~~ SAKURA ~~
Era verão. O último antes de entrar para a faculdade. Antes de dar adeus à minúscula cidade. O calor e a umidade características do local e da época do ano faziam que o suor surgisse na suas costas, grudando as pontas de seu cabelo na nuca. O barulho da festa era típico. Vários adolescentes querendo aproveitar o verão. Nesta época do ano a cidade lotava com visitantes, e as enormes casas de veraneio ficavam cheias, acabando com o marasmo. Esta festa em específico estava sendo dada pelos irmãos Sabaku. A família, que antes era conhecida por possuir participação em empresas petroleiras, hoje era famosa por gerar políticos proeminentes, e era esperado que os três filhos seguissem estes passos. A mansão tinha como fundo parte da praia, o que fazia dela o ambiente perfeito para a primeira festa da temporada de férias. Estas festas geralmente misturavam os adolescentes nativos da cidade, e os que vinham apenas para as férias. Quase dava a impressão de que eram todos iguais. Quase.
O último ano. Era o último ano que faria parte disto. Depois iria embora sem olhar para trás. Quando esta época chegava e a cidade enchia de pessoas lembrava o quão pequena era. O quão deslocada. Não importa se havia sido classificava como pessoa com "Maior chance de sucesso" no seu anuário escolar. Nem que fosse uma das meninas mais desejadas da cidade. Ou que havia sido aceita em uma das melhores universidades do país. Tudo o que era e o que havia conquistado parecia desaparecer quando entrava em contato com eles. Ou com ele. Se sentia diminuída. Quase como se tivesse voltado a ter sete anos de idade. Vulnerável. O estranho era que durante muitos anos contava os dias para que o verão chegasse. Quando será que este sentimento passou?
Somente havia vindo por que Ino tinha insistido e prometido que não a deixaria sozinha. Não devia ter acreditado na loira. Ela sumira no curto espaço de tempo que levou para buscar algo para tomar. Ainda eram nove horas. Devia ficar pelo menos até meia noite. Afinal, tinha se esmerado muito para ser uma boa aluna, e ao mesmo tempo não ser taxada de nerd. Eram essas pequenas ações em festas, bailes e afins que faziam com que seu sucesso acadêmico fosse creditado apenas à sua inteligência e não ao seu esforço. De acordo com Ino, uma pessoa inteligente pode ser popular. Já uma nerd, é motivo de piada. Ninguém precisa saber das horas de estudo e todo o esforço por atrás de um bom resultado nas provas. Ou do seu interesse por química e biologia.
Nas últimas semanas, sua tutora parecia estar desatenta. Mais entregue aos seus vícios. Não iria dizer nada se Sakura ficasse na festa até tarde, ou se nem voltasse para casa. Podia dizer que tinha ido dormir na casa de Ino, como em todas as outras vezes. Tsunade iria aceitar. Sakura encostou na mureta da mansão e começou a tomar sua cerveja. No início da noite, tinha prometido a si mesma que não tomaria uma gota de álcool, mas como não havia nenhuma bebida sem álcool na festa, pegou a primeira coisa que estava disponível e ficou a observar as pessoas que estavam na praia. Mesmo que Sakura não conhecesse a maioria das pessoas presentes, somente pelo bronzeado era possível distinguir quem era da cidade e quem não era. A maioria dos rapazes estava somente de bermuda, enquanto as meninas estavam expondo a parte de cima do biquíni usando saias ou shorts. Sakura estava usando um biquíni vermelho por baixo do vestido branco. De acordo com Ino, a roupa de banho ressaltava suas curvas, ao mesmo tempo que disfarçava sua falta de peitos.
-AHHHH! Não acredito! – gritou Ino.
Quando Sakura seguiu a voz, encontrou a loira sendo carregado no ombro pelo Sabaku mais novo, e logo foi jogada no mar. Ino se levantou e tentou empurrar Gaara para água. Sakura conseguia identificar a falsa indignação de Ino de longe. Era pura encenação. Puro flerte. Ino fazia parecer tão fácil. Riu. O ruivo não sabia nem do metade do que o esperava. Mas o que será que havia acontecido com o antigo interesse da amiga? O artista misterioso? Iria perguntar para ela depois. Com essas indagações, terminou a primeira cerveja. Pegou outra. E outra. E outra. Estava se entretendo observando as pessoas. Já eram onze horas. Neste meio tempo havia sido abordada por algumas pessoas. E logo arrumou um jeito de dispensá-las, depois de engajar alguma conversação, de modo que não parecesse mal educada ou deslocada em relação aos outros convidados. Novas pessoas chegaram para a festa. Pessoas que Ino assegurou que não viriam. Queria ir embora, mas não podia deixar a loira sozinha ou ir sem falar com ela.
