- Vou ver as crianças, vô. Sinto falta delas...
Ele concordou, e senti que ele continuou me observando quando eu me levantei, caminhando até a sala ao lado. Parei um instante na soleira da porta, sentindo os olhos marejados de lágrimas. E, quando eles me viram, ali paradas, não se demoraram a correr até mim, abraçando minhas pernas, quase me derrubando.
- Hey, calma aí, seus pestinhas!
Eu ri, me dando conta de como sentia falta deles, durante a semana. De como sentia falta de minha família. E, principalmente, de como eu sentia falta de alguém que gostasse de mim da mesma forma pura e intensa que essas crianças gostavam. E o desejo que eu tinha, o desejo que eu sabia que não se realizaria mais, ficou mais forte, mas latejante do coração. O desejo de um filho, de um filho meu, que dependesse tanto de mim quanto eu dependia deles. De todos na família.
- Quem quer caminhar pela praia?- consegui falar, me obrigando a parar de sonhar, me obrigando a afastar os problemas, querendo aproveitar cada instante, cada risada.
Eles abandonaram as bulitas no tapete felpudo, e correram para ver quem chegaria mais rápido até a varanda. Eu parei um instante para tirar o sapato de salto e ficar de pé no chão, e foi quando ouvi eles conversando. Meu vô, minha mãe e minhas tias. Sem se preocupar se eu podia ou não ouvir. Sem se preocupar com o que eu queria.
- Estou preocupado com ela. Está escondendo algo. Está se metendo em algo perigoso.- era meu vô, sempre era ele, ele me conhecia bem demais, e isso me assustou.
- Ela puxou a você, papai- retrucou minha mãe, num meio sussurro- Mas vou conversar com ela.
- Não, não converse- retrucou o vô. – Sabe que não vai adiantar.
Eu ouvi os passos lentos do vô, provavelmente indo colocar ordem nas crianças lá na rua.
- Está ficando mais perigoso a cada dia- sussurrou Charlotte, minha tia mais nova- Sei que tanto a Dorcas quanto o papai sabem de algo que não querem nos dizer.
- É claro que sabem. E é claro não vão dizer- resmungou Victorie, a segunda mais jovem.
- Não, principalmente se for sobre nossa segurança.- concordou minha mãe novamente.
- Continuo achando que devíamos fazer algo. Que podíamos ajudar.- era Louise, a mais centrada, a mais viva de todas.
- Não, Mel. Não quando estamos da falando de... Você-Sabe-Quem...
- Não quando continuamos fingindo que a guerra não existe.- resmungou tia Louise, novamente.
Eu não quis ouvir mais. Segui reto até a varanda, levemente perturbada, mas ainda mantendo o rosto impassível, fingindo que não percebi minha mãe me chamando. E então estava a rua, sob o céu muito azul, novamente cercada pelos meus sobrinhos.
- Dorcas?- era meu avô, e eu encarei-o. – Você... está mesmo bem?
Eu sorri. Porque, de alguma forma, meu talento para esconder sentimentos não estava acabado, ainda, apesar de todo o plano ter sido descoberto. Apesar de eu estar com os dias contados.
- Pegaram tudo?- eu perguntei, a voz falsamente animada, a risadas deles me machucando.
Comecei a me afastar, para então me voltar para o vô e sorrir.
- Estou bem, sim, vô, é claro que estou!
Mas minhas mentiras continuavam a me machucar. Continuavam a me ferir. Como haviam me ferido por tanto tempo. Porque de alguma forma eu sabia que podia suportar a dor, mas não podia suportar ver os outros sofrer. Por isso havia me tornado sádica, quase. Por isso estava tão machucada – e eu via por causa do sol, por causa da forma como o sol também me feria – como se não fosse mais digna dele.
