Sakura...

Uma voz familiar zumbia em seu ouvido.

Sakura!...

E a voz realmente a incomodava.

Não tem... Out—... Forma...

Seus sentidos começavam a voltar. Ela conseguia abrir os olhos devagar, mas suas pálpebras estavam pesadas e sempre voltavam a fechar. Os sons começavam a se misturar, gritos, estalos, e algo mais... Sentiu-se mais pesada, sua cabeça rodou e tudo voltou ao preto por alguns instantes.

Vamos... —sta bem... Conseguir...

Ainda tinha pontos pretos na visão quando notou que estava claro de mais para a noite, e antes de entrar em pânico se forçou a olhar para o céu. Bom sinal. A lua continuava lá. Ela não tinha desmaiado por muito tempo. Mas ainda estava muito claro.

Rápido... Ela vai... De novo!

O ar não entrava nos seus pulmões, os sons voltaram a ser zumbidos. E tudo ficou branco. Foi nessa hora que veio o choque. Seus olhos se abriram em descrença, o frio percorreu o seu corpo e fez até seus ossos tremerem. Suas mãos saíram da água seguidas por sua cabeça e logo seu cérebro entendeu que não estava se afogando. Afinal é quase impossível se afogar em uma fonte.

— Deu certo! — A mulher reconheceu a voz familiar que estava clara agora. — Ela voltou à consciência Mestre!

—Não precisamos dos nossos disfarces agora, Naruto. — O líder e mente por trás da operação suspirou. — Agora me ajude a tirá-la dali.

—Mas eu gostei do meu disfarce. Lee, o garoto da cozinha— Ele falou ignorando a ordem do seu antigo mestre. — A pessoas falam mais quando estão perto de empregados. Devem achar que não temos ouvidos.

Kakashi rolou seu único olho visível. É claro que o loiro nunca entenderia que as pessoas ignoravam serventes por que podiam descartá-los como bem quiserem. Não era humano tratar pessoas como animais, como escravos, mas quando se tinha dinheiro, a tendência era achar que estava acima de tudo.

—Na... Ru... To! — A mulher cuspiu cada silaba fazendo o próprio gritar de uma forma nada masculina.

Horrível era uma palavra que a descrevia bem. Seu vestido rasgado, queimado e molhado. Sua peruca desfazendo. Sem falar da maquiagem que escorria pelos olhos que a fazia parecer um fantasma das lendas locais.

—Onde você estava quando eu precisei de você! — Ela falava pausadamente enquanto estalava os dedos.

—Não foi minha culpa! — Ele se escondeu atrás de Kakashi e esperou pelo pior.

Ela levantou a mão pronta para lhe dar um tapa descente, mas seus olhos vagaram pela destruição da cidade. A noite estava iluminada, pois metade da cidade estava em chamas. E a outra metade agora era escombros. Sua mão desceu devagar assim como seus olhos arregalados que agora fitavam o seu corpo. Pela explosão do saloon ela deveria ter ao menos uma queimadura ou arranhão, mas ela estava ilesa.

—O homem! — Ela guinchou e correu para a fonte das chamas.

—Sakura! — Naruto gritou. — Volte!

O loiro não teve que fazer uma corrida muito longa para alcançá-la, afinal ela estava de saltos e com um vestido molhado muito pesado.

—Quando eu saltei... — Ela disse com falta de ar. Era difícil respirar quando os seus pulmões eram prensados por um espartilho. — Havia um homem comigo?

—Te achamos bem longe do saloon, não estávamos aqui quando a explosão aconteceu. — Ele explicou a arrastando para longe do fogo. — Escapamos antes de sermos pegos.

—Eu escutei os tiros e aproveitei para surpreender o bastardo. — Ela falou alto o bastante para que seu antigo mentor ouvisse.

—Bela maneira de improvisar. — Ele comentou um pouco feliz. — Mas por hora ainda temos trabalho a fazer.

—Olhe para mim. — Ela dramatizou levantando as saias do vestido. — Me sinto derrotada.

—Não há tempo para se trocar. — Ele falou ignorando o sofrimento da moçoila a sua frente. — Mizuki irá escapar se não encontrá-lo logo.

—Vamos para a remuda, é o primeiro lugar que eles vão depois de serem descobertos. — A mulher tomou um tom profissional. Quase ignorando o estado deplorável em que se encontrava.

Para dramatizar ainda mais a cena ela se aproximou de uma casa em chamas e jogou sua peruca ao fogo, arrancando também a maior parte do vestido. Sua melhor amiga iria matá-la quando descobrisse que o seu melhor vestido foi reduzido a farrapos, mas ela não poderia prever uma missão mais desastrosa que esta.

