1. Encontro na Sala Comunal.

Rose Weasley rolou umas quinhentas vezes na cama, mais mesmo assim o sono não veio.

Olhou para os lados e constatou que todas as suas colegas de dormitório já estavam dormindo. Isso só tornava as coisas piores, detestava continuar acordada enquanto todos os outros dormiam.

Levantou, sabendo que a sala comunal não estaria tão quente quanto sua cama, mas mesmo assim determinada a esperar o sono chegar a outro lugar que não a sua cama, vestiu um casaco qualquer e saiu do dormitório.

Desceu as escadas até o salão comunal distraída, acendeu a lareira e sentou-se numa poltrona defronte a janela, onde ela via floquinhos de neve caindo e ao tocar o chão, juntar-se a uma massa branca.

-Não vai falar comigo ruiva?

Ela quase pulou da poltrona, tomou um susto e quando se virou viu o loiro ali de frente para ela segurando um pergaminho nas mãos.

-Scorpius! –Disse ela nervosa. –Você tá brincando de fantasminha? Ou o que? Que susto que você me deu!

Ele apenas riu e ficou ali observando o quanto ela era bonita . Se fosse um tempo atrás, a resposta nervosa da garota teria sido motivo de briga, mas ele não queria mais machuca-la.

-Ué! Você desceu do dormitório feminino, atravessou a sala, acendeu a lareira, sentou e ficou observando a janela e nem para me notar. EU estava aqui primeiro.

Ela fechou a cara para ele. Além de insônia ainda teria que aturar as briguinhas que ela e Scorpius tinham pelo menos 10 vezes durante o dia, agora a noite! Ah, lembrou-se também que estava na TPM, o que lhe dava o direito de ficar sozinha quando se sentisse estressada, a não ser que este alguém quisesse apanhar.

-Mas me diga Rose o que você está fazendo a 1 da manhã no salão comunal, numa noite de inverna tão fria quanto essa?

-Falta de sono. Pelo menos aqui eu posso fazer barulho, e você o que faz fora da cama uma hora dessas?

Ele não respondeu imediatamente, olhou para o pergaminho em suas mãos, e então prosseguiu:

-Eu... estava só querendo ler a minha redação de Herbologia, que o Neville nos pediu. É para entregar amanhã, não é?

-Não mente pra mim, Scorpius. Você sabe que eu odeio mentira.

-Mas...

-Não tem mais nem menos. Eu venho sendo sua amiga desde que tínhamos 11 anos. Eu sei que você tá mentindo pra mim.

Mesmo sobre a luza fraca vinda da lareira, o loiro corou. Rose sabia que algo estava errado com ele, conhecia ele tão bem quanto conhecia a si mesma. Anos de brigas, de aproximações explosivas a haviam ensinado tudo sobre aquele loiro. Lembrou-se com um sorriso nos lábios o apelido que ele inventara que a tirava do sério "Ruiva estorada".

-Posso ler o pergaminho?

Ele abaixou a cabeça e estendeu o braço que segurava o pergaminho. A ruiva se aproximou da lareira para poder ler:

Scorpius

Espero que esteja tudo bem com você. Me desculpe filho não ter escrito nas ultimas 2 semanas. Cheguei em casa anteontem, só encontrei sua mãe a pouco, quando perguntei de você ela disse que não mantinham contato nenhum este ano.

Hoje de manhã chegou uma coruja aqui em casa, dizendo que estão com um problema muito grave entre os bruxos da África do Sul, uma espécie de epidemia e nenhum especialista consegue cura-la. O governo de lá me pediu ajuda, na verdade me implorou, e eu acho que é meu dever ajudar adultos e crianças.

Estou embarcando amanhã, e não acho que será possível voltar até o Natal.

Sinto muito filho. Eu sei que lhe prometi que passaríamos o Natal todo juntos, mas tenho certeza que entenderá.

Sua mãe disse que manterá a tradição, e fará a 'Festa dos Malfoy', portanto nem tudo será tão diferente.

Peço mil desculpas a você, primeiramente por causa do Natal, e depois por não estar sendo o pai que prometi a mim mesmo e a você (quando era apenas um bebe) que seria.

Te Amo filho.

Seu pai, Draco Malfoy.

Quando Rose terminou de ler a carta, percebeu que seus olhos estavam cheios de lágrimas. Olhou para Scorpius que continuava a encarar o chão com um olhar deprimido.

-Scorp?

Ele levantou devagar a cabeça e fez um sinal com cabeça que a ruiva não entendeu, então disse:

-Ficou com dó de mim Rose? Não precisa.

-Não é dó. Scorpius eu me importo com você. E sei que você está sofrendo agora.

Scorpius deu um sorrisinho fraco "Eu me importo com você.", vindo daquela ruiva eram as melhores palavras que poderiam ser ditas para ele naquele momento.

-Eu quero saber o que vai fazer.

-Como assim? –Ele a encarou nos olhos com tal intensidade que ela sentiu as pernas tremerem, eram os olhos frios e cinzentos encarando os azuis escuros acalorados. Era como o encontro do fogo e do gelo.

-Onde passará o Natal?

-Aqui. Eu não vou voltar para minha casa. Pra que? Para encontrar minha querida mãe dizer para todos os convidados que se dependesse dela eu não carregaria mais Malfoy no meu sobrenome. Quem sempre me apoio foi meu pai. Dizendo que a casa a qual pertencemos não significa nada, hoje ele entende que a Grifinória sempre foi muito mais justo do que a Sonserina, sem ele lá ela caçoara de mim, dirá que sou a vergonha da família sem parar. Estou cheio disso.

Ele terminou de falar e se virou de costas para a garota, que não conseguia acreditar no que ouvira.

Como uma família podia ser assim?

Ela não sabia o que falar, então decidiu não faze-lo. Apenas chegou mais perto dele e passou as mãos, que apesar do frio estavam quentes na face fria do garoto. Ao toque dela ele fechou os olhos.

Então, ela o abraçou. Pois tudo de si naquele abraço, queria que ele entendesse que ela o amava, que ela se importava com ele, que ela sentia orgulho.

Enquanto ele desabava sobre ela. Punha todo o medo, todo o desgosto, toda tristeza que sentia.

-Eu preciso fazer uma coisa. –Ele ouvia a voz dela no seu ouvido e seu corpo estremeceu.

Eles se soltaram.

-Scorp sua coruja está ai?
-Está no dormitório. Traga a para mim por favor.

Ele concordou com a cabeça, 5 minutos voltou com uma coruja empoleirada em seu ombro, ela deu um beijo na bochecha dele e subiu para o dormitório feminino com um plano totalmente formado em sua mente.

N.A./ Espero que gostem da história!

Reviews são os melhores presentes que vocês podem me dar.

:D Criticas construtivas e palpites são sempre bem vindos.

Próximo Capítulo: Natal era uma festa tão particular, para ser celebrada entre família. Na sua casa nunca havia conhecido o verdadeiro significado do Natal, mas sabia que se passasse com os amigos finalmente iria conhecê-lo. Sem contar, que teria 15 dias na casa daquela ruiva maravilhosa que estava sorrindo para ele. 15 dias em que ele teria oportunidade de conhecê-la fora de Hogwarts, e dizer tudo que sentia por ela.

Foi este ultimo pensamento que o fez tomar sua decisão...