********
A paisagem passava veloz pela janela do carro. O vento, já com um leve cheiro de maresia, deixava meus cabelos negros revoltos, armados, cheios de nós. Me permiti fechar os olhos por alguns instantes, para sentir com mais intensidade as características do lugar tão importante para mim que me fazia voltar independente do que mais estivesse acontecendo. E então simplesmente afastei os pensamentos, porque eles me machucavam, me feriam.
Voltei a abri-los, sentindo falta do sol forte que machucava meus olhos claros. Mas o dia ainda não havia nascido completamente. Estava tudo escuro, exceto por uma linha azul clara no horizonte.
Estava indo cedo demais, eu sabia. Mas havia algo que eu precisava fazer, ainda no escuro. Alguém que eu ficara de visitar. Alguém que estava escondido, e só eu sabia onde. E isso me deixava assustada, por andar com quem eu andava.
O medo me deixava estranhamente alerta. Estranhamente acordada. Apesar de não estar dormindo bem. Apesar de não estar me alimentando bem. Olhei novamente o mar, agora já mais visível com a claridade que aos poucos ia aumentando.
Liguei o som com um aceno casual de varinha, querendo pensar em outra coisa, querendo esquecer dos meus problemas, dos rumos que minha vida tinha tomado. Esquecer que, mais do que nunca, estava completamente sozinha. Que estaria ainda mais depois de ver quem eu tinha que ver.
E aquela música tocava agora dizendo para não nos preocuparmos com coisa nenhuma, porque todas as pequenas coisas ficariam bem. E eu quis acreditar naquilo. Quis acreditar no que eu acreditava quando era criança. Quis acreditar que seria feliz. Que era capaz de ser feliz.
Mas eu sabia que não era. Não quando tinha tanta coisa dependendo de mim. Não quando tinha que fazer o que iria fazer em algumas horas. As lágrimas vieram rápidas, fatais, intensas. Aquela mania de chorar que me deixava com raiva. Um hábito que eu nunca conseguira mudar – as lágrimas fartas que vinham quando eu estava sozinha, como agora. Como não tinha ninguém para perceber que meus olhos não estavam mais verdes, mas de um azul igual ao do mar depois da ressaca.
Lágrimas que eu derramara infinitas vezes em Hogwarts. Durante o banho. Ou em longas caminhadas ao redor do lago. Caminhadas longas e solitárias. Solitária como eu sempre havia sido. Como meu avô dizia para mim não ser.
Eu liguei o pisca, sinalizando que dobraria à esquerda, e então estava na pequena cidade litorânea onde Fabian tinha ido se esconder. Porque eu pedira. Não que ele tivesse entendido porque eu estava fazendo aquilo.
Limpei as lágrimas antes de estacionar o carro diante da casa. Um feitiço de desilusão no carro, fechei a capa negra e tapei o rosto com o capuz. Porque ninguém podia me ver. Porque não podia colocar a vida dele em risco. Os primeiros raios do sol tinham começado a aparecer, agora, e tinha de me apressar.
Abri o portão com a mão esquerda, naquela delicadeza que o piano me causara. Não que eu fosse delicada. Não mais agora, não depois de tantas mortes. Não depois de tanto tempo em guerra.
Atravessei o jardim com passos rápidos, o barulho do salto da bota batendo contra o concreto parecendo alto demais. E então bati na porta, meio escondida nas sombras de uma árvore grande, respirando o cheiro de maresia com prazer, com uma quase felicidade. A porta abriu-se com um estalo, e então a voz dele me chamou, um tom extremamente feliz, e ao mesmo tempo extremamente preocupado.
- Mead!
*****
O verão estava na metade, e até então os dias longos e ensolarados tinham deixado meu humor ótimo. Ainda mais com a perspectiva de que durante longos meses só estaria eu e Charles em casa. E Charles não era tão terrível sem todos meus outros primos em casa. Nada que uma cara má não resolvesse.
