Capítulo II - Paralisada
Quando chegou à casa dos Cullen, reparou que o jardim estava deserto. Apenas o seu irmão a esperava, com roupas confortáveis que tinha ido buscar a casa. Olhou para a irmã e esboçou um sorriso, ele também sabia que ela não estava ali porque gostava de vampiros. Seth conseguia compreender o que ela sentia e o sofrimento que aquilo lhe causava, ver o Jake passar por uma situação parecida com a dela. Leah abocanhou as roupas e foi vesti-las para o meio dos arbustos que rodeavam a casa.
O sol ia surgindo aos poucos e poucos e ia iluminando o jardim. Leah estava sentada ao lado do irmão hà pouco mais de 10 minutos. Ambos estavam em silêncio a olhar para casa, até que ela quebrou o silêncio desconfortável que os rodeava.
- Alguma novidade por aqui?- perguntou ao irmão enquanto mirava o sol que ia levantando.
- Não, só o costume. A Bella está melhor mas as dores continuam.
- Ela continua a rejeitar a solução que o Carlisle propôs?- perguntou- Não quer matar- hesitou sem saber o que chamar ao feto que se desenvolvia no útero da humana-... aquilo?
Seth encarou o chão e Leah reparou que isso o afectava. Apenas se questionava sobre o porquê de ele gostar tanto deles.
- Continua decidida quanto a isso.
Ela não compreendia como é que Bella podia amar algo que estava a matá-la aos poucos. Toda aquela certeza de que estava a fazer a coisa certa ao ter o bebé, era tudo tão confuso! Não fazia qualquer sentido na sua cabeça.
Leah esfregou a cara com intenção de limpar as marcas de sono que permaneciam hà 1 semana. Não conseguia dormir, não só pelo facto de não ter tempo mas também porque de cada vez que conseguia finalmente adormecer era assombrada por pesadelos e acordava em pânico.
Há medida que o dia ia nascendo, o burburinho que se ouvia na casa ia aumentando, as coisas iam alegrando porque Bella pelos vistos estava a melhorar. Mas mesmo assim ainda não conseguia levantar-se e vir para a sala onde habitualmente estaria . Isso era bom para Leah, porque caso ela permanecesse o dia todo lá em cima, Jake ficaria lá com ela. Não lhe apetecia ter de encarar a sua expressão maguada naquele dia em particular, o primeiro dia em que ela tinha chorado por ele. Eles odiavam-se! Como poderia ela chorar por alguém que, para além de nunca a ter compreendido e desculpado certas atitudes, a odiava profundamente? É claro que ela não gostava particularmente de Jacob. Ele deixava que Bella brincasse com ele, o que a irritava muito, e por isso, Leah tinha decidido que tinha sido a primeira e última vez que ia chorar por quem não merecia. Não bastavam já as noites que chorara por Sam pelo que ele lhe fazia? Nessa altura, quando finalmente descobriu o que se passava, sentiu-se trocada. Leah sempre defendeu que se ele assim o quisesse, conseguiria arranjar tempo para ambas as coisas.
Seth tinha entrado na casa luxuosa. Leah via-o sentado num longo sofá azul, conversando animadamente com Edward sobre filmes. A humana estava a dormir. Leah conseguia ouvir o seu leve ressonar. Também ouvia o Jacob, aliás... não o ouvia a ele, mas sim ao seu coração, que batia regularmente. Estava com ela.
Virou costas à mansão e sentou-se num dos degraus de madeira escura que davam acesso à porta principal. Olhou as árvores que rodeavam a casa e reparou o quão agradável era aquele lugar. Ela sempre pensara que os vampiros gostavam de viver num ambiente mais escuro, pelos vistos enganou-se. Tinha a noção de que haviam várias coisas que não eram verdadeiras, lendas que se espalhavam pelo mundo, sobre vampiros e lobisomens... absurdo. Ninguém diria que um vampiro morre com a luz do sol se conhecesse, realmente, os Cullen.
Ouviu alguns passos leves no soalho da casa e virou-se para ver quem vinha ter com ela. Ficou realmente espantada, quando viu que Rose a contemplava.
- Posso sentar-me ao pé de ti Leah?- perguntou, enquanto olhava para o degrau onde Leah se tinha sentado.
- Podes, a casa é tua. - disse ela à vampira.
Por segundos Leah olhou para Rose. Quer dizer, olhou mesmo para Rose e reparou na beleza que ela possuía. Era óbvio que não era humana. Não existia no mundo qualquer humano que pudesse atingir tal beleza. O seu cabelo loiro fazia umas ondas perfeitas, caracóis realmente bonitos, daqueles que as raparigas invejam e gostavam muito de ter. A sua pele era muito branca, lisa e sem qualquer imperfeição. Os olhos dela eram o habitual dourado, mas quando Leah os olhou com mais atenção eles mostraram-lhe várias emoções, como se Rosalie se tivesse aberto para Leah e a tivesse deixado espreitar um pouco da sua vida. Ela trazia um vestido azul marinho, que lhe caía perfeitamente no corpo, acabava um pouco antes do joelho e mostrava as suas pernas elegantes.