Achou Ino dançando com Gaara. Se interrompesse agora, a amiga iria fazer com que a próxima semana fosse um inferno. Ino e garotos. Fez uma careta. Em algum momento eles deviam se separar. Com isto, mudou para um lugar em que ficasse menos visível para os novos convidados e ao mesmo tempo pudesse checar Ino. Nesta mudança de lugar tropeçou e caiu. Nem tinha percebido que havia bebido tanto a ponto do balanço ficar comprometido. Escutou um riso. Inozuka Kiba. Ele a viu e ajudou a levantar. Nunca tinha percebido que Kiba era tão bonito quando ria. Era um tipo diferente de beleza. Mais feroz, mas ao mesmo tempo cálida, amigável. Geralmente Sakura preferia mais o tipo cool, de raros sorrisos. Mais hoje poderia abrir uma exceção. E isso não tinha nada a ver com quem tinha chego na festa. Ou com o álcool. Nada.
- Hey Sakura – disse Kiba, ainda com a mão no braço dela, para ajudá-la a se estabilizar – Acho que sou o seu cavalheiro galante da noite.
- É, acho que vou ter que me contentar com você... – falei sorrindo quando percebi que a mão dele continuava no meu braço. Observei ele mais de perto e meu sorriso aumentou. Ele vai ter que servir.
Sakura ficou conversando com Kiba por um bom tempo, e começou a aplicar uma das táticas que Ino a havia ensinado, com toques, sorrisos e olhares. Ela estava se sentindo feliz, era bom se sentir admirada, ainda mais por alguém como Kiba, que não era da cidade. Começou a esquecer por que estava querendo ir embora, afinal, estava se divertindo tanto... Até que alguém o chamou. Era Naruto. O sempre estridente e querido Naruto. Sakura sorriu e pensou em acenar. Até que olhou para quem estava com ele e congelou. Seus olhares se cruzaram por um breve momento. E ela logo lembrou por que queria tanto ir embora. Kiba foi cumprimentar os amigos, com a promessa de logo voltar para Sakura. Mas ela não esperou. Visualizou Ino. Sem chance de conseguir a atenção da loira. Queria ir embora. Começou a entrar em pânico. Precisava ir embora. Que se dane Ino. Ia embora a pé. Mesmo que fosse demorar meia hora para chegar no chalé de Tsunade. No seu atual estado de embriaguez nem se preocupou com ladrões. Ou estupradores. Só queria sair dali. Entrou na casa dos Sabaku em busca de sua bolsa. Havia deixado suas coisas escondidas junto com as de Ino na cozinha. Com toda as bebidas localizadas fora da casa, ninguém ia se preocupar em vir procurar alguma coisa na cozinha. Forçou a se lembrar onde tinha escondido as coisas, odiava beber, sempre parecia que tinha uma fumaça em sua cabeça, que impedia o seu raciocínio de funcionar direito. Foi tateando as coisas de maneira trôpega, até que lembrou, elas deixaram as coisas atrás do vaso de plantas.
- Haruno Sakura – declarou uma voz que eu conhecia tão bem. Que eu ama- Não. Odiava. Devia Odiar. Ou pelo menos tentar ser indiferente. Me virei. E lá estava ele, encostado na porta, com aquele sorriso característico, que sempre me levava a fazer besteiras. Era injusto ele parecer tão bonito, enquanto eu estava tão... desaprumada. Desestabilizada. Feia. Sem maquiagem e cabelo desalinhado pelo vento da praia, com roupa e pele sujas com areia, da minha queda. Meu coração parecia que ia sair pela boca.
- Olá Sasuke-kun – tentei forçar naturalidade e sorrir. Droga. Conseguia sentir meu rosto ficando quente. Nunca mais iria beber. Estava bêbada demais para tentar ter uma atitude blasé. Minha mente ficou branca quando tentei penar em algo mais para dizer. Ele estava mais alto. Devia ter crescido uns 5 centímetros neste último ano. O cabelo estava um pouco mais comprido. E o rosto... Como era possível ele ficar mais bonito a cada ano que passava? Droga. – Chegou hoje de viagem?
- Hm – esse era o "Sim" do Sasuke. Pelo menos com as pessoas que ele achava que não mereciam uma resposta completa por parte dele. No caso, boa parcela da população feminina. Peguei minha bolsa, me assegurando que as coisas da Ino continuavam bem escondidas. Agora precisava sair. Partir. Me aproximei da porta e de Sasuke. Ele deve ter percebido que eu queria ir embora, mas não me deu espaço para passar. Apenas me olhou, e não consegui decifrar o que se passava por trás daquele sorriso jocoso – Hey, você pode fugir, mas não pode se esconder.