— A redoma fica no norte da cidade, perto da saída. — Naruto informou quando começaram a correr.

— E os capangas de Mizuki? — Ela perguntou afrouxando o espartilho.

— Foram eles que começaram a briga. — Seu mentor falou como se a frase explica-se tudo por si só. Ele provavelmente queria encerrar o assunto por ali, mas Naruto estava animado por finalmente estar em alguma ação.

— Um dos caras do Mizuki já estava na sua segunda garrafa quando quis entrar em uma das mesas de poker. — Ele mexia muito com as mãos enquanto explicava o ocorrido. — então ele achou que um dos caras da mesa era uma mulher.

"De inicio eu também achei por que, bem, o cabelo loiro do cara era grande com a franja tampando um olho e o outro com muita maquiagem para ser um cara. Mas a boca dele era tão suja que não podia ser uma dama. Então o cara que tava na mesa levantou e tirou a revolver do coldre, e o cara tonto perguntou quanto o cara da mesa cobrava.

Eu achei que o loiro com cara de mulher iria atirar, mas ele só sorriu e guardou a arma. O capanga do Mizuki ficou ofendido, derrubou a garrafa da mesa e sacou sua própria arma, foi aí que tudo ficou muito macabro. O bêbado destravou a arma e apontou para o loiro, todos do bar se levantaram e alguns, mais inteligentes, saíram correndo. Todos estavam tensos e eu posso jurar que vi o cara apertando o gatilho, mas a arma não atirou. A primeira coisa que eu pensei foi que a arma dele era uma 'Made In Spain', mas ele ficava gritando para os seus companheiros que não conseguia apertar o gatilho, que seu dedo estava preso. Então seu braço foi virando devagar até o cano estar encostado na sua orelha. Aí ele atirou.

O cara com cara de mulher gritou e todos olharam, então ele abaixou as cartas na mesa mostrando o seu jogo vencedor e recolheu as fichas. Os capangas que não estavam chocados sacaram suas armas e apontaram para o loiro. Como ele estava de costas para mim, não pude ver o que tinha em suas mãos, mas o que quer que fosse tinha aterrorizado a maioria.

Naquela hora eu subi as escadas e pedi para as garotas para correrem para fora, e quando fui bater na porta do quarto que a Sakura estava começaram os tiros. Sabia que não eram do quarto por que os gritos vinham do andar de baixo, então peguei minhas Dragoons no armário e fui ver o que tinha ocorrido.

Eu aproveitei que a escada era mal iluminada e me esgueirei para trás do palco. Dois caras estavam segurando os próprios braços empunhando suas armas enquanto o homem/mulher jogava bolinhas brancas que explodiam quando encostavam em algo. Em um primeiro olhar pensei que o resto tinha fugido da briga, porém quando me levantei um pouco pude ver os corpos.

Ver aquela carnificina me deixou louco. E iria atirar no homem louro mesmo sem saber o que estava acontecendo, mas Kakashi me impediu a tempo de fazer algo de que me arrependeria. Muito próximo ao lugar que eu estava antes um homem ruivo desceu daquelas passarelas de luz do palco. Ele tinha um sorriso macabro e mexia seus dedos no ar como se estivesse tocando um piano, mas os seus dedos pareciam estalar.

— Hum, não podia deixar a diversão para mim não é, Sasori. —O homem loiro falou jogando uma bola branca na cabeça de um homem que gemia no chão.

—Diversão? — O cara tinha parado de sorrir. — Se não fosse pela minha arte você já estaria morto.

—Arte? — O homem loiro pareceu ofendido. — Isso não pode ser chamado de arte! Hum!

Então eu vi o que tinha aterrorizado aqueles homens. Nas mãos do homem loiro haviam bocas, elas sorriam tão medonhas quanto o homem ruivo, e pensei que elas estavam se mexendo apesar de ser impossível que algo assim exista. O loiro voltou aonde estava sentado e pegou o casaco que tinha colocado na cadeira, e nós vimos à nuvem vermelha."

—Akatsuki. — Sakura falou entre os dentes mais para si do que para os outros. Seus punhos fecharam e ela desejou que ainda tivesse sua Peacemaker.

—Isso mesmo, uma única nuvem vermelha em um casaco pesado. — Naruto repetiu lembrando com raiva da sua inutilidade.

—Pelo que pude ouvir de sua conversa eles estava atrás de um garoto. — Kakashi freou o passo e carregou sua Remington calibre 44. Ele sempre foi muito reservado em relação as suas armas, mais até que seus livros impróprios, mas naquele momento ele não tinha outra escolha.