- Os restantes que não foram caçar a semana passada precisam de o fazer hoje, vocês ficam por aqui. O Jacob disse que não haveria qualquer problema, mas tu pareces não gostar de estar aqui connosco. Leah eu compreendo, também não me agrada particularmente ter a casa impestada de lobisomens... portanto, ofereci-me para ficar cá e assim se quiseres podes ir a casa.
Leah arregalou os olhos e admirou-se da atitude que Rosalie teve para consigo, sempre pensou que ela era a vampira que menos gostava de lobisomens.
- Obrigada – agradeceu. Ela não precisava que alguém lhe fizesse favores, aquele era o seu dever- Este é o meu dever e eu estou aqui porque quero por isso não me faz qualquer diferença ficar.
Rosalie franziu o sobrolho e disse-lhe:
- Nesse caso quem fica é o Edward e a Alice, os outros vão todos, incluindo eu.
- O outro vampiro loiro não fica também ?- perguntou Leah referindo-se a Jasper.
- O Jasper tem uma grande necessidade de se alimentar frequentemente, ele é o mais novo de todos nós e ainda não se habituou a viver de sangue animal.
A porta abriu-se novamente e sairam todos os vampiros que iam caçar. Alice beijou carinhosamente o seu namorado e aconchegou a cara dele nas suas mãos. Eles sorriram um para o outro. Os vampiros que iam caçar com Jasper correram por entre as árvores e partiram.
Leah viu Jacob que segurava ao colo uma Bella muito fraca. Ela ainda estava aí nos 3 meses e a barriga dela já estava enorme. Jacob tinha pena de ela não ter uma gravidez muito feliz. Cada pontapé que o feto dava não era apenas uma pequena pancada agradável no útero que até dava algum prazer a todas as grávidas. Bella não ficava feliz quando o feto dava pontapés, ela simplesmente não tinha tempo para ficar feliz. As dores atingiam-na repentinamente. Jake olhou para Leah com uma certa indecisão na sua face, como que a ponderar se devia sorrir-lhe ou manter a seriedade na sua face. Pelos vistos preferiu manter-se sério, o que por um lado desagradou Leah. No entanto, esta manteu a sua cara normal, angustiada. Começaram a cair pequenas gotas de chuva, que escorriam pelo cabelo curto e fino de Leah até à roupa, mas ela preferia, sem dúvida, ficar ali, a encharcar a roupa, cabelo e cara a entrar na casa dos vampiros. Seth sentou-se ao seu lado e disse-lhe:
- Leah o Edward gostava que entrasses.
Leah olhou para o irmão com a expressão mais sarcástica que conseguiu e respondeu:
- Preferia congelar aqui- mentira, ela queria entrar. Anciava por poder sentar-se num daqueles sofás com um aspecto super confortável ou recostar-se numa das enormes poltronas. Ela era capaz de dormir assim.
Algo estalou dentro de casa e de repente, alguém soltou um grito agudo. Seria com certeza um grito de dor e todos sabiam de onde vinha o grito: Bella.
Seth entrou na sala grande decorada em tons pastel, entre os azuis, bejes e até um amarelo super clarinho. Correu até a poltrona onde Bella se encontrava. Jake estava de joelhos à frente dela, a ponderar o que devia de fazer e Edward dava-lhe a mão e dizia-lhe que já ia passar e as dores iam acabar. Rapidamente ela foi levada para o quarto que agora mais parecia um quarto de hospital com todo o equipamento médico disponível. Edward correu a colocá-la na maca e a examiná-la vagamente. Alice subiu as escadas de madeira clara até ao quarto e abriu um telemóvel, começou a marcar um número o mais rápido que conseguiu e levou o aparelho ao ouvido.
Jacob estava agachado, perto da maca a acalmar a humana e Leah sem saber o que fazer estava paralisada no meio da sala, a olhar para tudo o que se passava à sua volta. Todos os murmúrios que ouvia lhe pareciam longínquos e não conseguia identificá-los como de costume. As imagens estavam desfocadas aos olhos dela e ouviu uma voz aguda dizer "Carlisle já vem a caminho".
Acordou daquele transe com um berro agressivo vindo de Jake:
-Por favor ajuda-me Leah, por favor, para que é que estás aqui? Ajuda!
Ela parecia ter os pés colados ao chão, não conseguia mover-se para nenhum lado. Jake abanou-a pelos ombros e chamou o seu nome; Leah, Leah.
Ela não ouvia nada. De repente caiu no chão e mergulhou num sono profundo. Leah acabara de desmaiar.
