Mid Night's Lady
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ariel e Emmus são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 2: Na Balada das Musas.
.I.
Os orbes violeta correram por todo o local até encontrar algo, ou melhor, alguém sentado no palco logo à frente. Franziu o cenho levemente, detestava esse tipo de arrecadação.
Seria tão mais fácil se as pessoas fizessem contribuições para as instituições por conta própria e não somente na base de estratégia pesada, como aquela.
Discretamente tomou um dos lugares mais próximos, ouviu os primeiros lances. Cem... Duzentos... Trezentos.
Isso estava começando a lhe aborrecer. Onde já se viu acharem que uma pessoa poderia ser comprada. Ou pior. Que alguém em sã consciência iria se sujeitar aos caprichos de um monte de mulheres recalcadas; Ariel pensou suspirando profundamente.
Tudo bem, o espécime leiloado era realmente de tirar o fôlego, mesmo porque sempre fora da seguinte opinião. Homens de terno eram um arraso e aquele, havia simplesmente redefinido o termo "ser sexy" com aquele terno que faria inveja a Giorgio Armani.
Ombros largos, braços fortes. Céus, aquela era simplesmente a última parada antes do paraíso e olha que já estivera lá por perto para saber como as coisas funcionavam. Alem do mais, aquele cabelo.
Rolou os olhos, Emmus vivia lhe provocando, dizendo que tinha tara por cabelo comprido, mas o que podia fazer? Aqueles cabelos tão longos e negros quanto os seus não iriam passar despercebidos, mas o que mais lhe chamava a atenção eram aqueles olhos, intensos e calorosos ao mesmo tempo em que transpirando a charme latino. Tinha de ser brasileiro; ela pensou contendo um sorriso.
Quer povo mais bonito do que eles? –ela indagou em pensamentos. Como diria alguns conhecidos seus. Aquele era um país abençoado pelos deuses e bonito por natureza.
Onde residiam os homens e mulheres mais atraentes do mundo. Não que os gregos, árabes, espanhóis e italianos também não fossem, mas sempre deixara evidente sua queda... Melhor, tombo, pelo país e todos seus atrativos.
Agora muito bem evidenciados por aquele terno de caimento perfeito e a gravata prateada, com o prendedor com uma pedra solitária, elegantemente preso em uma das abas.
Num impulso, que mais tarde iria decidir ignorar o significado, ergueu a mão para o próximo lance.
-Quatr-...;
-Quinhentos!
Mantendo a calma e a postura, virou-se para o lado encontrando um olhar envenenado sobre si. Conteve o impulso de arquear a sobrancelha ou de lançar um olhar gelado 'a la Emmus Considine' para a mulher.
Por um momento teve a nítida impressão de que seus olhares se encontraram, um prazeroso arrepio correu pelo meio de suas costas, seguido pelo mesmo tipo de excitação proveniente de um desafio.
Voltou-se para a mulher, disposta a acabar de uma vez com aquele leilão, entretanto nem mesmo ela estava preparada para o desfecho daquela noite.
.II.
Deixou o assento, assim que ouviu o som do martelo. Sabia que a senhora havia lhe reconhecido assim que chegara, mas não era sua intenção fazer alarde. Muitas pessoas ali sabiam quem era e o quanto terror as influências que tinha poderiam causar.
Entretanto, estava num período calmo da vida em que não era mais tão implacável com relação a algumas coisas, deixava essa parte para Emmus.
Assim que Dona Eustasia e Saphie saíram do palco, correram encontrá-la, enquanto a primeira-dama permanecia sentada, aparentemente em estado de choque.
-Desculpe senhora, não imaginávamos que Julieta fosse reagir assim; a senhora falou tentando se explicar.
-Não se preocupem, eu não me importo; Ariel falou num tom politicamente correto. –Mas não é sobre isso que gostaria de lhes falar;
-Não; Saphie indagou confusa.
-Não; a jovem respondeu. –Sei que a intenção de vocês é a melhor, mas eu gostaria que vocês não apelassem para esse tipo de coisa novamente;
-Mas...;
-A De Siren, todos os anos fornece assistência para algumas instituições espalhadas pela Europa e gostaria que vocês entrassem em contato com meu agente, ele estará colocando a de vocês no grupo de assistidos, contanto que isso não volte a se repetir; Ariel avisou.
