito passageiro. Além disto, ficar em um só lugar, com poucas pessoas não era sua vocação. Ela gostava de dividir, compartilhar, nem que fosse um pouco de amor e atenção. Este era o tipo de vida que ela gosta: colaborar com as outras pessoas, doar um pouco do seu tempo e conhecimentos para a melhoria da vida dos que mais necessitam.

Rodar o mundo. Conhecer pessoas e culturas novas. Ser útil. Aprender e ensinar. Esta é a sua maneira de ser feliz.

Bella sempre foi de poucos, mais leais amigos e nunca se apaixonou de verdade. É claro que teve alguns namorados, principalmente na época da faculdade, mas ninguém conseguiu com que seu coração batesse mais forte. Nunca encontrou alguém com quem conseguisse dividir seus sonhos, que quisesse lutar a sua mesma luta. Que se sentisse empolgado e feliz no meio dos menos favorecidos. Que quisesse se doar um pouquinho em vez de ficar tomando decisões trancado dentro de uma sala, rodeado de pessoas vazias.

Quando voltar para casa, ela está com emprego certo nas empresas da família Swan, mas definitivamente não é isto o que quer para a sua vida. Ela não quer ter que trabalhar de segunda a sexta em um escritório, tomando decisões que apenas beneficiarão a ela e a sua família.

Ela quer poder escolher onde trabalhar, a quem ajudar, mas sabe que seu pai sempre será contra as suas idéias revolucionárias.

Ela soltou outro suspiro e fechou os olhos.

- Como seria mais fácil se o papai me entendesse… - ela pensou alto mais uma vez - Como eu queria que a minha vida mudasse...

Antes que ela tivesse chance de pensar em mais alguma coisa, seu telefone tocou lhe tirando dos devaneios. Eram os amigos empolgados para explorar um pouco mais da cidade.

Seu pai e a falta de compreensão, seu emprego entediante em Oslo… Isto tudo eram coisas para se pensar depois. Agora ela precisava curtir a cidade linda na qual viveria pelos próximos meses.

A cidade na qual ela viveria uma surpreendente aventura e como era o seu desejo, teria a sua vida totalmente modificada ao encontrar um grande amor.