Nota: Esclarecendo... esse é o capítulo em que voltamos ao passado onde Bella tem 15 anos e Edward 16. Exórdio significa começo, princípio. Logo esse capítulo explica o porquê da Bella se encontrar naquela situação do prólogo. Confuso demais? Qualquer dúvida, perguntem que eu respondo.

Exórdio: a barganha

"Edward?" – minha voz saiu doce e praguejei. Aposto que se Emmett (N/A: É, eu gosto do Emm...) me ouvisse chamá-lo assim ele reviraria os olhos dele e me mandaria tirar a roupa e balançar na frente de Edward para que tudo ficasse óbvio demais e ele percebesse. Dei graças ao universo que dessa vez não houve conspirações. Estávamos sozinhos na Mansão dos Cullen e ele tinha sumido enquanto me fazia esperar na sala escura.

"Eu posso narrar a cena, se você for demorar muito."- impliquei.

"Você é péssima em descrições, Bella." – a voz dele saiu abafada como se ele estivesse em um lugar pequeno e sem ventilação. Me levantei do sofá e ascendi as luzes, procurando-o.

"Edward? Onde você está?"

"Debaixo da escada"- ele disse. Eu sabia que debaixo da escada tinha uma porta que levava a não-sei-o-quê, onde Alice jamais me deixou ir. Minha curiosidade somada a vontade de ver meu melhor amigo que facilmente media um e oitenta e cinco em um lugar que até mesmo alguém como eu (1,68) se sentiria desconfortável me impulsionou a girar a maçaneta.

Edward estava sentado. Sem camisa. Os olhos vidrados em um livro familiar. Muito familiar.

(Er... eu mencionei que ele estava sem camisa?)

"Você não está fazendo isso!"

Ele sorriu, aquele típico sorriso com todos os dentes perfeitamente alinhados e a covinha reprimida no canto da boca. Seus olhos brilhavam.

"Nada como mergulhar em lembranças de um passado remoto" – ele girou o livro de forma que eu pudesse ver a página que ele observava. Eu me vi com cinco anos de idade, os olhos envergados, a boca borrada de batom vermelho e sem os dois dentes da frente. Meu estômago deu um giro de cento e oitenta graus. – "Sem histeria, Bella"- ele avisou com a voz suave. Eu tinha medo quando ele utilizava aquele tipo de voz comigo. – "você vai prestar atenção no que eu vou dizer agora, não vai?"

Balancei a cabeça me sentindo como uma marionete.

"Você está em minhas mãos, você sabe disso, não sabe?"

Balbuciei alguma coisa em resposta. "Você não faria—"

"Seu maior erro é acreditar que não, eu não faria uma coisa dessas." – Ele se levantou da cadeira e saiu graciosamente daquele pequeno armário. Andou até mim que estava estática no meio do corredor que separava a sala e a cozinha. – "Muito bem, Bella, hora da barganha."

Eu tentei de todas as formas que eu conhecia subordiná-lo, e até mesmo o lembrei que ele me devia uma quando eu deixei que ele fingisse ser meu namorado para fazer Jéssica desistir da fixação que nutria por Edward – e nessa hora ele argumentou que essa era uma das coisas que os amigos faziam. O que eu poderia dizer? Que o que ele me pediu, no final das contas, era loucura, que de alguma forma me faria sofrer?

Ele jamais soube que eu o amava. Desde o primeiro momento quando Alice nos apresentou e ele "gentilmente" bagunçou meus cabelos quando tínhamos dez anos. Ou como ele me beijou sem querer na boca e riu, dizendo que amigos faziam isso às vezes.

Amigos.

"Vamos lá, Bella, eu não estou pedindo nada tão absurdo assim!"

"Eu não entendo, Edward. Porque você quer fazer isso comigo? Quero dizer, você pode ter isso com qualquer uma em Forks, porque justo eu?"

"Bem, nós estamos sozinhos" – ele começou com uma careta. – "e você é minha melhor amiga. E se tem alguém com quem quero compartilhar tudo, é você, Bella."