—Sakura. — Ele segurou a arma pelo cano apontando a coronha para a antiga pupila.

—Você vai tentar me impedir? — Ela perguntou já sabendo a resposta. Por mais que ela supera-se, por mais que treina-se, sempre a diziam que ela não estava pronta.

—Os Akatsuki saíram da cidade logo depois da explosão. —Ele respondeu encerrando o assunto. Não duvidava que suas palavras fossem verdadeiras, se os Akatsuki ainda estivessem na cidade ele não a teria acordado. Ela pegou a arma e tentou se acalmar.

—Então eu acho que terei que descontar em alguém...

Mizuki tentava si convencer de que não tinha desespero. E sim, de que escapava gloriosamente para o pôr-do-sol. Mesmo que estivessem no meio da noite, e que ele provavelmente não viveria para ver o amanhã caso aqueles Akatsuki o pegassem. Ele estava fulo. Tinha certeza que nunca se meteu no caminho deles. Nunca! Evitava as cidades que estavam no seu controle, e até mesmo as próximas delas. Então quando viu seus homens sendo atacados pelos Akatsuki jurou que se passasse dessa noite iria comprar um racho e viver isolado para o resto da vida.

Mas os seus problemas não paravam aí. Por que a Lótus do deserto em pessoa o caçava. Malditos mercenários que se acham justiceiros. Ele sabia o preço que sua cabeça carregava e tinha muito orgulho. Tinha. Agora não queria nem se lembrar disto.

Quando acordou depois que a vadia o nocauteou encontrou a porta aberta e seu revolver de três tiros. Ele pegou suas armas no armário e correu para as escadas, o problema é que ao descer encontrou todos os seus homens mortos e dois Akatsuki no meio do salão.

—Por que paramos nessa cidade? Vamos explodir tudo e ir embora, hum. — Ele escutou vozes discutirem, mas sem os outros barulhos comuns em um Saloon, algo estava errado. Muito errado.

—Não podemos sair daqui enquanto não acharmos o garoto. —Outra voz cortou a primeira. — Mas graças ao seu pequeno show ele escapou de novo.

—O que queria que eu fizesse? Eles derrubaram minha bebida! — Ele chutou um dos corpos. — E me chamaram de mulher! HUM!

Mizuki não tinha tempo para lamentar, ao lado da escada havia vários corredores escuros, mas não tinha idéia de onde iriam para então voltou para o quarto de onde veio e abriu as janelas. Para sua sorte a construção ao lado tinha uma varanda perto o bastante para que ele salta-se de um prédio ao outro. E quando o fez, quase caindo, o saloon explodiu diante de seus olhos. A uma parte sua cabeça tentava decifrar qual dos grupos tinha explodido o lugar, a outra tentava evitar que borrasse as calças e fugisse dali. Felizmente a razão superou o choque e ele conseguiu escapar antes que a multidão o notasse.

Ficou muito feliz por o falcão noturno, o homem responsável pela redoma, ser curioso a ponto de deixar seu posto e não trancar o lugar. A com maioria dos cavalos agitados tinha a perfeita chance de fuga, mas o velho pangaré com que Mizuki executava seus roubos estava deitado e não parecia querer sair.

—Cavalo idiota! — Ele gritou para o animal em questão. — Ainda te transformo em alforja!

O cavalo relinchou baixo ignorando o dono e Mizuki não tinha tempo a perder, então pegou um pouco de feno e tentou acalmar o primeiro cavalo que viu. No inicio ele parecia desconfiado, mas Mizuki pegou um pouco mais de feno e ofereceu, o cavalo esqueceu todo o resto e começou a comer.

Mizuki pegou sua cela e sorriu quando o cavalo abaixou a cabeça para que ele a coloca-se. E tão rápido como se pode fazer sem nenhuma luz, Mizuki colocou a cela e subiu no cavalo. Como estava muito escuro ele não tinha certeza da raça do cavalo, mas podia dizer que era rápido pelo seu tamanho. Saiu da redoma e disparou para o deserto sem querer saber para onde estava indo.

Arriscou olhar para trás e viu três corpos em contraste com as chamas da cidade. Um deles mais agitado do que os outros. Viu o formato de uma arma e sorriu, ninguém poderia acertá-lo a essa distancia. A menor das sombras se abaixou e Mizuki bateu as esporas no cavalo, ele relinchou e empinou forçando a Mizuki fazer um throw back, quando alguém se joga para trás do cavalo, um movimento muito arriscado já que era muito provável que o cavalo pisasse nele.

