Oi! Aqui estou tentando voltar. Digo tentando porque a faculdade a mais de 200 km do meu lar dificulta um pouco o acesso à Internet… E às minhas fics…

Ainda por cima, soma-se que o computador da minha irmã, literalmente, faleceu; Souhait tinha razão quando dizia que devemos ter uma copia extra num pendrive... XD

Desculpem se fiz vocês esperarem, aqui vai o capitulo dois:

RAPUNZEL

Quando soou a campainha da sua casa, James estava na sala jogado no chão com o seu cachorro enorme siberiano Zeus, quem lambia seu rosto e esfregava as patas dianteiras em seus ombros, sujando de lama a camiseta dos Chuddley Cannons. Sacudia o rabo de um lado para o outro, contente, e quando ouviu o chamado na porta pulou para receber o visitante com latidos. O garoto se levantou e se dirigiu à entrada para abri-la, encontrando-se com o Sirius de pé com um bolso a tiracolo e arrastando com a outra mão o malão. Zeus passou por entre as pernas de James, derrubando-o, e pulou encima do recém-chegado, enchendo-o de lama e passando a língua por toda a extensão de sua cara, extremadamente feliz.

– Zeus! Que falta senti de sua comida! – exclamou Sirius, largando o bolso e o malão para segurar o cachorro pelas orelhas. O cão grunhiu em protesto. – É, e de você também – riu o garoto em seguida, entendendo seu grunhido. James puxou Zeus pelas patas traseiras e o deixou de lado para poder abraçar seu amigo.

– O quê você esta fazendo aqui? – perguntou curioso, quando se soltaram. – Esperava você para a metade de agosto, falta um mês ainda!

Sirius sorriu de lado, com uma estranha alegria estampada no rosto.

– Finalmente me livrei da maluca de minha mãe... Fugi!

James levantou as sobrancelhas, incrédulo.

– Hã?

– E vim morar com vocês!

– Ouvi bem, meu pequeno Black? – disse a voz de uma mulher desde as escadas que conduziam aos quartos no segundo andar. A senhora Potter descia com a varinha na mão fazendo uma vassoura limpar agilmente a escada atrás dela. – Vai morar conosco? Que alegria!

Sirius olhou-a com um sorriso grato, sem jeito. Não queria pedir isso assim, mas agradeceu que o tivessem recebido tão bem. James puxou-o para o pátio, deixando as coisas do seu amigo a cuidados da sua mãe, quem levou tudo para o quarto de hóspedes. Sirius queixou-se, dizendo que tudo seria mais divertido se compartisse a casinha com Zeus, com quem tinha muita afinidade, e só James sabia que os dois brigavam pelos ossinhos de porco.

Os dois se sentaram na grama de pernas cruzadas. O crepúsculo tingiu o céu de uma cor avermelhada, dando ás nuvens um tom alaranjado, e uma única estrela brilhou em cima deles: da constelação de Centauro, Sirius.

– Cara, você nem imagina como foi tudo lá em casa. Briga feia.

– Sério? – disse James, ouvindo sem perguntar. Não o faria, não gostava pressionar seu amigo porque sabia que ele não gostava falar muito disso. E, como supôs, Sirius desviou o assunto.

– Mas agora fica tudo mais fácil para continuar com essa idéia de fazer o mapa.

– Remus tem umas sugestões – disse James, contente que ele não ficara amargurado por sair de casa.

– E Matilde tem respondido minhas cartas – acrescentou o garoto, sorrindo de orelha a orelha. James fitou-o sorrindo torto.

– Você se apegou demais a essa garota – pronunciou, de modo que seu amigo entendesse bem o que estava dizendo. – Isso não é normal em você.

Sirius deu uma gargalhada gostosa, ajeitando os cabelos logo de tirar a camisa. Embora estivesse no final da tarde, o calor era sufocante.

– Ela foi a única que não saiu comigo – James levantou uma sobrancelha, pedindo uma única aclaração. – Ah... E Lily.

Dois segundos depois, a noite já tomando por completo o céu, os garotos esquadrinharam a casa à procura de algum vestígio de vida, mas não viram ninguém. Então, acompanhados por Zeus, cervo e cachorro partiram para o horizonte.