Com isto, ele começou a se mover. E meu coração disparou uma vez mais. O barulho estava muito alto. Tão alto. Acho que se ele se aproximasse mais conseguiria ouvir o barul...
Sakura acordou com o despertador. Estava suando. E assustada. Odiava sonhar com o passado. Tantas coisas que queria mudar e não podia... Suspirou e olhou para o teto de seu quarto. Geralmente seus sonhos vinham quando era lembrada do passado. Ontem, no noticiário ouviu o nome Uchiha, possivelmente era uma reportagem ligada à algum setor na parte de segurança do país. Os Uchiha eram quase uma dinastia nos setores policiais e de segurança nacional, sempre ocupando lugares de destaque na hierarquia dos órgãos. Também estavam presentes nos setores militares. O seu contato com os parentes de Sasuke, indicava que boa parte dos Uchiha era estoica, séria e tinha amor à regras. Quanto mais rígidas as regras, melhor. E eram canhalhas esnobes e elitistas. Sem exceção.
Mesmo que os Uchihas possuam algumas empresas, Sasuke deve estar seguindo uma carreira na polícia ou algo do tipo. Ela nunca caíra na tentação de procurá-lo em mídias sociais. E como não tinham mais amigos em comum, ela nunca correu o risco de saber qualquer coisa sobre ele. Se levantou rapidamente. Chega de pensar em Sasuke. Chega.
Eram 5h30. Precisava tomar banho e ir para a aula de Yoga. Depois deveria ir direto para o hospital. Sua manhã estava lotada de consultas e na parte da tarde tinha agendado uma cirurgia. Estava agradecida por conseguir agendar uma cirurgia. Geralmente, na sua especialidade, era um luxo poder escolher quando operar. Sakura era pediatra especializadas em cirurgias neonatais. Infelizmente, isto a fazia estar sempre em contato com pais desesperados e bebês com circunstancias de saúde desfavoráveis. E em boa parte das vezes, era preciso que Sakura operasse logo após o parto, então ela não podia influir em datas e horários.
Após tomar banho, dirigiu-se para a cozinha. Deveria tentar comer alguma coisa. Era tão difícil começar o dia sem café. Mas ele disse que ela parecia uma viciada. Então foi necessário tomar ações drásticas. Como cortar totalmente o café do seu dia-a-dia. Decidiu comer um pêssego com iogurte integral, era saudável pelo menos. Sentou na cadeira da bancada da cozinha, e começou a olhar o celular enquanto comia. Ele respondeu a sua mensagem. Possivelmente chegaria à noite. Sakura sorriu. Quem sabe eles não poderiam jantar juntos? Já namoravam à quase dois anos. Apesar da vida complicada de médica, ainda queria casar e formar uma família. Seu namorado era o candidato ideal para isso. Mesmo que não fosse apaixonada por ele. Na verdade era melhor que não fosse. As mulheres da família dela não foram feitas para paixão. A paixão de sua avó por uma única pessoa a destruiu. As paixões de sua mãe nunca acabavam bem, e eram desastrosas para as pessoas ao redor. E a única paixão de Sakura... Bem, só a machucou. E fez com que se tornasse uma pessoa descontrolada e feia por dentro. Foi a sua pior parte durante muitos anos. Por isso seu namorado atual fazia com que se sentisse tão bem. Ela acha que podia amá-lo, se já não o amava. Amor é um sentimento mais maduro que paixão, e que pode ser construído com o tempo. Era o suficiente. Relacionamentos sérios podem se basear somente no amor e respeito mútuo. Sorriu. Mal podia esperar para vê-lo essa noite.
A cirurgia foi um sucesso. O bebê deveria se recuperar sem maiores complicações, mas mesmo assim deixou instruções para que as enfermeiras comunicassem qualquer alteração. Hoje foi um dia normal, todas as consultas da parte da manhã foram de acompanhamento pós cirúrgico, e seus mini pacientes estavam se recuperando bem. E crescendo. Sakura sempre se surpreendia com o quanto um bebê conseguia mudar em poucas semanas. Isso a fez lembrar de um outro bebê e se perguntar como ele estaria hoje em dia. Ela afastou o pensamento.
