Notas da historia
Título: Relação delicada
Autor: Mayra LAbbate
Beta: Adrieli Machado
Disclaimer: Twilight e todos os personagens não me pertencem. Roteiro original.
Sumário: Isabella Swan, jovem gerente de marketing publicitário, recebe o desafio de criar uma propaganda que foge a suas regras e ética.
Edward Cullen, jovem recluso de fala mansa e muitos mistérios, terá o desafio de descobrir as facetas de sua mais nova colaboradora prometendo ao casal que se forma uma relação explosiva e cheia de descobertas.
Cap. 2
A tarde se seguiu sob pressão e sem a presença dos clientes. O que para nós, foi de extrema ajuda.
-Bella nosso foco será praia e peitos?
O pânico na voz da jovem hispânica, refletia na face dos demais. No total minha equipe era composta por três profissionais na equipe de criação, um especialista em imagem e um estagiário multitarefas, como gerente eu era responsável pela revisão e acertos finais e para que tudo fluísse conforme minha mente, buscava em minha equipe além de pessoas criativas, personalidades adaptáveis. Ninguém ali era pago para pensar apenas em uma linha e a multinacionalidade me ajudava a cutucar estas facetas em todos diariamente.
-Nubia, dizer que cerveja nas Américas é sinônimo de peito e praia, é o mesmo que dizer que no Japão só há cosplay.
Kalervo, nosso especialista em imagens, acabou iniciando um dialogo um tanto, quanto efervescente entre todos e muitas ideias surgiram por trás de toda a confusão. Um simples olhar na direção de Clara, deixou nítida minha intenção e ela passou a anotar fervorosamente as pequenas ideias que iam surgindo, sem que ninguém realmente notasse.
-Pessoal...
Gritei chamando a atenção de todos, o relógio marcava 16h e eu desejava muito ir para casa.
-Agradeço a todos pelo ótimo brainstorming, Clara irá organizar as ideias e amanha teremos uma lista com a qual trabalhar.
Todos se acalmaram e logo as mesas estavam vazias, minha secretária ainda observava o local um tanto quanto deslocada. Como todos os dias ela me aguardava para qualquer última solicitação, hoje não foi diferente, sua mesa ainda estava repleta de papéis e ela observava suas anotações com as mãos um pouco trêmulas.
-Clara.
-Isabella...eu acho que não vou conseguir colocar isto em ordem...
Ela começou a falar de forma errática e a acalmei com um sorriso.
-Se acalme Clara. O pessoal do RH já esta lhe aguardando. Bem vinda à equipe, definitivamente!
Gostava desta parte do meu trabalho, encontrar um talento bruto e trabalhar de forma anônima, sempre me trouxe bons resultados. Amanhã, eu teria uma boa visão de como poderia pressioná-la futuramente.
Com as mãos cobertas por grossas luvas e dentro dos bolsos de meu casaco, saí do prédio para a rápida caminhada de 30 minutos. Até minha casa, seriam apenas três quarteirões, mas o tempo deixaria tudo bem mais lento. Antes de dobrar a esquina, a figura de um homem junto a duas grandes malas chamou minha atenção e me virei para observar melhor.
Do outro lado da rua, próximo à calçada, Edward parecia aguardar um taxi, que com este tempo, demoraria longas horas a passar. Reprimindo o diabinho dentro de mim, retornei meus passos atravessando a rua em direção a estatua de gelo, ele permanecia com as mesmas roupas que usava dentro do escritório e imaginei que um casaco mais quente estivesse dentro de suas malas. O nariz estava com a ponta vermelha, assim como suas bochechas e olhos, se não fosse por sua touca, diria que os cabelos displicentes também deveriam estar mais brilhantes.
-Durante minha infância, criei alguns bonecos de neve bem originais, mas devo dizer que você soube fazer um bom trabalho com o próprio corpo!- chamei sua atenção com o leve comentário, recebi um olhar apreensivo e então um leve sorriso vindo dele - Nosso primeiro encontro foi tão ruim que resolveu morrer congelado?
Me aproximei chamando ainda mais sua atenção, ele parecia querer rir, mas o frio que sentia era tanto que ele apenas tremeu ainda mais.
-Estou esperando o carro do hotel. Ele já deveria estar aqui, marcamos para as 16h15.
Passava um pouco das 17h agora. Nosso país, era conhecido por sua pontualidade e o fato de não terem aparecido, chamou minha atenção.
-Olhou o seu celular?
Com dificuldade, ele retirou o celular do bolso observando as chamadas com os dedos trêmulos. A luva precisou ser retirada e imediatamente recolocada, após notar o que havia acontecido com seu carro.
-Eles ligaram e mandaram mensagens de texto. Aparentemente, o transporte não chegaria até este lado da cidade e me encaminharam o mapa do metro.
Sua fisionomia cansada me causou pena e realmente quis ajudá-lo. Eu nunca havia passado pela situação de ser estrangeira e ter que me virar sozinha em um novo país. Compadecida com seu estado atual, pedi para ver o endereço e me espantei com a distância.
-Edward, você está aqui, em Hoxton, o hotel fica no final da linha, do outro lado da cidade.
Ele gemeu, provavelmente ao imaginar o tempo e o desgaste da viagem.