-Entendo, mas por quê? –Eustasia indagou confusa.
-As pessoas não devem ser compradas. O mundo já esta globalizado demais, para alguém achar que tem o poder de uma vida nas mãos; Ariel falou de maneira sombria. –Prova disso é aquela senhora, que não tem respeito alguém pelos outros nem por si mesma, já que se prestou a isso;
-...; Saphie assentiu. Abaixando os olhos, envergonhada. Colocara o amigo numa situação constrangedora sem pesar os prós e contras antes.
-Obrigada senhorita Considine; a senhora falou.
-Pode me chamar apenas de Ariel; ela a corrigiu.
-...; elas assentiram.
-Agora tenho que ir; Ariel completou antes de dar-lhes as costas.
-Mas e o jantar? -Saphie falou rapidamente, vendo a jovem voltar-se para si, porém sem parar de andar. Conclusão, acabou chocando-se contra alguém, ou melhor, contra ele.
-Desculpe; Ariel murmurou, batendo de frente contra uma parede, que definitivamente, não se lembrava de estar ali antes.
-Eu que peço desculpas, senhorita; Aldebaran falou, tomando-lhe as mãos gentilmente, para conferir se estava tudo bem. –Se machucou?
Os orbes violeta ergueram-se encontrando um mar negro a sua frente, tão intensos e fascinantes, que mal pode conter um breve estremecimento. Negou com um aceno, sem conseguir ao menos abrir a boca e falar um "Ah". Se Emmus lhe visse agora, não lhe deixaria em paz com seus comentários mordazes.
O cavaleiro tinha o péssimo habito de dizer que mais "cara de pau" do que ela, não existia. Entretanto agora, as palavras simplesmente haviam fugido de sua mente.
-Aldebaran, estávamos falando agora mesmo sobre o jantar; Saphie falou, enquanto a jovem de melenas negras afastava-se um passo.
Se continuasse assim tão perto, não iria conseguir pensar direito.
-Ahn! Saphie; o cavaleiro começou, porém a voz de Ariel os interrompeu.
-Não é necessário; Ariel os cortou, antes mesmo que falassem algo. –Eu já disse; ela completou afastando-se um pouco mais do cavaleiro, antes que sua razão fosse comprometida.
-Era sobre isso que gostaria de falar com a senhorita; Aldebaran falou, antes mesmo que Saphie se manifestasse.
-Bem, vamos deixá-los então para que resolvam isso de uma vez; a senhora falou puxando rapidamente a garota consigo.
Observou-as desaparecerem no imenso corredor rapidamente. Estranho, muito estranho; Ariel pensou arqueando levemente a sobrancelha.
-Então, gostaria de jantar aonde? Ou prefere a Toca do Baco mesmo? –Aldebaran perguntou chamando-lhe a atenção.
-Uhn! –ela murmurou voltando-se para ele.
O mais certo seria dizer que não, não iriam a lugar algum, mas aquele olhar. Estava sendo manteiga derretida demais, mas fazer o que; ela pensou quando viu-se respondendo:
-Na Balada das Musas;
-Ótima escolha; ele falou sorrindo ao estender-lhe o braço cordialmente, para que ela o enlaçasse.
Ainda hesitante, Ariel pensou em reconsiderar, a idéia inicial fora apenas levar as contribuições que a Titãs CO e a De Siren iriam fazer, não pensou que no final das contas iriam acabar no meio daquele leilão, disputando um belo espécime brasileiro.
Bufou exasperada consigo mesma, definitivamente não estava em suas funções psicológicas normais, o melhor que tinha a fazer era ir pra casa e passar o resto da noite obrigando Emmus a assistir a trilogia de Piratas do Caribe consigo e lhe agüentar babando a cada segundo que o Jhonny Depp entrava em cena.
Entretanto, não teve muito tempo para reconsiderar as possibilidades, pois viu-se andando ao lado do cavaleiro em direção a saída. Ainda ouviu alguns leves rosnados ao longo do caminho, mas sua mente parecia limitada apenas a um ponto.
O cavaleiro a seu lado e nada mais. Definitivamente, não estava sendo a Ariel de sempre; ela concluiu balançando a cabeça levemente para os lados.
