O Presidente da Usina Nuclear Uchiha's era Uhiha Fugaku, um homem respeitado tanto por suas posses quanto por sua reputação.

Casado com Mikoto, a primeira dama perfeita tanto por suas ações beneficentes quanto por sua beleza, era pai de dois filhos: Itachi e Sasuke.

Posavam com frequência para capas de revistas de negócios e lazer como uma família exemplo de sucesso e amor, porém enganava-se quem achava que eram tudo aquilo de verdade.

Fugaku tinha amantes e Mikoto sabia disso, mas além de pensar no bem dos filhos, amava aquele homem que tanto a desprezava quando estavam á sós.

Com o tempo os filhos se tornaram adultos e tinham o total conhecimento do que se passava entre os pais, Itachi cinco anos mais velho que o caçula, sempre ficava do lado da mãe, já Sasuke apoiava o pai, de forma que ganhara o posto como filho predileto.

Se tratando de aparências, Itachi sempre foi uma mistura dos dois, porém não havia quem não dissesse que Sasuke era idêntico á mãe. Mas em questão de gênio e personalidade o caçula tinha o jeito arrogante e egocêntrico do patriarca. Em comum, todos eles tinham um par de olhos negros como uma pedra de ônix.

E assim ia vivendo a família Uchiha: de aparências.

Porém em uma certa noite, as coisas saíram do controle:

– Aonde você vai? –perguntou ao marido assistindo enquanto ele jogava roupas dentro de uma mala.

– Não lhe devo satisfação alguma. –respondeu seco e foi descendo as escadas carregando a bagagem.

– Fugaku, por favor, não faça isso. Eu e os meninos precisamos de você. –implorou o alcançando e segurando-o seu pulso levemente.

– Mas que droga! –gritou e com o empurrão a mulher caiu sentada no chão. – Será que não percebe que não me importo com você?! –disse segurando-a entre os braços.

– Outosan solte-a. –Itachi disse ficando diante deles.

– Quem pensa que é para me dar ordens?

– Não estou ordenando-lhe nada, apenas não a machuque, por favor. –pediu calmo e educadamente.

– Humpf! Quer saber, não passam de um bando de inúteis. –pegou a mala novamente e saiu batendo a porta enquanto o filho ajudava Mikoto que chorava a se levantar.

– Mas o que é que aconteceu aqui? -perguntou Sasuke aparecendo no topo da escada.

– Otousan saiu de casa de novo.

– Vai ver que ele estava precisando disso. –Sasuke respondeu fazendo pouco caso.

De madrugada o telefone tocou na mansão Uchiha:
Os dois filhos foram atendê-lo, mas a mãe já estava com ele ao ouvido e só escutaram suas palavras e observaram enquanto a cor abandonava sua pele:

– Sim sou eu... Kami não pode ser!

– O que houve okaasan? –perguntou o mais velho preocupado.

– Seu otousan... O jatinho em que ele estava caiu. –a mulher disse aos prantos.

Ambos os filhos sentiram o impacto e foi uma triste fim de noite para aquela família...

No velório, dezenas de fotógrafos e repórteres além dos acionistas da Usina e interesseiros de plantão estavam presentes. Mas um em particular chamou a atenção de Sasuke que estava prostrado diante do altar onde se encontrava a urna com as cinzas de Fugaku, ao lado da mãe e do irmão, diferente deles não chorava, mas estava triste com a morte do pai.

Lá estava seu tio Uchiha Madara, irmão mais velho de Fugaku. Ganancioso e invejoso, sempre desejou tudo o que pertencia ao irmão, eles não se falavam há muitos anos, porém Madara também tinha uma parte menor nas ações da Usina.

– Pobre homem. –disse parando ao lado deles.

Beijou a mão dela:

– Meus sentimentos.

– O que está fazendo aqui afinal? –perguntou Sasuke irritado. – Todos aqui sabem que não veio para prestar suas condolências, então é para que?

– Sasuke, se controle. –pediu o mais velho.

– Não tenho de me conter, esse homem desejou a morte de nosso pai até o fim e agora vem aqui para sorrir diante de seus restos?!

– Não me julgue mal, querido sobrinho. É verdade que eu e seu pai tínhamos nossas diferenças, mas ainda assim ele era meu irmão.

_ Não precisa fingir, sei que está louco por roubar o lugar dele na empresa.