Mas então, naquele dia, naquela manhã, tudo começou às avessas. Era o último domingo, e meus tios tinham plajenado muitas brincadeiras para nós. Como se eu gostasse de brincar com meus primos idiotas. Mas assim que abri os olhos percebi que havia algo de errado. Percebi pelo cheiro de maresia mais fraco, e pelo barulho que me acordara – um forte trovão.
Sai da cama apressada, e abri as janelas. O vento forte fez as cortinas voarem pelo quarto, e as nuvens negras pairavam sobre o mar, fazendo suas ondas estourarem de forma violenta, e pareciam imensas como jamais eu tinha visto.
E, por algum motivo idiota, isso fez meus olhos se encherem de lágrimas. Meus nove anos e alguns meses de vida já tinham me ensinado que não podia chorar o tempo inteiro, não quando tinha sete primos que eram um inferno. Sete primos que, às vezes, me davam motivos para amá-los como eu amava toda minha família, mas na maior parte do tempo só me irritavam.
E então Will tinha entrado no meu quarto.
- Você viu, Mad? Está chovendo!
- Sai daqui, mongolão.
- Posso te enfeitiçar, agora!- riu ele, e eu mostrei-lhe a língua, saindo da frente da janela.
- Duvido.- resmunguei.
- Você estava chorando?
- Não viaja!
Ele riu alto, e então saiu pela casa gritando que eu estava chorando. Meu ódio inflou, de um jeito que eu já sabia que iria acontecer. E armei meu plano, naquela manhã. Porque se não havia o sol, haviam feitiços. Havia mágica.
Durante a manhã, meus primos tinham sido obrigados a ficar dentro de casa. Na garagem, enquanto eu ensaiava piano, sob os olhares atentos de minha avó. Mas antes que o almoço estivesse na mesa, eles já tinham quebrado três enfeites de mesa e derrubado o lustre, enquanto jogavam quadribol de forma improvisada. Observei satisfeita vovó esbravejar contra eles durante quase dez minutos, e aproveitei o momento para pegar a varinha que o vovô tinha deixado sobre o corrimão da escada. Era a chance perfeita.
Escondi-a na frente do suéter que usava, e então acompanhei todo mundo até a mesa do almoço. Vovó estava tirando a louça quando avisou que ele viria passar uns dias aqui em casa. Que a Sra. Prewett estava indo para o hospital com a mãe dela, e Fabian inclusive dormiria aqui, assim como seus irmãos mais novos, Molly e Gideon.
- Ótimo. Mais um para me incomodar.
- Dorcas.
Eu revirei os olhos, aquele hábito idiota que eu tinha pego para protestar silenciosamente com o que me contrariava.
- Vou trocar de roupa.- avisei, e nem me preocupei em esperar resposta.
Will e Charles me seguiram, cantando uma música que tinham inventado para me irritar. Mas isso já não me irritava. Só me fazia rir. E quando eu ri e ergui a sobrancelha, eles logo pararam.
- Mad e sua cara de assassina- debochou Charles, e eu ergui a outra sobrancelha também.
E então eles saíram, correndo e rindo. E eu jurei que iria me vingar. Hoje, se surgisse oportunidade. Hoje, se eles me dessem o mínimo motivo.
E então pouco depois ouvi vozes diferentes lá embaixo, e desci correndo para ver o que era. Como se eu já não soubesse. Minha professora de piano estava sentada no sofá muito branco, enquanto vovó se aproximava com uma bandeja de chá flutuando ao seu lado.
E sentados comportados no sofá estavam três crianças. Eu conhecia somente o mais velho, Fabian, embora fizesse um ano que eu não o via. E havia uma garota, os cabelos muito ruivos, contrastando com o castanho do irmão, parecendo ter a minha idade, levemente rechonchuda, com se tivesse comido bolos de caldeirões demais. Não era gorda, apenas fofa, e me senti tentada a apertar suas bochechas. E havia um outro garotinho, uns três anos mais novo que eu, provavelmente, parecendo com muita vontade de bater na bandeja de chá para ver o que aconteceria.
