Cap 2: Nada mais que Amigos
Manchete
do Semanário das Bruxas: "Harry Potter, 23, estrela do Montrose
Magpies e da seleção inglesa foi visto numa festa no clube
NightWalker em companhia de Ginevra Weasley, nova modelo-sensação.
Perguntados sobre um possível envolvimento, os dois deram aquela
resposta que ninguém nunca ouviu: 'Somos apenas amigos.'"
-Ora,
e o que queriam que eu respondesse? Harry e eu somos só
amigos...
Gina
pôs a revista de lado, sobre a mesa do café da manhã. Quase todos
os dias, alguma notícia a seu respeito saía em uma revista ou
jornal. Noventa e cinco por cento eram mentiras. Mas, como o próprio
Harry lhe dissera uma vez, era uma das desvantagens de estar em
evidência.
Tomou
um gole de seu suco de laranja, apreciando o sabor. Aquela era uma
ocasião rara, afinal estava sempre viajando a trabalho. Sua vida era
uma correria. E nos raros momentos em que ela podia se divertir com
os amigos, publicaçõezinhas baratas como aquela, faziam insinuações
sobre sua vida amorosa.
-Como
se existisse alguém... Do jeito que eu trabalho, mal tenho tempo pra
respirar. – disse, meio desanimada. Ficar sozinha era interessante,
mas só até certo ponto. Crescera numa casa cheia, vivera cercada de
amigos em Hogwarts, mas desde que se tornara modelo, só tivera um
namorado. E já terminara com ele há alguns meses, sentia falta de
ter alguém...
Terminou
o café com uma deliciosa salada de frutas e levantou. Foi para o
jardim, onde sentou sobre um pequeno colchonete para fazer seus
exercícios de
ioga.
+
Harry
acabara sua costumeira malhação matinal quando ouviu o telefone
tocar. Como crescera numa residência trouxa, estava acostumado com
aparelhos eletrônicos, mas se impressionava com a popularidade que
eles conseguiram no mundo bruxo. Com toda a praticidade e rapidez dos
telefonemas e e-mails, as corujas tinham sido praticamente
aposentadas. Não que elas reclamassem. Edwiges se tornara tão mal
acostumada que sempre que Harry queria que ela levasse uma carta, a
ave ia até o telefone e o tirava do gancho.
-Alô?
-Harry,
meu rapaz! Já viu a capa do Semanário das Bruxas? –
perguntou Joe Stall, chefe do Dept. de Marketing do Montrose Magpies.
-Sabe
que eu não leio esse tipo de coisa, Joe.
-Bom,
você devia. Afinal, mais algumas fotos ao lado de Ginevra Weasley
fariam um bem enorme à sua carreira.
-O
que faz bem à minha carreira é apanhar pomos-de-ouro.
-Publicidade
nunca matou ninguém...
-É,
mas eu prefiro não arriscar. – brincou.
-Você
ganharia uma fortuna anunciando produtos, além disso, muitos atletas
ingressaram na carreira na carreira de modelo e alguns se tornaram
atores...
Harry
revirou os olhos enquanto o outro tagarelava sobre as vantagens de
ser garoto-propaganda. Pensou se devia deixar o telefone sobre a
mesinha e ir tomar um banho, mas isso não seria muito educado.
"Ah,
já sei!", pensou, pegando seu celular e acessando o painel de
ringtones. Deixou que um dos toques se repetisse pra simular uma
ligação.
-Joe,
tenho que desligar, o celular tá tocando. Tchau! – pousou o fone
na base – Ufa... Tanta confusão só porque saí com uma amiga? Se
eu saísse com um amigo, inventariam que sou gay?
+Ateliê da Diamond+
-Pansy,
entrei em contato com a agência da Ginevra Weasley e disse que
estamos interessados nela pra próxima campanha.
-É,
a coelha ruiva será nossa grande aposta... – comentou a morena,
displicente. A secretária a encarou, com uma expressão
interrogativa.
-Você
a chamou de quê?
-Ah,
é só um apelido idiota da época da escola. Que, aliás, eu tenho
que parar de usar. Não seria legal chamá-la assim. – ela sorriu -
Quando Draco fazia isso, ela o azarava.
A
secretária meneou a cabeça.
-Já
decidiu o que vai fazer na apresentação da próxima coleção?
-Não,
e isso já tá me enlouquecendo!
-Pensa
no conceito da Diamond, às vezes isso ajuda...