Executou o movimento perfeitamente, porem o cavalo corria de volta para a cidade deixando ele desprevenido. Há essa distancia poderia escapar a pé, porém sentiu uma dor enorme na perna e soube que tinha sido atingido.

Ele tentou continuar a correr, mas tudo que podia fazer era mancar, e quando sombras o cobriram ele soube que sua liberdade tinha acabado. Três cavalos o cercaram, um portando a Lótus do deserto. Outro com o garçom, o que o surpreendeu o bastante, e o ultimo com o moleque da cozinha e o cavalo que havia pegado para escapar.

— Não gosto de repetir minhas palavras. — A mulher falou apontando uma Remington para sua cabeça. — Mas você pode se entregar pacificamente e não o traumatizamos, ou pode saciar a minha vontade e se recusar.

—Vai pro inferno!

— Finalmente! Alguma música para os meus ouvidos.

Ele tinha escutado o que a Lótus do deserto fazia com seus prisioneiros, mas ele sempre achou que a Lótus do deserto era uma organização, uma espécie de mercenários que usavam perucas rosa ou algo do tipo, então quando descobriu que era uma mulher ficou ofendido e perdeu o medo. O que foi o maior erro da sua vida. Ele tentou correr por uma brecha entre os cavalos, mas foi laçado na altura dos cotovelos e jogado ao chão. Ele tentou fugir, o que fez o laço se apertar ainda mais, a mulher puxou a corda e ele perdeu o ar.

— Espero que esteja confortável por que vai ser uma longa viagem. — Ela falou com um sorriso malicioso.

Nunca estrague o vestido de uma mulher.

Alforja — Nome Espanhol para um grande saco de couro ou de linho engomado, mochilas de sela.

Colt 'Made In Spain' — Depois do grande sucesso de vendas as Colts ficaram mais caras, então a Espanha passou a produzir uma cópia da arma e vende-la por um preço bem mais baixo. O problema era que a qualidade era péssima e muitas delas acabavam aleijando o próprio atirador.

Colt Dragoon Colt modelo 1848 Percussão do Exército é um revolver calibre 44 feito para o exército também conhecido como Dragoons. Feito como solução os inúmeros problemas encontrados no modelo Walker Colt. Tornou-se popular durante os anos de 1850 e 1860.

Colt PeacemakerColt Single Action Army (também conhecida como o Colt Peacemaker, Single Action Army ou SAA, Colt .45 e às vezes como The Equalizer ou Colt Peacekeeper) Foi criado para testes de armamento de 1873 do serviço do governo estadunidense, pela Colt's Manufacturing Company e adotado como o revólver padrão militar desde então. É um revólver que atira uma bala cada vez que se puxa o gatilho, ou seja, deve-se puxar o cão da arma manualmente a cada disparo. O que não ocorria no meio popular, pois a maioria dessas armas era modificada para só engatilhar cão uma vez, o que tornava o fato de levarem no coldre perigoso. Seu cilindro armazenava seis balas.

Redoma — Uma espécie de estábulo comunitário, qualquer um poderia deixar seu cavalo por um preço baixo. Normalmente eram vigiadas por um sentinela apelidado de Falcão Noturno.

Remington Modelo 1858 — Feita pela Eliphalet Remington & Sons em calibre 36(Marinha) e 44(Exército) ficou popular depois de um incêndio na fábrica da Colt em 1864. Era cara, mas aqueles que podiam pagar sabiam da sua durabilidade e capacidade rápida de recarregar trocando um cilindro por um pré-carregado.

Saloon — A maioria das vezes era o ponto de referencia da cidade. Servia para as funções religiosas, ou não tanto, sede de comícios eleitorais e públicos, até como sala operatória e era também: hotel, restaurante, estação ferroviária e lugar para de troca para cavalos. Também era o lugar de diversão mais variado; bailes, jogos de azar e por ultimo local de refeições para os cowboys. Vendia-se cerveja, uísque, mescal e por incrível que pareça, até limonada.

A maioria das informações foram tiradas do Wikipédia e to blog Tex Willer ( links no meu perfil)

Eu não via a hora de terminar esse capítulo. Tinha notado que citava as coisas como se todos soubessem do que eu estava falando, então resolvi fazer esse resumo geral do que já citei,digo resumo por que as páginas da Wikipédia tem muita informação desnecessária e técnica o que fica difícil de entender. Além do mais a história de verdade ainda nem começou. Espero que tenham apreciado o capítulo tanto quando eu apreciei as revisões que me motivaram.

Até logo...