Cap. 1- Memórias

Samara se lembrava bem de como tudo começou. Ela tinha cerca de 10 anos, um ano a menos que seu adorado irmão. Não era uma menina que podia se chamar de bonita, tão pouco de feia. Era sem graça na verdade e sabia disso. Tinha os cabelos oleosos na raiz e seco nas pontas, sua pele também era oleosa e muito branca. Era magra demais para idade mas bem alta. O que mais se destacava em sua aparência eram seus olhos profundamente negros, quase sinistros como dois poços profundos, que em contraste com sua pele clara davam a ela uma apareciam quase cadavérica.

O motivo de sua estranha aparência talvez fosse por ela quase nunca sair de casa. Samara simplesmente não via motivos pra isso. Seu único amigo era seu irmão e ela (achava que) estava feliz com isso. Se sentia muito feia e desengonçada além de achar que se misturar com trouxas não era nada atrativo.

Samara sempre se referia à seus vizinhos como trouxas, pois ela era uma bruxa, e bruxos chamam os que não tem poderes assim.

Poucas vezes Samara tinha tido contato com bruxos como ela. Seu pai, um trouxa, odiava tudo que tivesse a ver com magia, o que incluía ela, seu irmão e sua mãe.

Seus pais haviam se conhecido há muito tempo. Sua mãe que era de uma família bruxa, abandonara tudo para se casar com seu grande amor trouxa, um homem charmoso, confiante e um verdadeiro líder.

Infelizmente, ele já não estava disposto a largar nada por ela. Continuou morando na mesma casinha de um bairro trouxa, se isolando de tudo que fosse diferente. Achava que o mínimo que sua mulher esquisita podia fazer era renunciar a todo o mundo dela, por ele. Afinal, ele já estava dando à ela o melhor que ela poderia desejar ou merecer; uma casa normal, uma vida normal e um sobrenome decente: Snape.

Samara odiava seu sobrenome. Representava tudo que ela mais detestava; mediocridade, seu sangue meio trouxa e seu pai. Sentimento que parecia ser recíproco.

Ela suspeitava que no começo, quando seu pai Tobias conheceu sua mãe, ele havia pensado em usa-la. Ter uma mulher com poderes seria imensamente útil para ele. Espionagem industrial, roubo, qualquer trabalho que ele pensasse em executar. No entanto, quando ele soube que o mundo mágico tinha regras e que sua nova esposa não estava muito disposta a ajudar seus planos, a máscara finalmente caiu. Seu pai se mostrou um homem violento e dominador. Não se importava com os sentimentos de sua mulher e muito menos com o dos seus dois filhos que ele não tivera a intenção de ter.

Helen Snape (em seu nome de solteira Prince) , sua mãe, era uma mulher miúda, de aparência frágil, talvez pelos anos de tristeza que sentia naquele casamento. Antes uma mulher ambiciosa, criativa, curiosa e infelizmente insegura. Nunca fora bonita ao contrário do resto da família, nem a melhor aluna da classe. Isso a fez se sentir inferior a vida toda. Sam imaginava se quando sua mãe conheceu Tobias, a aura de proteção e liderança que ele emitia junto com seu charme era o que havia feito com que ela se apaixonasse.

Sam não gostava de se olhar no espelho, não sabia se tinha mais medo de parecer com seu pai ou com sua mãe. Por mais que seu pai fosse um homem até charmoso (mas não bonito), seus olhos escuros e cruéis a assustavam. Enquanto a aparência derrotada de sua mãe lhe dava pavor.

Em todo o mundo Sam só gostava de seu irmão, Severo Snape. Ele era mais velho, inteligente, protetor e infelizmente, a mistura física perfeita entre seus pais. Mas Sam não ligava pra isso. O que estava deixando-a triste nesses tempos é que ele parecia estar preferindo passar mais tempo na rua do que em casa com ela. Sam sabia por quê. Severo estava encantado com uma menina sangue-ruim que morava no bairro. Uma ruivinha chamada Lilian Evans. Os dois iam esse ano pra escola de magia Hogwarts e Sam estava morrendo de raiva.

Na realidade, raiva não era a palavra certa, era inveja. Sam daria tudo para estar embarcando no trem que levava os alunos à escola junto com os dois, mas ainda não tinha idade. ''Maldição''- pensava.

Tobias Snape agora parecia ainda mais enraivecido que nos últimos tempos. Samara acreditava que seu pai, depois de tantos anos de empenho em afastar todos da magia, tinha pensado que seus filhos tivessem perdido qualquer resquício de poder. O que havia sido um grande erro. Pelo menos a respeito de Severo, pois, infelizmente, para tristeza e desespero de Sam, pouca magia havia sido demonstrada por ela.

- Calma, tudo dará certo. - Dizia seu irmão com pouco mais de nove anos- Você é nova demais, continue lendo e estudando bastante pra quando seus poderes aparecerem você estar preparada.

Helen apesar de tudo não conseguira jogar fora seus livros de magia para alegria de seus filhos que estudavam todos as escondidas sempre que podiam e com muita empolgação.

Curiosamente, enquanto Tobias explodia de um lado, com Sam ele parecia estar ficando mais calmo e ela sabia porque. Seu pai estava achando que Sam havia puxado a ele, sem poderes. Uma pessoa normal. De repente, ele até podia vir a ter orgulho de sua filha.

No entanto, isso era o que menos interessava a Samara. Ser o orgulho de filha de um homem sem escrúpulos, imprestável e invejoso não estava nos seus planos.

A falta de poderes de Sam só fazia com que ela tivesse mais raiva de Lilian Evans. Como uma sangue-ruim podia ter demonstrado mais talento que ela? Não podia ser real! Se Samara tivesse que ficar condenada a passar a vida toda naquela casa horrível se mataria. Até porque, ela sabia que sua mãe esperava que sua filha tivesse mais capacidade que ela nos tempos de escola e que depositava nela, as expectativas que tinha para sua própria vida antes de conhecer seu marido.

Sam estava pensando nisso quando ouviu o começo de mais uma violenta briga no andar de baixo da sua casa e desceu correndo para ajudar, afinal, sua mãe já podia ter se acostumado a apanhar do marido, mas Severo ainda não tinha que ser obrigado a suportar aquilo e mesmo sendo mais nova Sam sempre o ajudava, assim como sempre era ajudada. Afinal, naquela casa, os dois só podiam contar com eles mesmos. Sempre fora assim e Sam achava que sempre seria. Samara nunca abandonaria o irmão em hipótese nenhuma e rezava pra ter sempre forças para isso.

N/A: Agora vocês estão conhecendo um pouco mais da Sam e começando a ter ideia da importância dela para história. É necessário conhece-la para entender os acontecimentos que se seguirão no futuro, mas por ela vocês terão a visão de muitos fatos narrados nos livros sobre os Marotos.

Continuem acompanhando e desde já, perdão por qualquer erro gramatical..rs.

Até.