-Tá,
minhas roupas são feitas para mulheres dinâmicas, independentes,
que sabem o que querem e vão atrás disso. É assim que eu quero que
elas se sintam, poderosas, sabe? – ela ficou pensativa alguns
segundos – Anota isso que eu acabei de falar, por favor. Pode
servir.
-Ok.
– Jane escreveu num bloco e depois encarou a chefe – A semana de
moda não está longe, temos que tomar logo uma decisão. Organizar
um desfile não é rápido nem fácil.
-Eu
sei, não me dê sermão. – resmungou a morena, sentando num pufe e
apoiando o queixo nas mãos. A falta de criatividade era resultado da
tensão de ter um noivado falido e pais que sequer desconfiavam
disso. – Quer saber? Eu preciso relaxar! Essa noite, eu vou sair
pra dançar! Vou a uma boate trouxa que inaugurou há uns dias.
-Pelo
menos, na Londres trouxa, nenhum paparazzi vai incomodar você. Vai
chamar o Malfoy?
-Não.
– respondeu, pensativa – Essa noite é só minha.
+Centro de treinamento do Montrose Magpies+
-E
aí, Potter?
-Como
vai, Grant? – Harry retribuiu o cumprimento do colega, o artilheiro
Bob Grant. Todo o time estava na sala de musculação. A temporada
estava próxima e o técnico queria começar a estudar os adversários
e planejar as táticas mais cedo.
-O
time vai dar uma chegada numa boate nova. Quer ir também?
-Sei
lá, da última vez que saí à noite, fui parar na capa do Semanário
das Bruxas.
-A
boate é na Londres trouxa, ninguém vai nos reconhecer. – vendo a
relutância do amigo, Bob insistiu – Vai ser maneiro, a gente
conhece umas gatas...
-Tá
bom. Além do mais, a vida é uma só, a gente tem que
aproveitar!
+7 da noite+
-Ginny,
tenho um convite irresistível pra te fazer. -
disse Harry, falando ao telefone com a amiga.
-Fala.
-Sair
pra dançar numa boate trouxa. Que tal?
-E
desde quando você sabe dançar? – caçoou a ruiva.
-Não
preciso disso pra me dar bem... -
resmungou o rapaz - Mas
você aceita o convite ou não?
-Sinto
muito, Harry. Passei a tarde numa sessão de fotos, tô exausta.
-E
quem vai me proteger de ataques indesejados?
-Mais
cedo ou mais tarde, você teria que aprender a dispensar. Pode fazer
isso hoje.
-Ah,
qual é, Gina? Por favor... -
disse o moreno, com um tom meio suplicante. A moça quase podia ver
sua cara de cachorro na chuva.
-Não,
Harry, não vai dar mesmo. Mas não desanime, talvez hoje você não
precise dar nenhum fora... Talvez encontre uma namorada de verdade,
não essas tietes que passam duas noites na sua cama e somem.
-Você
já não cansou de me dizer que boate não é lugar pra procurar
relacionamento sério? -
questionou ele, frisando as duas últimas palavras.
-Toda
regra tem sua exceção, Harry. Quem sabe esta não é sua noite de
sorte?
+MoonLight+
Pansy
entrou na boate, empolgada. Sentia que aquela noite podia ser
especial. Não tinha idéia de como, mas sabia que algo estava pra
acontecer.
Caminhou
entre as pessoas, atraindo todos os olhares de apreciação
masculinos. E por causa disso, alguns olhares bem raivosos femininos.
Ela usava uma calça preta e sandálias de salto. Uma blusa frente
única, azul marinho, com um delicado cordão de strass que descia
pelas costas, chamava a atenção. Foi até o bar e sentou. Sentia-se
a mulher mais poderosa do lugar, suspeitava de que poderia conquistar
qualquer um ali com apenas um olhar. Não que fosse esse seu
objetivo, mas flertar não era pecado. "Não nesta noite, pelo
menos."
Uma
música envolvente começou a tocar e ela resolveu ir pra pista.
Dançaria até se acabar. Ou até que esquecesse os problemas, o que
viesse
primeiro.
+
-Muitas
gatas... Difícil até escolher. – comentou Bob.
-Ainda
não vi nenhuma extremamente interessante... – respondeu Harry,
correndo os olhos pelo lugar. Realmente havia muitas mulheres bonitas
naquele lugar, mas todas pareciam iguais, logo, ninguém se
destacava.
-Bom,
eu to vendo uma muito interessante! – comunicou Mike Winger, um dos
batedores.
-Onde?
-No
meio da pista, cabelo comprido, dançando sozinha. – disse,
apontando.