Já eram 18h30. Foi para o vestiário trocar suas roupas e se preparar para ir embora. Checou o celular. Suspirou. Nenhuma resposta por parte dele. O jantar que ela tanto queria não iria acontecer. Trancou o armário e saiu. Ao se despedir das recepcionistas, olhou para a saída e percebeu que ele estava lá, distraído olhando o celular. Estava esperando ela, com um pequeno buquê e ainda com a mala de viagem. Ela sorriu. Adorava esse tipo de surpresa. Decidiu se aproximar devagar para surpreendê-lo. Mas não conseguiu. Ele logo a viu e sorriu.
- Achei que você só chegaria mais tarde – falei, enquanto dirigia o meu melhor olhar para ele, enquanto envolvia meus braços ao redor do seu pescoço. Olhei para as flores – E essas flores, são para quem?
- Pensei em trazer alguma lembrança da viagem para as recepcionistas. Acho que elas se sentem solitárias quando eu viajo nã- - interrompi a frase com um beijo. E lembrei o quanto precisava dele. Com ele eu conseguia imaginar um futuro, e desta forma, ignorar o passado. O beijo não demorou, já que ainda estávamos na frente do hospital. Mais tarde teria tempo para terminar. Olhei para ele, que estava sorrindo – Nossa Sakura, devia ter me avisado que queria tanto assim essas flores.
-Kabuto, você não devia tentar deixar sua namorada com ciúmes – falei fazendo beicinho. Soltei meus braços do pescoço dele, e olhei para a recepção. Estavam olhando para gente. Kabuto me deu as flores, passou o braço ao redor dos meus ombros e saímos para procurar um táxi. Concordamos em ir para o apartamento dele, para deixar a mala, e depois sairmos jantar.
Kabuto estava deitado de bruços, dormindo. Era difícil acreditar que ele já tinha 36 anos, sem o óculos parecia bem mais jovem. Não podia ser considerado bonito. Mas tinha charme e inteligência ao seu favor. E Sakura já tinha tido sua cota de homens bonitos, chegando a conclusão que eles traziam mais problemas do que valiam.
Estava no apartamento de Kabuto, e como já era esperado, eles não deixaram só a mala. Assim que ele fechou a porta do apartamento, Sakura o beijou. Precisava do calor dele. Aprofundou o beijo. Precisava dele. Sakura o puxou para o quarto. E agora Kabuto estava dormindo profundamente. Nem precisa dizer que não foram jantar. Afinal, ele voltou de viagem hoje, e precisava se recuperar do jetlag, já que amanhã de manhã precisava acordar cedo para dar uma palestra.
Assim como ela, Kabuto era médico. Era um brilhante neurocirurgião, mas recentemente havia decidido se dedicar mais à pesquisa, e vinha mostrando interesse na psiquiatria. Sakura nunca entendeu os interesses dele. Mas ele também não entendia porque ela virara uma pediatra. Na verdade, nem ela entendia às vezes.
Todos concordavam que eram um par perfeito. Ambos eram médicos brilhantes e ambiciosos, com grandes perspectivas. Ambos foram tutelados pelos melhores médicos do País do Fogo. Os burburinhos no hospital em que Sakura trabalhava era de que eles formavam um casal harmonioso. Ele, geralmente aparecia no hospital com flores, ou chocolates, ou simplesmente para leva-la para jantar de surpresa. Com ele não haviam brigas relacionadas ao montante de tempo que Sakura dedicada à sua carreira. Kabuto entendia a necessidade de cumprir plantões, e que jantares e viagens podiam ser cancelados devido à emergências. E por sua vez, Sakura entendia que ele precisava estar constantemente viajando para congressos, ou para palestrar em Universidades, era importante para que ele conquistasse patrocínios para suas pesquisas. Ambos entendiam a importância da carreira do outro, e por isso não haviam cobranças por nenhuma das partes.
Seria cruel esperar mais alguma coisa do namorado esta noite, então Sakura decidiu que era melhor ir para casa. E pegar alguma coisa para comer no caminho, já que sua geladeira estava vazia. Precisava fazer compras, sorte que amanhã era seu dia de folga. Quando levantou da cama, olhou rapidamente para o quarto tentando encontrar suas roupas. Foi fácil. Kabuto era maníaco por organização, então as peças de roupa eram as únicas coisas fora do lugar.
Dia de folga. Deveria parar de acreditar que tal dia existisse para ela. Recebeu uma ligação do hospital às 4h da manhã. Uma mulher havia entrado em trabalho de parto, e houveram diversas complicações, entre elas, a respiração do recém-nascido. Decidiram chamar Sakura para obter um parecer da situação. O bebê, uma menina, possuía uma cardiopatia congênita. Com os resultados dos exames, concluiu-se que não era nada grave à ponto de requerer uma cirurgia imediata. Mas a menina iria precisar de uma operação, possivelmente nas próximas semanas. Como a mãe continuava na sala de cirurgia, Sakura só pode conversar com o pai da criança. Ele ficou mais desolado do que já estava.