-o-o-o-o-o-
Estavam a algum tempo sentados nos degraus do templo de Áries conversando, o tempo parecia correr de maneira lenta, enquanto esperavam pelo desfecho daquela noite, mais do que interessante.
-O que você acha que aconteceu? –Milo perguntou, voltando-se para a amazona e para o cavaleiro a seu lado.
-Ele vai voltar fulo da vida; Shina falou, enquanto o cavaleiro lhes servia mais uma taça de vinho.
Aquilo estava virando rotina agora, se encontrarem na porta da casa do outro e ficarem jogando conversa fora e tomando vinho; ela pensou, balançando a cabeça levemente para os lados.
-Não duvido; Mú respondeu concordando.
-Mas me diz, como você conseguiu fugir da Saphie? –Milo indagou curioso. –Se não me engano ela só não pediu isso ao Kamus, Saga, Afrodite e ao Mascara, se não contarmos com os que estão viajando;
-Tudo é uma questão de estratégia; o ariano respondeu com um sorriso nada inocente nos lábios, antes de aspirar com suavidade à essência vinda da taça.
-Uhn! E Shura, conseguiu fugir dessa? – ele indagou.
-É difícil saber; Shina comentou, indicando pouco mais a frente, onde o cavaleiro se aproximava evidentemente casado.
-Buenas noches; o espanhol falou apenas acenando para os três, enquanto subia um pouco cabisbaixo as escadas de tão cansado que estava.
-Algum problema Shura? –Milo perguntou, arqueando levemente a sobrancelha.
-Estoy muerto; ele murmurou, sentando-se ao lado da amazona de Cobra, tomando o devido cuidado para ficar entre ela e o Escorpião. –Nunca trabalhei tanto na minha vida como hoje;
-Isso poderia ter sido mais fácil; Milo provocou.
-Eu ainda tenho amor próprio; o espanhol resmungou.
-Pelo visto Aldebaran não teve a mesma sorte; Shina comentou.
-Eu não diria isso; ele adiantou-se contendo um suspiro de desalento.
-Como? –Mú indagou arqueando levemente a sobrancelha, voltando-se para o espanhol.
-O vi saindo de lá com uma morena; Shura falou em tom insinuante. –Duvido muito que ele volte cedo pra casa;
-O Aldebaran? –Milo falou surpreso, afogando-se com o vinho.
-Oras, o que tem? –Shina falou arqueando a sobrancelha.
-Nada, só que...; Milo ponderou. –Convenhamos que ele enche o saco do Mú, por ser discreto, mas também não fica atrás. Bem... Vocês esperam algo mais espalhafatoso de mim, deveriam ficar surpresos por algo tão anormal vindo dele; ele adiantou-se.
-Não vejo mal algum nele sair com alguém, assim não fica que nem abutre em cima da gente; o ariano resmungou.
Ainda estava travado na sua garganta aquelas sabotagens que não iriam ser esquecidas tão cedo; ele pensou.
-É, nesse ponto você tem razão; o espanhol concordou, já que também era uma das vitimas do brasileiro.
-Bem, eu não sei vocês, mas minha cama já está me chamando; Milo falou bocejando, antes de tomar o último gole de vinho e levantar-se.
-É, eu vou pra casa também; Shina avisou, entregando a taça ao ariano e se levantando.
-Quer que eu lhe acompanhe? –o Escorpião sugeriu, mas antes que a amazona pudesse dizer algo, o espanhol se adiantou.
-Eu a levo;
-Mas...;
-Algum problema, Escorpião? –ele indagou, com os orbes serrados.
-Boa noite; a voz da amazona chamou-lhes a atenção e foi quando notaram que ela já havia se despedido do ariano e estava nos últimos degraus das escadas.
-Pensei que estivesse cansado, Shura; Milo provocou em tom mordaz.
-Oras, seu...; ele sussurrou entre dentes, antes de sair correndo atrás da amazona, na esperança de alcançá-la no caminho.
Aqueles últimos meses não estavam sendo nada fáceis, principalmente porque desde que ela se tornou mais 'amiga' do Escorpião, o mesmo parecia empenhado em monopolizar suas atenções a todo instante. O que sempre lhe impedia de se aproximar; ele pensou aborrecido.
-Shina! Espera! –Shura falou, respirando pesadamente. Se não tomasse uma atitude logo, teria sérios problemas mais tarde; ele concluiu por fim a alcançando.