- Pode ir tranquila- dizia minha avó- Eles estão ótimos aqui. Não se apresse em buscá-los, e se precisar de mais alguma coisa, é só mandar uma coruja. E temos uma lareira, também.
- Dorcas!
A Sra. Prewett tinha me visto. Usava vestes negras, e parecia bastante cansada. Eu entrei na sala e cumprimentei ela, ainda mantendo a varinha do vovô escondida nas vestes. Senti a garota me olhando, e a vontade de apertar as bochechas dela aumentou, mesmo eu sabendo o quão idiota aquilo era.
- Novamente eu te agradeço, Sra. Meadowes. Queridos, se comportem- pediu ela, fazendo um carinho rápido no cabelo de cada filho, e então se pôs de pé- Preciso ir, se quero chegar ao St. Mungus com minha mãe antes de anoitecer.
Os três irmãos acompanharam a mãe até a varanda, e eu seguida a vó, curiosa com os três, torcendo para que não se unissem aos meus primos na tarefa de infernizar minha vida. Eles me pareceram tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo que era até engraçado.
E o mais velho... ele tinha uma coisa que fazia meu coração bater diferente do que normalmente fazia. Alguma coisa que atraía meu olhar, minha atenção, minha respiração. Como se fosse o sol e eu um planeta que o orbitava. Mas só hoje eu entendo que era assim que éramos. Naquela dia eu apenas fiquei encarando-o, com uma expressão que devia ser idiota, com um sorriso no rosto – como se ele brilhasse, como se ele me energizasse como o sol fazia.
- Sou Molly.- disse de repente a garota, sorrindo para mim.
Desviei o olhar de Fabian, que me olhou sorrindo e então se afastou com Gideon, como se achasse graça no meu comportamento. Como se eu parecesse engraçada. E decidi odiá-lo, naquele instante.
Eu sorri para Molly, então.
- Você quer me ver fazendo magia?
Era o que eu vinha querendo fazer desde de manhã. Desde que eu conseguira roubar a varinha de meu avô. Girei a varinha entre os dedos, e Molly se animou.
- Você já foi para Hogwarts, então?
- Ano que vem, se não me faltar magia.- eu estava sendo irônica, é claro, e Molly riu.- E você?
- Também, eu acho. Mas o Fabian já foi esse ano. Está se achando Merlin, agora. Anda com a varinha o tempo todo, apontando para as coisas. Quebrou metade da louça, semana passada, e mamãe ficou realmente furiosa com ele.
Eu ri, enquanto seguíamos os dois pela varanda. A chuva continuava ainda mais forte, e alguns pingos nos atingiam.
- Bom, eu sei fazer coisas que não é só explodir...
Não, eu não sabia. Nunca tinha tentado lançar de verdade um feitiço. Mas o vô tinha me falado deles. Tinha me explicado tudo sobre duelos e sobre como ganhar um deles.
- Sério? Mostra, então?
A cena ocorreu em câmara lenta, porque eu tirei a varinha de baixo do suéter muito mais rápido, e então tinha apontado a mesma para Fabian. Eu não falei nada em voz alta. Não pronunciei nenhum dos encantamentos que ele me ensinara. Apenas pensei. Pensei "confundus" e apontei a varinha para Fabian
E então, com uma explosão, tanto eu quanto ele fomos lançados para trás, pela força do feitiço. Molly permaneceu um longo segundo parada,assustada, antes de correr para ajudar o irmão a se levantar – e ele não parecia fisicamente afetado, apenas... confuso... Como o vô tinha dito que acontecia.
- Dorcas!
A vó apontou a varinha dela para mim, e falando feitiços em voz alta, fez a varinha do vô voar até a mãe dela, e um pano de prato acertar minha bunda várias vezes seguida, enquanto corria até Fabian.
- Você está bem?
Eu me livrei do pano, segurando-o numa das mãos, e também me aproximei de Fabian, repentindo a pergunta de minha avó.