- J - L –

Ela pendurou o cartaz no quadro de anúncios da Grifinória assim que pôs os pés na Sala Comunal. Olhou-o e sorriu. Isso bastaria para achar o garoto da festa. Passara os dois meses das férias pensando em um jeito de encontrá-lo e, ainda por cima, sua irmã continuava sem dar sinal de querer falar com ela, já que desde a briga das duas, cinco anos atrás, pela carta que lera Severus, Tunny passou a ignorá-la. Isso a magoava.

Leu o cartaz duas vezes para assegurar-se e assentiu. É, isso deveria bastar. Pela manhã procuraria aos monitores das outras casas e pediria que colocassem em seus quadros de anuncio.

Subiu para seu dormitório e encontrou Matilde já deitada em sua cama. Ela tinha lhe contado que Black saíra de sua casa e fora morar com Potter, e se perguntara desde quando a loira se carteava com Sirius. Abriu as cortinas de sua cama e tirou a cartola de sua mochila para repousá-la em sua mesa de cabeceira. Dormira todas as noites com ela ao seu lado, sonhando e imaginando o rosto do garoto, sem chegar a nada em concreto.

– E aí, Lil? Colocou o tal cartaz?

– Ahã.

– Então boa noite – murmurou a loira apagando dez segundos depois. Lily sorriu e se deitou, sem sequer pensar no dia seguinte.

- J - L -

– Cara! Evans está amarradona em você! – exclamou Sirius na manhã seguinte, parando frente ao quadro de anúncios. Puxou James, enganchou o braço no pescoço dele e passou o punho fechado em seu cocuruto para despenteá-lo, rindo à gargalhadas. Os óculos caíram no chão, e James se desfez do braço de seu amigo para pegá-los e os colocou para ler:

Encontrou-se uma cartola na festa de final de ano. Pertence a um garoto que quero conhecer. O mágico que reconheça ser seu proprietário, por favor, comunicar-se com Lily Evans, monitora-chefe da Grifinória. Obrigado.

O sorriso veio ao rosto de James, grande e torto. Remus levantou os olhos do livro e levantou as sobrancelhas ao acabar de ler. Peter franziu a testa sem entender, e olhou para Sirius.

– Mas, pelo o que entendi, Evans só quer devolver uma coisa para alguém... – retorquiu ele.

– É, e esse alguém sou eu – disse James, sem deixar de sorrir e sentir uma pontada de soberba. Lily estava à sua procura. Levou uma mão à cabeça para despentear seus cabelos e caminhou na dianteira, pegando o pomo de seu bolso e lançando-a no ar, para pegá-la graciosamente pouco depois. Garotas sorriam tímidas para ele e Sirius no caminho até o Salão Principal, que o garoto Black retribuía incluindo um beijinho jogado no ar.

Mas a mesa da Grifinória estava mais abarrotada que o normal. Muitos garotos de todas as idades e casas estavam amontoados ao redor de alguma coisa; Sirius esticou o pescoço para tentar ver e Remus, sem dar importância, tomou seu lugar na mesa.

E então viram Lily e Matilde no meio da multidão tentando, em vão, tomar o café da manhã. Sirius gargalhou, olhando seu amigo com interesse. James quase deixou escapar o pomo, mas guardou-o com rapidez.

– E então? Vai fazer fila? – caçoou Almofadinhas, colocando as mãos no bolso sem deixar de rir.

James não deu ouvidos para seu amigo e foi com passo decidido tentando abrir caminho por entre a multidão barulhenta, mas nem sequer podia vê-la por entre as cabeças.

A ruiva olhou sua amiga, balançando a cabeça. Nunca imaginara que sua idéia acabaria em uma coisa assim. Matilde revirou os olhos para ela, com a colher de pudim intocado ainda suspenso no ar. Lily então percebeu que tinha sido uma idéia estúpida. Repreendeu-se. Nunca acharia seu príncipe. Tapou o rosto com as mãos e soltou um longo suspiro.

