Cap. 2 – Eu pensando que era normal...
Depois disso, sai feito um rojão da sala da diretoria pra arrumar a minha mala. Mal podia esperar pra ir embora daquele lugar, e aquela conversa com Sr. Brunner me alegrou ainda mais. Será que ele, de repente, encontrara alguém de minha família? Será que eu não sou órfã, afinal...
Coloquei rapidamente todas as roupas dentro da mala, sem se quer ligar se elas estavam bem arrumadas ou não. Clarisse até estranhou, por que, segundo ela, eu sou a única que liga pras coisas arrumadas.
- Srta. Gonzáles, posso lhe falar um minuto?
Me virei, e olhei pro batente da porta do quarto feminino a diretora Space. Ela me encarava com cara de poucos amigos. Pronto! Descobriram! Agora ninguém mais me tira dessa escola!
- Hm... Claro.
Olhei pra Clarisse incerta e ela parecia estranhar a atitude da diretora, mas deu de ombros e me encorajou a ir. Eu ainda sim estava receosa. Deixei a mala em cima da minha cama, com todas as coisas dentro e fechada. Depois segui a diretora, ela me levou pra um sala de aula vazia e parou ali, encarando algo fora na janela.
- Bom, então você vai embora hoje, não é? – ela disse, ainda encarando algo lá fora. Falei! Agora só saio daqui com 18 anos.
- Pretendo, senhora... – eu disse, hesitante. Foi então que ela olhou pra mim e vi seus olhos vermelhos. Eu dei um salto de susto e me aproximei da porta.
- Não passei anos nessa escola, te vigiando pra você um dia sumir dessa forma, não... Pretendo acabar com esse sacrifício agora mesmo. – seus olhos agora estavam completamente vermelhos e sua pele ficou muito pálida,algo como giz, sem falar nas presas, que cresceram. Eu não sabia o que fazer nem como agir, eu não tinha como me defender então abri a porta da sala e sai pelos corredores a procura de alguém que conseguisse me ajudar, mas infelizmente não encontrei.
Meu coração martelava no meu peito e eu podia me sentir sendo perseguida. Foi então que de repente, eu senti duas presas afundarem no meu braços e eu cair de joelhos no chão com a dor.
- Eu em geral, não estou acostumada a morder mulheres, mas valeu o sacrifício. Não vai ter muito tempo de vida. – ela disse, limpando o filete de sangue que escorreu pela boca e fugindo do meu campo de visão.
A dor da mordida era insuportável e eu cai no chão, batendo a cabeça e ficando inconsciente. A ultima coisa da qual me lembro foi ouvir Clarisse gritar meu nome sem eu ter como responder ao seu chamado.
Minha cabeça doía quando acordei. Dei um longo suspiro e abri meus olhos devagar. Assim que a imagem se materializou eu vi Clarisse, de braços cruzados e encostada no batente da porta com as feições preocupadas, Sr. Brunner que me encarava numa mistura de surpresa e preocupação e um homem que eu nunca tinha visto em todas a minha vida: Ele parecia ter uns 18 anos, cabelos loiros bagunçados e olhos azuis que me lembraram um céu limpo. Ele parecia estar feliz, mas do que o normal, eu diria.
Eu olhei em volta e percebi um lugar totalmente novo, uma espécie de enfermaria, e me dei conta que já não estava mais na escola. O que representou um alivio! Não quero ver aquela mulher nunca mais na minha frente.
-Onde...? – minha voz saiu meu rouca e fraca, dei um pigarro pra deixá-la mais limpa. – Onde estou?
- Bem – vinda, Mary, ao acampamento meio-sangue! – disse Sr. Brunner, calmamente.
- Acampamento meio o quê? – eu não escutei bem, né? Meio sangue?
- Bom, Clarisse... Apolo... Vocês podem me deixar explicar a Mary tudo? – Clarisse saiu sem hesitar, me erguendo o polegar em modo de aprovação, mas o homem... O tal de Apolo, pareceu não querer sair. o deu um olhar repreendedor e ele deu um suspiro vencido, saindo da enfermaria.
Foi ai então que Mr. Brunner me contou tudo: Que os mitos gregos existem, que estão vivos guardando a civilização ocidental aqui nos EUA, que o nome dele verdadeiro é Quiron e não Mr. Brunner, que este nome era apenas um codinome, que ele e os sátiros do acampamento saiam atrás de meio sangues para treiná-los para sobreviver no mundo exterior ao serem atacados por monstros.
- Então aquilo me atacou era um monstro?
- Sim, uma empousa, sim... – eu estava atônita. Isso significava que...
- Eu sou uma meio sangue?
- Mas é claro... E Clarisse também.
- Ela é filha de quem? – ele pareceu surpreso com algo. Acho que pelo fato de eu ter perguntado quem era o pai dela e não o meu.
- Ares, o deus da guerra. – assenti. Não era surpresa...
- E o meu? – perguntei, sem ter a mínima certeza se queria saber.
- Apolo, deus da luz e guardião do Sol. – ele apontou pra fora.
- O "Apolo" que saiu daqui? – perguntei, surpresa. Ele assentiu e eu ri. – Aquele cara tem dezoito anos, como ele pode ser meu pai? Ele me teve com cinco anos?
Ele riu junto a mim.
- Já ouviu falar naquela história de "as aparências enganam"? Pois é, não parece, mas aquele homem que saiu daqui, embora pareça ter dezoito anos, tem mais de 2.000 anos.
Eu me calei. Isso tudo não parecia ser real.
- Mas...
- Mary, vamos fazer um acordo? Deite-se, durma mais um pouco, pense em tudo o que eu disse e então nos conversamos depois, o que acha? Você teve um dia longo.
Suspirei e concordei com sua proposta. Eu estava realmente cansada. Meu braço não doía, mas ainda hesitava em meche-lo. Então voltei a deitar e Quiron saiu da enfermaria lentamente. Logo eu estava dormindo. E então percebi que nem sempre sonhos de meio sangues são normais.
Eu estava vendo uma cena de longe. Uma menina pequena e loira praticamente voando pra cima de um garoto loiro e atrás dele havia uma garota morena de olhos azuis.
¹- Chega de monstros, vão embora! – a menininha gritou
- Está tudo bem! – disse o garoto – Thalia, guarde o seu escudo, você esta à assustando.
A tal Thalia deu um tapinha no escudo e ele virou um bracelete prata.
- Ei, está tudo bem – disse ela – Nós não vamos machucar você. Eu sou Thalia e este é Luke.
- Monstros! – gritou a menininha desesperada.
- Não – garantiu o Luke – Nós também lutamos contra eles.
- Vocês são como eu? – a menininha perguntou, um pouco amedrontada, um pouco desconfiada.
- Sim... Cadê a sua família? – perguntou o menino.
- Minha família me odeia – disse a menina – Eu fugi.
Thalia e Luke se entreolharam e Thalia perguntou:
- Qual seu nome?
- Annabeth – a pequena loira respondeu simplesmente.
Foi então que o sonho acabou e eu acordei com os raios solares batendo no meu rosto.
¹- Trecho adaptado do livro "O Último Olimpiano"
