PARTE 2
- Não sou burro não! - Rebateu Roran.
- Mas parece! – Disse Murtagh.
- Hu. – Bufou Roran.
- O que podemos fazer agora é esperar...
- Esperar por quem Murtagh?!
- Não esperaremos por alguém, mas sim por uma oportunidade. Esperaremos o efeito da droga passar, então quando alguém vier trazer comida, e água, nós atacamos, mas o problema, é que não estou com minha espada...Zar'roc...
- Você não está pensando que Galbatorix é tão estúpido ao ponto de só mandar uma pessoa para nós entregar comida. Ele provavelmente mandaria junto mais ou menos uns quatro, cinco soldados...
- Acha que com minha mágica eu não mato cinco... Ou até mesmo dez soldados de Galbatorix?!
- O problema não é que eu duvide de sua magia, e sim que você e eu não teríamos armas para nos defendermos, não ache que sairíamos ilesos fugindo do castelo Murtagh. E se entrássemos no castelo para recuperar nossas armas, com certeza Galbatorix sentiria nossa presença e iria nos pegar. – disse Roran sem sequer parar para respirar.
Um silêncio tão sufocante invadiu a sala, que foi possível ouvir o vento sussurrando.
-... Também me esqueci de meu juramento... – disse Murtagh num sussurro quase imperceptível.
- Hã, pode repetir mais alto, por favor.
Murtagh olhou para Roran friamente e disse:
- Isso não é da sua conta. – disse elevando a voz.
- Hu. – Diz virando sua cabeça.
iO que fazer agora...? Esperar seria a única solução... Mas não posso simplesmente me entregar a Galbatorix... Tenho de arranjar um jeito de me livrar dele... /i
Pensou Murtagh aflito.
- Então vou dormir. - Diz virando-se para o lado e encostando- se no chão frio da torre.
- Claro... É a única coisa que você seria capaz de fazer.
- O que você disse Murtagh?! – Disse Roran levantando-se.
- Exatamente o que você ouviu... – disse Murtagh sorrindo ironicamente.
- Pois eu acho que pelo menos eu faço alguma coisa. Ao contrário de VOCÊ! –Diz alterado.
- Você consegue fazer alguma coisa?! Eu achei que fosse necessário PENSAR para que pudesse fazer qualquer coisa, até mesmo dormir!
- Pensou errado, meu caro Murtagh. Porque se é necessário pensar para fazer alguma coisa, inclusive dormir, falar, etc. Como VOCÊ pode estar falando comigo nesse instante? Você deve ter gastado tanto seu cérebro que seus neurônios devem estar mortos agora!
- E você sabe o que é um neurônio?! OH!
- Claro que sei, por quê? Você não, coitadinho dele...
Murtagh foi até Roran e apontou para o rapaz:
- Você NÃO vai querer me deixar nervoso!
- O que um drogado como você pode fazer?!
- Isso!
Murtagh fechou o punho e deu um soco bem meio do rosto do rapaz, que caiu deitado no chão.
- Seu idiota! – disse Roran com a mão no nariz, que sangrava.
Murtagh riu vitoriosamente.
- Não ria... – falou Roran em um sussurro quase inaudível.
- Sabe por que estou rindo? – começou Murtagh, mas logo continuou devido ao silêncio de Roran – Estou rindo por que você é patético. Não consigo acreditar que eu e Eragon somos seus parentes.
- Não envolva Eragon nisso!
- Envolvo se eu quiser. – Murtagh parou de rir.
- Não se ache melhor que eu, você não passa de um principezinho que sempre teve tudo na palma da mão! Não ache que comigo pode me tratar desse jeito MURTAGH! – Diz Roran elevando o seu tom de voz
- Se eu tivesse tudo que quero, na hora que quero, acha que eu ainda estaria aqui nessa torre? E, além disso, antes nascer no castelo, do que nascer um camponês!
- Agora eu sei por que Eragon não é como você Murtagh! Ele nasceu no campo, teve uma vida simples, junto a aqueles que o amam, ao contrário de você! Que ficou amargo e rude!
Murtagh cerrou os punhos e olhou para baixo e disse numa voz estranhamente emotiva:
- Não se atreva a falar de meu passado, pois você não sabe de nada.
- Como se VOCÊ soubesse do meu para falar de MIM!
Murtagh levantou o rosto novamente, um ar pesado enchia a sala, deixando um clima sufocante.
- Não falei nada sobre você, apenas que você nasceu camponês, mas... Isso é um fato. – sua voz continha um tom claro de insulto.
- O melhor fato que pode acontecer na vida de alguém. – disse Roran, percebendo o insulto.
- Você tem um gosto bem particular, muitos prefeririam nascer nobres a camponeses. Não adianta negar que sua vida é um lixo!
- Fale isso a Eragon, talvez ele te de um "não" mais direto.
- Se Eragon era feliz como camponês, isso não me importa, mas aposto que a felicidade de ter Saphira, um ser tão nobre superava quaisquer outras felicidades.
- E isso tem a ver com o que nos estamos falando? – diz Roran em um tom irônico.
- Claro que tem, mas como você é TONTO, você não é capaz de entender o que eu disse.
- Se você não tem uma resposta boa é melhor não responder! – Diz Roran irritado.
- Digo o mesmo quanto a você.
Murtagh se sentou embaixo da janela como se absolutamente NADA tivesse acontecido.
Roran também se sentou, ainda sentindo uma dor insuportável em seu nariz.
As horas passavam como anos para os dois. Um frio terrível invadia a torre, deixando o local desconfortável. A chuva caia cada vez mais forte lá fora, e agora não havia mais nenhum movimento, pois até mesmo o camundongo que aparecera antes foi embora. Tanto a mente de Murtagh como a de Roran estavam repletas de lembranças tristes que se refletiam em seus rostos extinguindo qualquer possibilidade de sorrir. Os dois refletiram muito naquelas lembranças e foram adormecendo aos poucos, naquela escura solidão. Por que, por mais que os dois estivessem presos na mesma torre, os dois estavam tão distantes, pensando em tristes memórias, em seu passado.