– Hey, Evans, EVANS!

Como se o chamado a acordasse de um trance, ela levantou a cabeça e olhou ao seu redor. Não era nenhum dos "Evans, sou, eu!", nem os "Evans, não me reconhece?" que se ouviam ao seu redor. Era o mágico. Pôs-se de pé e apoiou o joelho no assento para poder erguer-se e olhar por encima das cabeças dos garotos. Não o achou.

– Estava me procurando?

Lily deu meia volta e deu de cara com Potter, que sorria torto como todas as garotas amavam, exceto ela. Lily vincou a testa.

– Perdão?

– Eu. Você. Festa. Mágico. Fada. – Lily sentiu-se uma idiota por James falar assim com ela, como se não soubesse inglês. Estreitou os olhos e observou-o. Cabelo preto, olhar alegre e... Caiu a ficha. James Potter era seu príncipe, e não gostara do que achou, a Cinderela não era o que sonhava. Abriu e fechou a boca várias vezes sem ter o que dizer.

– Você?

– Quem mais? – perguntou ele com sarcasmo. Lily tomou ar, encheu as bochechas coradas e franziu a cara.

– Cai fora daqui! – gritou zangada mais consigo mesma que com o garoto. Olhou o tumulto ao seu redor. – TODOS! – concluiu em um grito agudo, com o rosto vermelho.

– Mas, Eva... – tentou James, mas ela lançou-lhe um olhar gélido que fez que ele não tentasse mais nada.

James então, resignado, voltou com seus amigos vendo como Sirius segurava sua barriga e se contorcia de tanto rir, sentado na mesa. As lágrimas caiam por seu rosto, fazendo que o jovem Potter lhe dirigisse um olhar de repreensão. Peter virou a cabeça até Remus tentando encontrar um apoio nele, sentindo que poderia vir briga.

– Ai, ai, cara – tentou se tranquilizar Sirius, respirando com dificuldade pela dor no abdômen. – Isso foi... ai, ai... a pior coisa que poderia... ai... ter acontecido... ai, ai... com você! – e, sem controlar-se, voltou a rir inclinando-se sobre a mesa e batendo um punho sobre ela.

– Fecha o bico.

- J - L -

Lily não se surpreendeu ao ver Matilde cochichando com Sirius em um canto da Sala Comunal. Tal vez rindo da sua estupidez. Respirou fundo e subiu para o seu quarto. Passara toda a tarde em aula, e logo fora para a biblioteca até a hora que pôde para não olhar a cara de ninguém, nem aguentar que tirassem sarro da cara dela. Eram quase oito horas quando se jogou na sua cama, cansada, e viu uma coisa peluda e branca pular por cima dela. Deu um gritinho de susto e se sentou, vendo um pompom de algodão esconder-se debaixo de sua mesinha de cabeceira, onde ainda estava a cartola de James. Desceu da cama e agachou-se para olhar, mas não viu nada, só ouviu os saltos da sandália de Matilde soando no chão, anunciando que ela estava chegando ao dormitório.

– Que diabos você está fazendo aí? – perguntou a loira com curiosidade, pousando as mãos em sua cintura e lhe lançado um olhar surpreso.

– Vi alguma coisa pular e... Ali! – exclamou Lily, e se esticou para a cama de sua amiga ao seu lado e enfiou a cabeça debaixo dela e pegou o que procurava. Quando se ergueu, tinha um coelho branco fortemente preso entre seus braços, batendo as patas dianteiras em seu peito tentando fugir. O laço azul que estava amarrado em seu pescoço estava por desamarrar-se e um pedaço de pergaminho estava se soltando. Lily pegou-o, deixou o animal na sua cama, e desdobrou-o.

Matilde deu pulinhos até sua amiga e leu por cima do ombro de Lily:

Dez horas. Torre norte. Espero você. Não falte.

Lily não se deu conta de que tinha a boca aberta em um perfeito O até que Matilde fechou-a com um leve empurrão com as pontas dos dedos. Ela ria baixinho, os olhos radiantes, pulando na ponta dos pés com excitação. O coelho tinha desaparecido de sua cama.