- Bem?
Ele parecia meio maluco, distante, sonolento. Como se estivesse faltando um pedaço da cabeça. Era o máximo que eu me permitia tentar entender, naquela época. O vô nunca tinha me explicado direito o que aquele feitiço fazia, e na hora tinha me parecido mais fácil de pronunciar. Não que eu realmente o tivesse pronunciado em voz alta. Não que eu pretendesse contar aquilo para alguém.
- Venha, querido, venha, vou te dar uma poção e você já vai ficar bom.
- Bom? Bombom?
Eu ri dele, e logo me arrependi quando a vó me olhou e chamou meu vô. Saiu da varanda deixando com ele instruções para descobrir exatamente o que acontecera.
- O que você fez, Pequena?
- Magia, ué.- resmunguei, sorrindo.
- Com a minha varinha?
- Não encontrei outra, desculpa.
Eu sabia que já estava encrencada. Estava tentando ao menos fazer o vô rir de minhas desculpas furadas. Mas não estava funcionando. Eu sabia que teria que contar a verdade. Ele sempre sabia quando eu estava mentindo...
- Dorcas. O que você queria?
- Fazer magia. Juro que não queria machucar ninguém! É claro que Fabian é um chato, e ele estava rindo de mim! Mas não sabia o que o feitiço fazia, tu nunca tinha me explicado.
- Como assim? Você fez um feitiço de verdade?
Eu não queria contar, e por isso comecei a chorar.
- Só pensei.- eu expliquei- Não disse feitiço nenhum. Pensei num que tu tinha que me dito que funcionava, apontei a varinha e... nós dois...- eu solucei, para encerar melhor meu arrependimento – nós dois voamos.
- Dorcas, você está entendendo o que está me dizendo?
- Eu sei que fiz magia fora da escola. Mas nem estou na escola ainda. Faz diferença?
- Dorcas, se sua avó sonha com o que vou te dizer...
Eu encarei-o, muito consciente de que meus olhos não estavam mais verdes como os dele, mas de um tom verde azulado que não combinava comigo.
- Dorcas, isso é magia antiga, é magia muito poderosa.
- Mas... mas...
- São poucos os bruxos adultos que conseguem lançar um feitiço sem dizer o encantamento em voz alta. São pouquíssimos, que realmente conseguem... conseguem praticar magia não verbal. E dos que conseguem, posso contar na mão os bruxos que conseguem fazer feitiços não verbais tão poderosos quanto os feitiços verbais.
- Vô, eu nem sabia o que eu tava fazendo!- resmunguei, assustada com o tom preocupado dele- Eu... devo ter feito coisa errada, isso sim... por isso machuquei o Fabian.
- Você não o machucou. Você o confundiu.
Eu não disse nada, porque o nome do feitiço voltou à minha mente, "confundus"...
- Eu sempre fui muito... talentoso... para feitiços não verbais. E pelo visto você também é.
- Vô... o que a vó vai fazer comigo?
- Nada. Vou conversar com ela. E você... você não vai mais brincar de fazer magia, Dorcas. Se quiser intimidar alguém, é só ameaçar, todos já viram o que você é capaz de fazer. E não, não conte para as pessoas do que você é capaz. E não, não ache que só porque tem talento não precisa treinar. Treine, quando estiver em Hogwarts.
- Sou poderosa, vô? – todo o sonho de qualquer bruxo, ser poderoso.
Ele sorriu.
- Você deve ser um fracasso com poções, como eu, isso sim.
Eu ri com ele, e então fomos ver como Fabian estava.
E naquele dia não compreendi, nem nos anos seguintes, porque meu vô parecia preocupado com esse meu poder. Foi só quando já tinha saído de Hogwarts que compreendi que poderes eram maldições, também.
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A quem leu o primeiro capitulo, desculpa a demora, prometo que não vou demorar de novo!
Deixem reviews!!! ^^