.III.
Assim que deixaram o galpão, Gregório veio a seu encontro, parecendo um pouco constrangido em se aproximar.
-Senhorita;
-Está tudo bem Gregório, pode voltar ao hotel, eu vou jantar com o cavalheiro e não vou precisar dos seus serviços; a jovem falou cordialmente.
-Mas senhorita, o lorde vai-...;
-Já o avisei que estaria em Atenas esta noite, Considine saberá me encontrar se for preciso; Ariel falou em tom serio.
-Como desejar senhorita; o chofer falou fazendo uma breve reverencia antes de se afastar.
-Se importa de irmos de táxi? –Ariel indagou voltando-se para ele.
-Não, mas...; ele balbuciou confuso. Quem era o tal Considine que ela havia falado? Um namorado, amante, amigo... Bem, amigo não era porque ela também tinha o nome Considine, mas as duas primeiras opções não eram nada agradáveis.
-Meu primo é um pouco super-protetor; Ariel explicou sorrindo graciosamente. –E eu detesto me sentir vigiada; ela completou.
-Ele pega muito no seu pé? –o cavaleiro indagou curioso, disposto a saber tudo sobre aquela jovem tão singular.
-Não, ele só gosta de me mimar demais; ela brincou. –Bem, pelo menos é o que às pessoas dizem;
-Vamos; Aldebaran falou indicando-lhe um táxi que havia acabado de chegar, deixando um passageiro e lhes esperava, quando o cavaleiro acenou.
-...; a jovem assentiu, acompanhando-o até o carro.
Bem, ela e Emmus não eram exatamente primos, mas para a maioria das pessoas era melhor que essa história ainda permanecesse invicta. O que de certa forma, lhes poupava muitos dissabores. Quando Emmus herdara o principado, o relacionamento de ambos fora focado pelos mais sórdidos comentários, mesmo que desde o começo houvessem deixado claro que eram apenas bons amigos.
Agora, depois de muito tempo, as pessoas pareciam não ver mais com surpresa o relacionamento de ambos. Tinham suas vidas independentes, mas estavam na maioria das vezes juntos, mesmo que o tempo fosse mais escasso.
Entretanto, explicar que focinho de porco não é tomada, como diria Dona Beatriz, era o maior desafio. Então, por enquanto seriam apenas primos, quando a hora da verdade chegasse, todos iriam entender o porquê daquela história ter surgido, como um meio de preservação para ambos.
Entrou no carro e logo em seguida, ele estava a seu lado. Próxima parada, Na Balada das Musas; ela pensou, recostando-se no acento.
.IV.
Conteve um fino sorriso, a Balada das Musas ainda estava igual à última vez que a vira; a jovem pensou assim que o carro reduziu a velocidade e parou em frente à danceteria. Apolo como Dionísio, investira muito tempo naquele lugar, em comunhão com as nove musas.
Entretanto os dois irmãos viviam em pé de guerra e jamais deixavam de competir entre si. Prova disso eram as reformas que ouvira dizer que ambas as casas de eventos haviam sofrido no último ano.
-Já esteve aqui antes? –Aldebaran indagou curioso.
-Foi há muito tempo atrás; Ariel respondeu voltando-se para ele. –Mas infelizmente não pude voltar outras vezes;
-Devido ao trabalho? –ele perguntou.
-É, pode-se dizer que sim; ela respondeu sorrindo. Embora essa fosse apenas parte da verdade. –Cuidar da De Siren toma muito tempo e é necessária muita dedicação;
-Não duvido; o taurino respondeu. –Mas é uma coincidência interessante essa;
-O que? –Ariel indagou, quando o mesmo abriu a porta e ao sair, lhe estendeu a mão, para lhe ajudar.
-De Siren, conheço uma pessoa que tem esse sobrenome; Aldebaran comentou.
-Sério? –a jovem falou, apoiando a mão sobre a dele antes de sair do carro.
Respirou fundo, tentando não estremecer ou entrar em pânico.
-Quem?
-Sorento, acho que você não deve ter ouvido falar sobre ele, mas talvez sobre Julian Sollo; ele falou.