– Que bom! Deeeeemais! Lily Evans tem um encontro com James Potter!

– Cala a boca, Til! – grunhiu a ruiva olhando-a com repreensão. Amassou o papel e deixou-o sobre a mesinha, corando. Matilde percebeu.

– Lil! Olha só, até ficou sem jeito com isso! Você vai nem que eu te tenha que arrastar!

Lily se desfez da capa e, com as mãos na cintura, fitou a loira, pensativa. Matilde ficou esperando resposta.

Sim. James Potter a chamara para sair. O apanhador mais brilhante que a Grifinória já vira, o garoto que chamava a atenção onde quer que passe, aquele que a chamava para sair desde a terceira série... Mas essa vez fora diferente. Essa vez mexera nela. Pensou por uns segundos, que pareceu uma eternidade tentando lembrar todos os contras para levá-la não ir. Não queria ir. Não devia. Ainda por cima estava Severus... E sentiu uma dor aguda no peito ao lembrar-se dele. Por que pensava nele agora? Ah... Prometera a ele que nunca sairia com Potter. Bem, não prometera a ele e sim, na sua frente, dizendo que preferia a lula gigante que o garoto estrela.

E devia manter sua postura.

– E entããããããão? – pressionou a loira, ansiosa, juntando as mãos na frente do rosto como se implorasse. – Tenta, vai! Você não vai morrer. Se alguma coisa der errada, detêm ele!

Lily levantou uma sobrancelha. Logo fechou os olhos e suspirou. Então, finalmente, balançou a cabeça para cima e para abaixo com a maior lentidão possível para dar tempo a se arrepender, mas Matilde não permitiu. Segurou-a pelo pulso, puxou-a até sua cama e a obrigou a se sentar. Com movimentos rápidos, ela prendeu o cabelo de Lily e começou a maquiá-la, sem receber nenhum protesto. Isso a deixou feliz.

A ruiva não pensou muito. Não queria. Matilde tinha razão, se ele fizer alguma coisa, por mínima que seja, o deixaria de detenção por um mês inteirinho. Preocupou-se só em fechar os olhos e não pensar.

- J - L -

James Potter estava tirando uma soneca no sofá enquanto Sirius e Peter falavam aos sussurros em um canto da pequena sala onde costumavam se reunir, na torre norte (1). Era um lugar pequeno que Filch esquecera logo de enchê-lo de objetos inutilizados. Mas os garotos o encontraram perfeito para suas reuniões furtivas quando não estavam na casa dos gritos.

O pé do jovem Potter repousava em uma mesinha, ao lado de seus recém acabados deveres de poções e de um pergaminho em que Remus trabalhava fazia dias, construindo o primeiro projeto do Mapa do Maroto, como o tinham apelidado. Logo os dois garotos que planejavam em silêncio pegaram a varinha de James da mesinha, saíram pelo alçapão que estava no chão perto da parede e desceram pela escada de corda sem dizer mais nada.

Remus levantou os olhos do pergaminho e fitou o buraco aberto do alçapão como se esperasse pela volta de seus amigos, e justamente acertara; a cabeça do jovem Black surgiu novamente para chamá-lo em voz baixa para não acordar James. Aluado revirou os olhos, suspirou e se levantou da cadeira para seguir seu amigo contra sua vontade.

O que James ouviu quando acordou foi só o estalo da fechadura do alçapão se fechando pelo lado de fora.

- J - L -

– Que droga!

Matilde se sentou ao pé da escada que conduzia ao sétimo andar da torre norte, tirou a sandália do pé esquerdo e colocou-a frente à sua cara fuzilando-a com os olhos. O salto mais que fino de seu calçado tinha quebrado e pendia de só um fio de tecido roxo que cobria toda a sandália. A loira grunhiu e lançou-a longe.

– Que porcaria! Agora sim me sinto feito plebéia! – murmurou furiosa enquanto se colocava de pé e se apoiava na parede para poder tirar a outra sandália. Lily, de pé na escada à frente de sua amiga, a olhou levantando uma sobrancelha. – Lil, desculpa, mas assim eu não vou – concluiu a loira, suspirando zangada.