-Consegue andar? – foi uma pergunta voltada a mim mesma, era possível notar o quanto complicado seria para ele mover seu corpo, mas o calor produzido pelo movimento seria bem vindo após alguns metros - Eu moro a três quadras daqui. Há um quarto de hospedes vago, passe a noite lá e amanha, veremos como instalá-lo em um local melhor.
Ele apenas assentiu com a cabeça e seguimos para o outro lado da rua, o ajudei com uma das malas, agradecendo por terem rodinhas 360 graus. Nossos passos lentos e um forte vento congelante, tornaram a caminhada um pouco mais desgastante. Assim que entrei no edifício, permiti um audível suspiro de alívio. Notei que fui acompanhada por Edward e acabamos rindo juntos, o porteiro nos olhava curioso, mas não fez perguntas. A segunda porta do hall nos foi aberta e aguardamos em frente ao elevador.
O edifício não possuía mais do que 11 andares e seis apartamentos por andar, meu apartamento ficava no quarto andar e normalmente faria o percurso pelas escadas centrais, não hoje com as malas e o corpo exausto por conta do frio. Edward apenas me seguia e continuou assim até que a chave abriu a porta, lhe dando passagem a um ambiente quente e aconchegante.
-Venha, vou lhe mostrar o quarto e então você poderá tomar um banho quente e vestir algo confortável, enquanto preparo algo para o jantar.
-Não precisa se incomodar com isso, você já esta me recebendo e...
-Apenas faça isso Edward.
O guiei até o quarto no final do corredor, o banheiro era anexo, o deixei com toalhas limpas e cobertores para sua cama. Saí o deixando instalado no quarto, passei rapidamente pelo meu apenas trocando de roupa, aproveitei para aumentar a temperatura no termostato e segui para a cozinha.
Como a cozinha era em anexo com a sala, liguei o som deixando que todo o ambiente tomasse vida e cacei pela geladeira, algo rápido para fazer. Teríamos salada de frango para o jantar e pudim de chocolate belga, algo que havia comprado no início da semana e vinha comendo pedaços milimetricamente cortados, o doce era algo tão delicioso e estupidamente caro, que fiz um pedaço normal se transformar em cinco pequenas sobremesas.
A mesa já estava posta e as travessas na bancada quando o som de vidro sendo arranhado chamou minha atenção, Peter, o gato sem raça definida de minha pequenina vizinha, estava arranhando a janela em busca de sua tigela extra de leite morno. Rapidamente permiti sua entrada e preparei sua refeição, antes de comunicar a vizinha do paradeiro de seu bichano.
Não tinha animais, todo meu apartamento mantinha linhas clássicas e cores pastel com móveis e decoração perfeitamente alinhados e limpos, não havia tempo para cuidar de plantas ou qualquer tipo de ser vivo e com isso, acabei adotando o gato fujão como forma de distração. Não me importava com sua presença irregular ou com sua necessidade de afeto esporádicos, eu também era semelhante em muitos aspectos e isso era confortável.
-Não sabia que tinha um bicho de estimação?
Edward surgiu vestindo uma calca larga de moletom e um blusão de lã grossa. Os cabelos úmidos pareciam alinhados e os pés estavam confortáveis em grossas meias de algodão. Eu poderia ter estranhado ou me assustado com sua presença e estranhamente vê-lo próximo à bancada, beliscando a salada com seus dedos tornava o quadro agradável, parecia algo certo.
-Vejo que esta confortável em minha casa!
Ele finalmente pareceu notar o que fazia com a comida e se desculpou com o olhar, assim como uma criança que é pega roubando um doce ou passando o dedo pela lateral do bolo. Acabei rindo com a situação e a campainha soou, nos tirando de um momento peculiar. Cintia, uma garotinha de 8 anos e longas tranças douradas, surgiu pela fresta da porta e então seu gato miou languidamente, enquanto passava pelas pernas de Edward antes de se esgueirar
pela fresta da porta, saindo da casa sem se despedir ou agradecer pelo leite. Cintia apenas sorriu e partiu.
-Como você pode ver, eu não tenho animais.
-Isso foi engraçado, ele parecia saber que seria pego.
Edward se sentou em um dos bancos e se serviu, servindo o meu prato em seguida. Eu o observei a distância, apenas me movendo quando ele bateu sobre a banqueta a seu lado e me movi sentando-me e saboreando da salada.
-É uma rotina para ele, há dois anos ele faz o mesmo caminho e tem o mesmo destino. Apenas quando a família viaja, ele permanece por mais tempo comigo, mas não é realmente um parceiro de longos diálogos.
Ele pareceu ignorar minhas palavras ou apenas as deixou vagar por sua mente para um outro momento.
-Obrigado mais uma vez por me receber. Eu teria congelado a espera de um taxi.
Ele me olhava de forma tão profunda e sincera, como se o simples ato de tê-lo ajudado por uma noite, significasse ter salvado sua vida.
-Apenas desfrute de uma cama quente e amanhã poderemos encontrar um novo hotel para você ou até mesmo um local para aluguel. Se pretende ficar na cidade, uma moradia fixa seria menos dispendiosa.
Voltei a comer apenas aproveitando a refeição, quando terminamos o prato principal, o arrependimento veio quase em conjunto com um surto e, por fim, assassinato. Edward havia aproximado a travessa do doce, se esquecendo completamente dos potes de vidro para a divisão do mesmo e mergulhou sua colher no chocolate, saboreando de uma boa quantidade, enquanto eu salivava e sofria, a perda de uma droga tão necessária para o final de meus dias.