-O jovem imperador dos mares; Ariel falou contendo um sorriso. –Sim, não passa de um fedelho pretensioso;
-Já falou com ele pessoalmente? –o cavaleiro perguntou curioso.
-Há alguns anos atrás, quando a De Siren começou a trabalhar com equipamentos náuticos, tivemos uma reunião com ele, mas não foi nada muito agradável; ela respondeu torcendo o nariz.
-Não duvido, pelo que já vi desse moleque, não passa de um moleque crescido; Aldebaran brincou.
Ariel sorriu, gostava do jeito espontâneo como ele agia e falava, era tão bom conversar com alguém que não tivesse nenhuma 'segunda intenção' ao se aproximar de si; ela pensou.
-Com licença, sejam bem vindos; uma voz feminina os recepcionou.
-Obrigada; Ariel respondeu voltando-se sorrindo para a musa que ficou bastante surpresa ao vê-la.
-Ariel S-...;
-Considine; a jovem completou, sorrindo para Tália a musa de melenas rosadas que representava a comédia.
-Sim, que cabeça a minha. Ariel Considine, decidiu voltar as raízes e rever os velhos amigos? –a musa brincou.
-Jamais os esqueci, mas o trabalho não me permite ficar muito tempo em Atenas; ela respondeu calmamente.
-Puff! Com um homem como Considine para cuidar das coisas, você deveria tirar férias mais vezes e também, fazer aquele workaholic se divertir um pouco mais. A vida não é só trabalhar; Talia falou animada.
-Vou dar o recado a Emmus; a jovem respondeu.
-Bem, mas e vocês, como querem aproveitar a noite, ala VIP ou restaurante? –ela indagou.
-Restaurante; Aldebaran respondeu.
-Venham comigo, por favor; a musa pediu, guiando-os pelas pessoas que estavam no bar até o restaurante.
-o-o-o-o-o-
Observou a jovem de melenas douradas olhar a porta balcão da ala VIP e dentro do camarote novamente. Franziu o cenho, já fazia um bom tempo que não se reunião para jantarem juntos, alias, desde que a lua-de-mel coletiva havia terminado.
Estavam trabalhando a todo vapor para erguer a nova divisão da empresa em Atenas, a De Siren e Sollo, era para estar tudo dando certo, isto é claro, se uma empresa com o nome de De Siren já não existisse.
Buscou com muitos contatos o histórico da empresa, mas sabia apenas que ela era tradicional, erguida em Londres a mais de um século atrás, mas atualmente a matriz fora transferida para Viena na Áustria.
O presidente era uma verdadeira incógnita, já tentara marcar uma reunião, mas a resposta era sempre a mesma "é necessário agendar com pelo menos um mês de antecedência", o que acabava ficando impossível. Sua agenda extremamente lotada o impedia de ligar novamente e marcar.
Chegou até a entrar em contato com Alexia na New Land para ver o que ela sabia sobre a De Siren de Viena, mas ela lhe deixou com ainda mais duvidas. Dizendo que a empresa pertencia ao grupo Considine, composto pela matriz Titans CO, a mega potencia empresarial do ramo de engenharia e desenvolvimento. E a qual, a New Land era um parceiro fiel, como a Coliseu da Itália e muitas outras empresas espalhadas pelo mundo.
Pelo que investigara, o atual presidente da Titãs CO ao longo dos últimos dezesseis anos dominava mais de oitenta e cinco por cento do mercado, a ascensão do novo príncipe Considine fora digna de uma estrela de Hollywood.
Diz-se dos primeiros meses dele na Titãs que houveram alguns escândalos envolvendo possíveis amantes, ou que a relação dele com a outra herdeira dos Considine, a prima, não era meramente fraternal.
Entretanto, encontrara até mesmo pela internet uma serie de matérias que desmentiam os boatos. Pelo que todos diziam, o príncipe Considine prezava por sua privacidade, o que acabou gerando tais boatos, mas que foram erradicados ao longo dos anos, quando ele simplesmente se recusou a dar entrevistas ou virar um "garoto da mídia".
Mas ainda não encontrara com nenhum dos dois nos últimos anos, que mergulhara de cabeça nos negócios da família.
-Querida, algum problema? –Julian indagou, levantando-se da cadeira e aproximando-se da esposa.
-Ariel e Sorento não chegaram ainda; ela murmurou, instintivamente pousando a mão sobre o ventre saliente de cinco meses.