– Ótimo, eu te acompanho – sorriu Lily com alivio. Matilde abriu a boca perplexa, os olhos azuis muito abertos.

– Nem sonhando, Lily Evans. Eu te deixei feito uma gata para este encontro e então você vai!

Lily suspirou resignada e sacudiu a cabeça, mas Matilde deu tchau com um abanado exagerado da mão esquerda e se foi correndo, sem deixar tempo para sua amiga desistir. A ruiva olhou a extensão da escada que a conduzia à torre norte e franziu o nariz. Não estava totalmente convencida de que estava fazendo a coisa correta, mas não custava nada tentar, como dissera Matilde. Respirou fundo e começou a subir degrau por degrau, bem devagar. Faltava meia hora mesmo...

Ela nunca estivera por ali. Enquanto ascendia a sétima longa escada, olhava de vez em quando pelas janelas, onde podia se ver o céu estrelado com poucas nuvens. Sorriu quando chegou a um corredor à direita de onde acabava a escada, mas duvidava estar no caminho certo quando viu parte do lago na janela, que estava ao sul. Continuou mesmo assim pelo corredor até que viu uma escada de caracol estreita no final, e subiu franzindo a testa. Seria melhor lembrar o caminho de volta se não achar Potter. Perto do final da escada, começou a ouvir gritos abafados e acelerou o passo, preocupada.

– Droga, Sirius! Quer abrir esta porcaria? – gritava uma voz vinda de alguma parte do pequeno patamar onde se encontrava agora. Logo escutou o barulho de alguém batendo uma porta de madeira.

Lily reconheceu a voz imediatamente.

– Potter?

A barulheira cedeu.

– Evans?

A voz vinha de cima, de um alçapão pequeno sobre a cabeça de Lily.

– Que diabos você está fazendo aí encima? – perguntou a garota, agora começando a perder a paciência. Se o nome de Sirius Black estava no meio, era problema na certa. – Você não pretende que eu tenha um encontro com você sem ver sua cara, ou vai? Olha que eu não tenho nenhum problema com isso, até é melhor não ter você prendido em mim feito garrapata.

– En... contro? – gaguejou James, com os joelhos e as mãos sob o alçapão, ouvindo com atenção.

E então veio a voz de seu amigo Almofadinhas enchendo sua cabeça em uma lembrança recente: "vê se hoje veste uma roupa melhor. Que estamos sozinhos em nossa guarida não significa que possa aparecer alguém de surpresa."

Estava tudo friamente calculado.

– Droga! – exclamou sem pensar, batendo o punho na portinha de madeira. Por que Sirius tinha que meter seu focinho preto e pulguento onde não devia?

Debaixo dele, Lily franzira a testa para o monólogo de uma só palavra de James. Outra vez caíra em outra piada sem graça dos Marotos, como o baile de fim de ano. Como sempre. Devia não ter ido.

– Eu vou indo, está bem? Eu não gosto desse tipo de encontro... Não é meu tipo se quer saber.

– Espera aí! Evans! – berrou James, um sorriso maroto surgindo em seus lábios. – Não vai me deixar aqui sozinho e trancado sem comer, vai? Ninguém vem aqui... Tô sem minha varinha... Por favor... – murmurou em um tom de suplica exagerada.

Lily colocou as mãos na cintura e torceu a boca, pensativa. Bateu o pé duas vezes. Revirou os olhos, fechou-os e suspirou. Merda. Por que tudo de errado acontecia com ela? Ok. Potter tinha razão, ninguém ia por ali, e Sirius era capaz de deixá-lo ali a vida toda, e não permitiria isso, sabendo que Black esperava que ela o tirasse dali. Mas por quê?

– Por favor? – voltou a repetir James, a voz melosa e sem deixar de sorrir.

Lily voltou a fechar os olhos. Precisava se controlar. Não prestaria atenção a qualquer tentativa de sedução barata, e não faria nada, nada, que não seja tirá-lo dali. Pegou a varinha do bolso de suas jeans e apontou com ela a pequena porta de madeira.

