A TORRE DA DERROTA

Capítulo 1 – A primeira grande escolha

... Deus não perdoou aos anjos que pecaram,

Mas os lançou ao inferno

E os entregou às cadeias da escuridão,

Ficando reservados para o juízo...

- 2 Pedro 2:4

Sussurro – Becca Fitzpatrick

Azkaban era fria, assustadora e ninguém poderia fazer visitas aos prisioneiros se não fosse um auror em serviço ou o Ministro da Magia em pessoa, mas isso não significava nada para um Malfoy. Contatos e dinheiro realmente compravam qualquer coisa. Ou quase qualquer coisa, contatos e dinheiro não haviam garantido seu primeiro lugar como aluno de Hogwarts ou sua amizade com Harry Potter e nem a liberdade de um Comensal da Morte em meio à confusão que se formou com a volta do Lorde das Trevas. Talvez Lucius não fosse estúpido a ponto de barganhar esse tipo de coisa com o Ministério da Magia de qualquer maneira. Possivelmente o preço fosse muito alto e sem recompensas satisfatórias. E naquele instante Draco Malfoy caminhava elegantemente pelos corredores escuros e desgastados da mais aterrorizante prisão bruxa com uma expressão de indiferença e profundo enfado com sua mãe alguns passos atrás.

Narcisa Malfoy sabia o que o único filho tinha ido fazer naquele lugar. Nunca havia cogitado a possibilidade de um Malfoy ser preso naquela prisão aterradora e Lucius havia lhe prometido que aquilo não aconteceria com ele, depois que Bellatrix foi presa. Mais uma promessa que o marido não havia cumprido. Já havia desistido de tentar fazer Lucius criar alguma razão, mas concordava que algumas coisas não tinham volta e a marca negra gravada na pele de seu esposo era uma delas. Temia pela sua vida e a de seu filho. Até aquele momento nenhum dos Comensais da Morte haviam procurado a família Malfoy, mas Narcisa sabia que era uma questão de tempo, principalmente com a prisão de Lucius. Ela não fantasiava com a possibilidade de seu marido ser solto por nenhum dos lados. Lucius sabia que não tinha esperança, ela sabia que não tinham esperanças. Tudo o que podia fazer era acreditar na criação que dera a seu filho. Pedia a Salazar que as escolhas de Draco o levassem adiante longe da dor e do desespero. Longe da morte que rondava ela e o marido.

O silencio do lugar era quebrado apenas pelo som do salto de Narcisa se chocando com o piso de pedra bruta. Draco, ao contrario, parecia um fantasma sem emitir nenhum ruído com suas passadas calmas e sutis e isso fez Narcisa sorrir. O filho era tão mais centrado que o pai. Um calafrio percorreu seu corpo e apertou o grosso casaco de peles no corpo esquio. O garoto, ou melhor, o rapaz a sua frente parecia completamente indiferente ao clima gelado que os rodeavam. Podia sentir a presença dos dementadores se esgueirando do outro lado daquelas paredes e o sentimento sufocante de infelicidade parecia impregnar a alma corroendo a mente e o coração. Era preciso ser muito forte para se manter centrado com aqueles seres rondando por todo lado.

Draco mantinha o passo impassível, sem estremecer ou olhar para os lados. Seu corpo magro apenas coberto por um conjunto normal de vestes, sem nenhum casaco para protegê-lo do frio intenso e mesmo assim ele se conservava firme como um verdadeiro Malfoy. O barulho do vento e da chuva de encontro às paredes de pedra parecia mais forte do que nunca, o frio penetrava fundo na sua pele, mas Draco sabia que nada daquilo era devido ao clima. Poderia colocar inúmeros casacos e sentiria o mesmo gelar desconcertante nas veias. Era a sensação dos dementadores. O desespero que gritava no fundo da sua mente e que ele tentava bloquear com o conhecimento de oclumência que possuía, se sua mente se mantivesse focada nada o atingiria, era o que o prof. Snape sempre lhe dizia.

O guarda que os acompanhava parou ao lado de uma porta grossa de metal e bateu a varinha a abrindo.

- Meia hora, Sr. Malfoy. – o guarda disse sério evitando fitar os olhos de Draco – Nem mais um minuto.

Narcisa tentou acompanhar o filho, mas a varinha do guarda a impediu.

- Somente o Sr. Malfoy. – a mulher crispou os lábios, mas nada disse mantendo a postura reta e sentindo um aperto no peito pelos motivos que levaram seu filho a ir até ali falar com o pai, e o conhecimento que seu amado marido estava tão perto de seu toque e ao mesmo tempo tão distante. Um calafrio percorreu seu corpo e ela preferiu não mais pensar no assunto.

Draco entrou na sala sem olhar para trás, mas sabia da apreensão de sua mãe. Ele tinha tomado uma decisão e não tinha mais volta. Olhou a sala simples com apenas duas poltronas negras no meio e outra porta do lado oposto. Sentou confortavelmente cruzando as pernas numa pose relaxada e esperou.

A porta se abriu revelando um homem alto, muito bem cuidado, vestindo trajes, com os cabelos loiros soltos caindo nos ombros. Não era nenhuma surpresa que Lucius tivesse ao menos subornado boas instalações naquela prisão temida e esquecida por todos, mas as olheiras fundas nos seus olhos refletiam o quanto aquele lugar o estava desgastando. Os olhos cinzentos também pareciam mais opacos e sem vida do que Draco se lembrava. A pele apresentava as rugas sempre tão bem escondidas com feitiços e poções. Mesmo com todo o cuidado extra Azkaban estava cobrando seu preço.

- Pai...

O homem sentado a sua frente apenas lhe lançou um olhar frio e indiferente.

- Estou aqui para lhe devolver isso. – Draco girou no dedo anelar da mão direita o anel com o símbolo dos Malfoy.

Lucius sorriu.

- Você sabe que me devolvendo o anel, você perde sua herança, pois essa é uma das chaves do nosso cofre, além do seu sangue... – o olhar de Lucius era duro, mas Draco o mantinha da mesma maneira – Sabe que perde sua ancestralidade... perde parte da sua magia ligada ao nome Malfoy... perde seu sobrenome...

Draco nem ao menos piscou como Lucius esperava. Um sorriso torto se formou nos lábios finos do filho, a face se mantinha calma, em paz, uma paz que Lucius achava difícil de existir naqueles tempos sombrios com uma possível guerra eminente. Draco havia feito uma escolha, talvez a sua primeira grande escolha em sua jovem vida. Não apenas de qual brinquedo iria querer no natal ou qual seria o seu almoço, mas uma escolha que modificaria seu destino. Seu filho estava se tornando um homem.

- Eu sei de tudo isso Lucius.


Nota:

Fiquei muito feliz de ter reviews, apenas dos comentários iniciais, pois significa que alguém ficou interessado. Essa fic é minha atual paixonite. Amo muito ela e seus personagens.

Os pares não estão definidos, ou seja, eu não tenho certeza que essa fic é Drarry. Eu me esqueci de comentar antes e acho melhor não criar expectativas, mas tudo pode acontecer com o desenvolver da estória. E eu sou uma grande apaixonada por Drarry.

Obrigada a Amber Zoaldyeck Potter e Schaala!

Beijinhos...