Medical Records
Título: Medical Records
Autor(a): Sugar Ting-Ting
Gênero: Comédia/Romance/Drama
Sinopse: Sakura Centric. Sakura Haruno agora tem 20 anos e é a atual melhor médica do Hospital de Konoha. Após ter abandonado as missões ninjas há um ano atrás, ela agora prefere se concentrar no seu dia-a-dia no trabalho, onde se envolve nos casos de seus amigos e pacientes enquanto luta para esquecer ao máximo de seu passado.
É bom te ver aqui
Eram apenas 6:30 da manhã...
"Chegou cedo hoje, Dra Haruno".
... Mas, quem liga? Ela realmente havia conseguido ter oito horas de sono completas!
A médica estampou um agradável sorriso na face enquanto assinava seu nome na caderneta de chegada. Era um belo, belo dia – tirando as nuvens acinzentadas circundando todo o céu. Ah, para ela era um dia perfeito.
"Aham, ontem eu tive uma boa noite de sono e me senti disposta a acordar cedo" respondeu para a jovem recepcionista.
A outra sorriu.
"Tenho certeza que sim, doutora" Ela disse, o sorriso sincero nunca lhe escapando dos lábios. "Posso até ver a quão arrumada e feliz está hoje".
Sakura assentiu.
De fato ela havia tirado alguns minutos de seu tempo para a vaidade àquele dia. Os cabelos longos e róseos estavam soltos, tirando uma faixa vermelha na cabeça, e caindo um tanto ondulados após a altura dos ombros.
Usava um short preto com uma blusa colada, branca, com algumas bolinhas vermelhas estampadas e um cinto de mesma cor marcando a cintura. Os sapatos eram pretos e no estilo peep toe.
Sempre gostara do estilo pin up.
"Obrigada"
A rosada pegou a maleta que havia deixado na mesa da recepção alguns minutos apenas para assinar seu nome e ajeitou o jaleco sob o braço.
"Bem, eu tenho que começar o trabalho" Ela disse com um sorriso de canto. "Quantos pacientes já temos na urgência e na enfermagem?" Perguntou.
Precisava começar o trabalho mais rápido o possível, afinal, queria terminar todos os check ups logo à manhã e partir para os casos um pouco mais graves à tarde, isso se não chegassem muitas pessoas na urgência.
A recepcionista vasculhou alguns papéis sobre a mesa e, pegando o que parecia ser uma grande lista, passou o olhar pela folha.
"Hum..." Começou após alguns pequenos segundos. "Parece que temos mais uma equipe que acaba de chegar de uma missão, uma senhora idosa e... na enfermagem nós já temos dois pacientes internados" A jovem concluiu.
Hm, o hospital já teve dias piores.
A médica assentiu e sorriu brevemente enquanto preparava para ir-se.
"Tudo bem, muito obrigada". Agradeceu. "Vou pegar algumas informações com o plantonista. Quem é?"
A recepcionista ponderou um pouco.
"É a doutora Samantha Tamaki" Respondeu. "Ela sairá daqui à uma hora".
Doutora Samantha. Uma médica simpática que tinha a mesma idade que a sua. Ela também fora uma ninja há um ano atrás, mas assim como Sakura, não suportava mais toda aquela adrenalina e ação que todos pareciam prestigiar tanto e que não achava tanta graça. Além do mais, Sakura também conhecia a outra doutora como a namorada de longa data de Izumo.
"Aham, tudo certo" Acenou com a mão como em uma despedida. "Tenha um bom dia".
A recepcionista assentiu com a cabeça antes de a jovem médica começar a se retirar em direção ao elevador do hospital, vestindo o jaleco no caminho.
De certo, ela reparara, não havia demorado muito para que a chuva já pudesse ser escutada do lado de fora do hospital e, as pessoas que entravam na clínica debaixo de longas capas de chuva podiam afirmar isso. O dia realmente não estava tão belo assim e, quase ela se esquecera, dias chuvosos lhe traziam lembranças de alguém mais do que presente.
Ela balançou um pouco a cabeça tentando livrar-se daqueles pensamentos.
Faziam parte apenas do passado.
"Segure a porta, por favor!" Ela pediu quando observou as grandes portas de ferro do elevador a se fecharem. Não seria nada legal ter de esperar mais.
Uma mão fina e delicada impediu a porta de se fechar – mãos de mulher.
A médica entrou apressada, tinha de falar com a plantonista o mais rápido possível, afinal, devia pegar as coordenadas de tudo que havia ocorrido na madrugada e assim poder cuidar de seus pacientes pelo resto da tarde. Podia contar a dedos tudo o que devia fazer àquele dia, inclusive passar algumas horas na emergência e depois partir à enfermagem.
