Ours
Resumo: tem coisas que ninguém pode tirar – o nosso amor é uma delas.
Disclaimer: todos os personagens pertencem a J. K. Rowling.
Sobre a fic: baseada na música "Ours", da Taylor Swift.
Capítulo Um – Coisas que brilham
- Você não pode se deixar vencer por esse tipo de coisa, Lily! – a voz enérgica da minha melhor amiga de infância dizia ao telefone, enquanto eu trancava a porta de casa, segurando o celular com um dos ombros.
- Eu sei – suspirei, guardando o molho de chaves na bolsa preta, que apontava em letras gritantes "seriedade". – Só que é tão difícil... Eu nunca fui como você, Marlene.
- Mas Londres sempre foi seu sonho! – ela me lembrou e eu quase pude ver sua expressão determinada (com grande freqüência era ela quem chegava a conclusões para mim).
- Eu sei – repeti, apertando o botão do elevador com a mão livre. Brinquei com a ponta do meu cachecol, que se tinha feito necessário por causa do vento cortante das ruas. – Também sei que estou melhor do que muita gente, porque tenho um emprego e uma casa, mas eu achei que viria para cá e faria diferença nesse mundo!
- Lembra do que Dorcas disse quando você inventou de se mudar? – ela perguntou, se referindo a outra de nossas amigas inseparáveis até que eu tinha escolhido outro rumo na vida. O elevador chegou e eu entrei. – Você ainda é a nossa Lily, independente do que escolha. Talvez só devesse se esforçar mais um pouquinho... Fazer uns amigos, conhecer alguém. Está precisando de correntes aí, entende? Alguma coisa que te dê força para continuar.
Eu concordei, internamente, mas não falei nada por pura teimosia. Gostaria que ela dissesse que eu deveria voltar correndo e largar essa ideia estúpida de me mudar para trás. Despedimo-nos. Encarei-me no espelho do elevador social, odiando o jeito com que parecia totalmente errada enquadrada naquelas roupas escuras. Meu cabelo vermelho estava preso em um coque eficiente e meus olhos sinalizavam um monte de perguntas para as quais eu sequer tinha resposta.
O elevador parou e eu me virei, achando que era muito rápido para ter chegado ao térreo – e não me enganei. O visor apontava o sétimo andar. As portas abriram e por ela entraram os mesmos rapazes do outro dia.
Desde o primeiro encontro tínhamos nos visto rapidamente algumas vezes e, apesar de cumprimentá-los, não tinha mantido nenhuma conversa realmente longa com algum deles. O primeiro a entrar, que tinha o cabelo comprido e olhos cinzentos, calou-se de supetão quando me viu, acenando com a cabeça em seguida. O segundo, que teve mais tempo para absorver minha presença, piscou para mim. Os dois eram bonitos, mas eu tinha de admitir a minha preferência pelo que usava óculos.
- Bom dia, Lily – ele me cumprimentou, simpaticamente. Eu desviei os olhos, constrangida, sentindo minhas bochechas queimarem numa reação odiosa.
Não que eu não tivesse contato com rapazes: para dizer a verdade, tinha sido noiva até poucos meses antes. A mudança foi parcialmente causada pelo término; acabei descobrindo sua traição antes que comprometesse toda minha vida por alguém que não me amava.
- Bom dia – respondi, corajosamente, devolvendo o sorriso.
- Escute... – e dessa vez foi o outro, de cabelos longos, quem falou. Ele estava apoiado descuidadamente sobre o painel de andares. – Nós ouvimos algumas daquelas senhoras falando sobre você. Elas são sempre tão intrometidas?
Eu arregalei meus olhos: tudo que faltava era ficar mal vista até pelos novos moradores.
- Sempre... Parecem achar que estão aptas a definir um padrão para quem mora aqui – declarei, desejando que não tivessem falado demais sobre mim. – Estavam falando sobre minha falta de senso estético?
- Sim – o outro, James, respondeu, com um sorriso de desculpa. – Nem pareciam perceber que estávamos no hall também.
- Tudo que precisávamos era de umas velhas para cuidarem de nossas vidas, realmente – o mais alto riu.
- Não se preocupe, as pessoas tem o maldito costume de julgar tudo que tem luz própria – James disse a mim. Ele parecia ser um futuro alvo para nossas gentis vizinhas, com sua blusa azul e sua calça jeans esfarrapada (sem falar na tatuagem). Sua frase me pareceu coisa de artista. Pela primeira vez, não quis que o elevador parasse.
- Obrigada – eu disse, quando ele segurou a porta para que eu saísse, agradecendo por mais do que apenas o gesto cavalheiro.
Despedi-me deles, que seguiram para o estacionamento, saindo para a rua. Peguei o ônibus – me encantavam os dois andares dos routemasters* londrinos – e, com o rosto colado na vidraça, fiquei pensando sobre como toda minha vida tinha se resumido àquela única frase proferida especialmente para mim por um quase desconhecido.
Desci do ônibus, seguindo minha caminhada de três minutos e meio até a empresa em que trabalhava como assistente social, organizando e colocando em prática programas educativos que nunca tinham sido meu objetivo. Eu queria ajudar as pessoas de maneira direta, mas aquela oportunidade de salário fixo era boa demais para que eu a desperdiçasse.
Entrei no prédio, falando com o porteiro que era, seguramente, um dos dois únicos amigos que eu tinha conseguido em meus dois meses de Londres. Era um senhor muito alto chamado Rubeus, que nos meus dias de hora extra gostava de me contar casos sobre seus filhos e esposa. Depois, esperei novamente junto a várias outras pessoas de outros ramos da empresa pelo elevador.
O dia foi monótono e quase não houve trabalho que fazer. Os rapazes do meu andar ficavam jogando pelo computador como se estivessem no jardim-de-infância e, durante o horário do almoço, quando me sentei à mesa de sempre, sem companhia, percebi olhares presunçosos das duas mulheres que receberam posições inferiores a minha na hierarquia da empresa quando cheguei, certamente se perguntando o que havia em mim que elas não podiam substituir. Perguntei-me a mesma coisa, por mais que a frase que tinha escutado mais cedo ainda soasse pelos meus ouvidos, me garantindo uma unidade e uma vontade de ser especial que quase tinha perdido.
Percebi, pouco antes de ir embora, que minhas pastas organizadas do trabalho ainda não tinham sido personalizadas. Peguei um marca-texto preto de dentro da bolsa e escrevi, em letras de forma, a maior verdade desse mundo, que me tinha sido traduzida tão bem mais cedo: as pessoas jogam pedras em tudo que brilha.
N/A: Segundo capítulo saiu muuuuito rápido porque já estava escrito! Ia ser uma oneshot gigante, mas resolvi dividir e aumentar e detalhar a história. Espero que gostem!
Maria Marauders Fernandes: sim sim! Espero que a continuação tenha correspondido... Beijo!
TheBlackandWhiteGirl: saiu rapidinho dessa vez! Obrigada, era uma história que eu venho guardando há muito tempo... Tava com saudade de escrever pra cá. Beijo!
Thaty: caramba, verdade! Fui ler e realmente não ficou claro. Eu queria dizer que o sétimo era a última parada antes do décimo porque o Jay e o Sirius eram as únicas pessoas no elevador antes da Lily. Já retifiquei lá, brigaaaada, flor! Beijinho, espero que goste da continuação.
Mirian Black Lupin: espero que seja sim! Obrigada por comentar. :]
Layla Black: que bom que gostou! Espero que continue a gostar desse aqui. Beijo enorme!