-Aquilo
não é uma mulher, é uma deusa! – comentou um deles. Os outros
concordaram efusivamente, acrescentando mais elogios. Harry, não
agüentando mais tanta propaganda, levantou pra conferir por si
mesmo.
Olhou
na direção que os colegas apontavam e, de repente, toda a sua
definição de beleza mudara. Deusa, maravilhosa, fantástica,
disseram os outros. Nenhuma daquelas palavras parecia fazer jus
àquela
mulher! Ela era mais!
Os
amigos continuavam admirando-a, meio embasbacados, então ele
aproveitou pra sair, discretamente. Desceu até a pista e se meteu no
meio de todos. Não sabia dançar, nunca aprendera, mas isso não
parecia muito importante naquele momento.
Aproximava-se
cada vez mais dela e percebeu que estava cercada de homens, embora
estes mantivessem uma certa distância. Viu que um deles tentou falar
com ela, mas a moça simplesmente o ignorou, dando-lhe as costas.
"Ela não quer nenhum desses fracassados.", concluiu, com um
sorriso. "Será que eu sou bom o bastante pra
você?"
+
Pansy
dançava sem ligar a mínima para o bando de idiotas que se juntara a
sua volta. Vez ou outra, tinha que lançar um olhar de desprezo para
que eles se tocassem, mas isso não era exatamente um problema. O que
realmente a incomodava era o fato de não haver um único cara
realmente interessante ali. Ninguém lhe despertou o interesse. Não
que fosse investir, mas não ficaria presa naquele noivado falido pra
sempre e seria bom saber se ainda conseguia conquistar alguém.
De
repente, vislumbrou os olhos mais verdes que já vira na vida.
Pertenciam ao único cara que não circulava em volta dela como um
abutre ou coisa parecida. Ele lhe estendeu a mão, sem dizer uma
palavra. Apenas fez um gesto com a cabeça, em direção ao bar. Ela
não soube porque, mas não resistiu. Segurou a mão dele e saíram
juntos da pista, pra total desagrado dos outros caras.
Pediram
as bebidas e ficaram se encarando. A morena quebrou o silêncio.
-Você
é bem atrevido. Podia, ao menos, ter falado comigo antes de me
trazer pra cá.
-Isso
era o que todos estavam fazendo. E ninguém teve sucesso. – ela riu
– Achei melhor tentar uma abordagem diferente.
-É,
parece que funcionou. Quem é você, estranho?
-Meu
nome é Harry. E você, estranha?
-Sou
Pansy. – ela estendeu a mão, para que ele apertasse, mas em vez
disso, ele a beijou, olhando-a nos olhos. "Um galanteador... Muito
interessante..."
Começaram
a conversar e o papo fluía com uma naturalidade impressionante. Sem
que percebessem, as horas passaram e logo era madrugada.
A
morena consultou o relógio e assustou-se com o adiantado da hora.
Tinha que estar cedo na Diamond® pra receber a nova modelo.
-Minha
nossa, eu tenho que ir. – ela levantou e lhe deu selinho. Disse um
tchau apressado e se meteu no meio da multidão, em direção à
saída.
Harry
foi atrás dela, com dificuldade, pois o lugar estava mais cheio.
Já
do lado de fora, viu-a não muito longe e a chamou:
-Já
vai, Cinderela?
-Não
quero arriscar a virar abóbora...
-Não
vai deixar nem o seu sapatinho pra me ajudar a te encontrar? –
perguntou ele, se aproximando da morena.
Ela
o surpreendeu, enlaçando-o pelo pescoço e beijando-o intensamente.
Ficaram agarrados por vários minutos, absolutamente alheios ao resto
do mundo. A única coisa que os importava era continuar naquele beijo
fantástico, o melhor de suas vidas. Num determinado momento (antes
que a falta de Oxigênio os fizesse perder os sentidos), Pansy se
afastou dele e disse:
-Na
próxima vez que sentir todas essas sensações incríveis, terá me
achado. – ela o soltou e se afastou alguns passos – Então não
esqueça! – ela correu pela rua, absolutamente feliz e saiu do
campo de visão de Harry quando virou uma esquina. Ele a teria
seguido se não estivesse tão atordoado.
-Uau...
que beijo foi esse?... – um raio cortou o céu e um trovão foi
ouvido. Antes que ele pudesse assimilar, a chuva desabou fortemente.
– Aahh... bom, eu tava mesmo precisando de um banho frio. –
passou as mãos pelo rosto e sorriu – Aquela morena é a mulher da
minha vida... Eu nem sei o sobrenome dela, mas disso eu tenho
certeza: nós vamos ficar juntos!