Oh, Deus, qual seria a equipe de genins que teria de curar daquela vez?
"Sakura?"
"Sim?"
E então se virou para a companhia junto a ela no elevador.
Ficou um tanto surpresa com o que viu.
"I-Ino?"
A outra mulher assentiu.
Nossa. Não conseguia nem ao menos lembrar da última vez que havia encontrado com sua amiga. Três semanas atrás? Não sabia. Talvez até um pouco mais, levando em conta todos os dias em que ela deixou passar em branco e as horas que pareciam escapulir de seu relógio.
Por um segundo, sentiu remorso.
Sua vida era tão corrida que não tinha tempo para os próprios amigos. Nem mesmo Ino, que sempre fora sua fiel confidente e agora, ela nem ao menos sabia como ela estava, teve inclusive que esperar a amiga aparecer ao hospital para que pudesse ao menos trocar um relance de olhar. A mulher poderia estar doente e a pessoa a quem havia confiado amizade eterna, nem ao menos sabia disso.
Não que ela não se importasse, de modo algum, mas, era difícil não saber para onde a sua própria vida pessoal estava se mandando sem sua atenção, afinal, ela não sabia nem dizer como seu antigo time estava, como seu melhor amigo se mantinha. Era, de fato, uma vergonha.
"O que está fazendo aqui?" A rosada perguntou aflita. Os olhos verdes ricochetearam nos azuis, a preocupação evidente no semblante da doutora. Tinha de saber como estava à saúde de sua amiga. "Está doente?" Reforçou.
A médica não esperou pela resposta. Procurou qualquer vestígio de um sintoma aparente. Olhos inchados, não; Pupilas dilatadas, nada; Manchas na pele, nada novamente. O que seria? Minha nossa, o que seria? Chegou, inclusive, a estender a mão para avaliar as mediações da pele da amiga, mas logo se conteve. Não era educado sair apalpando as pessoas por aí.
Enquanto observava sua amiga rosada tremer-se na base, a loura apenas sorriu matreiramente.
"Apenas de felicidade." Respondeu a pergunta feita anteriormente.
A resposta chamou a atenção da doutora, que parou de procurar sinais de possíveis doenças no corpo da amiga. Sua mente, no momento, variava de toxoplasmose à leucemia.
Doente de felicidade? Ela pensou, Oh meu Deus, é psiquiátrico.
"Quê?" Conseguiu perguntar enquanto franzia levemente o cenho.
Ino estava prestes a responder, mas o leve sinal do elevador a interrompeu.
Ambas viraram os rostos em direção aos botões da máquina e perceberam apenas um deles pressionado. Estavam no quinto e último andar. Como assim no quinto andar? Oh, sim, ela havia esquecido de pressionar qualquer botão assim que ficou surpresa pela presença de uma velha amiga.
"É meu andar" Uma voz interrompeu os pensamentos de Sakura. Sua amiga lhe estava falando novamente, embora seu olhar estivesse fixo na porta do elevador e, por um momento, ela pareceu... assustada.
Assustada? Mas por que assustada? A doença era tão grave assim? Se ao menos pudesse descobrir de algum modo. Queria perguntar, mas as palavras não saíam de sua boca, ficavam apenas imersas em seus pensamentos enquanto assistia à loura começar a sair do elevador.
"Espera!" Sakura chamou e tentou pegar no braço da amiga, mas essa foi um pouco mais rápida e conseguiu escapar, mesmo que sem querer, o que podia ser notado pelo fato de ela ter virado bruscamente para encontrar o olhar da rosada.
"Depois te explico". Ino prometeu enquanto via a porta do elevador fechar-se.
Sakura olhou rapidamente para o pequeno monitor acima do elevador e viu o número "2" estampado no mesmo. Malditas pessoas que não aguardam ao chamar o elevador, pensou enquanto apertava enraivado, o número "3" no painel de botões.
Balançou a cabeça rapidamente, como para livrar-se de pensamentos, e suspirou.
O que Ino iria lhe explicar depois? Ou melhor, quando teriam finalmente a chance de se encontrarem para que assim ela pudesse explicar? Deus. Eram nesses raros momentos em que se sentia tão inútil. Era médica e não podia nem ao menos adivinhar se havia algo de errado com sua amiga e-
"Sakura?" Uma voz questionou. O elevador já tinha chegado? Levantou o rosto para observar quem a havia chamado e teve uma surpresa.
Um ser humano muito alto, de olhos escuros, assim como seus cabelos, a expressão entediada.
"Sakura... Haruno?"
Por quê? Oh Deus. Por que era divertido para o céu que alguém judiasse dela?