Alguns anos atrás Sakura teria se comovido com a situação dele. Talvez até encontrasse um armário para chorar escondido. Mas a ao longo da carreira, se deparou com várias situações semelhantes e passou a adquirir uma postura mais impessoal. Neste caso, a menina passaria por uma cirurgia e poderia levar uma vida normal. Bom seria se todos os pacientes de Sakura tivessem circunstâncias similares. Suspirou. O cruel da sua área de especialidade é a imprevisibilidade. Toda a gravidez foi normal. Todas as consultas e exames em dia. Mas daí o bebê nasce e percebe-se a doença. A má formação que não foi detectada. Os pais entram em desespero, vão do céu ao inferno em questão de minutos e envelhecem anos em poucos dias. E aquela coisinha minúscula, o verdadeiro paciente de Sakura, geralmente não tem mais do que horas, quando é decidido a necessidade de passar por uma cirurgia invasiva, com grandes riscos, somente para sobreviver.
Estava com dor de cabeça e seu estomago roncou. Percebeu que já era quase meio dia e não havia comido nada. Decidiu almoçar e ir para casa. Quem sabe conseguiria dormir algumas horas. A presença dela no hospital não iria ajudar o quadro da recém-nascida, então deixou instruções expressas para que ligassem para ela caso houvesse alguma alteração. Mandou uma mensagem para Kabuto. Possivelmente ele responderia mais tarde. Quando saiu do hospital, foi recepcionada pelo calor característico da estação. Sorriu. O verão não a incomodava mais.
Sakura acordou e ficou olhando para teto. O quarto estava na penumbra, mas pelas frestas da persiana dava para perceber que a tarde havia avançado. Queria ficar mais tempo deitada, mas lembrou dos artigos que havia reservado para sua leitura do dia, e da geladeira que permanecia vazia. Soltou um gemido e levantou. Verificou o celular. Kabuto respondeu a mensagem e estava a convidando para jantar, afirmando que desta vez realmente haveria comida envolvida. Riu enquanto ia para sala se aconchegar no sofá e finalmente começar a ler seus periódicos.
Olhou para o celular. Eram quase 18h. Já estava terminando de ler. Como havia marcado 20h com Kabuto, decidiu que iria abastecer a geladeira outro dia. Ainda precisava se arrumar. Ouviu o barulho do interfone. Kabuto. Deu permissão para subir, sem esperar o porteiro terminar a frase. Era muito cedo. Não estava arrumada. Nem maquiada. Estava um desastre. Correu para o banheiro, na esperança de arrumar o cabelo antes que ele chegasse. Mesmo que já namorassem à algum tempo, Sakura achava essencial manter certos aspectos de si camuflados. Por exemplo, ela gostava que ele pensasse que o cabelo dela era naturalmente liso e sedoso, e não uma massa armada e descontrolada. Uma hora ele iria descobrir a verdade. Mas não hoje. A campainha tocou. Ela foi correndo atender.
Ao abrir a porta ficou surpresa. Desapontada. Com raiva. Já havia dito para o porteiro não permitir que as escoteiras subissem. Essas menininhas sempre tinham jeito de empurrar inúmeras caixas de biscoito para ela. E depois Sakura precisava passar semanas correndo para perder as calorias adquiridas. A escoteira na sua porta deveria ter 11 anos. Era baixa para a idade. Tinha cabelo preto curto e usava óculos, o que dava um ar de seriedade desnecessário para uma garota tão nova. Quando Sakura abriu a boca para dispensá-la, a menina a encarou. E Sakura congelou. Conhecia esses olhos, esse olhar. Já tinha visto centenas de vezes durante sua infância e adolescência. "Você pode fugir, mas não pode se esconder". Sakura soube. Era ela. Tinha certeza.
- Oi, eu sou Sarada. E você deve ser Haruno Sakura. Acho que você é minha mãe.
Oi!
Comecei a reescrever esta história. Parei de escrever por lazer durante algum tempo, e quando voltei, encontrei muitas partes das quais não gostei em Resquícios de Verão. Caso tenha alguma coisa muito incoerente, me avisem!
Por favor, reviews são muito bem vindas. Saber que tem alguém querendo ler o próximo capítulo dá animo para continuar escrevendo.
Até a próxima!