"Amigos não perdem a virgindade juntos, Edward. Muito menos quando isso faz parte de uma chantagem!"

Ele riu. "Você sabe que eu não faria isso com você."

Bem, eu sabia que ele não faria justamente porque ele sabia que eu acabaria cedendo. Eu o conhecia tão bem quanto a mim mesma. Balancei a cabeça negativamente, como uma resposta final e o assisti mudar de tática.

"Tudo bem, então. Parece que será com Tanya ou com Jéssica."- a possibilidade me fez franzir o cenho. – "Já que minha melhor amiga, a primeira garota que eu beijei e que eu ensinei a beijar não quer ser a primeira garota que fará sexo comigo..."

"Eu não vou transar com você só porque uma tarde você ficou entediado e decidiu que queria perder a virgindade." – eu disse entre os dentes – "Faça o que quiser com a foto."

E fui embora deixando um filme pela metade e uma conversa inacabada.

Teoria "Aliciana"

"Eu sei que você está me odiando agora, mas será que você pode parar de me evitar? Você sabe que isso me irrita! E."

Eu tinha quinze anos e o amava. Quando ele pediu para transar comigo eu senti meu coração disparar, mas depois eu lembrei que como todas as outras experiências tidas como importantes seria apenas mais uma coisa entre amigos.

Alice achava nossa relação maluca e a apelidara de Ciclo da Discrepância onde eu era a parte mais frágil e Edward era a parte que sempre se favorecia com isso. Quando eu contei o que tinha acontecido naquela tarde, essas foram suas exatas palavras:

"Ele morre de ciúmes, Bella."

"Ciúmes?"- repeti sem acreditar naquela história. – "De quem?"

"De qualquer um que possa vir a ter essas experiências com você. Nós estávamos conversando sobre sexo semana passada, deve ter sido isso. Emmett deixou escapar que imaginava o tipo de cara que você escolheria para fazer sexo pela primeira vez seria o estereotipo Mike Newton. Você precisava ver a cara que ele fez 'Ela não faria isso', ele disse."

"Então, ignorando o fato de que vocês discutem minhas escolhas....humm, sexuais?, pelas minhas costas, você presume que seja ciúmes? De mim?" – perguntei incerta.

"Você o conhece, Bella. Ele pensa que as pessoas que ele gosta são propriedade dele, entende? Você se lembra daquela vez que você saiu com aquele cara em Port Angeles? Edward praticamente escoltou vocês até o restaurante!"

"Então o que você sugere?" – eu perguntei exasperada. – "Que eu dê a ele o que ele quer porque ele tem um senso de propriedade em relação a mim?"

Alice arqueou as sobrancelhas perfeitamente desenhadas para seu formato de rosto. "Eu não disse isso em momento nenhum. Até porque você sabe o que eu acho sobre essa amizade que vocês dois têm." – ela suspirou anuviando um pouco sua expressão severa. – "Só estou tornando as coisas mais fáceis para você Bella, que não enxerga o que já é óbvio."

Eu não precisei perguntar o que era óbvio. Ela mesma respondeu:

"Edward é louco por você, só não descobriu isso ainda."

Coisas que amigos dizem

Eu deixei que ele deslizasse sua mão por minha coluna. Me arrepiei com a intensidade e agilidade com que ele o fez, parando no fecho do meu sutiã e tendo alguns problemas ali.

Eu o ajudei. "Eu odeio isso"- ele murmurou no meu ouvido entre uma mordida e outra no nódulo da minha orelha. – "Porque vocês mulheres usam isso?"

"Talvez porque a maioria de nós não é feminista?"- eu suspirei. Ele estava tornando as coisas difíceis. – "Edward?"

"Humm?"

"Você vai demorar?"