-Não se preocupe, eles devem ter tido problemas com o transito; o ex-imperador falou
-É o habito; Thétis murmurou afastando-se.
-Não fique se exaltando, não é bom para o bebe; ele falou aproximando-se dela e abraçando-a.
-Esta tudo bem e você é super-protetor demais; ela brincou.
-Apenas estou zelando pelo bem estar da minha família; Julian falou, pousando a mão sobre o ventre liso, onde o futuro imperadorzinho repousava.
Deixou os orbes correrem pela porta de acrílico transparente, que vedava o barulho que vinha de fora, no camarote particular. Franziu o cenho ao ver um casal andando no meio das pessoas que ocupavam o bar.
-Ariel; ele falou surpreso.
-Eles já chegaram amor? –Thétis indagou voltando-se para ele.
-Não, eu só...; Julian murmurou, confuso.
Poderia jurar que havia visto Ariel lá em baixo com outro homem, mas aquilo era um absurdo. Entretanto, não poderia existir outra pessoa igualzinha a ela nesse mundo, ou poderia?
.V.
Puxou a cadeira para a jovem, esperando-a sentar-se e deu a volta na mesa. Era estranho estar ali, num jantar com uma completa desconhecida. Normalmente estava acostumado a estar sempre com os amigos e as presenças femininas em sua vida, ultimamente resumiam-se as namoradas e noivas dos amigos.
-O que gostaria de pedir? –ele indagou quando um garçom lhes trouxe os cardápios.
-Uhn! São tantas coisas, me surpreenda; ela falou sorrindo, ao fechar o cardápio.
Assentiu, chamando o garçom que anotou o que havia indicado no cardápio e saiu, deixando-os a sós novamente depois de voltar deixando um copo de água em frente a jovem, como ela havia pedido.
-Então, como é administrar uma empresa como a De Siren? –Aldebaran indagou casualmente.
-Às vezes sufocante; Ariel respondeu, levando um copo de água aos lábios. –Da vontade de chutar tudo e ir embora;
-Não duvido, lidar com empresários, negociações e tudo o mais, deve ser cansativo ao longo de um tempo; ele comentou.
-Sim, eu ainda tenho Emmus pra me ajudar, ele é um workaholic de primeira e é quem segura as pontas para mim; ela falou.
-Seu primo deve ser uma pessoa muito esforçada, pelo que eu entendi ele é o presidente da Titãs; Aldebaran falou.
-Sim, na partilha da herança, vovô deixou a Titãs para ele; Ariel explicou. –E eu fiquei com a De Siren, mas o mais cansativo são algumas pessoas, sabe, como a primeira dama, sempre tem dessas por ai; ela comentou com ar cansado.
-Sei, infelizmente nem todos são perfeitos, outros nem chegam perto, mas enfim...; ele murmurou dando de ombros.
-Mas e você, não é grego, não é? –ela indagou, embora já soubesse disso, queria matar a curiosidade sobre ele e fazê-lo falar era a melhor alternativa, principalmente se quisesse evitar perguntas como de onde surgiu a De Siren.
-Não, sou brasileiro, mas já vivo há muitos anos aqui na Grécia; ele explicou, já imaginando as explicações que teria de arrumar quando ela perguntasse "fazendo o que?", mas surpreendeu-se com o que ela disse.
-Você também não leva uma vida muito fácil, essa de salvar o mundo todos os dias, deve ser difícil;
-Como voc-...;
-Longa história; Ariel o cortou. Também não estava disposta a dar explicações, não agora. –Mas de que casa você é?
-Uhn?
-Zodiacal? –a jovem explicou.
-Ah! Touro; ele respondeu, ainda curioso com o que ela falara.
-Aldebaran de Touro; Ariel falou pausadamente. –Coincidência. Aldebaran é nome da principal estrela da constelação de Touro;
-Talvez o destino; o cavaleiro comentou, dando de ombros.
-Não, depois de todas as coisas que eu já vi nesse mundo, poucas são atribuídas realmente ao destino. Acredite Aldebaran, se você tem esse nome e é o cavaleiro desta casa, tem um motivo. Uma missão a ser cumprida; ela falou de maneira enigmática.
-Ainda bem que os tempos são de paz; ele comentou, intrigado com a forma dela falar.