– Sai daí que vou tentar abrir a porta com um feitiço – alertou-o ela, e ele obedeceu em seguida, colocando-se de pé e retrocedendo uns passos. – Bombarda! – exclamou ela, mas nada aconteceu. "Garoto esperto" pensou ela, sorrindo sem vontade, tentou dois feitiços mais e desistiu. – No momento em que você pisar este chão, vai ter uma detenção por um mês, entendeu?

– Se for um mês com você, pode me colocar em detenção todos os dias do resto da minha vida – sorriu o jovem Potter, sentando-se sob a mesa e despenteando o cabelo, o sorriso torto marcando sua cara.

– Engraçadinho – murmurou ela tentando parecer irônica, mas não pôde esconder a cor vermelha que surgira em seu rosto. Ficou feliz por ele não poder ver. Pensou por meio minuto alguma alternativa, até que lhe surgiu uma idéia louca. – Tem corda por perto? – indagou, olhando para cima à espera de uma resposta, que lhe chegou pouco depois com uma voz carregada de curiosidade:

– Sim, por quê?

– Acho que vi uma janela logo uns metros abaixo de você, talvez você possa descer por aí – disse ela, e logo sorriu extasiada. – Sim! Espere um pouco!

James levantou as sobrancelhas e se dirigiu até a janela, abrindo-a e inclinando-se sobre ela para poder ver uns metros abaixo dele. Pouco depois, a cabeça da garota surgiu de uma janela uns dez metros por debaixo dele, os cabelos ruivos movendo-se ao ritmo da brisa fresca da noite, os olhos verdes cintilando pelas luzes do castelo. Ele sorriu torto, admirando aquela imagem tão bela contrastando com a noite escura. Ela levou uma mão aos cabelos para tirá-los da cara, e olhou-o sem expressão.

– Potter, joga a corda!

Rapunzel jogue as tranças! Foi a frase que veio à mente da garota meio segundo depois, e não pôde deixar de sorrir pela ironia. Por que tinha que ser sempre o príncipe da história? Primeiro achara uma Cinderela que não combinava com o sapatinho de cristal, logo a Rapunzel que não queria que descesse da torre. Queria ser ela a princesa e achar um príncipe bom o bastante. Não queria princesas, não queria James.

– Oi – disse o garoto, que agora estava bem na frente da ruiva, se segurando da corda que ia mais além para abaixo. Ela sacudiu a cabeça de modo desaprovador, mas sem deixar de sorrir agora para ele, quem pulou para a escada onde Lily estava com agilidade.

– Lembre-se: detenção por um mês por me chamar aqui sem motivo, entendeu? Agora volta para a Sala Comunal !

Os dois voltaram para a Torre da Grifinória, onde Sirius, Remus e Peter estavam sentados em um sofá perto da lareira, e Matilde sentada sobre a escada que dava ao quarto das meninas pintando as unhas de roxo. Os quatro levantaram os olhos para eles no momento que pisaram a sala. Lily pousou as mãos no quadril e fuzilou Matilde com os olhos.

– Você, senhorita Matilde, vem comigo! – disse Lily em um tom repreensivo. A loira não abriu a boca e a seguiu até o dormitório, dando um último olhar frio para Sirius.

James cruzou os braços, aproximou-se aos seus amigos, vincou a testa e olhou seu amigo Black sério, e Almofadinhas esperou pelo sermão com os dedos entrelaçados sob os joelhos, levantando as sobrancelhas.

– Você poderia pelo menos ter esperado que ela chegasse para nos trancar!

E os dois riram à gargalhadas.

- J - L -

(1) Eu supus que a sala de aula da professora Trelawney fosse inutilizada na época dos Marotos, já que uma pessoa normal não utilizaria aquele lugar para dar aulas. Então eu dei para os Marotos se divertirem! XD

Espero que tenham gostado... Não ficou igual ao original do computador da minha irmã, mas basicamente mudou pouca coisa. Escrevendo no computador da minha faculdade um pouco cada dia fica difícil.

Tentarei postar logo o terceiro capitulo.

E a opinião de vocês é muito importante para poder continuar e escrever melhor!