Eu o vi bufar e se afastar de mim. Estávamos deitados e seminus na cama de casal que ele tinha no quarto. Tudo aquilo tinha acontecido rápido demais. Eu tinha ido terminar aquela conversa inacabada quando ele usou seu poder de persuasão em mim. Quando eu digo poder de persuasão quero dizer que meu corpo reage passivamente só de olhar para os olhos verdes e a forma com que apenas ele tem de me encarar, como se pudesse decifrar qualquer sinal, qualquer pensamento. Edward geralmente não precisa de palavras para me fazer mudar de idéia em um segundo.

Olhei distraída para seu corpo musculoso e para a cueca boxer Calvin Klein que ele usava.

"Estraguei o momento?"

Ele nem me respondeu. Andava de um lado para outro, parecia ter esquecido que eu estava ali, apenas de calcinha. Na cama dele.

"Eu não sou um monstro." – ele sibilou com raiva. Ops, eu pensei. Eu conhecia aquele tom. – "Eu não quero que isso seja um sacrifício para você. Além do mais, porque você mudou de idéia?"

"Não sei." – menti. – "E você não é um monstro, Edward. Volte pra cama!"

"Você quer?" – ele quis saber voltando a se aproximar. Pisquei meus olhos. "Eu quero saber se você quer transar comigo."

"Eu—quero dizer, nós podemos fazer."

"Você não sabe por que mudou de idéia e nós podemos fazer. Você é patética, Bella."

Senti meus olhos lacrimejarem imediatamente. Quantas vezes ele tinha dito aquelas palavras rindo de mim ou das besteiras que eu fazia? Mas daquela vez foi diferente. Ele parou tão perto de mim que eu sentia sua respiração se confundir com a minha.

"Eu não vou fazer nada que você não queira." – ele murmurou mais suavemente. – "Olhe para mim, Bella." – eu tinha fechado meus olhos inconscientemente com sua aproximação – "Você sabe por que, não sabe, Bella?"

Balancei a cabeça.

"Porque você é minha melhor amiga."

Coisas que amigos fazem

"Então vamos colocar dessa forma." – eu disse me levantando. Fiz uma rápida busca pelas minhas roupas que estavam espalhadas pelo quarto e comecei a colocá-las, com raiva. – "Nós somos amigos desde os dez, quando Alice me trouxe aqui. E desde então eu sou aquela que sempre faz o que você quer. Você quer quebrar a janela da casa dos Newton? Nós quebramos. Quer pregar uma peça em Jasper? Nós pregamos. Quer assistir uma maratona de filmes de terror? Nós assistimos. Quer beijar na boca? Nós nos beijamos. Você nunca levou em consideração se eu queria ou não, no final sempre fazíamos o que você queria, não é? Quer transar agora? Nós transamos agora."

Mesmo sem fôlego eu consegui beijá-lo. Nossas bocas se encontraram rudemente, o choque que partiu meus lábios e o fez me puxar em sua direção, entreabrindo a boca e me forçando a aceitá-lo. Seu gosto nunca pareceu tão incisivo, tão nocivo para mim. Ele me beijava tão rude, tão apaixonadamente que eu até cheguei a acreditar no que Alice tinha me falado sobre ele ser louco por mim.

Mal percebi quando ele me deitou na cama, o corpo dele fazendo pressão sobre o meu e o contato que me fez oscilar entre gemer e gritar. Era tão inexplicável como nossos corpos reagiam um com o outro que eu fechei meus olhos apenas sentindo sua boca exigente mordendo a minha, a língua minuciosa lambendo meu queixo, descendo até a direção do pescoço.

Ele voltou a tirar minha roupa, dessa vez com mais urgência, mais rapidez. "Diz que você quer, Bella." – ele grunhiu.

Eu não conseguia falar. Edward me apertava tão forte que eu mal respirava. Quem se importava se aquilo ficaria entre Edward e eu, que ninguém nunca saberia, exceto nós dois? Coisas de amigo, eu pensei quando ele se posicionava contra mim. Ficaria entre amigos.

Nota: É, eu sou sádica. Uhum, vou terminar aqui e vocês vão ficar na expectativa. E não, não vou escrever o que acontece quando Edward e Bella fazem num quarto cheios de hormônios. Vocês bem sabem.

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