-E que permaneçam assim por muitos anos; Ariel completou, recostando-se na cadeira, enquanto o garçom se aproximava e os servia.
Viu-o colocar a sua frente uma taça de vinho e antes que pudesse levá-la aos lábios, sentiu a mão estremecer. Droga! Eles não podiam estar ali, não agora; ela pensou vendo um casal atravessar a multidão rumo ao camarote VIP.
-Algum problema? –o cavaleiro indagou.
-Não, nada; ela respondeu sorrindo. Tomou um farto gole do vinho, mal sentindo o gosto no paladar.
Precisava tomar cuidado, porque justamente essa noite havia se esquecido daquele detalhe, talvez tenha sido por isso que Emmus deixara Gregório de sobreaviso.
-Mas me diga, já conhece o Brasil? –Aldebaran indagou, enquanto começavam a comer.
-Já, adoro Campos do Jordão; Ariel falou sorrindo. –É um país maravilhoso, temos um Solar lá, onde passamos os primeiros dias da temporada; ela falou animada.
-Passamos? –ele indagou um tanto quanto incomodado.
-Sim, Emmus e eu, dificilmente conseguimos uma folga na empresa no meio do ano, então quando dá, damos uma escapadinha para lá; ela falou sem notar o incomodo dele. –Gosto de São Paulo também, já visitei o Mercado Municipal algumas vezes é muito divertido andar por lá;
-Ali você encontra todo o tipo de coisa e de pessoas; ele falou, balançando a cabeça levemente para os lados, com quem ela ia ou não a Campos não era da sua conta, mas não podia negar aquele repentino incomodo.
De repente a idéia de que ela estava sempre com o primo não lhe agradou nem um pouco. Afinal, de onde vinha histórias de primos não eram tão impossíveis assim; ele pensou.
-Mas deixe-me ver se eu entendi, mesmo vivendo em Viena, você é grega? –ele indagou.
-Meus pais eram gregos, mas eu vivi muito tempo na Inglaterra antes de assumir a De Siren; ela falou evasiva.
-Pretende algum dia viver em Atenas? –ele indagou curioso.
-Não sei, há muito tempo não penso nisso, com o trabalho consumindo boa parte do meu tempo eu não posso me ausentar muito; Ariel explicou. Embora seus motivos para evitarem a Grécia ao máximo, precediam de coisas que ele não seria capaz de entender.
-Entendo; o cavaleiro balbuciou, enquanto começam a comer.
O jantar transcorreu com tranqüilidade e calma, enquanto o casal conversava apenas sobre trivialidades, quando de maneira inesperada o cavaleiro colocou o guardanapo de linho sobre a mesa e se levantou, estendendo-lhe a mão de maneira gentil.
-Dança comigo?
O convite a pegou de surpresa, normalmente quando saia com os amigos para algum lugar, aparecia um ou outro querendo flertar, mas sempre deixava claro que não tinha intenção de ter ninguém quebrando sua rotina de vida, sendo assim Emmus sempre dava um jeito de espantar o distinto inconveniente.
Mas Aldebaran não era assim, pelo pouco que já haviam conversando sentira que ele era uma boa pessoa e dificilmente errava ao julgar o caráter dos outros e bem... Emmus não estava ali agora.
-Claro; ela respondeu sorrindo.
Colocou o guardanapo sobre a mesa e levantou-se, apoiando a mão sobre a dele que se fechou de maneira suave sobre a sua. Parecia algo tão banal, mas há muito tempo não tinha aquela sensação de proteção imediata, vinda de um estranho. Estava habituada com o sentimento paternalista de Emmus com relação a si, de estar o tempo todo em cima para ter certeza que tudo ia bem, mas Aldebaran não era o primo.
Caminharam até a outra extremidade do salão, onde uma discreta pista de dança estava, para aqueles que preferiam evitar a movimentação da danceteria em outro pavimento.
Envolveu a cintura delgada com os braços, de maneira tão delicada, como se estivesse tocando cristal. Uma musica suave e acolhedora tocava na pista, convidando os casais a se aproximarem.
A noite teria transcorrido com calma absoluta, se o destino não tivesse uma forma estranha de promover as coisas, isto é, se eles acreditassem completamente nos preceitos do destino.
Continua...