– Quanto á isso, não tenho com o que me preocupar, seria o meu posto de um jeito ou de outro.

– Agora mostrou á que veio não é? Pois bem, não se pudermos evitar. Eu e Itachi somos os herdeiros legítimos.

– Mas nenhum de vocês tem capacidade para administrar um negócio como esse. –disse vitorioso.

– É o que você pensa. –retrucou o caçula.

– Querem fazer o favor de parar de discutir essas coisas aqui! –Mikoto interveio com seus olhos vermelhos de tanto chorar.

Os dois pararam de discutir ali, mas muito brigaram em outras ocasiões até que tudo se resolvesse assim: Itachi e a maioria dos acionistas apoiaram Sasuke que mesmo com apenas vinte anos assumiu a presidência da Uchiha's.

Dois anos na liderança da Usina e lá estava o Uchiha, considerado um dos maiores empresários do século, para mais um dia de trabalho. Passou sem nem olhar ou retribuir os cumprimentos que lhe dirigiam indo direto á sua sala. Lá, Uzumaki Naruto, um dos diretores e também seu melhor amigo lhe esperava:

– O que já faz aqui dobe? –indagou curto e grosso como de costume.

– Bom dia para você também teme! –resmungou o loiro de olhos azuis. – Me deu saudades de você.

– Humpf, pare de veadagens Naruto. –falou colocando-se atrás de sua grande mesa de madeira que compunha o ambiente sério e elegante que os demais móveis da mesma madeira e as paredes em tons sóbrios transmitiam.

– Seu irmão não está aqui?

– Ele está na fazenda com minha mãe. Essa vida de empresário não é para ele, não tem um mínimo de dedicação. –disse em tom reprovador assim como o pai costumava falar do filho mais velho.

– E quanto a sua noiva?

– Konan está bem. –respondeu simplesmente, ele e Konan estavam juntos á um total de três anos e iam se casar em breve. Não era qualquer mulher que mexia com o Uchiha, mas a bela modelo de cabelos azulados conquistou-o.

Nesse momento batiam na porta levemente:

– Entre. –ordenou para que entrasse e a bela morena de olhos perolados obedeceu e quando viu que o patrão não estava sozinho, seu andar ficou diferente, um tanto mais desengonçado.

– B-bom dia Naruto-kun, Sasuke-sama.

– Bom dia Hina-chan! –retribuiu-lhe com simpatia o loiro.

– Pediram para que eu confirmasse sua presença no coquetel de hoje.

– Confirme. –o moreno disse meio que automaticamente.

– Certo. C-com licença. –pôs-se a sair dali ruborizada e em passos rápidos.

– Humpf.

– O que foi teme?

– Ela gosta mesmo de você.

– O que? Hina-chan? Está sonhando.

– Ela é uma excelente profissional, mas quando você está por perto ela fica toda atrapalhada.

– Hum... De qualquer forma, ela não faz o meu tipo mesmo, é santinha demais. –concluiu sorrindo maliciosamente.

– Ás vezes as aparências enganam dobe. –brincou o moreno mesmo sem tirar os olhos de seus documentos.

Ao fim da tarde quando chegou em casa, uma das empregadas lhe comunicou:

– Sua mãe ligou e pediu que retornasse quando possível.

Ele ignorou, não estava á fim de ouvir as reclamações de carência da mãe, afinal, ela já tinha o Itachi por perto não é mesmo?

Tomou uma ducha de água fria, secou seus rebeldes cabelos negros com a ajuda de uma toalha e colocou um smoking. Pegou uma de suas BMW e encaminhou-se á cobertura de Konan para que pudessem ir ao coquetel.

Ela desceu em seu belo vestido branco e adentrou o carro lhe dando um beijo controlado, porém cheio de saudades.

– Senti sua falta.

O Uchiha apenas curvou um pouco seus lábios num projeto de sorriso e pôs-se a dirigir pelas iluminadas avenidas de Tóquio.

Chegando ao salão, ele próprio teve de descer ao estacionamento no subsolo.

– Já vi o potencial dessa festa, nem para contratarem um manobrista. –resmungou ao sair do carro.

– Então quando sairmos daqui, poderemos festejar de verdade. –a mulher lhe disse ao pé do ouvido.

– Então acho que vale o sacrifício. –respondeu no mesmo tom enquanto passava seu braço em torno da cintura dela a conduzindo para o salão principal.